Entrevista exclusiva com a Ministra Nilcéa Freire sobre as cotas

Nilcéa Freire, da secretaria de Políticas para as Mulheres, era reitora da UERJ quando as cotas foram aprovadas lá, na Conferência Nacional Contra o Racismo e a Intolerância. Mas a mídia nunca tocou no assunto com ela, que acabou de dar uma exclusiva por email no www.emdiacomacidadania.com.br

Vídeo circula pela rede com denúncias de racismo na TV Globo; emissora desmente

Um suposto diretor do Programa do Faustão, que passa orientações ao apresentador, dispara comentários racistas e se refere de forma depreciativa, o tempo todo, a um senhor idoso, convidado do programa, como criolo. A Globo afirmou, por meio de sua assessoria, tratar-se de uma informação falsa: "Trata-se de uma montagem grotesca. Inclusive, o Fausto sequer usa ponto eletrônico". Leia mais.

Um suposto diretor do Programa do Faustão, que passa orientações ao apresentador, dispara comentários racistas e se refere de forma depreciativa, o tempo todo, a um senhor idoso, convidado do programa, como criolo. "Que que esse criolo tá pulando aí?", inicia a intervenção no ponto do Fausto. "Faz o criolo usar o microfone", continua.

A Globo afirmou, por meio de sua assessoria, tratar-se de uma informação falsa: "Trata-se de uma montagem grotesca. Inclusive, o Fausto sequer usa ponto eletrônico. Sobre este ocorrido, tomaremos as medidas cabíveis para retirá-lo do ar". A resposta da emissora foi registrado na coluna Zapping da Folha de S. Paulo do dia 13 de fevereiro último.

A fala do suposto diretor continua: "Faz esse cara parar de pular, tá foda", repete. "O cara não fica parado. Ô filho da puta, segura ele, amarra essa porra, tá foda", diz o diretor, que só se refere ao aposentado como criolo. "Vai, vai, expulsa essa merda", diz ao final.

Francisco José Paulino, de Dourados (MS), tem 89 anos e é um exemplo de vida. Correu cinco vezes a São Silvestre. Tem 86 medalhas de atletismo, corre de 8 a 10 quilômetros em dias alternados, joga capoeira e completa a renda vendendo ervas medicinais, como o próprio Fausto aponta.

A Globo retirou o vídeo do YouTube, alegando violação de direitos autorais, veja na imagem abaixo (clique para ampliar).



Onde deveria estar o vídeo, aparece apenas a seguinte mensagem: "Este vídeo não está mais disponível devido à reclamação de contra a violação de direitos autorais GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES SA."

No entanto, foi republicado no Videolog. Assista abaixo.



A Lei 9459/1997, que altera os artigos 1º e 20 da Lei 7.716/1989, pune, com penas de até cinco anos de reclusão, além das multas, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, de cor, etnia, religião ou procedência nacional. O crime de racismo é inafiançável (a prisão não será relaxada em favor do criminoso) e imprescritível (a pena é perene, não ficando Estado impedido de punir a qualquer tempo o autor do delito).

Já o crime de falsidade ideológica, caso seja comprovada alteração do áudio, é figura tipificada no artigo 299 do Código Penal Brasileiro, e prevê reclusão de um a três anos, e multa, pelo documento ser particular.

Informações que possam subsidiar esta matéria e outros comentários podem ser feitos neste mesmo espaço, no sistema de comentários logo abaixo.

A vitória de Barack Obama e o Brasil

A vitória de Barack Obama pode sugerir duas afirmações. A primeira é que os Estados Unidos não são tão racistas como parecem; A segunda, o Brasil é mais racista do que se imagina. A análise é de Paulo Rogério Nunes.

A vitória de Barack Obama pode sugerir duas afirmações. A primeira é que os Estados Unidos não são tão racistas como parecem; A segunda, o Brasil é mais racista do que se imagina. Durante anos, intelectuais brasileiros insistiam na afirmação de que o país era uma democracia racial, e que nossos vizinhos do norte, estes sim, eram racistas e segregadores. Tanto é assim que na década de 50 uma missão da Unesco visitou nosso país em busca da "fórmula mágica" da integração racial, sugerida por nossos dirigentes como única no mundo. A resposta não agradou aos pesquisadores.

Dos anos 50 para cá a conjuntura mudou. Com o movimento dos direitos civis e a implementação das ações afirmativas, a sociedade estadunidense foi, pouco a pouco, corrigindo as distorções sociais que qualificavam aquele país, corretamente, como um país apartado. A situação dos negros americanos não foi completamente resolvida até hoje, mas não há como negar o grandioso avanço na integração dos afro-americanos à economia. Se fossem um país, os afro-americanos seriam hoje a 11º economia do mundo.

Por aqui, não. Presos ao mito da democracia racial, ampliamos o abismo entre negros e não-negros e fomos aos poucos assumindo o posto de uma das nações mais desiguais do mundo. Segundo o relator especial das Nações Unidas sobre formas contemporâneas de racismo, Doudou Diène, "viajar pelo país é como mover-se entre dois planetas".

A eleição de Obama é um retrato dessa diferença na abordagem anti-racista entre Brasil e Estados Unidos. A população afro-americana não passa de 12%, enquanto o nosso contingente beira os 50%. Apesar disso, ainda não foi criada no Brasil uma plataforma social capaz de inserir os afro-brasileiros nas esferas de poder, talvez o motivo de nunca termos cogitado um presidente negro, nem mesmo na ficção televisiva.

Um presidente não surge sem base social e econômica. Para Obama chegar aonde chegou foram cruciais as contribuições de negros que ocupam lugares de destaque, como empresários, jornalistas, acadêmicos e diplomatas, que chegaram a esses espaços impulsionados pelas ações afirmativas – aqui tão criticadas. Em entrevista à France Press, Berenice King, filha de Martin Luther King, principal ativista dos direitos civis que foi assassinado nos anos 60, disse que "o trabalho pelo qual meu pai e minha mãe se sacrificaram não foi em vão".

Para o Brasil, resta-nos refletir o motivo de não conseguimos realizar tal fato, já que nos consideramos "pouco racistas". O fenômeno Obama deve ser encarado como um marco para uma reflexão sobre nossas relações raciais. Sem um enfrentamento real dessas desigualdades, dificilmente poderemos nos orgulhar de nossa democracia e elegermos, no futuro, um presidente negro.

(*) Paulo Rogério Nunes, publicitário, especialista em Política e diretor do Instituto Mídia Étnica. Email: rogerio@midiaetnica.org / Site: www.correionago.com.br

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A vitória de Barack Obama e o Brasil

A vitória de Barack Obama pode sugerir duas afirmações. A primeira é que os Estados Unidos não são tão racistas como parecem; A segunda, o Brasil é mais racista do que se imagina. A análise é de Paulo Rogério Nunes. Clique aqui para ler.

