Parque Estadual do Ibitipoca

Por Petrônio Souza Gonçalves

Buscava um refúgio seguro para fugir das badalações do carnaval deste ano. Minas, com suas milhares de cachoeiras e dezenas de oásis de belezas naturais, me oferecia um cardápio que ia de pequenos lugarejos a grandes parques ecológicos, ao qual decidi optar pelos dois, escolhendo a charmosa Vila de Conceição de Ibitipoca e seu encantador Parque Estadual do Ibitipoca, a aproximadamente 300 km de Belo Horizonte.

À primeira vista, depois de uma longa ausência, pude ver a pequena Vila descortinando sua esmerada beleza, fruto da chegada de um turismo permanente e do amor externado de seus moradores por aquele pedaço do paraíso aqui na terra: é de encher os olhos. A fachada das casas, os jardins floridos, o bom gosto entalhado. Enquanto entrava pelo arraial, a beleza do pequeno lugarejo entrava dentro de mim, me embebedando por um cenário raro, preservado, desses que nos faz orgulho de ser mineiro e de ver que este é, sobretudo, um estado de espírito... Que maravilha!

Da cidade sede do Parque, Lima Duarte, à pequena Vila, percorrem-se 27km por uma estrada de terra sinuosa, montanhosa e que não faz jus ao que está depois dela. Por ligar um centro urbano a um Parque Estadual, deveria ser cuidada, ter uma manutenção sistemática, algo que esteja à altura da importância que sua ligação faz, afinal, ela nós leva até uma parte do paraíso, um paraíso encontrado e declamado mundo afora.

No Parque, a estrutura edificada para atender ao turista, com todo carinho e respeito que ele merece. Boa sinalização nas trilha, pequenas pontes para facilitar a travessia por seus vários rios, uma lanchonete providencial e um restaurante com várias opções em seu cardápio. Ao redor, a beleza divinal, o Parque com seus vários encantos, suas muitas moradas. É preciso preservá-lo, é preciso assegurar que a biodiversidade de nosso planeta chegue à posteridade, afinal, tudo por aqui está por um fio, e lá, um fio de rio alimenta a tudo que está a sua volta. É comovente ver que as nossas pequenas grandes coisas, o nosso patrimônio natural esteja sendo cuidado, está em boas mãos.

Volto feliz para a Vila, querendo encerrar o dia de forma magistral, sem saber que a melhor surpresa ainda estava por vir, quando passei pela Rua Deputado Lourival Brasil Filho; que saudade... Lembro-me quando ele me contou, com os olhos marejados, a sua luta até a concretização da criação do Parque Estadual do Ibitipoca. Lourival foi apresentado à Vila do Ibitipoca pela sua esposa, Dona Diva, que era natural de Lima Duarte, cidade sede de toda aquela beleza.

Me deu um orgulho danado de ser mineiro, de ver o nosso patrimônio preservado e a nossa memória... foi um momento mágico, revelador. Passei pela Rua Deputado Lourival Brasil Filho imaginando um país melhor, um Brasil sonhado pelo saudoso Lourival, com sua beleza preservada, sua memória guardada e a luta diária de seus filhos pela preservação da sua história, da sua memória, das suas belezas e as coisas que nem o tempo nos leva mais...

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. Leia mais em http://petroniosouzagoncalves.blogspot.com


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Parque Estadual do Ibitipoca

Por Petrônio Souza Gonçalves

Buscava um refúgio seguro para fugir das badalações do carnaval deste ano. Minas, com suas milhares de cachoeiras e dezenas de oásis de belezas naturais, me oferecia um cardápio que ia de pequenos lugarejos a grandes parques ecológicos, ao qual decidi optar pelos dois, escolhendo a charmosa Vila de Conceição de Ibitipoca e seu encantador Parque Estadual do Ibitipoca, a aproximadamente 300 km de Belo Horizonte.

