Alins Baba e os 40 ladrões

Veja no Em Dia Com A Cidadania o vídeo com a lista dos 40 deputados que votaram para que Álvaro Lins fosse solto 24h de preso (clique no título).

Escândalo "esquecido" já levou 29 congressistas colombianos à cadeia

Você sabia que há 29 congressistas colombianos presos por causa do chamado escândalo da parapolítica? Por Luiz Carlos Azenha (*).

Eu gostaria de ter tempo, dinheiro e paciência para medir quantos centímetros e minutos foram gastos tratando da Venezuela na mídia brasileira nos últimos meses e comparar com os mesmos dados relativos à Colômbia. Você sabia que há 29 congressistas colombianos presos por causa do chamado escândalo da parapolítica?

Diz o jornal conservador colombiano El Tiempo, a respeito: O que se descobriu, depois das investigações da Justiça, nas quais se obtiveram confissões dos responsáveis, é que o fenômeno paramilitar permeou a classe dirigente da maioria dos partidos. E que muitos deles, uns mais que os outros, fizeram acordos com os criminosos e consentiram suas ações, em troca de votos para permanecer ativos na arena política.

Um leitor desavisado corre o risco de concluir, a partir da cobertura da mídia brasileira, que:

-- as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) surgiram incentivadas por Hugo Chávez. Não é verdade. Ele assumiu a presidência em 1998 e as FARC foram formadas em 1966, quando Chávez tinha 12 anos de idade.

-- as FARC têm o monopólio da violência na Colômbia. Não é verdade. Os grupos paramilitares, ligados a integrantes do exército e da polícia, se organizaram nos anos 80 e 90 para fazer a guerra suja contra o cartel de Medellin, dar apoio a narcotraficantes e proteger interesses políticos e econômicos de empresários e políticos.

-- os seqüestros são monopólio das FARC. Não é verdade. Eles foram praticados pela guerrilha, por paramilitares e por bandidos comuns.

-- os narcotraficantes fizeram acordos apenas com as FARC. Não é verdade. Eles também atuaram em parceria com grupos paramilitares, como as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).

Em resumo, as raízes históricas da violência na Colômbia são complexas e não é possível uma saída militar para a guerra civil. Se fosse possível, já teria sido obtida pelo governo de Álvaro Uribe, que além da assessoria dos Estados Unidos e de bilhões de dólares de ajuda tem à sua disposição o equipamento militar mais moderno e tropas bem treinadas.

Uribe quer regionalizar a crise, flexibilizar as fronteiras e, ao mesmo tempo, faturar politicamente para prorrogar sua permanência no poder. A violência e o narcotráfico são problemas que a Colômbia exportou para os seus vizinhos - e não o inverso.

A pressão para que a Colômbia finalmente lidasse com os paramilitares partiu do Congresso dos Estados Unidos, sem o qual é impossível aprovar o Tratado de Livre Comércio entre os dois países.

O escândalo abalou especialmente a base de apoio do presidente Álvaro Uribe no Congresso. Um dos partidos, o Colômbia Democrática, teve três de seus senadores presos e o quarto, Mario Uribe, primo do presidente, renunciou e aguarda uma decisão da Procuradoria Geral. Ele recebeu ajuda dos paramilitares na campanha eleitoral de 2002. Ainda não se descobriu nada contra o Polo Democratico, principal partido de oposição, o que o fortalece para as eleições presidenciais de 2010.

Com o Congresso paralisado por prisões de senadores e deputados, a oposição fala em reforma política, mas os aliados de Uribe rejeitam a idéia.

Yes, nós temos bananas

Em outra frente da mesma crise, um grupo de 173 parentes de vítimas dos paramilitares move ação de indenização na Justiça dos Estados Unidos contra a Chiquita Brands International. A empresa, sucessora da famosa United Fruit, é acusada de ter usado os serviços dos paramilitares para se livrar de sindicalistas, militantes e trabalhadores na região de produção de banana da Colômbia.

Em 2007, a Chiquita fez um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos pelo qual pagou 25 milhões de dólares em multa. A empresa admitiu ter feito pagamentos para as AUC no valor de cerca de U$ 1,7 milhão entre 1997 e 2004 em troca de proteção na área de colheita. A empresa também admitiu ter feito pagamentos às FARC e a outro grupo guerrilheiro, o Exército de Libertação Nacional (ELN).

