Raça e Classe: a luta pela alteridade

Continuamos a explicar as diferenciações sociais a partir das diferenças biológicas, ainda que também se utilize das diferenças sociais para legitimar as hierarquias. A questão não é dizer que não existe uma substância chamada raça, mas sim reconhecer que ela é uma categoria social, utilizada na vida social para fazer reconhecer e estabelecer distinções e hierarquias sociais. Por Igor Vitorino (*).

Recentemente, em 2006, num seminário no Centro Cultural Banco do Brasil, o conferencista apresentava a interpretação destoante de Manuel Bonfim sobre a questão da viabilidade do Brasil diante de sua matriz racial. Segundo o conferencista, o eminente intelectual brasileiro defendia que o Brasil não era um pais birracial, como os implantadores do sistema de cotas defendem hoje. Manoel Bonfim seria avant-lettre anunciador da não existência de raças, demonstrando o uso do racismo como forma de dominação. A partir dessa proposição que destoava da agenda pública no início do século, o nobre conferencista argumentou para o plenário: não havendo raças, não há sentido na política de cotas. As cotas estariam produzindo um país bicolor, impulsionando a fragmentação da unidade da nação – exclamava acidamente o sociólogo.

Nessa linha de argumentação, construiu-se uma conclusão de que as políticas de cotas racializam as relações sociais, pois impulsionam os indivíduos a interagirem a partir do reconhecimento de sua identidade étnica, em primeiro lugar. Para contestar essas políticas, o conferencista novamente chamou para o debate a questão de que o problema é de classe, pois a grande maioria dos negros estariam nas classes populares.

Entretanto, o estudioso se esqueceu de que, apesar da Física moderna desde Galileu ter descoberto que o sol não gira em torno da terra, não é impossível encontrar muitos que pensam o contrário. Ora, se a biologia descobriu que só há uma raça humana e, inclusive, que ela partiu da África para os outros continentes, não significa que essa informação irá diluir a ideologia do racismo e a representação social da diferença pela idéia de raça, que constituem o tecido social desse país.

Continuamos a explicar as diferenciações sociais a partir das diferenças biológicas, ainda que também se utilize das diferenças sociais para legitimar as hierarquias. A questão não é dizer que não existe uma substância chamada raça, mas sim reconhecer que ela é uma categoria social, utilizada na vida social para fazer reconhecer e estabelecer distinções e hierarquias sociais, que ela serve para julgar moralmente o outro.

Com a crise do Estado do Bem-Estar Social na Europa e nos Estados Unidos, as diferenciações biológicas e diferenciações étnicas e culturais têm sido tomadas como justificava das diferenciações sociais, e usadas como explicação para a crise que vivem esses países. Muçulmanos, africanos, indianos são visto como os estranhos produtores da desordem, ameaçadores da unidade nacional. O preconceito racial e o racismo se tornam armas que escondem os processos de mudanças no capitalismo central e tendem a culpar os explorados por sua própria exploração.

É claro que os efeitos de classe podem se unir aos efeitos de status (raça), entretanto não nos podemos deixar enganar pelas facilidades ao querermos sobrepor as questões raciais às questões de classe. O professor Milton Santos, um dos mais importantes intelectuais brasileiros da atualidade, pertencia à classe média intelectualizada, entretanto essa posição de classe não se traduzia em anulação dos efeitos do status, não era reconhecido como cidadão completo. Assim como a estratégia de Pelé de não discutir sobre sua negritude evidencia que a condição de negro lhe traz alguns problemas ligados às interações sociais.

Creio que o ódio que se levanta recentemente contra as políticas de cotas se inscreve na disputa pelo poder simbólico, de se poder dizer quem somos. É isso que está em jogo. Negar que o poder social no Brasil é branco é fechar olhos aos efeitos materiais e imateriais dessa realidade. Encontramos, é claro, negros em todos os lugares em que vamos, mas quase sempre estão na cozinha, estão dirigindo o carro de alguém, estão nas portaria de prédios, limpando as ruas, etc. Não temos nada contra essas profissões, elas são dignas e devem ser mais valorizadas, entretanto por que não há mais negros em outros lugares sociais?