À primeira vista, depois de uma longa ausência, pude ver a pequena Vila descortinando sua esmerada beleza, fruto da chegada de um turismo permanente e do amor externado de seus moradores por aquele pedaço do paraíso aqui na terra: é de encher os olhos. A fachada das casas, os jardins floridos, o bom gosto entalhado. Enquanto entrava pelo arraial, a beleza do pequeno lugarejo entrava dentro de mim, me embebedando por um cenário raro, preservado, desses que nos faz orgulho de ser mineiro e de ver que este é, sobretudo, um estado de espírito... Que maravilha!

Da cidade sede do Parque, Lima Duarte, à pequena Vila, percorrem-se 27km por uma estrada de terra sinuosa, montanhosa e que não faz jus ao que está depois dela. Por ligar um centro urbano a um Parque Estadual, deveria ser cuidada, ter uma manutenção sistemática, algo que esteja à altura da importância que sua ligação faz, afinal, ela nós leva até uma parte do paraíso, um paraíso encontrado e declamado mundo afora.

No Parque, a estrutura edificada para atender ao turista, com todo carinho e respeito que ele merece. Boa sinalização nas trilha, pequenas pontes para facilitar a travessia por seus vários rios, uma lanchonete providencial e um restaurante com várias opções em seu cardápio. Ao redor, a beleza divinal, o Parque com seus vários encantos, suas muitas moradas. É preciso preservá-lo, é preciso assegurar que a biodiversidade de nosso planeta chegue à posteridade, afinal, tudo por aqui está por um fio, e lá, um fio de rio alimenta a tudo que está a sua volta. É comovente ver que as nossas pequenas grandes coisas, o nosso patrimônio natural esteja sendo cuidado, está em boas mãos.

Volto feliz para a Vila, querendo encerrar o dia de forma magistral, sem saber que a melhor surpresa ainda estava por vir, quando passei pela Rua Deputado Lourival Brasil Filho; que saudade... Lembro-me quando ele me contou, com os olhos marejados, a sua luta até a concretização da criação do Parque Estadual do Ibitipoca. Lourival foi apresentado à Vila do Ibitipoca pela sua esposa, Dona Diva, que era natural de Lima Duarte, cidade sede de toda aquela beleza.

Me deu um orgulho danado de ser mineiro, de ver o nosso patrimônio preservado e a nossa memória... foi um momento mágico, revelador. Passei pela Rua Deputado Lourival Brasil Filho imaginando um país melhor, um Brasil sonhado pelo saudoso Lourival, com sua beleza preservada, sua memória guardada e a luta diária de seus filhos pela preservação da sua história, da sua memória, das suas belezas e as coisas que nem o tempo nos leva mais...

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. Leia mais em http://petroniosouzagoncalves.blogspot.com


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Parque Estadual do Ibitipoca

Buscava um refúgio seguro para fugir das badalações do carnaval deste ano. Minas, com suas milhares de cachoeiras e dezenas de oásis de belezas naturais, me oferecia um cardápio que ia de pequenos lugarejos a grandes parques ecológicos, ao qual decidi optar pelos dois, escolhendo a charmosa Vila de Conceição de Ibitipoca e seu encantador Parque Estadual do Ibitipoca, a aproximadamente 300 km de Belo Horizonte (...) Por Petrônio Souza Gonçalves, clique no título para ler.

Artigo: Da farsa à farra

No governo Lula, tudo é assim: uma grande farra. A farra dos cargos, a farra dos cartões; tudo pertencente a uma corporação, um grupo, uma grande instituição. É a privatização do poder, a familiarização do patrimônio público, o sentido mais rasteiro do que seja uma administração, um cargo eletivo, um sentido de gerir os anseios de um povo, a gestão de um Estado, de uma nação (...) Por Petrônio Souza Gonçalves. Leia aqui.

Da farsa à farra

Por Petrônio Souza Gonçalves

No governo Lula, tudo é assim: uma grande farra. A farra dos cargos, a farra dos cartões; tudo pertencente a uma corporação, um grupo, uma grande instituição. É a privatização do poder, a familiarização do patrimônio público, o sentido mais rasteiro do que seja uma administração, um cargo eletivo, um sentido de gerir os anseios de um povo, a gestão de um Estado, de uma nação.