Tecnicamente, a Chiquita violou a lei antiterrorista dos Estados Unidos, já que os três grupos estão na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras do Departamento de Estado. Pelo acordo, a empresa ficou livre de identificar os seus executivos que aprovaram os pagamentos. Ou seja, quando um americano admite ter ajudado um grupo terrorista, conforme definido pelos próprios Estados Unidos, paga multa. Quando um estrangeiro é suspeito disso pode ser seqüestrado em seu país de origem, permanecer preso em Guantánamo sem acusação formal ou levar uma bomba na cabeça.

(*) Publicado em 09 de abril de 2008 no site Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha.


_______________________________________
www.consciencia.net

Escândalo "esquecido" já levou 29 congressistas colombianos à cadeia

Você sabia que há 29 congressistas colombianos presos por causa do chamado escândalo da parapolítica? Por Luiz Carlos Azenha (*).

Eu gostaria de ter tempo, dinheiro e paciência para medir quantos centímetros e minutos foram gastos tratando da Venezuela na mídia brasileira nos últimos meses e comparar com os mesmos dados relativos à Colômbia. Você sabia que há 29 congressistas colombianos presos por causa do chamado escândalo da parapolítica?

Diz o jornal conservador colombiano El Tiempo, a respeito: O que se descobriu, depois das investigações da Justiça, nas quais se obtiveram confissões dos responsáveis, é que o fenômeno paramilitar permeou a classe dirigente da maioria dos partidos. E que muitos deles, uns mais que os outros, fizeram acordos com os criminosos e consentiram suas ações, em troca de votos para permanecer ativos na arena política.

Um leitor desavisado corre o risco de concluir, a partir da cobertura da mídia brasileira, que:

-- as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) surgiram incentivadas por Hugo Chávez. Não é verdade. Ele assumiu a presidência em 1998 e as FARC foram formadas em 1966, quando Chávez tinha 12 anos de idade.

-- as FARC têm o monopólio da violência na Colômbia. Não é verdade. Os grupos paramilitares, ligados a integrantes do exército e da polícia, se organizaram nos anos 80 e 90 para fazer a guerra suja contra o cartel de Medellin, dar apoio a narcotraficantes e proteger interesses políticos e econômicos de empresários e políticos.

-- os seqüestros são monopólio das FARC. Não é verdade. Eles foram praticados pela guerrilha, por paramilitares e por bandidos comuns.

-- os narcotraficantes fizeram acordos apenas com as FARC. Não é verdade. Eles também atuaram em parceria com grupos paramilitares, como as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).

Em resumo, as raízes históricas da violência na Colômbia são complexas e não é possível uma saída militar para a guerra civil. Se fosse possível, já teria sido obtida pelo governo de Álvaro Uribe, que além da assessoria dos Estados Unidos e de bilhões de dólares de ajuda tem à sua disposição o equipamento militar mais moderno e tropas bem treinadas.

Uribe quer regionalizar a crise, flexibilizar as fronteiras e, ao mesmo tempo, faturar politicamente para prorrogar sua permanência no poder. A violência e o narcotráfico são problemas que a Colômbia exportou para os seus vizinhos - e não o inverso.

A pressão para que a Colômbia finalmente lidasse com os paramilitares partiu do Congresso dos Estados Unidos, sem o qual é impossível aprovar o Tratado de Livre Comércio entre os dois países.

O escândalo abalou especialmente a base de apoio do presidente Álvaro Uribe no Congresso. Um dos partidos, o Colômbia Democrática, teve três de seus senadores presos e o quarto, Mario Uribe, primo do presidente, renunciou e aguarda uma decisão da Procuradoria Geral. Ele recebeu ajuda dos paramilitares na campanha eleitoral de 2002. Ainda não se descobriu nada contra o Polo Democratico, principal partido de oposição, o que o fortalece para as eleições presidenciais de 2010.

Com o Congresso paralisado por prisões de senadores e deputados, a oposição fala em reforma política, mas os aliados de Uribe rejeitam a idéia.

Yes, nós temos bananas

Em outra frente da mesma crise, um grupo de 173 parentes de vítimas dos paramilitares move ação de indenização na Justiça dos Estados Unidos contra a Chiquita Brands International. A empresa, sucessora da famosa United Fruit, é acusada de ter usado os serviços dos paramilitares para se livrar de sindicalistas, militantes e trabalhadores na região de produção de banana da Colômbia.