A grande mudança contemporânea hoje na problematização do preconceito racial e do racismo no Brasil é que sua problematização enquanto problema social está sendo construída pelos sujeitos que vivem/viveram esse drama. A emergência de uma elite intelectual negra ou membros de classe média colocou em disputa os meios simbólicos e materiais de produção das interpretações sobre a condição da negritude, de combate às imagens e práticas depreciadoras dos negros, cujo maior efeito eram construir um self-ideal negador de nós mesmo.

Voltando ao seminário, o palestrante afirmava que o Brasil não era um país birracial e que as cotas irão institucionalizar o racismo e o preconceito racial, que é necessário uma política universal de educação básica. Não discordo. Entretanto ele não conseguia explicar porque as positividades e qualidades sociais têm como centro imagens da população branca. Ter um diploma, em última instância, não revolverá o problema do negro, mas possibilitará que ele vivencie a positividade de sua condição, possibilitará outra experiência de mundo e construção de outras perspectivas, inclusive, para outros negros. O mais importante nas políticas de cotas é dotar de instrumentos intelectuais e condições sociais a população negra, possibilidade de que o que sempre foi silenciado se torne grito, na história. Não sabemos quais serão os problemas dessa escolha, mas poderemos dizer que tentamos. Nós, indíos e negros, precisamos reinterpretar o Brasil.

Se fomos escravos, a vergonha não é nossa, mas de quem nos escravizou. Lutamos pela liberdade, sim – que o digam os muitos negros direcionados ao tronco, os alforriados, os que trabalhavam a mais para conseguirem pagar suas alforrias, as diversas estratégias de resistências, individuais e coletivas. A questão é que as interpretações do Brasil foram feitas a partir dos dilemas e questões postos um determinado tempo; esse é primeiro momento em que essas questões e dilemas têm a presença de outros sujeitos, não mais como objetos, mas como sujeitos, buscando reinterpretar a sua presença. Queremos nosso reconhecimento como cidadãos plenos porque cada cantinho e pedra colocada em construções deste país tiveram o dedo de nossos avós. Se não temos os sobrenomes deles – porque até isso foi negado – temos a visibilidade de suas mãos que construíram sob chicotada, negociação, rebeldia, protestos a nação brasileira.

Sabemos que as explicações da presença maior dos negros nos setores mais subalternos da sociedade não se explica somente pela questão racial, mas também pelo modelo de desenvolvimento concentrador de renda e autoritário que esse país adotou. A formulação dos problemas raciais por aqueles que os sofrem abriu, enfim, espaço para uma nova formulação do que seja o Brasil. Talvez o preço a ser pago seja mesmo o processo de racialização da sociedade, emergência de interesses apoiada na diferenciação racial, o que nos colocará novos desafios, inclusive da descoberta de que os donos do poder continuam brancos.

Mesmo assim, fica-nos uma pergunta: a quem interessa a reação pacífica dos negros à sua condição de inferiorização? O ódio racial cada vez mais impulsionado também não estaria ligado à inexistência de instituições que reconheçam o negro como cidadão? Até quando nós negros teremos que dizer, peremptoriamente, que não somos marginais ou exclamar: "E aí, dona, não vou roubar a sua bolsa"? Ou perceber que, na rua, uma pessoa adiantou os passos ao ver um de nós se aproximando dela? A luta do negro no Brasil carrega a mesma problemática da luta dos trabalhadores, ou seja, torna as condições objetivas, de negro e trabalhador, em condições subjetivas, tornar-se sujeito diante de seu outro, os brancos e o Capital. Todavia, no Brasil, constantemente são bloqueadas essas possibilidades pelos discursos nacionalistas, da pacificidade do brasileiro, da cordialidade, da democracia racial. Dizia o revolucionário russo Leon Trotski: "Se o sol não é de todos, por que ele tem que brilhar para alguns?"

É claro que os negros, mais do que na sua condição de trabalhadores, têm cada vez mais conseguido tornar seus interesses expressos na agenda pública – efeito da ascensão social de muitos negros – entretanto, precisamos construir uma agenda que concilie as condições sociais de negro e as condições de trabalhador. Meus avós reconheciam, com muita dor, o lugar social deles, sabiam que eram pobres e que eram negros, mesmo que não verbalizassem. Nós que iniciamos um processo de individuação queremos ser reconhecidos como cidadãos, temos o direito disso, não queremos que nossas ações sejam avaliadas pelas nossas características físicas e biológicas, mas sim por partilharmos a mesma humanidade. Esse é medo do racista: ver no outro a sua semelhança.

