Solidariedade ao Pe. Luiz Couto, em defesa da vida, e contra a punição atribuída pelo arcebispo da Paraíba

Nós, abaixo-assinados, vimos manifestar de público nossa indignação em relação a mais uma atitude agressiva da parte do Arcebispo da Arquidiocese da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, que decidiu abrupta e arbitrariamente suspender de Ordem ao Pe. Luiz Couto.

Punição publicada no mesmo dia em que vieram a público pelo jornal O Norte (João Pessoa, 25 de fevereiro de 2009) trechos de declarações suas, prestadas a outro veículo, que passamos a citar tal como vêm mencionados na Nota punitiva assinada pelo Arcebispo da Igreja Católica da Paraíba: "Padre, deputado e adversário do celibato, Luiz Couto afirma, entre outras coisas, que é contra a obrigatoriedade do celibato e a discriminação de homossexuais, além de ser favorável ao uso de preservativo.”

Custa-nos acreditar que, á altura do século XXI (e não do século XIV...), mais de quarenta anos da realização do Concílio Vaticano II, tais declarações possam servir de justificativa a um bispo, para suspender de Ordem um padre, muito menos um do tipo do Pe. Luiz Couto, cuja atuação vem sendo de serviço à causa da vida, razão por que, aliás, vem sendo ameaçado de morte por parte do crime de extermínio que tem feito várias vítimas, na Paraíba e em Pernambuco, das quais a mais recente foi o Advogado Manoel Mattos, testemunha na CPI do Crime de Extermínio, e das quais o próprio Pe. Luiz Couto vem sendo citado como o próximo alvo.

Atuação igualmente marcante na defesa de jovens e crianças pobres, alvo fácil da prostituição infantil, fortemente denunciada por recente CPI.

Num caso desses e semelhantes, que papel a sociedade civil e os próprios diocesanos da Diocese dirigida pelo citado arcebispo dele esperam? Que se faça solidário das vítimas e de quem as defende arriscando a vida. Ele mesmo, como pastor que deveria seguir o Evangelho, deveria sentir-se no dever pastoral de ser o primeiro a defender essas causas. Não é isso o que se tem visto da parte de Dom. Aldo Pagotto, que tem se comportado, não raro, como alguém a apresentar forte compulsão de aproximação dos poderosos, em proporção direta ao seu distanciamento da causa dos pobres.

No caso mais recente, qual foi a atitude de Dom Aldo Pagotto? Ao ler as declarações, mesmo não estando de acordo com as mesmas, teria ele tratado de contatar pessoalmente o Pe. Luiz Couto, para se inteirar de todo o contexto das declarações? Terá tido a iniciativa de reunir as instâncias colegiadas da Arquidioce, antes de tomar decisão tão grave? Dificilmente terá feito isso, a julgar pelo fato de que, no mesmo dia em que são publicados os trechos das declarações, decide tomar abruptamente tal decisão.

Em vez disso, com base no que ele interpretou das normas do Código Canônico, decide punir o Pe. Luiz Couto, inclusive pelo fato de ser contra “a discriminação de homossexuais”.

Diante disso,
- expressamos nossa solidariedade ao Pe. Luiz Couto, animando-o a prosseguir no seu caminho profético;

- exigimos do Governo Lula especial proteção a todos os militantes ameaçados por sua luta pelos Direitos Humanos, como é o caso do Pe. Luiz Couto,

- reivindicamos a imediata suspensão da descabida punição contra o Pe. Luiz Couto;

João Pessoa, 4 de março de 2009

Ana Vigarani, Antônio Alberto Pereira, João da Cruz Fragoso, José Hailton Bezerra Lira, Luciano de Souza Batista, Luciano de Souza Silva, Luiz Gonzaga Gonçalves, Romero Venâncio Júnior, Genaro Ieno, Alder Júlio Ferreira Calado, Rolando Lazarte, que postou esta mensagem às 21:23 hs.