I Fórum de Imigração do Estado do Rio de Janeiro: memória, comunicação e percursos

O Programa de Educação Tutorial da Escola de Comunicação da UFRJ (PET-ECO) promove o I Fórum de Imigração do Estado do Rio de Janeiro, que acontecerá entre os dias 12 e 14 de novembro, no campus da Praia Vermelha. Inscrições pelo site.
Agência Consciência.Net; clique aqui


Trata-se de uma multiplicidade de eventos, encontros, palestras, mesas redondas e outras ações de ordem social, cultural e artística, no afã de dar visibilidade à composição multicultural de nossa sociedade e de fomentar uma análise científica adequada dessa realidade.

Em todos os três dias, pela manhã, haverá mesas-redondas com debates mediados entre diferentes representantes de comunidades étnicas. No primeiro e no segundo dia, pela tarde, teremos debates sobre mídia étnica comunitária. E, no terceiro dia, à tarde, acontecerão palestras com acadêmicos e estudiosos do assunto. Ao longo do evento, haverá também uma série de apresentações artísticas que traduzem um pouco da cultura dessas comunidades.

Nesse sentido, já temos confirmados dezenas de notáveis das comunidades e especialistas de várias áreas. Contaremos ainda com representantes de meios de comunicação interna das associações, pessoas ligadas à mídia étnica, grandes canais e muito mais.

Através de uma parceria com o Canal Futura, diversos programas que tratam do tema da imigração serão exibidos para o público, bem como exposições de trabalhos ligados aos imigrantes.

O Brasil abriga centenas de comunidades espalhadas em seu território, compostas por dezenas de origens culturais, étnicas e confessionais diferentes. Uma população que, ao passo que cumpre seus papéis e deveres de cidadãos brasileiros, não deixa de cultivar e cultuar suas raízes pré-migratórias.

Os brasileiros “de curta data” – segunda, terceira e quarta gerações – constituem atualmente um verdadeiro laboratório vivo, combinando das várias maneiras possíveis cidadania plena e lealdade múltipla. Porém, pouco se sabe da visão complexa que esses grupos étnicos têm de si, de seus respectivos países e culturas de origem, do Brasil e do mundo global no qual eles se inscrevem.

É nesse contexto que o Fórum de Imigração se insere, buscando trazer a realidade de cada comunidade, como ela se adaptou ao Brasil e, principalmente, mostrar as multiplicidades que compõem etnicamente o nosso país.

Assim, espera-se debater diversos temas referentes à política, à comunicação, à religião, às tradições culturais, entre outros, com o objetivo de revelar aspectos menos romantizados e exóticos dessas comunidades e associar representantes e membros dessas comunidades, responsáveis por sua mídia, estudiosos e especialistas do tema.

Inscrições e mais informações em www.forumdeimigracao.wordpress.com ou pelo telefone (21) 3873-5089.

_______________________________________
www.consciencia.net

I Fórum de Imigração do Estado do Rio de Janeiro: memória, comunicação e percursos

O Programa de Educação Tutorial da Escola de Comunicação da UFRJ (PET-ECO) promove o I Fórum de Imigração do Estado do Rio de Janeiro, que acontecerá entre os dias 12 e 14 de novembro, no campus da Praia Vermelha. Inscrições pelo site.
Agência Consciência.Net; clique aqui


Trata-se de uma multiplicidade de eventos, encontros, palestras, mesas redondas e outras ações de ordem social, cultural e artística, no afã de dar visibilidade à composição multicultural de nossa sociedade e de fomentar uma análise científica adequada dessa realidade.

Em todos os três dias, pela manhã, haverá mesas-redondas com debates mediados entre diferentes representantes de comunidades étnicas. No primeiro e no segundo dia, pela tarde, teremos debates sobre mídia étnica comunitária. E, no terceiro dia, à tarde, acontecerão palestras com acadêmicos e estudiosos do assunto. Ao longo do evento, haverá também uma série de apresentações artísticas que traduzem um pouco da cultura dessas comunidades.

Nesse sentido, já temos confirmados dezenas de notáveis das comunidades e especialistas de várias áreas. Contaremos ainda com representantes de meios de comunicação interna das associações, pessoas ligadas à mídia étnica, grandes canais e muito mais.

Através de uma parceria com o Canal Futura, diversos programas que tratam do tema da imigração serão exibidos para o público, bem como exposições de trabalhos ligados aos imigrantes.