A vitória de Barack Obama pode sugerir duas afirmações. A primeira é que os Estados Unidos não são tão racistas como parecem; A segunda, o Brasil é mais racista do que se imagina. Durante anos, intelectuais brasileiros insistiam na afirmação de que o país era uma democracia racial, e que nossos vizinhos do norte, estes sim, eram racistas e segregadores. Tanto é assim que na década de 50 uma missão da Unesco visitou nosso país em busca da "fórmula mágica" da integração racial, sugerida por nossos dirigentes como única no mundo. A resposta não agradou aos pesquisadores.

Dos anos 50 para cá a conjuntura mudou. Com o movimento dos direitos civis e a implementação das ações afirmativas, a sociedade estadunidense foi, pouco a pouco, corrigindo as distorções sociais que qualificavam aquele país, corretamente, como um país apartado. A situação dos negros americanos não foi completamente resolvida até hoje, mas não há como negar o grandioso avanço na integração dos afro-americanos à economia. Se fossem um país, os afro-americanos seriam hoje a 11º economia do mundo.

Por aqui, não. Presos ao mito da democracia racial, ampliamos o abismo entre negros e não-negros e fomos aos poucos assumindo o posto de uma das nações mais desiguais do mundo. Segundo o relator especial das Nações Unidas sobre formas contemporâneas de racismo, Doudou Diène, "viajar pelo país é como mover-se entre dois planetas".

A eleição de Obama é um retrato dessa diferença na abordagem anti-racista entre Brasil e Estados Unidos. A população afro-americana não passa de 12%, enquanto o nosso contingente beira os 50%. Apesar disso, ainda não foi criada no Brasil uma plataforma social capaz de inserir os afro-brasileiros nas esferas de poder, talvez o motivo de nunca termos cogitado um presidente negro, nem mesmo na ficção televisiva.

Um presidente não surge sem base social e econômica. Para Obama chegar aonde chegou foram cruciais as contribuições de negros que ocupam lugares de destaque, como empresários, jornalistas, acadêmicos e diplomatas, que chegaram a esses espaços impulsionados pelas ações afirmativas – aqui tão criticadas. Em entrevista à France Press, Berenice King, filha de Martin Luther King, principal ativista dos direitos civis que foi assassinado nos anos 60, disse que "o trabalho pelo qual meu pai e minha mãe se sacrificaram não foi em vão".

Para o Brasil, resta-nos refletir o motivo de não conseguimos realizar tal fato, já que nos consideramos "pouco racistas". O fenômeno Obama deve ser encarado como um marco para uma reflexão sobre nossas relações raciais. Sem um enfrentamento real dessas desigualdades, dificilmente poderemos nos orgulhar de nossa democracia e elegermos, no futuro, um presidente negro.

(*) Paulo Rogério Nunes, publicitário, especialista em Política e diretor do Instituto Mídia Étnica. Email: rogerio@midiaetnica.org / Site: www.correionago.com.br

MS: Audiência discute cotas para negros no serviço público

MS Notícias

No mês da Consciência Negra, a Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul realiza a audiência pública sobre o projeto de lei que institui cotas para negros no serviço público estadual, de autoria do deputado Amarildo Cruz (PT). O evento está marcado para o dia 18 de novembro (terça-feira), às 14h, no plenário deputado Júlio Maia.

A proposta prevê cota mínima de 10% para negros aprovados em concursos públicos estaduais. Nesta semana, o projeto de lei foi aprovado em 1°, e deve seguir para 2° discussão ainda em novembro. A lei de cotas já existe na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

Além do autor do projeto, o advogado Humberto Adami, referência em ações afirmativas na defesa do negro, participa da audiência que pretende discutir a política de cotas com a sociedade e lideranças do movimento negro estadual. O evento tem apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do Governo Federal, da Coordenadoria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial de MS, do Conselho Estadual dos Direitos e Defesa do Negro (Cedine/MS) e do Fórum das Entidades do Movimento Negro.

UERJ sedia III Fórum Racismo é Crime

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) será sede, dias 26, 27 de 28 de novembro, do III Fórum “Racismo É Crime! Aplicabilidade da Lei Penal”. O Fórum é gratuito e terá validade de horas para o Estágio Forense, conforme autorização da Comissão de Estágio da OAB/RJ e contagem de pontos para funcionários públicos.

Abordará os seguintes temas: Aspectos Jurídicos, Políticos, Culturais e Sociais dos Crimes de Racismo e a Sociedade Brasileira; Aspectos legais das decisões dos Tribunais de Justiça nos crimes de racismo, e atuação do Ministério Público, da Polícia Judiciária e da OAB, quanto à Aplicabilidade Penal da Lei dos Crimes de Racismo; entre outros. Clique no título para saber mais.

UERJ sedia III Fórum Racismo é Crime

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) será sede, dias 26, 27 de 28 de novembro, do III Fórum “Racismo É Crime! Aplicabilidade da Lei Penal”.
Agência Consciência.Net

O evento é promovido pelo Centro de Pesquisas Criminológicas do Rio de Janeiro (CEPERJ) e pela UERJ, por meio do Programa de Estudos e Debates dos Povos Africanos e Afro-Americanos (PROAFRO), do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro (COMDEDINE), da Comissão OAB/RJ Vai à Escola, da Academia de Polícia Civil Silvio Terra (ACADEPOL) e do Instituto Palmares de Direitos Humanos (IPDH). O Fórum ocorre no Mês da Consciência Negra.

O Fórum é gratuito e terá validade de horas para o Estágio Forense, conforme autorização da Comissão de Estágio da OAB/RJ e contagem de pontos para funcionários públicos.

Contará com a participação de palestrantes como: Dr. Wilson Roberto Prudente, Procurador do Ministério Público Federal /Ministério do Trabalho, professor universitário, mestre em Direito; Dr. Ítalo Bittencourt de Macedo, Delegado de polícia civil, pós-graduado em Direito Penal e Processo Penal; Dr. Carlos Alberto de Oliveira – Delegado de polícia Civil, Titular da Delegacia de Repressão à Armas e Explosivos – DRAE; Dr. Mário Leopoldo – Presidente da Comissão OAB Vai à Escola – Consultor jurídico do COMDEDINE, Professor da UFRJ; Dr. Humberto Adami, advogado, mestre em Direito, presidente do IARA, Diretor da UNI - Palmares; Dr. Oswaldo Barbosa da Silva, advogado, Presidente do Parlamento Internacional dos Povos, Presidente do 2º Encontro dos Advogados Afro-descendentes e Africanos; entre outros palestrantes.