Em 2007, a Chiquita fez um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos pelo qual pagou 25 milhões de dólares em multa. A empresa admitiu ter feito pagamentos para as AUC no valor de cerca de U$ 1,7 milhão entre 1997 e 2004 em troca de proteção na área de colheita. A empresa também admitiu ter feito pagamentos às FARC e a outro grupo guerrilheiro, o Exército de Libertação Nacional (ELN).

Tecnicamente, a Chiquita violou a lei antiterrorista dos Estados Unidos, já que os três grupos estão na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras do Departamento de Estado. Pelo acordo, a empresa ficou livre de identificar os seus executivos que aprovaram os pagamentos. Ou seja, quando um americano admite ter ajudado um grupo terrorista, conforme definido pelos próprios Estados Unidos, paga multa. Quando um estrangeiro é suspeito disso pode ser seqüestrado em seu país de origem, permanecer preso em Guantánamo sem acusação formal ou levar uma bomba na cabeça.

(*) Publicado em 09 de abril de 2008 no site Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha.


_______________________________________
www.consciencia.net

Escândalo "esquecido" já levou 29 congressistas colombianos à cadeia

Você sabia que há 29 congressistas colombianos presos por causa do chamado escândalo da parapolítica? Por Luiz Carlos Azenha (*), clique no título para ler.

Colômbia: Revista denunciou envolvimento de Uribe com o narcotráfico

Artigo publicado pela revista Newsweek, em agosto de 2004, revelou informações de um relatório dos serviços de inteligência dos EUA, apontando o envolvimento do presidente colombiano, Álvaro Uribe, com narcotraficantes e com o Cartel de Medellín. Da Agência Carta Maior.

Em agosto de 2004, a revista Newsweek publicou um artigo apontando o envolvimento do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, com integrantes do narcotráfico. Assinado pelos jornalistas Joseph Contreras e Steven Ambrus, o artigo citou informações de um relatório do serviço de inteligência dos Estados Unidos para sustentar a afirmação sobre o envolvimento de Uribe com narcotraficantes e grupos para-militares colombianos.

Entre outras informações, o relatório a que os jornalistas da Newsweek tiveram acesso fala do envolvimento de Uribe com o Cartel de Medellín, com atividades com narcóticos nos EUA e com o líder do narcotráfico Pablo Escobar Gaviria, morto pela polícia em 1993. Na época, a assessoria de Uribe divulgou uma nota negando a ligação de Uribe com negócios nos EUA, mas silenciando em relação às outras acusações. A íntegra da matéria da Newsweek é a seguinte:

“Um relatório liberado pelos serviços de inteligência do Departamento de Defesa (dos EUA), datado de setembro de 1991, pode ser visto como uma espécie de ‘Quem é Quem’ no tráfico de cocaína na Colômbia. A lista inclui o cabeça do cartel de Medellín, Pablo Escobar, e mais de 100 outros escroques, assassinos, traficantes e obscuros advogados supostamente a seu serviço. Lá se encontra o número 82 da lista: ‘Álvaro Uribe Velez - político e senador colombiano dedicado à colaboração com o Cartel de Medellín a partir dos altos escalões governamentais. Uribe esteve envolvido em atividades com narcóticos nos EUA.... Uribe trabalhou para o Cartel de Medellín e é amigo íntimo de Pablo Escobar Gaviria’. Escobar morreu em 1993, em meio a uma blitz policial. Há dois anos, Uribe tornou-se presidente da Colômbia.

Washington o ama. Numa declaração impressa de duas páginas, a assessoria do presidente colombiano negou que Uribe tenha tido ligações de qualquer tipo com negócios nos EUA, conforme consta do relatório de 1991 (a lista foi obtida pelo Arquivo de Segurança Nacional - NSA - um grupo independente de pesquisa nos EUA). Entretanto, a declaração não tratou das alegações de que Uribe tenha trabalhado para o Cartel de Medellín e que tenha sido amigo íntimo de Escobar. Isto se deve, talvez, ao fato de Uribe acreditar que seus atos mais recentes falem mais alto do que seus desmentidos: nos últimos dois anos, a Colômbia extraditou 140 acusados de tráfico para os EUA - uma cifra jamais igualada por qualquer presidente anterior. ‘Este é provavelmente um dos presidentes mais pró-americanos em toda a história da América Latina’, afirmou Adam Isacson, no Centro para a Política Internacional, em Washington.