O Brasil abriga centenas de comunidades espalhadas em seu território, compostas por dezenas de origens culturais, étnicas e confessionais diferentes. Uma população que, ao passo que cumpre seus papéis e deveres de cidadãos brasileiros, não deixa de cultivar e cultuar suas raízes pré-migratórias.

Os brasileiros “de curta data” – segunda, terceira e quarta gerações – constituem atualmente um verdadeiro laboratório vivo, combinando das várias maneiras possíveis cidadania plena e lealdade múltipla. Porém, pouco se sabe da visão complexa que esses grupos étnicos têm de si, de seus respectivos países e culturas de origem, do Brasil e do mundo global no qual eles se inscrevem.

É nesse contexto que o Fórum de Imigração se insere, buscando trazer a realidade de cada comunidade, como ela se adaptou ao Brasil e, principalmente, mostrar as multiplicidades que compõem etnicamente o nosso país.

Assim, espera-se debater diversos temas referentes à política, à comunicação, à religião, às tradições culturais, entre outros, com o objetivo de revelar aspectos menos romantizados e exóticos dessas comunidades e associar representantes e membros dessas comunidades, responsáveis por sua mídia, estudiosos e especialistas do tema.

Inscrições e mais informações em www.forumdeimigracao.wordpress.com ou pelo telefone (21) 3873-5089.

_______________________________________
www.consciencia.net

Há 200 anos a Corte Portuguesa fugia para o Brasil

Por Mário Maestri

Em 1793, a Coroa lusitana participara da primeira coalizão contra a República Francesa revolucionária, vista pelos liberais portugueses com grande esperança. Em 1796, após a burguesia francesa conservadora apoderar-se do poder e reprimir as massas populares, Portugal abandonara a coalizão, mantendo difícil neutralidade quanto ao confronto anglo‑francês.

Ingleses e franceses exigiam que Portugal tomasse partido. Uma decisão difícil. Optar pela França significava perder o Brasil, pois a Inglaterra apoiaria a independência da colônia. Apoiar os ingleses era selar a invasão de Portugal pelos franceses, senhores do continente. Portugal seguiu saltando nos dois pés.

Em 1807, Napoleão Bonaparte ordenou a ocupação e desmembramento do reino português. Lisboa tratou secretamente com os ingleses o apoio naval à transferência da Família Real e de parte da nobreza ao Rio de Janeiro, medida apoiada pelos britânicos pois significava a liberdade plena para seu comércio com o Brasil.

A mudança para o Brasil era idéia antiga. Os Diálogos das grandezas do Brasil já registravam a profecia de astrólogo do rei dom Manuel, o Venturoso, de que o colônia serviria, um dia, "de refúgio e abrigo da gente portuguesa". A aristocracia lusitana tinha consciência de que vivia sobretudo das rendas brasileiras e que o sistema colonial entrava em crise.

Em A utopia do poderoso império, Maria de Lourdes Viana Lyra lembra que os reformistas portugueses propunham antecipar-se à independência da colônia criando novo relacionamento político que permitisse a "emancipação" do Brasil, com Portugal como centro europeu e mercantil, no seio de um império português reconstruído. A transmigração para o Rio de Janeiro foi também desesperada resposta a eventual movimento emancipacionista da colônia.

Em 26 de novembro de 1807, ao escafeder-se para o Brasil, dom João lançou patético manifesto: "Tendo procurado por todos os meios possíveis conservar a neutralidade [...] vejo que pelo interior do meu Reino marcham tropas do imperador dos franceses [...] querendo eu evitar as funestas conseqüências [...]contra minha real pessoa e [crendo] que meus leais vassalos serão menos inquietados, ausentando-me eu deste Reino."

Na manhã de 29 de novembro, sob a escolta inglesa, partiam do rio Tejo oito naus, quatro fragatas, três brigues, uma escuna e outras embarcações. Dez mil pessoas carregando o que podiam levar – móveis, objetos de arte, louçaria, livros, arquivos... À cabeça da debandada: o príncipe regente dom João; dona Maria Carlota, sua espanhola e em todos os sentidos não muito fiel esposa; dona Maria I, a rainha enlouquecida.

Portugal foi abandonado as frágeis e mal-aparelhadas tropas invasoras. Uma resoluta resistência dos exércitos lusitanos, apoiados pela população, impediria certamente a invasão. Mas a mobilização popular assustava mais a aristocracia do que os franceses. Quando da partida, dom João ordenara aos governadores que ficavam que muito bem recebessem, aquartelassem e assistissem os franceses.

Para muitos liberais, os soldados de Napoleão entraram em Portugal como libertadores. A coroa e a aristocracia lusitana temiam que os liberais portugueses fizessem o mesmo que o Terceiro Estado fizera na França. A família real escapava também das tropas francesas e da revolução burguesa que estremecia a Europa desde 1789.