Abordará os seguintes temas: Aspectos Jurídicos, Políticos, Culturais e Sociais dos Crimes de Racismo e a Sociedade Brasileira; Aspectos legais das decisões dos Tribunais de Justiça nos crimes de racismo, e atuação do Ministério Público, da Polícia Judiciária e da OAB, quanto à Aplicabilidade Penal da Lei dos Crimes de Racismo; Aspectos culturais, sociais e jurídicos dos crimes de racismo por intolerância religiosa, racial, homofobia, e a Aplicabilidade Penal da Lei dos Crimes de Racismo; Crimes de Racismo: Aspectos da Responsabilidade Civil em face das condenações dos crimes de racismo; e Crimes de Racismo: A questão Histórica, a Sociologia Jurídica e os Movimentos Sociais.

Informações:
Telefones: (21) 2557-1382, 9676-2490, 9893-4191, 9943-8589
Emails: centro.ceperj@terra.com.br e forumracismoecrime@terra.com.br

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UERJ sedia III Fórum Racismo é Crime

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) será sede, dias 26, 27 de 28 de novembro, do III Fórum “Racismo É Crime! Aplicabilidade da Lei Penal”.
Agência Consciência.Net

O evento é promovido pelo Centro de Pesquisas Criminológicas do Rio de Janeiro (CEPERJ) e pela UERJ, por meio do Programa de Estudos e Debates dos Povos Africanos e Afro-Americanos (PROAFRO), do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro (COMDEDINE), da Comissão OAB/RJ Vai à Escola, da Academia de Polícia Civil Silvio Terra (ACADEPOL) e do Instituto Palmares de Direitos Humanos (IPDH). O Fórum ocorre no Mês da Consciência Negra.

O Fórum é gratuito e terá validade de horas para o Estágio Forense, conforme autorização da Comissão de Estágio da OAB/RJ e contagem de pontos para funcionários públicos.

Contará com a participação de palestrantes como: Dr. Wilson Roberto Prudente, Procurador do Ministério Público Federal /Ministério do Trabalho, professor universitário, mestre em Direito; Dr. Ítalo Bittencourt de Macedo, Delegado de polícia civil, pós-graduado em Direito Penal e Processo Penal; Dr. Carlos Alberto de Oliveira – Delegado de polícia Civil, Titular da Delegacia de Repressão à Armas e Explosivos – DRAE; Dr. Mário Leopoldo – Presidente da Comissão OAB Vai à Escola – Consultor jurídico do COMDEDINE, Professor da UFRJ; Dr. Humberto Adami, advogado, mestre em Direito, presidente do IARA, Diretor da UNI - Palmares; Dr. Oswaldo Barbosa da Silva, advogado, Presidente do Parlamento Internacional dos Povos, Presidente do 2º Encontro dos Advogados Afro-descendentes e Africanos; entre outros palestrantes.

Abordará os seguintes temas: Aspectos Jurídicos, Políticos, Culturais e Sociais dos Crimes de Racismo e a Sociedade Brasileira; Aspectos legais das decisões dos Tribunais de Justiça nos crimes de racismo, e atuação do Ministério Público, da Polícia Judiciária e da OAB, quanto à Aplicabilidade Penal da Lei dos Crimes de Racismo; Aspectos culturais, sociais e jurídicos dos crimes de racismo por intolerância religiosa, racial, homofobia, e a Aplicabilidade Penal da Lei dos Crimes de Racismo; Crimes de Racismo: Aspectos da Responsabilidade Civil em face das condenações dos crimes de racismo; e Crimes de Racismo: A questão Histórica, a Sociologia Jurídica e os Movimentos Sociais.

Informações:
Telefones: (21) 2557-1382, 9676-2490, 9893-4191, 9943-8589
Emails: centro.ceperj@terra.com.br e forumracismoecrime@terra.com.br

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I Fórum de Imigração do Estado do Rio de Janeiro: memória, comunicação e percursos

O Programa de Educação Tutorial da Escola de Comunicação da UFRJ (PET-ECO) promove o I Fórum de Imigração do Estado do Rio de Janeiro, que acontecerá entre os dias 12 e 14 de novembro, no campus da Praia Vermelha. Inscrições pelo site.
Agência Consciência.Net; clique aqui


Trata-se de uma multiplicidade de eventos, encontros, palestras, mesas redondas e outras ações de ordem social, cultural e artística, no afã de dar visibilidade à composição multicultural de nossa sociedade e de fomentar uma análise científica adequada dessa realidade.

Em todos os três dias, pela manhã, haverá mesas-redondas com debates mediados entre diferentes representantes de comunidades étnicas. No primeiro e no segundo dia, pela tarde, teremos debates sobre mídia étnica comunitária. E, no terceiro dia, à tarde, acontecerão palestras com acadêmicos e estudiosos do assunto. Ao longo do evento, haverá também uma série de apresentações artísticas que traduzem um pouco da cultura dessas comunidades.

Nesse sentido, já temos confirmados dezenas de notáveis das comunidades e especialistas de várias áreas. Contaremos ainda com representantes de meios de comunicação interna das associações, pessoas ligadas à mídia étnica, grandes canais e muito mais.

Através de uma parceria com o Canal Futura, diversos programas que tratam do tema da imigração serão exibidos para o público, bem como exposições de trabalhos ligados aos imigrantes.

O Brasil abriga centenas de comunidades espalhadas em seu território, compostas por dezenas de origens culturais, étnicas e confessionais diferentes. Uma população que, ao passo que cumpre seus papéis e deveres de cidadãos brasileiros, não deixa de cultivar e cultuar suas raízes pré-migratórias.

Os brasileiros “de curta data” – segunda, terceira e quarta gerações – constituem atualmente um verdadeiro laboratório vivo, combinando das várias maneiras possíveis cidadania plena e lealdade múltipla. Porém, pouco se sabe da visão complexa que esses grupos étnicos têm de si, de seus respectivos países e culturas de origem, do Brasil e do mundo global no qual eles se inscrevem.

É nesse contexto que o Fórum de Imigração se insere, buscando trazer a realidade de cada comunidade, como ela se adaptou ao Brasil e, principalmente, mostrar as multiplicidades que compõem etnicamente o nosso país.

Assim, espera-se debater diversos temas referentes à política, à comunicação, à religião, às tradições culturais, entre outros, com o objetivo de revelar aspectos menos romantizados e exóticos dessas comunidades e associar representantes e membros dessas comunidades, responsáveis por sua mídia, estudiosos e especialistas do tema.

Inscrições e mais informações em www.forumdeimigracao.wordpress.com ou pelo telefone (21) 3873-5089.

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I Fórum de Imigração do Estado do Rio de Janeiro: memória, comunicação e percursos

O Programa de Educação Tutorial da Escola de Comunicação da UFRJ (PET-ECO) promove o I Fórum de Imigração do Estado do Rio de Janeiro, que acontecerá entre os dias 12 e 14 de novembro, no campus da Praia Vermelha. Inscrições pelo site.
Agência Consciência.Net; clique aqui


Trata-se de uma multiplicidade de eventos, encontros, palestras, mesas redondas e outras ações de ordem social, cultural e artística, no afã de dar visibilidade à composição multicultural de nossa sociedade e de fomentar uma análise científica adequada dessa realidade.

