Marcelo Yuka: "Polícia que tortura e mata não tem saída"

Francisco Alves Filho, Revista IstoÉ - Segurança pública é, para o músico e compositor Marcelo Yuka, um refrão recorrente em suas letras carregadas de crítica social - aliás, é um refrão em sua própria vida. Em novembro de 2001, ao tentar socorrer uma mulher durante um assalto, ele levou seis tiros que o deixaram paralisado da cintura até os pés. Apesar de viver entrevado numa cadeira de rodas, ele conseguiu retomar a carreira.

"É fácil a polícia dizer que vai haver vítimas, uma vez que não é a filha do secretário Beltrame [foto] que vai morrer"


Apesar de ser vítima da violência, ele conseguiu manter o senso de legalidade e justiça que sempre o norteou. Prova disso é que Yuka, fundador da banda O Rappa, mostra-se indignado também com a violência das ações da polícia do Rio de Janeiro, que, do início deste ano até o mês de setembro, já resultou na morte de 961 "suspeitos".

Ele se diz estarrecido com as declarações do governador Sérgio Cabral, que legitima essas operações defendendo até a legalização do aborto para as mulheres de áreas carentes como forma de diminuir a violência. "Isso é muito grave, trata-se de eugenia", diz Yuka.

O músico criou um movimento que congrega juristas, acadêmicos e artistas para denunciar essa situação e foi recebido pelo relator da ONU, que investiga os excessos da polícia carioca. Nesta entrevista, Yuka critica a criminalização da pobreza e lamenta um equivocado consenso da sociedade - o de que a violência urbana só pode ser resolvida pela força. Leia a entrevista clicando no título.

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