Ainda assim, algumas questões permanecem. Uribe tem falado de paz com os grupos fora-da-lei de paramilitares de direita. Esses grupos começaram a agir em auto-defesa, frente ao movimento de guerrilha marxista fora de controle, embora eles mesmos (os paramilitares) tenham apoio do comércio de drogas. Após obter permissão legal para combater a guerrilha de esquerda, Uribe passou a oferecer perdão aos paramilitares que renunciarem ao tráfico e se desarmarem. ‘Algumas dessas pessoas nem mesmo têm credenciais que indiquem sua atuação anti-guerrilha’, comenta Isacson. ‘São simplesmente traficantes de drogas que compraram seu ingresso no movimento paramilitar como uma forma de obter status político, legitimar suas fortunas e poder caminhar livres’. Muitos colombianos parecem despreocupados. Com os níveis de aprovação do presidente beirando os 70%, provavelmente ele conseguirá aprovar uma emenda constitucional, ainda este ano, que permitirá que ele concorra novamente ao cargo em 2006 - e vença”.

(Leia aqui o original)

_______________________________________
Lembre-se que você tem quatro opções de entrega: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar, responda solicitando. [www.consciencia.net]

Colômbia: Revista denunciou envolvimento de Uribe com o narcotráfico

Artigo publicado pela revista Newsweek, em agosto de 2004, revelou informações de um relatório dos serviços de inteligência dos EUA, apontando o envolvimento do presidente colombiano, Álvaro Uribe, com narcotraficantes e com o Cartel de Medellín. Da Agência Carta Maior.

Em agosto de 2004, a revista Newsweek publicou um artigo apontando o envolvimento do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, com integrantes do narcotráfico. Assinado pelos jornalistas Joseph Contreras e Steven Ambrus, o artigo citou informações de um relatório do serviço de inteligência dos Estados Unidos para sustentar a afirmação sobre o envolvimento de Uribe com narcotraficantes e grupos para-militares colombianos.

Entre outras informações, o relatório a que os jornalistas da Newsweek tiveram acesso fala do envolvimento de Uribe com o Cartel de Medellín, com atividades com narcóticos nos EUA e com o líder do narcotráfico Pablo Escobar Gaviria, morto pela polícia em 1993. Na época, a assessoria de Uribe divulgou uma nota negando a ligação de Uribe com negócios nos EUA, mas silenciando em relação às outras acusações. A íntegra da matéria da Newsweek é a seguinte:

“Um relatório liberado pelos serviços de inteligência do Departamento de Defesa (dos EUA), datado de setembro de 1991, pode ser visto como uma espécie de ‘Quem é Quem’ no tráfico de cocaína na Colômbia. A lista inclui o cabeça do cartel de Medellín, Pablo Escobar, e mais de 100 outros escroques, assassinos, traficantes e obscuros advogados supostamente a seu serviço. Lá se encontra o número 82 da lista: ‘Álvaro Uribe Velez - político e senador colombiano dedicado à colaboração com o Cartel de Medellín a partir dos altos escalões governamentais. Uribe esteve envolvido em atividades com narcóticos nos EUA.... Uribe trabalhou para o Cartel de Medellín e é amigo íntimo de Pablo Escobar Gaviria’. Escobar morreu em 1993, em meio a uma blitz policial. Há dois anos, Uribe tornou-se presidente da Colômbia.

Washington o ama. Numa declaração impressa de duas páginas, a assessoria do presidente colombiano negou que Uribe tenha tido ligações de qualquer tipo com negócios nos EUA, conforme consta do relatório de 1991 (a lista foi obtida pelo Arquivo de Segurança Nacional - NSA - um grupo independente de pesquisa nos EUA). Entretanto, a declaração não tratou das alegações de que Uribe tenha trabalhado para o Cartel de Medellín e que tenha sido amigo íntimo de Escobar. Isto se deve, talvez, ao fato de Uribe acreditar que seus atos mais recentes falem mais alto do que seus desmentidos: nos últimos dois anos, a Colômbia extraditou 140 acusados de tráfico para os EUA - uma cifra jamais igualada por qualquer presidente anterior. ‘Este é provavelmente um dos presidentes mais pró-americanos em toda a história da América Latina’, afirmou Adam Isacson, no Centro para a Política Internacional, em Washington.