A transferência da Família Real não constituiu apenas fuga diante das tropas invasoras e do liberalismo europeu. Migrando para o Rio de Janeiro, a aristocracia lusitana fazia virtude da necessidade, transferindo a sede da administração real para a "melhor parte" do império lusitano. Em uma das mais olímpicas demonstrações de falta de raízes e sentimentos nacionais, a grande aristocracia abandonava a terra pátria para melhor defender privilégios sociais e econômicos.

Após parada em Salvador da Bahia, o comboio real chegou, meio desgarrado, ao Rio de Janeiro, a 7 de março de 1808, onde o príncipe dom João teria dito ao representante do governo inglês que considerava "muito pouco provável" seu retorno a Lisboa. Voltaria, treze anos mais tarde, acuado pela revolução liberal portuguesa de 1820.


Mário Maestri, 59, é historiador e professor do PPGH da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net

Há 200 anos a Corte Portuguesa fugia para o Brasil

Por Mário Maestri

Em 1793, a Coroa lusitana participara da primeira coalizão contra a República Francesa revolucionária, vista pelos liberais portugueses com grande esperança. Em 1796, após a burguesia francesa conservadora apoderar-se do poder e reprimir as massas populares, Portugal abandonara a coalizão, mantendo difícil neutralidade quanto ao confronto anglo‑francês.

Ingleses e franceses exigiam que Portugal tomasse partido. Uma decisão difícil. Optar pela França significava perder o Brasil, pois a Inglaterra apoiaria a independência da colônia. Apoiar os ingleses era selar a invasão de Portugal pelos franceses, senhores do continente. Portugal seguiu saltando nos dois pés.

Em 1807, Napoleão Bonaparte ordenou a ocupação e desmembramento do reino português. Lisboa tratou secretamente com os ingleses o apoio naval à transferência da Família Real e de parte da nobreza ao Rio de Janeiro, medida apoiada pelos britânicos pois significava a liberdade plena para seu comércio com o Brasil.

A mudança para o Brasil era idéia antiga. Os Diálogos das grandezas do Brasil já registravam a profecia de astrólogo do rei dom Manuel, o Venturoso, de que o colônia serviria, um dia, "de refúgio e abrigo da gente portuguesa". A aristocracia lusitana tinha consciência de que vivia sobretudo das rendas brasileiras e que o sistema colonial entrava em crise.

Em A utopia do poderoso império, Maria de Lourdes Viana Lyra lembra que os reformistas portugueses propunham antecipar-se à independência da colônia criando novo relacionamento político que permitisse a "emancipação" do Brasil, com Portugal como centro europeu e mercantil, no seio de um império português reconstruído. A transmigração para o Rio de Janeiro foi também desesperada resposta a eventual movimento emancipacionista da colônia.

Em 26 de novembro de 1807, ao escafeder-se para o Brasil, dom João lançou patético manifesto: "Tendo procurado por todos os meios possíveis conservar a neutralidade [...] vejo que pelo interior do meu Reino marcham tropas do imperador dos franceses [...] querendo eu evitar as funestas conseqüências [...]contra minha real pessoa e [crendo] que meus leais vassalos serão menos inquietados, ausentando-me eu deste Reino."

Na manhã de 29 de novembro, sob a escolta inglesa, partiam do rio Tejo oito naus, quatro fragatas, três brigues, uma escuna e outras embarcações. Dez mil pessoas carregando o que podiam levar – móveis, objetos de arte, louçaria, livros, arquivos... À cabeça da debandada: o príncipe regente dom João; dona Maria Carlota, sua espanhola e em todos os sentidos não muito fiel esposa; dona Maria I, a rainha enlouquecida.

Portugal foi abandonado as frágeis e mal-aparelhadas tropas invasoras. Uma resoluta resistência dos exércitos lusitanos, apoiados pela população, impediria certamente a invasão. Mas a mobilização popular assustava mais a aristocracia do que os franceses. Quando da partida, dom João ordenara aos governadores que ficavam que muito bem recebessem, aquartelassem e assistissem os franceses.

Para muitos liberais, os soldados de Napoleão entraram em Portugal como libertadores. A coroa e a aristocracia lusitana temiam que os liberais portugueses fizessem o mesmo que o Terceiro Estado fizera na França. A família real escapava também das tropas francesas e da revolução burguesa que estremecia a Europa desde 1789.