Acredito – ao contrário do intelectual que grita contra a destruição do sonho brasileiro do país pacífico – que a bicoloridade e multicoloridade brasileira dará início, nesse país, a uma nova releitura de sua história e a uma rediscussão de sua nacionalidade. Queremos que a diferença seja reconhecida não só como direito, mas que ela se expresse na apropriação dos recursos materiais e imateriais desse país. A raça, enquanto construção social, existe, orienta e coordena as ações sociais e o imaginário da sociedade brasileira, portanto é preciso abrir espaço para raças e etnias que são oprimidas, esquecidas, escondidas, indignificadas nessa relação: índios, negros... Enquanto na minisérie Malhação só aparecerem imagens e modelos de beleza branca, enquanto um juiz julgar pela aparência, continuaremos um país bicolor ou tricolor, onde só têm direito à fala os brancos. Queremos nosso direito à fala.


Notas
[1] “Manoel Bomfim (1868-1932), intelectual sergipano, autor de A América Latina (1905), Através do Brasil (1910) — co-escrito por Olavo Bilac (1864-1934) — etc., além de uma trilogia composta por: O Brasil na América (1929), O Brasil na História (1930) e O Brasil Nação (1931). Livros dedicados à análise da formação da nacionalidade brasileira. O autor se empenhava em criticar os historiadores e os políticos do Brasil que, segundo ele, teriam deturpado a história nacional e contribuído para a "degradação" da nação. Interessado em resgatar as "qualidades características do povo" brasileiro — que considerava esquecidas pela historiografia —, ele desenvolveu uma reflexão sobre o País e seus habitantes, em que é possível identificar diálogos com pensadores de seu tempo e de outros tempos”. (Gontijo, 2003)

Bibliografia
GONTIJO, Rebeca. Manoel Bomfim: "pensador da história" na Primeira República. Rev. Bras. Hist. , São Paulo, v. 23, n. 45, 2003 . Disponível em:. Acesso em: 23 Oct 2007.

(*) Igor Vitorino é formando em história pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Mestrando em Planejamento Urbano e Regional -IPPUR\UFRJ.


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Raça e Classe: a luta pela alteridade

Continuamos a explicar as diferenciações sociais a partir das diferenças biológicas, ainda que também se utilize das diferenças sociais para legitimar as hierarquias. A questão não é dizer que não existe uma substância chamada raça, mas sim reconhecer que ela é uma categoria social, utilizada na vida social para fazer reconhecer e estabelecer distinções e hierarquias sociais. Por Igor Vitorino (*).

Recentemente, em 2006, num seminário no Centro Cultural Banco do Brasil, o conferencista apresentava a interpretação destoante de Manuel Bonfim sobre a questão da viabilidade do Brasil diante de sua matriz racial. Segundo o conferencista, o eminente intelectual brasileiro defendia que o Brasil não era um pais birracial, como os implantadores do sistema de cotas defendem hoje. Manoel Bonfim seria avant-lettre anunciador da não existência de raças, demonstrando o uso do racismo como forma de dominação. A partir dessa proposição que destoava da agenda pública no início do século, o nobre conferencista argumentou para o plenário: não havendo raças, não há sentido na política de cotas. As cotas estariam produzindo um país bicolor, impulsionando a fragmentação da unidade da nação – exclamava acidamente o sociólogo.

Nessa linha de argumentação, construiu-se uma conclusão de que as políticas de cotas racializam as relações sociais, pois impulsionam os indivíduos a interagirem a partir do reconhecimento de sua identidade étnica, em primeiro lugar. Para contestar essas políticas, o conferencista novamente chamou para o debate a questão de que o problema é de classe, pois a grande maioria dos negros estariam nas classes populares.