Ainda assim, algumas questões permanecem. Uribe tem falado de paz com os grupos fora-da-lei de paramilitares de direita. Esses grupos começaram a agir em auto-defesa, frente ao movimento de guerrilha marxista fora de controle, embora eles mesmos (os paramilitares) tenham apoio do comércio de drogas. Após obter permissão legal para combater a guerrilha de esquerda, Uribe passou a oferecer perdão aos paramilitares que renunciarem ao tráfico e se desarmarem. ‘Algumas dessas pessoas nem mesmo têm credenciais que indiquem sua atuação anti-guerrilha’, comenta Isacson. ‘São simplesmente traficantes de drogas que compraram seu ingresso no movimento paramilitar como uma forma de obter status político, legitimar suas fortunas e poder caminhar livres’. Muitos colombianos parecem despreocupados. Com os níveis de aprovação do presidente beirando os 70%, provavelmente ele conseguirá aprovar uma emenda constitucional, ainda este ano, que permitirá que ele concorra novamente ao cargo em 2006 - e vença”.

(Leia aqui o original)

_______________________________________
Lembre-se que você tem quatro opções de entrega: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar, responda solicitando. [www.consciencia.net]

Colômbia: Revista denunciou envolvimento de Uribe com o narcotráfico

Artigo publicado pela revista Newsweek, em agosto de 2004, revelou informações de um relatório dos serviços de inteligência dos EUA, apontando o envolvimento do presidente colombiano, Álvaro Uribe, com narcotraficantes e com o Cartel de Medellín. Da Agência Carta Maior. Clique no título para ler.

Tropa de Elite: o avesso do avesso

Os objetivos da produção de drogas são acumular capitais e produzir lucros. O espaço de sua produção não são as favelas e nem seus proprietários habitam lá. Onde ela é produzida? Quem são os produtores? Onde residem? Por Ana Lúcia da Silva (*).

“Homem de preto,
Qual é sua missão?
É invadir favela
E deixar corpo no chão”

Tropa de Elite, o mais badalado filme produzido nos últimos anos no Brasil, pretende retratar uma guerra: a guerra entre o Bope (Batalhão de Operações Especiais) e os traficantes. Qual o objetivo da guerra? “Salvar a cidade do Rio de Janeiro”, como afirma o capitão Nascimento, narrador do filme. “Se o Bope não existisse os traficantes há muito tempo já teriam tomado conta da cidade”, diz ele.

Que guerra é esta?

É uma guerra da qual os objetivos e os responsáveis não são personagens do filme.

Na realidade, Tropa de Elite retrata o espaço e a vida das vítimas da guerra. E quais são elas?

* Os trabalhadores que moram nas favelas. O capitão Nascimento afirma que os traficantes, vítimas das ações do Bope, moram nas favelas e controlam a maioria delas. Isto implica, na versão do filme, que os trabalhadores que habitam nas favelas são coniventes e protegem os traficantes, por medo ou por acomodação. Por isto, o Bope as invade com uma estratégia elaborada que lhe permite avançar e matar várias pessoas, sendo todas elas consideradas traficantes. Mesmo que investigações posteriores comprovem que mataram simples trabalhadores, sem nenhum envolvimento com atividades consideradas criminosas.

* Os traficantes que são espancados, torturados, humilhados e por fim mortos. Estas ações são louvadas e julgadas necessárias. É missão: “Homem de preto, qual é sua missão? É invadir favela e deixar corpo no chão.” Nenhuma destas ações é considerada crime e desrespeito às convenções internacionais dos direitos humanos.

Em todo Estado de Direito, criminoso deve ser preso, julgado e, considerado culpado, condenado. A polícia, que é uma concessão pública, não pode fazer justiça pelas próprias mãos.

* Os policiais, da polícia tradicional ou do Bope. O próprio filme mostra que os componentes da polícia são trabalhadores com péssimos salários e condições de trabalho, que terminam se submetendo a uma engrenagem de corrupção e de descaso por parte, principalmente, dos escalões superiores da hierarquia militar que, no caso, representam o Estado. Muitos, para sobreviverem, corrompem-se das mais variadas formas, inclusive chantageando os traficantes e com eles fazendo acordos e tornando-se, conseqüentemente, bandidos fardados. Ora, como poderiam os que se tornaram bandidos fardados guerrear contra bandidos civis? Esta seria uma guerra impossível. Por isto, criou-se o Bope, que aparece como uma resposta à ineficiência e corrupção da “polícia convencional” e aos políticos que a alimentam.