Para aqueles que vão estar perto, caminhar juntos, instituiu-se uma mesada, um incentivo para todos participarem da grande festa. Até os amigos mais próximos, arranjam um jeito de tirar uma casquinha. Quando dá; um produz um farto churrasco, para peixes grandes e peixes miúdos... e assim vai a caravana vermelha da vergonha do governo Lula e todos os seus companheiros.

Alguns relatos dessa grande festa foram feitos por alguns que abandonaram o barco, achando constrangedor o triste espetáculo. Frei Betto foi rezar e pregar em outra freguesia, mais ávida por pão e luz. Ricardo Kostcho foi viver de ver e retratar a verdade, aquela que ele tentou negar por algum tempo. Atrás deles, a história vexatória daquilo que eles não comungam mais; a mesa farta dos eternos comensais, dos vampiros famintos por verbas federais, dos aloprados retintos, dos rufiões de sonhos, dos dançarinos debochados da impunidade, dos relaxados ministros gozando em plena luz do dia de nossas caras... É a grande e triste farra dos iguais. A lamentável história das pessoas vazias. A farsa dos boçais!

O que vai ficar do governo Lula para a posteridade?! A instituição do assistencialismo? O populismo reinante como principal política de um governo exercido por um ex-retirante? Ou os rostos mestiços de seus ministros se lambuzando no melado deixado pela casa grande com seus 400 cabedais de história e poder?! Tudo, uma coisa só, erguida pela casa grande e desfrutada pelos que desfilavam mágoas no vasto quintal da hipocrisia.

Para o brasileiro crente em uma Nação, em um povo; uma grande desilusão e uma doída constatação! Agora está, aos poucos, catando seus cacos, contabilizando as perdas, costurando a velha bandeira; tingida por sonhos, lutas e muitas decepções.

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. Blog: http://petroniosouzagoncalves.blogspot.com


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Da farsa à farra

Por Petrônio Souza Gonçalves

No governo Lula, tudo é assim: uma grande farra. A farra dos cargos, a farra dos cartões; tudo pertencente a uma corporação, um grupo, uma grande instituição. É a privatização do poder, a familiarização do patrimônio público, o sentido mais rasteiro do que seja uma administração, um cargo eletivo, um sentido de gerir os anseios de um povo, a gestão de um Estado, de uma nação.

Para aqueles que vão estar perto, caminhar juntos, instituiu-se uma mesada, um incentivo para todos participarem da grande festa. Até os amigos mais próximos, arranjam um jeito de tirar uma casquinha. Quando dá; um produz um farto churrasco, para peixes grandes e peixes miúdos... e assim vai a caravana vermelha da vergonha do governo Lula e todos os seus companheiros.

Alguns relatos dessa grande festa foram feitos por alguns que abandonaram o barco, achando constrangedor o triste espetáculo. Frei Betto foi rezar e pregar em outra freguesia, mais ávida por pão e luz. Ricardo Kostcho foi viver de ver e retratar a verdade, aquela que ele tentou negar por algum tempo. Atrás deles, a história vexatória daquilo que eles não comungam mais; a mesa farta dos eternos comensais, dos vampiros famintos por verbas federais, dos aloprados retintos, dos rufiões de sonhos, dos dançarinos debochados da impunidade, dos relaxados ministros gozando em plena luz do dia de nossas caras... É a grande e triste farra dos iguais. A lamentável história das pessoas vazias. A farsa dos boçais!

O que vai ficar do governo Lula para a posteridade?! A instituição do assistencialismo? O populismo reinante como principal política de um governo exercido por um ex-retirante? Ou os rostos mestiços de seus ministros se lambuzando no melado deixado pela casa grande com seus 400 cabedais de história e poder?! Tudo, uma coisa só, erguida pela casa grande e desfrutada pelos que desfilavam mágoas no vasto quintal da hipocrisia.

Para o brasileiro crente em uma Nação, em um povo; uma grande desilusão e uma doída constatação! Agora está, aos poucos, catando seus cacos, contabilizando as perdas, costurando a velha bandeira; tingida por sonhos, lutas e muitas decepções.