Em todos os três dias, pela manhã, haverá mesas-redondas com debates mediados entre diferentes representantes de comunidades étnicas. No primeiro e no segundo dia, pela tarde, teremos debates sobre mídia étnica comunitária. E, no terceiro dia, à tarde, acontecerão palestras com acadêmicos e estudiosos do assunto. Ao longo do evento, haverá também uma série de apresentações artísticas que traduzem um pouco da cultura dessas comunidades.

Nesse sentido, já temos confirmados dezenas de notáveis das comunidades e especialistas de várias áreas. Contaremos ainda com representantes de meios de comunicação interna das associações, pessoas ligadas à mídia étnica, grandes canais e muito mais.

Através de uma parceria com o Canal Futura, diversos programas que tratam do tema da imigração serão exibidos para o público, bem como exposições de trabalhos ligados aos imigrantes.

O Brasil abriga centenas de comunidades espalhadas em seu território, compostas por dezenas de origens culturais, étnicas e confessionais diferentes. Uma população que, ao passo que cumpre seus papéis e deveres de cidadãos brasileiros, não deixa de cultivar e cultuar suas raízes pré-migratórias.

Os brasileiros “de curta data” – segunda, terceira e quarta gerações – constituem atualmente um verdadeiro laboratório vivo, combinando das várias maneiras possíveis cidadania plena e lealdade múltipla. Porém, pouco se sabe da visão complexa que esses grupos étnicos têm de si, de seus respectivos países e culturas de origem, do Brasil e do mundo global no qual eles se inscrevem.

É nesse contexto que o Fórum de Imigração se insere, buscando trazer a realidade de cada comunidade, como ela se adaptou ao Brasil e, principalmente, mostrar as multiplicidades que compõem etnicamente o nosso país.

Assim, espera-se debater diversos temas referentes à política, à comunicação, à religião, às tradições culturais, entre outros, com o objetivo de revelar aspectos menos romantizados e exóticos dessas comunidades e associar representantes e membros dessas comunidades, responsáveis por sua mídia, estudiosos e especialistas do tema.

Inscrições e mais informações em www.forumdeimigracao.wordpress.com ou pelo telefone (21) 3873-5089.

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SP: 8º Encontro Estadual de Mulheres Negras em novembro

O Grupo de Mulheres Negras Nzinga Mbandi, em parceria com a Coordenadoria da Igualdade Racial de Sumaré (SP), realizam nos dias 7 e 8 de novembro de 2008, o VIII Encontro Estadual de Mulheres Negras, na cidade de Sumaré. As inscrições estão abertas e se encerram no dia 15 de outubro. Vagas limitadas. Informações pelo email nzingambandi77@yahoo.com.br

Carta de Teresina: promoção da igualdade passa por exercício da soberania econômica

São indissociáveis na promoção da igualdade o exercício da soberania econômica nela compreendida, a relação efetiva que elimine ou reduza todas as formas de subordinação aniquiladora dessa possibilidade, bem como das liberdades civis e políticas inerentes à sua promoção. Com este enunciado básico, foi encerrado na capital piauiense o Seminário Regional de Promoção da Igualdade, promovido pela Comissão Nacional de Promoção da Igualdade do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, com apoio da Seccional da OAB do Piauí (OAB-PI). O evento, conduzido pela presidente da Comissão, conselheira federal Sílvia Cerqueira (BA), é preparatório do Seminário Sul-americano de Promoção da Igualdade.

"O registro a partir das teses e discussões sobre os temas "desenvolvimento sustentável e a promoção da igualdade regional", "ações afirmativas e políticas de reparação racial", "promoção da igualdade nas comunicações comunitárias", "igualdade de direito na saúde e na vida", "ações de reparação de direitos no ordenamento jurídico brasileiro", "promoção de direitos da pessoa com deficiência", no Seminário, leva ao entendimento de que são indissociáveis na promoção da Igualdade o exercício da soberania econômica nela compreendida a relação efetiva que elimine ou reduza todas as formas de subordinação aniquiladora dessa possibilidade, bem como, das liberdades civis e políticas inerentes à sua promoção."

Leia a íntegra da Carta de Teresina sobre a Promoção da Igualdade clicando no título.

Cenas de Racismo

Racializar as relações sociais é trazer para o plano da consciência social a diferenciação social dissimulada pelos discursos da democracia racial e da convivência pacífica brasileira. A idéia de que somos um povo mestiço domina as nossas cabeças, entretanto ela nos faz esquecer que os negros ainda existem e estão submetidos a toda sorte de preconceitos e racismo. Por Igor Vitorino (*).

Certo dia fui à zona sul do Rio de Janeiro, na casa de uma amiga. Chegando à rua, dirigi-me ao prédio que procurava, perguntei ao porteiro pelo número 602 e ele ficou meia hora tentando me dizer que ali não havia aquele número. "Mas minha amiga disse que era nesse prédio" - eu lhe falei. Novamente ele ficou olhando-me tortamente e de cara feia.

Fiquei revoltado, pois percebi o que estava acontecendo, o que para ele deveria ser um procedimento naturalizado. Ele deveria estar pensando: “Esse cara está querendo alguma coisa!”. Naquela tensão, novamente falei: "Quero ir no apartamento 602, por favor!" Entretanto, ele só confirmou que minha colega morava ali após eu dizer firmemente: “É na casa da Marcela, meu senhor!”. “Ele respondeu: Ah, espere um pouco!”.

Ai logo ele providenciou, ligou para minha colega e mandou que eu entrasse, quando já estava perto do elevador eu disse, em tom irônico: “Acho que os senhores não estão acostumados a receber negros nesse prédio”. Ele surpreendentemente, confirmando o que eu já tinha sentido, que se tratava de preconceito racial, do estigma negro-marginal-pobre, rebateu dizendo: “Não meu senhor, é uma questão de segurança”. E, ainda, acrescentou: “Aqui temos moradores mais escuros do que o senhor”. O mais assustador é que o porteiro era nordestino, daqueles preconceituosamente chamados no Rio de Janeiro de “paraíbas”.

Entendia o que estava acontecendo naquela interação social, ela me feria profundamente, sabia que foi devido a minha condição de negro, recebi aquele tratamento diferenciado na portaria. Como negro não podia dizer somente o número do apartamento, para que depois a dona do apartamento perguntasse quem eram, para depois permitir a entrada. Nada disso, como negro tinha que dizer minha coordenada, tinha que provar que ela não era aquela imaginada pelo porteiro: “entrar para assaltar”.

Todavia quantos amigos e amigas negras já não agüentam mais ficar explicando e justificando que não são marginais, que têm os mesmos direitos, principalmente àqueles cujas características fenótipas não são reconhecidas no mundo da estética, como os dos negros consumíveis de mercado.