Essa elite de policiais é apresentada como constituída por homens de caráter, incorruptíveis, que sacrificam a vida pessoal e familiar, cujo lema é “faca na caveira e nada na carteira”. Eles passam por uma rigorosa seleção e são “formados na base da porrada, para resistirem às piores provações e até humilhações”. Esta pedagogia da violência é valorizada, julgada eficaz, necessária e se expressa nos cantos de guerra do Bope "Tropa de Elite, Osso duro de roer, Pega um, pega geral.Também vai pegar você!" Mas como é possível que, de algo tão corrompido, saia algo tão incorruptível?

* Os consumidores de droga: sejam os moradores das favelas, seja a juventude rica que estuda na PUC. No filme, principalmente estes são considerados culpados pela existência do tráfico, conseqüentemente da guerra. Em uma cena o capitão Nascimento pergunta a um jovem, apontando para um traficante morto, quem matou este cara? E afirma: “Quem matou esse cara aqui foi você. Seu veado, seu maconheiro, é você quem financia essa merda. A gente sobe aqui pra desfazer a merda que vocês fazem”. Ou seja, os usuários são os responsáveis pela existência do comércio de drogas.

Mas, afinal, que guerra é esta? Quais seus reais objetivos e o espaço onde se desenrola?

Todos sabemos que uma mercadoria para ser vendida tem que ser produzida. Inclusive, o grau de desenvolvimento de um país é determinado, principalmente, pelo tamanho e volume de seu parque industrial. A produção das chamadas drogas ilícitas é um processo industrial complexo. Pelo volume, envolve plantações em grande escala, indústria de refino, armazenamento, transporte. Sendo ilícita, a produção, transporte e armazenamento exigem segurança em todas as etapas (de homens, indústria de armas, subornos, serviço de inteligência), variados transportes terrestres e aéreos, fronteiras, complexa logística de distribuição. Estimula, inclusive, uma crescente e complexa rede privada de segurança, por onde, em 2005, circularam 11,8 bilhões de reais. Sem produção não há consumo. Esta sofisticada e complexa produção é uma enorme fonte de lucros e de acumulação de capital.

Portanto, os objetivos da produção de drogas são acumular capitais e produzir lucros. O espaço de sua produção não são as favelas e nem seus proprietários habitam lá. Onde ela é produzida? Quem são os produtores? Onde residem? Com a palavra os serviços de inteligência do país. Sobre estes personagens centrais para a existência das drogas, o filme não diz uma palavra.

A produção e comercialização das drogas envolvem bilhões de reais ou dólares. É óbvio que este dinheiro não é guardado nas favelas, nas mãos dos traficantes que lá habitam. É lógico que circula no sistema financeiro, que, provavelmente, é o que mais lucra com este comércio e o que enfrenta os menores riscos. O dinheiro é depositado em nome dos próprios produtores da drogas? Em nome de laranjas? Com a palavra o Banco Central.

Este personagem sequer é mencionado no filme.

Esta engrenagem responsável pela indústria da droga funciona a pleno vapor pela omissão, quando não pela conivência do Estado. Personagem também ausente do filme. Esporadicamente aparecem notícias de envolvimento de membros do poder executivo, legislativo e judiciário com a indústria de drogas. Uma investigação aprofundada descobriria os reais responsáveis pela indústria da droga, suas articulações e principais beneficiários. Mas isto destruiria uma poderosa indústria produtora de lucros, poder e prestígio. Por isto, cria-se uma guerra contra os traficantes, transformando as vítimas em personagens centrais, no filme e na vida real. Mas o filme, ao lado de toda a divulgação que a mídia dá sobre a violência urbana, contribui para fortalecer algumas idéias do senso comum que contribuem para a manutenção e reprodução desta poderosa máquina de lucros.

* Miséria e violência tornam-se sinônimos e as favelas são o espaço de sua reprodução. Inúmeras pesquisas apontam que, apesar de milhões de trabalhadores habitarem em favelas, principalmente nas grandes cidades, a porcentagem dos que se dedicam as chamadas atividades criminosas gira em torno de 3%. E que a violência maior no cotidiano das favelas não vem do tráfico, mas expressam a violência das tensões do mundo contemporâneo, tensões que explodem nas brigas de rua, de vizinhos, entre amigos, nos campos de futebol etc.

* O tráfico de drogas é o maior responsável por esta violência. No entanto, dados de pesquisa publicados na revista Carta Capital desmentem esta versão e mostram que, entre os motivos para assassinato, 13% tem origem no tráfico.