A transferência da Família Real não constituiu apenas fuga diante das tropas invasoras e do liberalismo europeu. Migrando para o Rio de Janeiro, a aristocracia lusitana fazia virtude da necessidade, transferindo a sede da administração real para a "melhor parte" do império lusitano. Em uma das mais olímpicas demonstrações de falta de raízes e sentimentos nacionais, a grande aristocracia abandonava a terra pátria para melhor defender privilégios sociais e econômicos.

Após parada em Salvador da Bahia, o comboio real chegou, meio desgarrado, ao Rio de Janeiro, a 7 de março de 1808, onde o príncipe dom João teria dito ao representante do governo inglês que considerava "muito pouco provável" seu retorno a Lisboa. Voltaria, treze anos mais tarde, acuado pela revolução liberal portuguesa de 1820.


Mário Maestri, 59, é historiador e professor do PPGH da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net

Encontro sobre Imigração e Colonização em Passo Fundo

Nos últimos dez anos, através da linha de pesquisa “Espaço, economia e sociedade”, o Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF) realiza um amplo movimento de investigação do processo de ocupação, instalação, consolidação, desenvolvimento e superação da imigração colonial-camponesa, sobretudo italiana, mas também alemã, polonesa, holandesa, etc., com destaque para o norte do Rio Grande do Sul e o oeste de Santa Catarina e Paraná. Da redação.

Encetadas em uma ótica revisionista, essas investigações, que abordam as esferas econômicas, sociais, políticas e culturais, preocupam-se em desvelar a essencialidade dos processos migratórios e colonizadores, para melhor contribuir à compreensão dessas realidades e de suas importantes influências nas sociedades gerais na qual se desenvolveram, por além de seus registros fenomênicos apologéticos, comumente de corte etnicista.

A publicação sistemática das investigações dos discentes e docentes tem facilitado a consolidação do PPGH-UPF como pólo referencial sulino nos estudos imigrantistas. Nessa produção, destacam-se trabalhos de egressos do PPGH-UPF como A Lei do Silêncio: repressão e nacionalização no Estado novo em Guaporé [1937-1945], de Cláudia Sganzerla; Ulisses va in America: história, historiografia e mito da imigração italiana no RS [1875-1914], de Dilse Corteze; O sexo, o vinho e o diabo: demografia e sexualidade na colonização italiana no RS [1906-1970], de Ismael Vannini; Montanhas que furam as núvens! Imigração polonesa em Áurea, RS [1910-1945], de Thaís Wenczenovicz; Memória e cultura étnica, de Valter Rosseto; Estado, colonos e índios: conflitos na Reserva de Serrinha, de Joel Carini; Lei de Terras e a colonização no Médio Alto Uruguai, de Dablio Taglietti; O movimento dos monges Barbudos, de Henrique Kujawa; A colônia Barro e a Ferrovia no norte do Estado, de Gladis Wolf, publicados pela UPF Editora, em geral em parceria com a EST Edições.

Como desdobramento desses estudos e investigações, em 13 e 14 de novembro de 2007, realizou-se o II Seminário de História Regional do Programa de Pós-Graduação em História da UPF. A primeira versão desta reunião de estudos ocorreu em 2006, com mais de quarenta participantes, também no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UPF, sob a coordenação do dr. Adelar Heinsfeld [adelar@upf.br], tendo como principal foco os estudos políticos.

Desta vez, sob a coordenação dos historiadores Mário Maestri, João Carlos Tedesco [jctedesco@upf.br] e Adelar Heinsfeld, o encontro teve como tema central a “Imigração, colonização e movimentos sociais”, e contou com mais de oitenta comunicadores, entre os quais conhecidos pesquisadores da história da imigração e colonização, como René Gertz [UFRGS/PUCRS]; Florence Carboni [UFRGS]; Maria Catarina Zanini [UFSM]; Isabel Gritti [URI]; Cláudia Sganzerla [UCS]; Renilda Vicenzi [UniChapecó] Leandro Di Gesia [Universidade Nacional del Sur, Argentina].

O ato inaugural foi aberto com conferências dos doutores José Plínio Fachel, da UFPel, e de Thaís Janaína Wenczenovicz, pós-graduada na UPF e PUCRS, respectivamente sobre os impactos da “política de nacionalização” na comunidade alemã de Pelotas, durante o Estado Novo, e a história e historiografia da colonização polonesa no RS. As conferências de encerramento ficaram a cargo dos historiadores Nilson Thomé, da Universidade do Contestado, e Paulo Zarth, da Unijuí.