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. Blog: http://petroniosouzagoncalves.blogspot.com


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A mutilação dos direitos dos brasileiros

Mutilado por um Estado que não pensa em formar homens e cidadãos, o brasileiro se vê agora cortado em sua veia. A ordem partiu do primeiro homem de nossa República, aquele que não pensa duas vezes em nos confiscar a nossa própria dignidade. Por Petrônio Souza Gonçalves.

A mutilação dos direitos dos brasileiros

Mutilado por um Estado que não pensa em formar homens e cidadãos, o brasileiro se vê agora cortado em sua veia. A ordem partiu do primeiro homem de nossa República, aquele que não pensa duas vezes em nos confiscar a nossa própria dignidade. Por Petrônio Souza Gonçalves.

Bastou o governo perder a arrecadação da inconstitucional e bi-tributária CPMF que, de chibata na mão, ao melhor estilo senhor de fazendas, o presidente Lula estufou o peito e falou com determinação: quem vai pagar essa conta é o povo brasileiro. Uma mutilação a mais na nossa idéia de governo, de política de Estado; uma deformação no entendimento do que seja o Estado e a sua gestão.

O trabalhador brasileiro paga muito caro para não ter direitos; para não ter saúde, para não ter educação e, agora, ao que tudo indica, diante da voragem do Zeus plebeu que teve roubado o fogo que alimentava as verbas dos pelegos e apaniguados, será mais uma vez mutilado em seus direitos e terá uma vez mais o seu salário afanado pelos impostores impostos.

Com um Estado mutilado e castrado em seus deveres, assistimos a volta de doenças que foram consideradas extintas. Tudo, por falta de investimentos no saneamento básico, no combate e controle sistemático às superadas epidemias, na vigília da saúde pública. Uma vergonha, um descalabro, um atestado de incompetência assinado pelo próprio Estado.

Enquanto isso, o camarada José Dirceu, tirando mais uma máscara do bolso, nos revela pelas páginas das revistas que circulam por aí o verdadeiro modo petista de governar e usar o poder. Tudo uma podridão só, só comparável ao período mais escuro de nossa recente história.

Se não bastasse ao brasileiro os seus inúmeros inimigos naturais, agora lutamos também contra os inimigos institucionais, aqueles que nos cortam na própria carne, na veia e vai, aos poucos, nos matando por inanição e pela total falta de assistência social.


Escritor e jornalista, Petrônio Souza Gonçalves mantém uma coluna semanal sobre política e cultura em mais de 40 jornais Brasil afora. Têm dois livros publicados e prepara o lançamento do terceiro: "Adormecendo os girassóis", de poemas. Em 2005 ganhou o Prêmio Nacional de Literatura "Vivaldi Moreira", da Academia Mineira de Letras, como segundo colocado. Visite o blog http://petroniosouzagoncalves.blogspot.com

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A mutilação dos direitos dos brasileiros

Mutilado por um Estado que não pensa em formar homens e cidadãos, o brasileiro se vê agora cortado em sua veia. A ordem partiu do primeiro homem de nossa República, aquele que não pensa duas vezes em nos confiscar a nossa própria dignidade. Por Petrônio Souza Gonçalves.

Bastou o governo perder a arrecadação da inconstitucional e bi-tributária CPMF que, de chibata na mão, ao melhor estilo senhor de fazendas, o presidente Lula estufou o peito e falou com determinação: quem vai pagar essa conta é o povo brasileiro. Uma mutilação a mais na nossa idéia de governo, de política de Estado; uma deformação no entendimento do que seja o Estado e a sua gestão.

O trabalhador brasileiro paga muito caro para não ter direitos; para não ter saúde, para não ter educação e, agora, ao que tudo indica, diante da voragem do Zeus plebeu que teve roubado o fogo que alimentava as verbas dos pelegos e apaniguados, será mais uma vez mutilado em seus direitos e terá uma vez mais o seu salário afanado pelos impostores impostos.

Com um Estado mutilado e castrado em seus deveres, assistimos a volta de doenças que foram consideradas extintas. Tudo, por falta de investimentos no saneamento básico, no combate e controle sistemático às superadas epidemias, na vigília da saúde pública. Uma vergonha, um descalabro, um atestado de incompetência assinado pelo próprio Estado.