Este senso comum que norteia principalmente o ideário da classe média esconde o fundamental: a monstruosa concentração de renda no Brasil é que abre espaço para a cultura da violência. Numa sociedade em que as pessoas valem pelo que consomem, a juventude das favelas assimila o incentivo ao consumo de roupas, carros, jóias, shows, baladas, bebidas, que simbolizam bem estar, prestígio, status, poder. Sem outras oportunidades sociais, buscam no tráfico os recursos que lhes permitem tornarem-se “consumidores” socialmente valorizados em suas comunidades. Pode-se concluir que a solução do problema do tráfico não é policial, mas política e passa pelas reformas: tributária, agrária, urbana, política, cultural e financeira.

(*) Ana Lúcia da Silva é historiadora. Publicado também no Jornal O Popular (GO).


_______________________________________
www.consciencia.net

Tropa de Elite: o avesso do avesso

Os objetivos da produção de drogas são acumular capitais e produzir lucros. O espaço de sua produção não são as favelas e nem seus proprietários habitam lá. Onde ela é produzida? Quem são os produtores? Onde residem? Por Ana Lúcia da Silva (*).

“Homem de preto,
Qual é sua missão?
É invadir favela
E deixar corpo no chão”

Tropa de Elite, o mais badalado filme produzido nos últimos anos no Brasil, pretende retratar uma guerra: a guerra entre o Bope (Batalhão de Operações Especiais) e os traficantes. Qual o objetivo da guerra? “Salvar a cidade do Rio de Janeiro”, como afirma o capitão Nascimento, narrador do filme. “Se o Bope não existisse os traficantes há muito tempo já teriam tomado conta da cidade”, diz ele.

Que guerra é esta?

É uma guerra da qual os objetivos e os responsáveis não são personagens do filme.

Na realidade, Tropa de Elite retrata o espaço e a vida das vítimas da guerra. E quais são elas?

* Os trabalhadores que moram nas favelas. O capitão Nascimento afirma que os traficantes, vítimas das ações do Bope, moram nas favelas e controlam a maioria delas. Isto implica, na versão do filme, que os trabalhadores que habitam nas favelas são coniventes e protegem os traficantes, por medo ou por acomodação. Por isto, o Bope as invade com uma estratégia elaborada que lhe permite avançar e matar várias pessoas, sendo todas elas consideradas traficantes. Mesmo que investigações posteriores comprovem que mataram simples trabalhadores, sem nenhum envolvimento com atividades consideradas criminosas.

* Os traficantes que são espancados, torturados, humilhados e por fim mortos. Estas ações são louvadas e julgadas necessárias. É missão: “Homem de preto, qual é sua missão? É invadir favela e deixar corpo no chão.” Nenhuma destas ações é considerada crime e desrespeito às convenções internacionais dos direitos humanos.

Em todo Estado de Direito, criminoso deve ser preso, julgado e, considerado culpado, condenado. A polícia, que é uma concessão pública, não pode fazer justiça pelas próprias mãos.

* Os policiais, da polícia tradicional ou do Bope. O próprio filme mostra que os componentes da polícia são trabalhadores com péssimos salários e condições de trabalho, que terminam se submetendo a uma engrenagem de corrupção e de descaso por parte, principalmente, dos escalões superiores da hierarquia militar que, no caso, representam o Estado. Muitos, para sobreviverem, corrompem-se das mais variadas formas, inclusive chantageando os traficantes e com eles fazendo acordos e tornando-se, conseqüentemente, bandidos fardados. Ora, como poderiam os que se tornaram bandidos fardados guerrear contra bandidos civis? Esta seria uma guerra impossível. Por isto, criou-se o Bope, que aparece como uma resposta à ineficiência e corrupção da “polícia convencional” e aos políticos que a alimentam.

Essa elite de policiais é apresentada como constituída por homens de caráter, incorruptíveis, que sacrificam a vida pessoal e familiar, cujo lema é “faca na caveira e nada na carteira”. Eles passam por uma rigorosa seleção e são “formados na base da porrada, para resistirem às piores provações e até humilhações”. Esta pedagogia da violência é valorizada, julgada eficaz, necessária e se expressa nos cantos de guerra do Bope "Tropa de Elite, Osso duro de roer, Pega um, pega geral.Também vai pegar você!" Mas como é possível que, de algo tão corrompido, saia algo tão incorruptível?

* Os consumidores de droga: sejam os moradores das favelas, seja a juventude rica que estuda na PUC. No filme, principalmente estes são considerados culpados pela existência do tráfico, conseqüentemente da guerra. Em uma cena o capitão Nascimento pergunta a um jovem, apontando para um traficante morto, quem matou este cara? E afirma: “Quem matou esse cara aqui foi você. Seu veado, seu maconheiro, é você quem financia essa merda. A gente sobe aqui pra desfazer a merda que vocês fazem”. Ou seja, os usuários são os responsáveis pela existência do comércio de drogas.