Entretanto, o estudioso se esqueceu de que, apesar da Física moderna desde Galileu ter descoberto que o sol não gira em torno da terra, não é impossível encontrar muitos que pensam o contrário. Ora, se a biologia descobriu que só há uma raça humana e, inclusive, que ela partiu da África para os outros continentes, não significa que essa informação irá diluir a ideologia do racismo e a representação social da diferença pela idéia de raça, que constituem o tecido social desse país.

Continuamos a explicar as diferenciações sociais a partir das diferenças biológicas, ainda que também se utilize das diferenças sociais para legitimar as hierarquias. A questão não é dizer que não existe uma substância chamada raça, mas sim reconhecer que ela é uma categoria social, utilizada na vida social para fazer reconhecer e estabelecer distinções e hierarquias sociais, que ela serve para julgar moralmente o outro.

Com a crise do Estado do Bem-Estar Social na Europa e nos Estados Unidos, as diferenciações biológicas e diferenciações étnicas e culturais têm sido tomadas como justificava das diferenciações sociais, e usadas como explicação para a crise que vivem esses países. Muçulmanos, africanos, indianos são visto como os estranhos produtores da desordem, ameaçadores da unidade nacional. O preconceito racial e o racismo se tornam armas que escondem os processos de mudanças no capitalismo central e tendem a culpar os explorados por sua própria exploração.

É claro que os efeitos de classe podem se unir aos efeitos de status (raça), entretanto não nos podemos deixar enganar pelas facilidades ao querermos sobrepor as questões raciais às questões de classe. O professor Milton Santos, um dos mais importantes intelectuais brasileiros da atualidade, pertencia à classe média intelectualizada, entretanto essa posição de classe não se traduzia em anulação dos efeitos do status, não era reconhecido como cidadão completo. Assim como a estratégia de Pelé de não discutir sobre sua negritude evidencia que a condição de negro lhe traz alguns problemas ligados às interações sociais.

Creio que o ódio que se levanta recentemente contra as políticas de cotas se inscreve na disputa pelo poder simbólico, de se poder dizer quem somos. É isso que está em jogo. Negar que o poder social no Brasil é branco é fechar olhos aos efeitos materiais e imateriais dessa realidade. Encontramos, é claro, negros em todos os lugares em que vamos, mas quase sempre estão na cozinha, estão dirigindo o carro de alguém, estão nas portaria de prédios, limpando as ruas, etc. Não temos nada contra essas profissões, elas são dignas e devem ser mais valorizadas, entretanto por que não há mais negros em outros lugares sociais?

A grande mudança contemporânea hoje na problematização do preconceito racial e do racismo no Brasil é que sua problematização enquanto problema social está sendo construída pelos sujeitos que vivem/viveram esse drama. A emergência de uma elite intelectual negra ou membros de classe média colocou em disputa os meios simbólicos e materiais de produção das interpretações sobre a condição da negritude, de combate às imagens e práticas depreciadoras dos negros, cujo maior efeito eram construir um self-ideal negador de nós mesmo.

Voltando ao seminário, o palestrante afirmava que o Brasil não era um país birracial e que as cotas irão institucionalizar o racismo e o preconceito racial, que é necessário uma política universal de educação básica. Não discordo. Entretanto ele não conseguia explicar porque as positividades e qualidades sociais têm como centro imagens da população branca. Ter um diploma, em última instância, não revolverá o problema do negro, mas possibilitará que ele vivencie a positividade de sua condição, possibilitará outra experiência de mundo e construção de outras perspectivas, inclusive, para outros negros. O mais importante nas políticas de cotas é dotar de instrumentos intelectuais e condições sociais a população negra, possibilidade de que o que sempre foi silenciado se torne grito, na história. Não sabemos quais serão os problemas dessa escolha, mas poderemos dizer que tentamos. Nós, indíos e negros, precisamos reinterpretar o Brasil.