Enquanto isso, o camarada José Dirceu, tirando mais uma máscara do bolso, nos revela pelas páginas das revistas que circulam por aí o verdadeiro modo petista de governar e usar o poder. Tudo uma podridão só, só comparável ao período mais escuro de nossa recente história.

Se não bastasse ao brasileiro os seus inúmeros inimigos naturais, agora lutamos também contra os inimigos institucionais, aqueles que nos cortam na própria carne, na veia e vai, aos poucos, nos matando por inanição e pela total falta de assistência social.


Escritor e jornalista, Petrônio Souza Gonçalves mantém uma coluna semanal sobre política e cultura em mais de 40 jornais Brasil afora. Têm dois livros publicados e prepara o lançamento do terceiro: "Adormecendo os girassóis", de poemas. Em 2005 ganhou o Prêmio Nacional de Literatura "Vivaldi Moreira", da Academia Mineira de Letras, como segundo colocado. Visite o blog http://petroniosouzagoncalves.blogspot.com

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Lembre-se que você tem quatro opções de entrega: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar, responda solicitando. [www.consciencia.net]

No país da servidão

Fernando Henrique era presidente, José Serra ministro. No dia 21 de abril, quando Minas realiza uma das mais bonitas e comoventes festas cívicas deste enorme país com uma memória tão pequena, Ouro Preto, a capital do ideal libertário, recebia as autoridades nacionais para a festa de Tiradentes. Um grupo de intelectuais mineiros, nacionalistas e herdeiros dos sonhos de Tiradentes, diante do deplorável governo entreguista de FHC, resolveu homenagear Fernando Henrique entregando-lhe a medalha Joaquim Silvério dos Reis, com toda certeza, um dos ídolos de FHC. Por Petrônio Souza Gonçalves.

O escolhido para receber a medalha foi José Serra, o mais destacado ministro naqueles anos de submissão e entreguismo. Ao ser comunicado que receberia a medalha em nome do governo, José Serra agradeceu aos novos inconfidentes mineiros dizendo que receberia a medalha Joaquim Silvério dos Reis com muita honra e orgulho. Minutos depois, sua assessoria matou a charada e acabou com a festa dos mineiros, que sentiram o vento inconfidente soprar-lhes o rosto nas ladeiras históricas de Ouro Preto.

Anos depois, José Serra, governador de São Paulo, a primeira cidade do Brasil, foi entregar o troféu ao segundo colocado no Prêmio Brasileiro de Fórmula I, que foi o piloto brasileiro Felipe Massa. Serra, não acreditando na capacidade do brasileiro, desconhecendo totalmente o nosso representante na Fórmula I, caminhou em direção de Fernando Alonso, piloto espanhol, que havia chegado em terceiro lugar. Ao ver a patética cena, o piloto espanhol apontou para o piloto brasileiro dizendo ao governador Serra: - Ele é que ganhou o segundo lugar, eu cheguei em terceiro, o troféu pertence a ele!

Não é exagero, mas assim tem sido a nossa cultura e mentalidade brasileiras desde muito. Sempre entregando o ouro para o bandido, sempre desacreditando que somos merecedores desta terra de milhões de km/2 e bilhões de riquezas por m/2.

No Brasil colônia, sempre fomos vencidos e traídos pelos apátridas. No Brasil império, idem. No Brasil República, os Joaquins Silvérios se multiplicaram, sempre entregando o nosso patrimônio aos desconhecidos. Construímos nossas estradas financiadas pelos nossos impostos e depois as doamos para as multinacionais nos cobrar os pedágios, nos roubando duas vezes, em nome do mesmo fim.

Tudo tem sido assim, desde os bandeirantes. Abrimos estradas, pavimentamos caminhos e depois vem outro para nos levar a paisagem e a riqueza das conquistas. Assim foi com a Vale do Rio Doce assim será com a Petrobras.