Esse tipo de experiência social, cuja ferida nos dilacera e o direito objetivo não consegue reconhecer e as instituições republicanas não dão conta de resolver, potencializa diversos tipos de revoltas sociais: seja pela pura violência, seja na ação coletiva. Ele imprime, diariamente, nos corpos dos negros, a vivência da negação do direito a ir-vir. Os negros não têm direito a flanar, quando o fazem, são imediatamente abordados com seguinte pergunta: "Tá fazendo o que aí?”.

A possibilidade de dar voz e de tornar essa questão explicita abriu espaço para partilhar nossos dramas e alcançarmos uma nova natureza das relações sociais no Brasil. O tabu dessa temática fez muitos intelectuais e escritores a tratá-la nas entrelinhas de seus textos (como Machado de Assis), fez nossos pais e ancestrais a viverem-na no silêncio do seus corações.

Hoje cada vez mais saímos das entrelinhas para as linhas, talvez seja este um dos motivos de tantos protestos contra as políticas de cotas, pois estas conferem aos negros a possibilidade de falar sobre si, mais do que se apropriarem das profissões e dos recursos materiais e simbólicos que permitem construir um outro discurso sobre a nossa história brasileira. Na realidade, a política de cotas é a síntese da luta dos negros e das negras por um lugar de fala na sociedade brasileira.

(*) Igor Vitorino é formando em história pela UFES. Mestrando em Planejamento Urbano e Regional na IPPUR\UFRJ.


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Cenas de Racismo

Racializar as relações sociais é trazer para o plano da consciência social a diferenciação social dissimulada pelos discursos da democracia racial e da convivência pacífica brasileira. A idéia de que somos um povo mestiço domina as nossas cabeças, entretanto ela nos faz esquecer que os negros ainda existem e estão submetidos a toda sorte de preconceitos e racismo. Por Igor Vitorino (*).

Certo dia fui à zona sul do Rio de Janeiro, na casa de uma amiga. Chegando à rua, dirigi-me ao prédio que procurava, perguntei ao porteiro pelo número 602 e ele ficou meia hora tentando me dizer que ali não havia aquele número. "Mas minha amiga disse que era nesse prédio" - eu lhe falei. Novamente ele ficou olhando-me tortamente e de cara feia.

Fiquei revoltado, pois percebi o que estava acontecendo, o que para ele deveria ser um procedimento naturalizado. Ele deveria estar pensando: “Esse cara está querendo alguma coisa!”. Naquela tensão, novamente falei: "Quero ir no apartamento 602, por favor!" Entretanto, ele só confirmou que minha colega morava ali após eu dizer firmemente: “É na casa da Marcela, meu senhor!”. “Ele respondeu: Ah, espere um pouco!”.

Ai logo ele providenciou, ligou para minha colega e mandou que eu entrasse, quando já estava perto do elevador eu disse, em tom irônico: “Acho que os senhores não estão acostumados a receber negros nesse prédio”. Ele surpreendentemente, confirmando o que eu já tinha sentido, que se tratava de preconceito racial, do estigma negro-marginal-pobre, rebateu dizendo: “Não meu senhor, é uma questão de segurança”. E, ainda, acrescentou: “Aqui temos moradores mais escuros do que o senhor”. O mais assustador é que o porteiro era nordestino, daqueles preconceituosamente chamados no Rio de Janeiro de “paraíbas”.

Entendia o que estava acontecendo naquela interação social, ela me feria profundamente, sabia que foi devido a minha condição de negro, recebi aquele tratamento diferenciado na portaria. Como negro não podia dizer somente o número do apartamento, para que depois a dona do apartamento perguntasse quem eram, para depois permitir a entrada. Nada disso, como negro tinha que dizer minha coordenada, tinha que provar que ela não era aquela imaginada pelo porteiro: “entrar para assaltar”.

Todavia quantos amigos e amigas negras já não agüentam mais ficar explicando e justificando que não são marginais, que têm os mesmos direitos, principalmente àqueles cujas características fenótipas não são reconhecidas no mundo da estética, como os dos negros consumíveis de mercado.

Esse tipo de experiência social, cuja ferida nos dilacera e o direito objetivo não consegue reconhecer e as instituições republicanas não dão conta de resolver, potencializa diversos tipos de revoltas sociais: seja pela pura violência, seja na ação coletiva. Ele imprime, diariamente, nos corpos dos negros, a vivência da negação do direito a ir-vir. Os negros não têm direito a flanar, quando o fazem, são imediatamente abordados com seguinte pergunta: "Tá fazendo o que aí?”.

A possibilidade de dar voz e de tornar essa questão explicita abriu espaço para partilhar nossos dramas e alcançarmos uma nova natureza das relações sociais no Brasil. O tabu dessa temática fez muitos intelectuais e escritores a tratá-la nas entrelinhas de seus textos (como Machado de Assis), fez nossos pais e ancestrais a viverem-na no silêncio do seus corações.

Hoje cada vez mais saímos das entrelinhas para as linhas, talvez seja este um dos motivos de tantos protestos contra as políticas de cotas, pois estas conferem aos negros a possibilidade de falar sobre si, mais do que se apropriarem das profissões e dos recursos materiais e simbólicos que permitem construir um outro discurso sobre a nossa história brasileira. Na realidade, a política de cotas é a síntese da luta dos negros e das negras por um lugar de fala na sociedade brasileira.

(*) Igor Vitorino é formando em história pela UFES. Mestrando em Planejamento Urbano e Regional na IPPUR\UFRJ.


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Chico Buarque fala sobre o racismo



Chico Buarque fala neste vídeo sobre racismo em geral e aquele sofrido pela sua família, pois uma de suas filhas é casada com Carlinhos Brown e os netos, evidentemente, mulatos.

Chico Buarque fala sobre o racismo

Em Dia Com A Cidadania - Chico Buarque fala neste vídeo sobre racismo em geral e aquele sofrido pela sua família, pois uma de suas filhas é casada com Carlinhos Brown e os netos, evidentemente, mulatos. Clique no título para assistir ou veja abaixo.

Diogo Mainardi encampa discurso neo-racista brasileiro

Destruidor de quilombos foi o bandeirante Domingos Jorge Velho, matador de negros do século XVII, até hoje relacionado entre os maiores assassinos de nossa História. Seus seguidores, como Mainardi, Reinaldo de Azevedo e Ali Kamel, atiram-se com o mesmo furor homicida contra a imagem dos quilombos. Só que, em vez de apertar gatilhos, comprimem teclas. Por Ismar C. De Souza (*).

Diogo Mainardi encampa discurso neo-racista brasileiro

Destruidor de quilombos foi o bandeirante Domingos Jorge Velho, matador de negros do século XVII, até hoje relacionado entre os maiores assassinos de nossa História. Seus seguidores, como Mainardi, Reinaldo de Azevedo e Ali Kamel, atiram-se com o mesmo furor homicida contra a imagem dos quilombos. Só que, em vez de apertar gatilhos, comprimem teclas. Por Ismar C. De Souza (*).