Se fomos escravos, a vergonha não é nossa, mas de quem nos escravizou. Lutamos pela liberdade, sim – que o digam os muitos negros direcionados ao tronco, os alforriados, os que trabalhavam a mais para conseguirem pagar suas alforrias, as diversas estratégias de resistências, individuais e coletivas. A questão é que as interpretações do Brasil foram feitas a partir dos dilemas e questões postos um determinado tempo; esse é primeiro momento em que essas questões e dilemas têm a presença de outros sujeitos, não mais como objetos, mas como sujeitos, buscando reinterpretar a sua presença. Queremos nosso reconhecimento como cidadãos plenos porque cada cantinho e pedra colocada em construções deste país tiveram o dedo de nossos avós. Se não temos os sobrenomes deles – porque até isso foi negado – temos a visibilidade de suas mãos que construíram sob chicotada, negociação, rebeldia, protestos a nação brasileira.

Sabemos que as explicações da presença maior dos negros nos setores mais subalternos da sociedade não se explica somente pela questão racial, mas também pelo modelo de desenvolvimento concentrador de renda e autoritário que esse país adotou. A formulação dos problemas raciais por aqueles que os sofrem abriu, enfim, espaço para uma nova formulação do que seja o Brasil. Talvez o preço a ser pago seja mesmo o processo de racialização da sociedade, emergência de interesses apoiada na diferenciação racial, o que nos colocará novos desafios, inclusive da descoberta de que os donos do poder continuam brancos.

Mesmo assim, fica-nos uma pergunta: a quem interessa a reação pacífica dos negros à sua condição de inferiorização? O ódio racial cada vez mais impulsionado também não estaria ligado à inexistência de instituições que reconheçam o negro como cidadão? Até quando nós negros teremos que dizer, peremptoriamente, que não somos marginais ou exclamar: "E aí, dona, não vou roubar a sua bolsa"? Ou perceber que, na rua, uma pessoa adiantou os passos ao ver um de nós se aproximando dela? A luta do negro no Brasil carrega a mesma problemática da luta dos trabalhadores, ou seja, torna as condições objetivas, de negro e trabalhador, em condições subjetivas, tornar-se sujeito diante de seu outro, os brancos e o Capital. Todavia, no Brasil, constantemente são bloqueadas essas possibilidades pelos discursos nacionalistas, da pacificidade do brasileiro, da cordialidade, da democracia racial. Dizia o revolucionário russo Leon Trotski: "Se o sol não é de todos, por que ele tem que brilhar para alguns?"

É claro que os negros, mais do que na sua condição de trabalhadores, têm cada vez mais conseguido tornar seus interesses expressos na agenda pública – efeito da ascensão social de muitos negros – entretanto, precisamos construir uma agenda que concilie as condições sociais de negro e as condições de trabalhador. Meus avós reconheciam, com muita dor, o lugar social deles, sabiam que eram pobres e que eram negros, mesmo que não verbalizassem. Nós que iniciamos um processo de individuação queremos ser reconhecidos como cidadãos, temos o direito disso, não queremos que nossas ações sejam avaliadas pelas nossas características físicas e biológicas, mas sim por partilharmos a mesma humanidade. Esse é medo do racista: ver no outro a sua semelhança.

Acredito – ao contrário do intelectual que grita contra a destruição do sonho brasileiro do país pacífico – que a bicoloridade e multicoloridade brasileira dará início, nesse país, a uma nova releitura de sua história e a uma rediscussão de sua nacionalidade. Queremos que a diferença seja reconhecida não só como direito, mas que ela se expresse na apropriação dos recursos materiais e imateriais desse país. A raça, enquanto construção social, existe, orienta e coordena as ações sociais e o imaginário da sociedade brasileira, portanto é preciso abrir espaço para raças e etnias que são oprimidas, esquecidas, escondidas, indignificadas nessa relação: índios, negros... Enquanto na minisérie Malhação só aparecerem imagens e modelos de beleza branca, enquanto um juiz julgar pela aparência, continuaremos um país bicolor ou tricolor, onde só têm direito à fala os brancos. Queremos nosso direito à fala.