Mas, afinal, que guerra é esta? Quais seus reais objetivos e o espaço onde se desenrola?

Todos sabemos que uma mercadoria para ser vendida tem que ser produzida. Inclusive, o grau de desenvolvimento de um país é determinado, principalmente, pelo tamanho e volume de seu parque industrial. A produção das chamadas drogas ilícitas é um processo industrial complexo. Pelo volume, envolve plantações em grande escala, indústria de refino, armazenamento, transporte. Sendo ilícita, a produção, transporte e armazenamento exigem segurança em todas as etapas (de homens, indústria de armas, subornos, serviço de inteligência), variados transportes terrestres e aéreos, fronteiras, complexa logística de distribuição. Estimula, inclusive, uma crescente e complexa rede privada de segurança, por onde, em 2005, circularam 11,8 bilhões de reais. Sem produção não há consumo. Esta sofisticada e complexa produção é uma enorme fonte de lucros e de acumulação de capital.

Portanto, os objetivos da produção de drogas são acumular capitais e produzir lucros. O espaço de sua produção não são as favelas e nem seus proprietários habitam lá. Onde ela é produzida? Quem são os produtores? Onde residem? Com a palavra os serviços de inteligência do país. Sobre estes personagens centrais para a existência das drogas, o filme não diz uma palavra.

A produção e comercialização das drogas envolvem bilhões de reais ou dólares. É óbvio que este dinheiro não é guardado nas favelas, nas mãos dos traficantes que lá habitam. É lógico que circula no sistema financeiro, que, provavelmente, é o que mais lucra com este comércio e o que enfrenta os menores riscos. O dinheiro é depositado em nome dos próprios produtores da drogas? Em nome de laranjas? Com a palavra o Banco Central.

Este personagem sequer é mencionado no filme.

Esta engrenagem responsável pela indústria da droga funciona a pleno vapor pela omissão, quando não pela conivência do Estado. Personagem também ausente do filme. Esporadicamente aparecem notícias de envolvimento de membros do poder executivo, legislativo e judiciário com a indústria de drogas. Uma investigação aprofundada descobriria os reais responsáveis pela indústria da droga, suas articulações e principais beneficiários. Mas isto destruiria uma poderosa indústria produtora de lucros, poder e prestígio. Por isto, cria-se uma guerra contra os traficantes, transformando as vítimas em personagens centrais, no filme e na vida real. Mas o filme, ao lado de toda a divulgação que a mídia dá sobre a violência urbana, contribui para fortalecer algumas idéias do senso comum que contribuem para a manutenção e reprodução desta poderosa máquina de lucros.

* Miséria e violência tornam-se sinônimos e as favelas são o espaço de sua reprodução. Inúmeras pesquisas apontam que, apesar de milhões de trabalhadores habitarem em favelas, principalmente nas grandes cidades, a porcentagem dos que se dedicam as chamadas atividades criminosas gira em torno de 3%. E que a violência maior no cotidiano das favelas não vem do tráfico, mas expressam a violência das tensões do mundo contemporâneo, tensões que explodem nas brigas de rua, de vizinhos, entre amigos, nos campos de futebol etc.

* O tráfico de drogas é o maior responsável por esta violência. No entanto, dados de pesquisa publicados na revista Carta Capital desmentem esta versão e mostram que, entre os motivos para assassinato, 13% tem origem no tráfico.

Este senso comum que norteia principalmente o ideário da classe média esconde o fundamental: a monstruosa concentração de renda no Brasil é que abre espaço para a cultura da violência. Numa sociedade em que as pessoas valem pelo que consomem, a juventude das favelas assimila o incentivo ao consumo de roupas, carros, jóias, shows, baladas, bebidas, que simbolizam bem estar, prestígio, status, poder. Sem outras oportunidades sociais, buscam no tráfico os recursos que lhes permitem tornarem-se “consumidores” socialmente valorizados em suas comunidades. Pode-se concluir que a solução do problema do tráfico não é policial, mas política e passa pelas reformas: tributária, agrária, urbana, política, cultural e financeira.

(*) Ana Lúcia da Silva é historiadora. Publicado também no Jornal O Popular (GO).


_______________________________________
www.consciencia.net