O II Seminário de História Regional contou com o apoio ativo do Núcleo de Estudos Histórico Lingüísticos do PPGH-UPF, fundado especialmente para organizar, coordenar e incentivar os estudos históricos relacionados sobretudo com as migrações, grupos étnicos, caboclos, colonização e cativos, etc., igualmente sob a coordenação dos historiadores João Carlos Tedesco e Mário Maestri.


Mário Maestri, 59, é Professor do Programa de Pós-Graduação em História da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net

Encontro sobre Imigração e Colonização em Passo Fundo

Nos últimos dez anos, através da linha de pesquisa “Espaço, economia e sociedade”, o Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF) realiza um amplo movimento de investigação do processo de ocupação, instalação, consolidação, desenvolvimento e superação da imigração colonial-camponesa, sobretudo italiana, mas também alemã, polonesa, holandesa, etc., com destaque para o norte do Rio Grande do Sul e o oeste de Santa Catarina e Paraná. Da redação.

Encetadas em uma ótica revisionista, essas investigações, que abordam as esferas econômicas, sociais, políticas e culturais, preocupam-se em desvelar a essencialidade dos processos migratórios e colonizadores, para melhor contribuir à compreensão dessas realidades e de suas importantes influências nas sociedades gerais na qual se desenvolveram, por além de seus registros fenomênicos apologéticos, comumente de corte etnicista.

A publicação sistemática das investigações dos discentes e docentes tem facilitado a consolidação do PPGH-UPF como pólo referencial sulino nos estudos imigrantistas. Nessa produção, destacam-se trabalhos de egressos do PPGH-UPF como A Lei do Silêncio: repressão e nacionalização no Estado novo em Guaporé [1937-1945], de Cláudia Sganzerla; Ulisses va in America: história, historiografia e mito da imigração italiana no RS [1875-1914], de Dilse Corteze; O sexo, o vinho e o diabo: demografia e sexualidade na colonização italiana no RS [1906-1970], de Ismael Vannini; Montanhas que furam as núvens! Imigração polonesa em Áurea, RS [1910-1945], de Thaís Wenczenovicz; Memória e cultura étnica, de Valter Rosseto; Estado, colonos e índios: conflitos na Reserva de Serrinha, de Joel Carini; Lei de Terras e a colonização no Médio Alto Uruguai, de Dablio Taglietti; O movimento dos monges Barbudos, de Henrique Kujawa; A colônia Barro e a Ferrovia no norte do Estado, de Gladis Wolf, publicados pela UPF Editora, em geral em parceria com a EST Edições.

Como desdobramento desses estudos e investigações, em 13 e 14 de novembro de 2007, realizou-se o II Seminário de História Regional do Programa de Pós-Graduação em História da UPF. A primeira versão desta reunião de estudos ocorreu em 2006, com mais de quarenta participantes, também no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UPF, sob a coordenação do dr. Adelar Heinsfeld [adelar@upf.br], tendo como principal foco os estudos políticos.

Desta vez, sob a coordenação dos historiadores Mário Maestri, João Carlos Tedesco [jctedesco@upf.br] e Adelar Heinsfeld, o encontro teve como tema central a “Imigração, colonização e movimentos sociais”, e contou com mais de oitenta comunicadores, entre os quais conhecidos pesquisadores da história da imigração e colonização, como René Gertz [UFRGS/PUCRS]; Florence Carboni [UFRGS]; Maria Catarina Zanini [UFSM]; Isabel Gritti [URI]; Cláudia Sganzerla [UCS]; Renilda Vicenzi [UniChapecó] Leandro Di Gesia [Universidade Nacional del Sur, Argentina].

O ato inaugural foi aberto com conferências dos doutores José Plínio Fachel, da UFPel, e de Thaís Janaína Wenczenovicz, pós-graduada na UPF e PUCRS, respectivamente sobre os impactos da “política de nacionalização” na comunidade alemã de Pelotas, durante o Estado Novo, e a história e historiografia da colonização polonesa no RS. As conferências de encerramento ficaram a cargo dos historiadores Nilson Thomé, da Universidade do Contestado, e Paulo Zarth, da Unijuí.

O II Seminário de História Regional contou com o apoio ativo do Núcleo de Estudos Histórico Lingüísticos do PPGH-UPF, fundado especialmente para organizar, coordenar e incentivar os estudos históricos relacionados sobretudo com as migrações, grupos étnicos, caboclos, colonização e cativos, etc., igualmente sob a coordenação dos historiadores João Carlos Tedesco e Mário Maestri.


Mário Maestri, 59, é Professor do Programa de Pós-Graduação em História da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net