Notas
[1] “Manoel Bomfim (1868-1932), intelectual sergipano, autor de A América Latina (1905), Através do Brasil (1910) — co-escrito por Olavo Bilac (1864-1934) — etc., além de uma trilogia composta por: O Brasil na América (1929), O Brasil na História (1930) e O Brasil Nação (1931). Livros dedicados à análise da formação da nacionalidade brasileira. O autor se empenhava em criticar os historiadores e os políticos do Brasil que, segundo ele, teriam deturpado a história nacional e contribuído para a "degradação" da nação. Interessado em resgatar as "qualidades características do povo" brasileiro — que considerava esquecidas pela historiografia —, ele desenvolveu uma reflexão sobre o País e seus habitantes, em que é possível identificar diálogos com pensadores de seu tempo e de outros tempos”. (Gontijo, 2003)

Bibliografia
GONTIJO, Rebeca. Manoel Bomfim: "pensador da história" na Primeira República. Rev. Bras. Hist. , São Paulo, v. 23, n. 45, 2003 . Disponível em:. Acesso em: 23 Oct 2007.

(*) Igor Vitorino é formando em história pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Mestrando em Planejamento Urbano e Regional -IPPUR\UFRJ.


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Colômbia: Revista denunciou envolvimento de Uribe com o narcotráfico

Artigo publicado pela revista Newsweek, em agosto de 2004, revelou informações de um relatório dos serviços de inteligência dos EUA, apontando o envolvimento do presidente colombiano, Álvaro Uribe, com narcotraficantes e com o Cartel de Medellín. Da Agência Carta Maior. Clique no título para ler.

O mandato de sangue de Uribe

Não há solução militar, só solução política para a Colômbia. É a linha dura de Uribe, que precisa dos enfrentamentos militares para manter sua popularidade interna e conseguir reformar de novo a Constituição e poder obter um terceiro mandato. Por Emir Sader (clique no título).

Rede Globo: falsificações são grosseiras, diz perito

Eduardo Sales, Brasil de Fato - Uma análise do Instituto Del Picchia atesta que os documentos relacionados à transferência de ações para o grupo de Roberto Marinho são apócrifos (elaborados após a data da negociação) e montados, segundo laudo. Essa é a principal argumentação da família Ortiz Monteiro que contesta a venda da TV Paulista – atual Rede Globo de São Paulo – para as Organizações Globo.

O laudo foi feito com base nos documentos apresentados pelos advogados que fizeram a defesa da Globo e constam da ação judicial. Tratam-se de papéis fotocopiados; os originais teriam desaparecido, segundo os advogados da família Marinho. Um comportamento que levanta suspeitas. “Quem é que deveria ter a obrigação de ter os originais? Ela (Rede Globo) invoca a sua própria incúria para impedir perícia”, salienta ao Brasil de Fato Celso Mauro Ribeiro Del Picchia, perito responsável pelo laudo. Leia aqui.

José de Anchieta: O apóstolo da Colonização

José de Anchieta nasceu em Tenerife, nas Canárias, em 19 de março de 1534, no seio de uma família de posses, de doze filhos. Seu pai descendia de bascos nobres e sua mãe, de judeus conversos (...) Por Mário Maestri (*). (clique no título)

SP: Continua impasse sobre manutenção de serviço que atende 15 mil pessoas envolvidas no ciclo de violência

Na última terça-feira, 26 de fevereiro, representantes dos Serviços de Proteção Jurídico-Social e de Apoio Psicológico da cidade de São Paulo (CEDECA's), autoridades do Poder Judiciário Estadual, personalidades da defesa dos direitos humanos e os vereadores da Comissão de Direitos Humanos realizaram Audiência Pública na Câmara Municipal de São Paulo. Entidades comentam declarações do Secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. Clique no título para ler.

Crise Global de Preços: Agricultura Familiar Sustentável pode alimentar o mundo

Consumidores em todo o mundo assistiram o aumento dramático dos preços dos alimentos básicos, nos últimos meses, criando extremas dificuldades principalmente para as comunidades mais pobres. Há mais de um ano, o trigo dobrou de preço e o milho está quase 50% mais caro do que no ano anterior. Entretanto, não existe uma crise de produção (...) Leia nota da Via Campesina Internacional. Tradução de Ana Amorim. Clique no título.

UNICEF propõe agenda infantil no Maranhão

Nesta quarta-feira (27/2), o UNICEF apresenta em São Luís a proposta da 'Agenda Criança Amazônia', para a qual estão sendo convidados a participar 45 municípios maranhenses.