“O negro que lute
pra poder sonhar
em mudar isso aqui,
o poder tem tantas mãos
e só sabe mentir”
(Djavan, "Soweto")

Com ataques cuidadosamente dosados contra a política de cotas universitárias implantadas no Brasil – que está sob julgamento no Supremo Tribunal Federal –, e, na verdade, querendo atingir todas as lutas do negro brasileiro, o colunista da revista Veja, Diogo Mainardi, encampou de vez o discurso neo-racista brasileiro. “É uma chance para acabar de vez com o quilombolismo retardatário que se entrincheirou no matagal ideológico das universidades brasileiras", afirma ele em "O quilombo do mundo" (edição 2057, 23/04/2008).

Mainardi se soma a outros jornalistas da Veja (impressa e online) e a demais pessoas que recebem espaço na maior revista de circulação nacional para mover um combate sem tréguas à aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, à política de cotas universitárias, à figura de Zumbi dos Palmares, ao Dia da Consciência Negra e, enfim, à causa da reparação das injustiças cometidas contra a comunidade negra ao longo da História brasileira.

Entremeando afirmações tendenciosas e citações do livro “Não Somos Racistas” (acredite quem quiser...) do guru do combate ao movimento negro brasileiro, o diretor de Jornalismo da Rede Globo Ali Kamel, Mainardi se mostra ainda mais parcial quando tenta apoiar sua tortuosa racionália numa frase do senador de ascendência africana Barak Obama:

– Se olharem minhas filhas, Malia e Sasha, e disserem que elas estão numa situação bastante confortável, então (raça) não deveria ser um fator. Por outro lado, se houver um jovem branco que trabalhe, que se esforce, e que tenha superado grandes dificuldades, isso é algo que deveria ser levado em consideração.

Tratou-se de um comentário superficial e meio confuso, proferido durante um debate eleitoral. A conclusão de que Obama “quebrou um tabu e defendeu abertamente o fim das cotas raciais” é uma óbvia forçação de barra. Mainardi subestima a inteligência dos seus leitores.

Agora vejamos o que a Veja, preconceituosamente, em sua página de internet, via outro jornalista da turma do Mainardi (Reinaldo Azevedo, postado em www.veja.com.br/reinaldo, no dia 07/01/2008, 15h:51), opinou sobre o mesmo senador e candidato a candidato do Partido Democrata:

– Que diabo se passa com o Partido Democrata americano, que tem como favoritos uma mulher e um negro com sobrenome islâmico e nenhum homem branco para enfrentá-los? (...) Para bom entendedor: tomo o par “homem branco” como apelo simbólico à tradição e à conservação de um modelo que, inegavelmente, deu certo e fez a maior, mais importante e mais rica democracia do mundo, que venceu, por exemplo, o embate civilizatório com o comunismo.

Como esse preconceito mal dissimulado ofende a qualquer ser humano digno desse nome, só restou à tropa de elite da Veja buscar o apoio da trupe dos conservadores raivosos, dos reacionários empedernidos e de alguns parlamentares influenciáveis que estão tentando barrar a implantação do Estatuto da Igualdade Racial.

Políticas de incentivo à integração do negro

Foi apenas em junho de 1998 que o Brasil empossou seu primeiro ministro de Estado negro, o mineiro Carlos Alberto Reis de Paula. Num país de aproximadamente 183 milhões de habitantes, com 11,5 milhões (6,3%) de negros, isto comprova que o Brasil é, sim, um país racista, ainda que de uma forma dissimulada.

O certo é que só recentemente o problema da integração e participação digna do negro na sociedade passou a ter visibilidade nacional como política de Estado. E já produziu efeitos, pois agora são cinco os negros que participam como ministros do Governo Federal. Antes, só entravam como empregados subalternos.

Os interesses e idiossincrasias de nossa elite conservadora produziram convicções escravocratas que se tornaram estereótipos, ultrapassando os limites do simbólico e incidindo sobre os demais aspectos das relações sociais. Por isso, talvez ironicamente, a ascensão dos negros na escala social, por menor que seja, sempre deu lugar a manifestações veladas ou ostensivas de ressentimentos.

Cotas raciais nos EUA e no Brasil

A campanha pelos direitos civis nos Estados Unidos, que ganhou notoriedade internacional com a marcha de quase meio milhão de pessoas até Washington em 1963, foi o embrião da política oficial de cotas raciais, implementada a partir de 1970.

Em 1965, quando foi assinada a lei permitindo o voto e a eleição de negros nos EUA, a esmagadora maioria era pobre; assim, na primeira eleição, pouco mais de uma centena deles conquistou mandatos públicos. Hoje são mais de 8 mil.

Primeiro país a implantar o sistema de cotas, os EUA contam (abril/2008) com uma candidata negra, Cynthia Mckinney, candidata pelo Green Party (Partido Verde estadunidense) à presidência da república e com Obama tendo grande chance de se tornar o postulante do Partido Democrata.

Se lá, como aqui, o sistema de cotas possui falhas e não resolveu todos os problemas raciais da nação, com certeza motivou um grande debate nacional e alavancou uma melhor participação dos negros em sua sociedade, tanto que estes já têm presença marcante na classe média, ao contrário do Brasil.

Ao mesmo tempo, a opinião pública foi, por muito tempo, treinada para desdenhar e, mesmo, não tolerar a inconformidade, vista como um injustificável complexo de inferioridade, já que o Brasil, segundo a doutrina oficial, jamais acolheu a discriminação ou preconceito.

O reacionário Mainardi, contra tudo e contra todos

Na contramão dos grandes pesquisadores e educadores brasileiros, o colunista da Veja chegou ao cúmulo de propor que o Brasil siga o exemplo dos EUA, extinguindo totalmente a gratuidade no ensino superior:

– Se é para macaquear os Estados Unidos, temos de macaqueá-los por inteiro. A universidade pública americana cobra mensalidade dos alunos. Quem pode pagar, paga. Os outros se arranjam com bolsas, empréstimos ou bicos.

Como se fosse possível equiparar dois países em estágios de desenvolvimento econômico tão diferentes! E como se os estudantes daqui tivessem a mesma facilidade em levantar recursos por meio de “bolsas, empréstimos ou bicos”!

Bem se vê que Mainardi, habitando ou não no Brasil, estará sempre a anos-luz de distância de nossa sofrida realidade... o que não o impede de tentar, arrogantemente, ensinar a nós, nativos, como devemos viver, segundo o figurino da metrópole.