A grande verdade é que padecemos de um colonialismo ideológico, de imperialismo retrogrado, de uma imbecilidade servil e covarde. Não formamos uma nação, somos apenas recortes de um povo. Um povo que planta para outros comerem, infelizmente!


Escritor e jornalista, Petrônio Souza Gonçalves mantém uma coluna semanal sobre política e cultura em mais de 40 jornais Brasil afora. Têm dois livros publicados e prepara o lançamento do terceiro: "Adormecendo os girassóis", de poemas. Em 2005 ganhou o Prêmio Nacional de Literatura "Vivaldi Moreira", da Academia Mineira de Letras, como segundo colocado. Visite o blog http://petroniosouzagoncalves.blogspot.com

No país da servidão

Fernando Henrique era presidente, José Serra ministro. No dia 21 de abril, quando Minas realiza uma das mais bonitas e comoventes festas cívicas deste enorme país com uma memória tão pequena, Ouro Preto, a capital do ideal libertário, recebia as autoridades nacionais para a festa de Tiradentes. Um grupo de intelectuais mineiros, nacionalistas e herdeiros dos sonhos de Tiradentes, diante do deplorável governo entreguista de FHC, resolveu homenagear Fernando Henrique entregando-lhe a medalha Joaquim Silvério dos Reis, com toda certeza, um dos ídolos de FHC. Por Petrônio Souza Gonçalves.

O escolhido para receber a medalha foi José Serra, o mais destacado ministro naqueles anos de submissão e entreguismo. Ao ser comunicado que receberia a medalha em nome do governo, José Serra agradeceu aos novos inconfidentes mineiros dizendo que receberia a medalha Joaquim Silvério dos Reis com muita honra e orgulho. Minutos depois, sua assessoria matou a charada e acabou com a festa dos mineiros, que sentiram o vento inconfidente soprar-lhes o rosto nas ladeiras históricas de Ouro Preto.

Anos depois, José Serra, governador de São Paulo, a primeira cidade do Brasil, foi entregar o troféu ao segundo colocado no Prêmio Brasileiro de Fórmula I, que foi o piloto brasileiro Felipe Massa. Serra, não acreditando na capacidade do brasileiro, desconhecendo totalmente o nosso representante na Fórmula I, caminhou em direção de Fernando Alonso, piloto espanhol, que havia chegado em terceiro lugar. Ao ver a patética cena, o piloto espanhol apontou para o piloto brasileiro dizendo ao governador Serra: - Ele é que ganhou o segundo lugar, eu cheguei em terceiro, o troféu pertence a ele!

Não é exagero, mas assim tem sido a nossa cultura e mentalidade brasileiras desde muito. Sempre entregando o ouro para o bandido, sempre desacreditando que somos merecedores desta terra de milhões de km/2 e bilhões de riquezas por m/2.

No Brasil colônia, sempre fomos vencidos e traídos pelos apátridas. No Brasil império, idem. No Brasil República, os Joaquins Silvérios se multiplicaram, sempre entregando o nosso patrimônio aos desconhecidos. Construímos nossas estradas financiadas pelos nossos impostos e depois as doamos para as multinacionais nos cobrar os pedágios, nos roubando duas vezes, em nome do mesmo fim.

Tudo tem sido assim, desde os bandeirantes. Abrimos estradas, pavimentamos caminhos e depois vem outro para nos levar a paisagem e a riqueza das conquistas. Assim foi com a Vale do Rio Doce assim será com a Petrobras.

A grande verdade é que padecemos de um colonialismo ideológico, de imperialismo retrogrado, de uma imbecilidade servil e covarde. Não formamos uma nação, somos apenas recortes de um povo. Um povo que planta para outros comerem, infelizmente!


Escritor e jornalista, Petrônio Souza Gonçalves mantém uma coluna semanal sobre política e cultura em mais de 40 jornais Brasil afora. Têm dois livros publicados e prepara o lançamento do terceiro: "Adormecendo os girassóis", de poemas. Em 2005 ganhou o Prêmio Nacional de Literatura "Vivaldi Moreira", da Academia Mineira de Letras, como segundo colocado. Visite o blog http://petroniosouzagoncalves.blogspot.com