Combate à Dengue: um dever de todos (incluindo o prefeito)

Enquanto os governos divulgam em campanha na TV neste final de semana (23 e 24/2) que o combate à dengue é um dever de todos, a imprensa carioca continua a "esquecer" que o prefeito Cesar Maia não executou ou desviou diretamente 38% do dinheiro que serviria para combater o Aedes aegypti - nada menos que pouco mais de 15 milhões de reais. Apesar do problema continuar diariamente, como informa a própria imprensa, falta o nexo causal: nenhum grande meio questiona a Secretaria Municipal de Saúde sobre o orçamento mal utilizado. Da redação Consciência.Net. Leia mais.

Publicado também Portal Desemprego Zero.org, Jornal Tem Notícia.

Apartheid contra a pessoa com deficiência

Existem várias pessoas que, apesar de serem gente, da mesma espécie científica dos homo sapiens, parecem invisíveis e não são facilmente associadas às questões que envolvem direitos humanos. Por Ana Paula Crosara de Resende (*).

Parque Estadual do Ibitipoca

Buscava um refúgio seguro para fugir das badalações do carnaval deste ano. Minas, com suas milhares de cachoeiras e dezenas de oásis de belezas naturais, me oferecia um cardápio que ia de pequenos lugarejos a grandes parques ecológicos, ao qual decidi optar pelos dois, escolhendo a charmosa Vila de Conceição de Ibitipoca e seu encantador Parque Estadual do Ibitipoca, a aproximadamente 300 km de Belo Horizonte (...) Por Petrônio Souza Gonçalves, clique no título para ler.

O outono do libertador

Quando se puder avaliar o papel histórico de Fidel Castro sem os exageros propagandísticos e o tiroteio ideológico atuais, deverá ser reconhecida, sobretudo, sua vontade inquebrantável, que o fez ser visto como um titã, apesar da ínfima importância geopolítica da nação que representava. Por Celso Lungaretti (*). Clique no título para ler.

Propaganda contra Cuba no Brasil não visa Fidel Castro; o alvo são os próprios brasileiros

Se a sociedade cubana fosse vulnerável à propaganda do tipo que você vê hoje na TV Globo Fidel Castro já teria sido derrubado. O objetivo da propaganda não é derrubar Fidel. Ainda é a de evitar que ele sirva de exemplo. Por Luiz Carlos Azenha, de Washington (*). (clique no título)

Fundação ligada à UnB é investigada por desvio de verba

Relação promíscua entre fundação e universidade dá origem a mais um escândalo na educação. Por Diego Cotta (*), clique no título para ler.

Terceirização ditada por grandes empresas ultrapassa fronteiras

Dos 52 milhões de empregos novos gerados por corporações transnacionais entre 1978 a 2006, 40 milhões resultaram de terceirização transnacional do trabalho. Diante desse contexto, estudo recomenda maior regulação do Estado. Por Maurício Hashizume, do Repórter Brasil.

Adolescentes com deficiência não se consideram retratados na Mídia de três países latino-americanos

Garotas e garotos com deficiência pouco se reconhecem na programação de tevê, nos jornais e nas revistas. É o que revela o estudo "Mais Janela que Espelho: a percepção dos adolescentes com deficiência sobre os meios de comunicação na Argentina, no Brasil e no Paraguai", lançado na segunda (11/2) pela ANDI, Rede ANDI América Latina e Save the Children Suécia. Leia aqui.

Pesos e medidas

Não, não há racismo na demissão de uma gestora pública em nível de ministra sobre a qual pairem suspeitas de uso indevido de dinheiro público ou erro administrativo — tratando-se ou não de pessoa negra. Há, no entanto, racismo e discriminação no tratamento que foi dispensado à ex-ministra Matilde Ribeiro dentro e fora do governo. Por Sueli Carneiro (*).

Liberação de milho transgênico deixa clara irresponsabilidade do Governo

Mesmo com oposição da ANVISA e IBAMA Conselho de Ministros aprova liberação de milho transgênico. Por MST e Via Campesina.

TV pública: uma necessidade democrática

Entidades realizam abaixo-assinado e manifestam apoio à criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), gestora da TV Brasil e espinha dorsal do sistema público de comunicação, mas pedem aperfeiçoamento da Medida Provisória 398/07. Leia aqui.