A violência policial e o silêncio cúmplice dos neo-racistas

Negros de qualquer classe social, no Brasil, são tratados da forma mais preconceituosa e arbitrária pelas autoridades policiais – vide o caso do dentista Flávio Ferreira Sant'Ana, assassinado em 2004 na zona norte paulistana apenas por suspeitarem que tivesse roubado o luxuoso carro que dirigia.

É nas estatísticas da violência policial contra os negros que as contradições da sociedade brasileira se mostram mais agudas, como se depreende, p. ex., de uma pesquisa que o Datafolha realizou em 1997 na cidade de São Paulo:

- a escolaridade e condição financeira têm pouca influência sobre a freqüência e incidência das revistas policiais e da violência praticada pela polícia;

- entre os da raça negra, quase metade (48%) já foi revistada alguma vez. Desses, 21% já foram ofendidos verbalmente e 14%, agredidos fisicamente por policiais;

- os pardos superam os negros em ofensas: 27% deles foram ofendidos verbalmente e 12% agredidos fisicamente. Ao todo, 46% já foram revistados alguma vez;

- a população branca é menos visada pela polícia. Entre estes, 34% já passaram por uma revista, 17% ouviram ofensas e 6% já foram agredidos, menos da metade da incidência entre negros.

Sobre a violência seletiva aplicada em muito maior escala e intensidade contra a população negra pelas polícias estaduais, os neo-racistas se calam, não escrevendo uma palavra sequer. Tais fatos não entram nas elocubrações deles, as vidas ou direitos destas pessoas não lhes interessam, pois na verdade não têm o que dizer sobre este assunto. Nem mesmo o guru Ali Kamel, que parece ter fixação por estatísticas, encontrou justificativa para estas.

Final rancoroso e melancólico

Como já fizera no título, Mainardi termina seu artigo dando uma conotação pejorativa à palavra quilombo:

– O Brasil se refugiou no passado. O Brasil é o quilombo do mundo.

Quilombo, segundo o dicionário Aurélio, é “estado de tipo africano formado, nos sertões brasileiros, por escravos fugidos”. Para nós, quilombo simboliza toda uma luta por liberdade e justiça. Ademais, como em alguns quilombos também viviam índios e brancos simpatizantes, pode ter sido o primeiro lugar no Brasil onde pessoas de raças diferentes conviveram harmoniosamente.

Destruidor de quilombos foi o bandeirante Domingos Jorge Velho, matador de negros do século XVII, até hoje relacionado entre os maiores assassinos de nossa História. Seus seguidores, como Mainardi, Reinaldo de Azevedo e Ali Kamel, atiram-se com o mesmo furor homicida contra a imagem dos quilombos. Só que, em vez de apertar gatilhos, comprimem teclas.

Não percebem, entretanto, que jamais conseguirão deletar as páginas de heroísmo escritas pelos negros, nem sua possibilidade de obterem agora o que lhes foi negado durante séculos.

Mas estão deletando a si próprios da civilização, eles sim refugiados num passado vergonhoso: aquele em que os preconceitos raciais ainda podiam ser expressos impunemente. Hoje, pelo contrário, só despertam perplexidade, indignação e asco.

(*) Ismar C. de Souza é militante do Movimento Negro. Email: ismarsouza@hotmail.com


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www.consciencia.net

Diogo Mainardi encampa discurso neo-racista brasileiro

Destruidor de quilombos foi o bandeirante Domingos Jorge Velho, matador de negros do século XVII, até hoje relacionado entre os maiores assassinos de nossa História. Seus seguidores, como Mainardi, Reinaldo de Azevedo e Ali Kamel, atiram-se com o mesmo furor homicida contra a imagem dos quilombos. Só que, em vez de apertar gatilhos, comprimem teclas. Por Ismar C. De Souza (*).

“O negro que lute
pra poder sonhar
em mudar isso aqui,
o poder tem tantas mãos
e só sabe mentir”
(Djavan, "Soweto")

Com ataques cuidadosamente dosados contra a política de cotas universitárias implantadas no Brasil – que está sob julgamento no Supremo Tribunal Federal –, e, na verdade, querendo atingir todas as lutas do negro brasileiro, o colunista da revista Veja, Diogo Mainardi, encampou de vez o discurso neo-racista brasileiro. “É uma chance para acabar de vez com o quilombolismo retardatário que se entrincheirou no matagal ideológico das universidades brasileiras", afirma ele em "O quilombo do mundo" (edição 2057, 23/04/2008).

Mainardi se soma a outros jornalistas da Veja (impressa e online) e a demais pessoas que recebem espaço na maior revista de circulação nacional para mover um combate sem tréguas à aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, à política de cotas universitárias, à figura de Zumbi dos Palmares, ao Dia da Consciência Negra e, enfim, à causa da reparação das injustiças cometidas contra a comunidade negra ao longo da História brasileira.

Entremeando afirmações tendenciosas e citações do livro “Não Somos Racistas” (acredite quem quiser...) do guru do combate ao movimento negro brasileiro, o diretor de Jornalismo da Rede Globo Ali Kamel, Mainardi se mostra ainda mais parcial quando tenta apoiar sua tortuosa racionália numa frase do senador de ascendência africana Barak Obama:

– Se olharem minhas filhas, Malia e Sasha, e disserem que elas estão numa situação bastante confortável, então (raça) não deveria ser um fator. Por outro lado, se houver um jovem branco que trabalhe, que se esforce, e que tenha superado grandes dificuldades, isso é algo que deveria ser levado em consideração.

Tratou-se de um comentário superficial e meio confuso, proferido durante um debate eleitoral. A conclusão de que Obama “quebrou um tabu e defendeu abertamente o fim das cotas raciais” é uma óbvia forçação de barra. Mainardi subestima a inteligência dos seus leitores.

Agora vejamos o que a Veja, preconceituosamente, em sua página de internet, via outro jornalista da turma do Mainardi (Reinaldo Azevedo, postado em www.veja.com.br/reinaldo, no dia 07/01/2008, 15h:51), opinou sobre o mesmo senador e candidato a candidato do Partido Democrata:

– Que diabo se passa com o Partido Democrata americano, que tem como favoritos uma mulher e um negro com sobrenome islâmico e nenhum homem branco para enfrentá-los? (...) Para bom entendedor: tomo o par “homem branco” como apelo simbólico à tradição e à conservação de um modelo que, inegavelmente, deu certo e fez a maior, mais importante e mais rica democracia do mundo, que venceu, por exemplo, o embate civilizatório com o comunismo.

Como esse preconceito mal dissimulado ofende a qualquer ser humano digno desse nome, só restou à tropa de elite da Veja buscar o apoio da trupe dos conservadores raivosos, dos reacionários empedernidos e de alguns parlamentares influenciáveis que estão tentando barrar a implantação do Estatuto da Igualdade Racial.

Políticas de incentivo à integração do negro

Foi apenas em junho de 1998 que o Brasil empossou seu primeiro ministro de Estado negro, o mineiro Carlos Alberto Reis de Paula. Num país de aproximadamente 183 milhões de habitantes, com 11,5 milhões (6,3%) de negros, isto comprova que o Brasil é, sim, um país racista, ainda que de uma forma dissimulada.

O certo é que só recentemente o problema da integração e participação digna do negro na sociedade passou a ter visibilidade nacional como política de Estado. E já produziu efeitos, pois agora são cinco os negros que participam como ministros do Governo Federal. Antes, só entravam como empregados subalternos.

Os interesses e idiossincrasias de nossa elite conservadora produziram convicções escravocratas que se tornaram estereótipos, ultrapassando os limites do simbólico e incidindo sobre os demais aspectos das relações sociais. Por isso, talvez ironicamente, a ascensão dos negros na escala social, por menor que seja, sempre deu lugar a manifestações veladas ou ostensivas de ressentimentos.

Cotas raciais nos EUA e no Brasil

A campanha pelos direitos civis nos Estados Unidos, que ganhou notoriedade internacional com a marcha de quase meio milhão de pessoas até Washington em 1963, foi o embrião da política oficial de cotas raciais, implementada a partir de 1970.

Em 1965, quando foi assinada a lei permitindo o voto e a eleição de negros nos EUA, a esmagadora maioria era pobre; assim, na primeira eleição, pouco mais de uma centena deles conquistou mandatos públicos. Hoje são mais de 8 mil.

Primeiro país a implantar o sistema de cotas, os EUA contam (abril/2008) com uma candidata negra, Cynthia Mckinney, candidata pelo Green Party (Partido Verde estadunidense) à presidência da república e com Obama tendo grande chance de se tornar o postulante do Partido Democrata.

Se lá, como aqui, o sistema de cotas possui falhas e não resolveu todos os problemas raciais da nação, com certeza motivou um grande debate nacional e alavancou uma melhor participação dos negros em sua sociedade, tanto que estes já têm presença marcante na classe média, ao contrário do Brasil.

Ao mesmo tempo, a opinião pública foi, por muito tempo, treinada para desdenhar e, mesmo, não tolerar a inconformidade, vista como um injustificável complexo de inferioridade, já que o Brasil, segundo a doutrina oficial, jamais acolheu a discriminação ou preconceito.

O reacionário Mainardi, contra tudo e contra todos

Na contramão dos grandes pesquisadores e educadores brasileiros, o colunista da Veja chegou ao cúmulo de propor que o Brasil siga o exemplo dos EUA, extinguindo totalmente a gratuidade no ensino superior:

– Se é para macaquear os Estados Unidos, temos de macaqueá-los por inteiro. A universidade pública americana cobra mensalidade dos alunos. Quem pode pagar, paga. Os outros se arranjam com bolsas, empréstimos ou bicos.

Como se fosse possível equiparar dois países em estágios de desenvolvimento econômico tão diferentes! E como se os estudantes daqui tivessem a mesma facilidade em levantar recursos por meio de “bolsas, empréstimos ou bicos”!

Bem se vê que Mainardi, habitando ou não no Brasil, estará sempre a anos-luz de distância de nossa sofrida realidade... o que não o impede de tentar, arrogantemente, ensinar a nós, nativos, como devemos viver, segundo o figurino da metrópole.

A violência policial e o silêncio cúmplice dos neo-racistas

Negros de qualquer classe social, no Brasil, são tratados da forma mais preconceituosa e arbitrária pelas autoridades policiais – vide o caso do dentista Flávio Ferreira Sant'Ana, assassinado em 2004 na zona norte paulistana apenas por suspeitarem que tivesse roubado o luxuoso carro que dirigia.

É nas estatísticas da violência policial contra os negros que as contradições da sociedade brasileira se mostram mais agudas, como se depreende, p. ex., de uma pesquisa que o Datafolha realizou em 1997 na cidade de São Paulo:

- a escolaridade e condição financeira têm pouca influência sobre a freqüência e incidência das revistas policiais e da violência praticada pela polícia;

- entre os da raça negra, quase metade (48%) já foi revistada alguma vez. Desses, 21% já foram ofendidos verbalmente e 14%, agredidos fisicamente por policiais;

- os pardos superam os negros em ofensas: 27% deles foram ofendidos verbalmente e 12% agredidos fisicamente. Ao todo, 46% já foram revistados alguma vez;

- a população branca é menos visada pela polícia. Entre estes, 34% já passaram por uma revista, 17% ouviram ofensas e 6% já foram agredidos, menos da metade da incidência entre negros.

Sobre a violência seletiva aplicada em muito maior escala e intensidade contra a população negra pelas polícias estaduais, os neo-racistas se calam, não escrevendo uma palavra sequer. Tais fatos não entram nas elocubrações deles, as vidas ou direitos destas pessoas não lhes interessam, pois na verdade não têm o que dizer sobre este assunto. Nem mesmo o guru Ali Kamel, que parece ter fixação por estatísticas, encontrou justificativa para estas.

Final rancoroso e melancólico

Como já fizera no título, Mainardi termina seu artigo dando uma conotação pejorativa à palavra quilombo:

– O Brasil se refugiou no passado. O Brasil é o quilombo do mundo.

Quilombo, segundo o dicionário Aurélio, é “estado de tipo africano formado, nos sertões brasileiros, por escravos fugidos”. Para nós, quilombo simboliza toda uma luta por liberdade e justiça. Ademais, como em alguns quilombos também viviam índios e brancos simpatizantes, pode ter sido o primeiro lugar no Brasil onde pessoas de raças diferentes conviveram harmoniosamente.

Destruidor de quilombos foi o bandeirante Domingos Jorge Velho, matador de negros do século XVII, até hoje relacionado entre os maiores assassinos de nossa História. Seus seguidores, como Mainardi, Reinaldo de Azevedo e Ali Kamel, atiram-se com o mesmo furor homicida contra a imagem dos quilombos. Só que, em vez de apertar gatilhos, comprimem teclas.

Não percebem, entretanto, que jamais conseguirão deletar as páginas de heroísmo escritas pelos negros, nem sua possibilidade de obterem agora o que lhes foi negado durante séculos.

Mas estão deletando a si próprios da civilização, eles sim refugiados num passado vergonhoso: aquele em que os preconceitos raciais ainda podiam ser expressos impunemente. Hoje, pelo contrário, só despertam perplexidade, indignação e asco.

(*) Ismar C. de Souza é militante do Movimento Negro. Email: ismarsouza@hotmail.com


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Raça e Classe: a luta pela alteridade

Continuamos a explicar as diferenciações sociais a partir das diferenças biológicas, ainda que também se utilize das diferenças sociais para legitimar as hierarquias. A questão não é dizer que não existe uma substância chamada raça, mas sim reconhecer que ela é uma categoria social, utilizada na vida social para fazer reconhecer e estabelecer distinções e hierarquias sociais. Por Igor Vitorino (*).