MST denuncia caso Syngenta a relator da ONU

Nesta terça- feira (13/11), integrantes do MST entregam em Brasília ao relator da ONU sobre execuções arbitrárias, sumárias ou extrajudiciais, Philip Alston, relatório produzido pela ONG Terra de Direitos sobre um dos casos considerados exemplos da prática de extermínio de defensores de Direitos Humanos e da impunidade com a violência no Brasil: o assassinato de Valmir Mota de Oliveira, dirigente do MST no Paraná, ocorrido no dia 21 de outubro durante ação de uma milícia armada contratada pela transnacional Syngenta.

Nesta terça- feira (13/11), em Brasília, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entregam ao relator da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre execuções arbitrárias, sumárias ou extrajudiciais, Philip Alston, relatório produzido pela ONG Terra de Direitos sobre um dos casos considerados exemplos da prática de extermínio de defensores de Direitos Humanos e da impunidade com a violência no Brasil: o assassinato do dirigente Sem Terra Valmir Mota de Oliveira, ocorrido durante ação de uma milícia armada contratada pela transnacional Syngenta, no Paraná, em 21 de outubro deste ano.

Segundo Marina dos Santos, da coordenação nacional do MST em Brasília, a visita do relator deve ajudar a mostrar ao mundo a atuação do braço armado das transnacionais do agronegócio no campo brasileiro. "É preciso garantir que as investigações tenham continuidade e que os responsáveis sejam punidos. E não podemos permitir que a Syngenta, que contrata pistoleiros armados para assassinar trabalhadores, permaneça atuando impunemente no país", afirma.

Brasília é o último destino do relator em sua visita ao Brasil. No último domingo (11/11), ele visitou o Assentamento do MST Pedro e Inácio, localizado no município de Nazaré da Mata, Zona da Mata pernambucana, para investigar denúncias de execuções sumárias ocorridas no Estado. Durante a visita, foi realizada uma audiência pública pela manhã, onde ele recebeu denúncias de diversas organizações e pessoas sobre casos de assassinatos ocorridos nos últimos anos em Pernambuco. À tarde o relator se reuniu individualmente com familiares de vitimas e testemunhas.

No dia 14, às 9h, Alston participará de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e, à tarde, deve se reunir com o presidente Lula. Ao final da missão, o relator vai elaborar um relatório sobre a visita que deverá ser divulgado entre março e abril de 2008.

A reunião está marcada para 16h30, no auditório da CNBB (SE/SUL – Quadra 801 - Conjunto B). Além do MST, participam do encontro integrantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e Movimento Negro Unificado (MNU), que também apresentarão relatórios sobre violência contra movimentos sociais.

Sobre o caso Syngenta

A área da Syngenta, no município paranaense de Santa Tereza do Oeste, foi reocupada no dia 21 de outubro por cerca de 150 integrantes da Via Campesina. O campo de experimento da empresa havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006, para denunciar o cultivo ilegal de reprodução de sementes transgênicas de soja e milho. A ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo. Após 16 meses de resistência, no dia 18 de julho deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, deslocando-se para um local provisório.

Na reocupação, os trabalhadores rurais soltaram fogos de artifício e os seguranças que estavam na fazenda abandonaram o local. Por volta da 13h30, um microônibus parou em frente ao portão de entrada, de onde desceu uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados. Os seguranças, de uma empresa particular de segurança contratada pela Syngenta, chegaram atirando em direção aos trabalhadores. Arrombaram o portão, executaram o militante Valmir Mota com dois tiros, balearam outros cinco agricultores e espancaram a Sem Terra Isabel do Nascimento de Souza, que ficou gravemente ferida.

Contatos com a imprensa:

Maria Mello - Escritório Nacional do MST – Brasília
Tel.: (61) 3322-5035 / 8464-6176 / www.mst.org.br

Mariana Duque - Escritório Nacional do MST – Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2533-6556 / 9736-3678
marianaduque@mst.org.br / www.mst.org.br

MST denuncia caso Syngenta a relator da ONU

Nesta terça- feira (13/11), integrantes do MST entregam em Brasília ao relator da ONU sobre execuções arbitrárias, sumárias ou extrajudiciais, Philip Alston, relatório produzido pela ONG Terra de Direitos sobre um dos casos considerados exemplos da prática de extermínio de defensores de Direitos Humanos e da impunidade com a violência no Brasil: o assassinato de Valmir Mota de Oliveira, dirigente do MST no Paraná, ocorrido no dia 21 de outubro durante ação de uma milícia armada contratada pela transnacional Syngenta.

Nesta terça- feira (13/11), em Brasília, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entregam ao relator da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre execuções arbitrárias, sumárias ou extrajudiciais, Philip Alston, relatório produzido pela ONG Terra de Direitos sobre um dos casos considerados exemplos da prática de extermínio de defensores de Direitos Humanos e da impunidade com a violência no Brasil: o assassinato do dirigente Sem Terra Valmir Mota de Oliveira, ocorrido durante ação de uma milícia armada contratada pela transnacional Syngenta, no Paraná, em 21 de outubro deste ano.

Segundo Marina dos Santos, da coordenação nacional do MST em Brasília, a visita do relator deve ajudar a mostrar ao mundo a atuação do braço armado das transnacionais do agronegócio no campo brasileiro. "É preciso garantir que as investigações tenham continuidade e que os responsáveis sejam punidos. E não podemos permitir que a Syngenta, que contrata pistoleiros armados para assassinar trabalhadores, permaneça atuando impunemente no país", afirma.

Brasília é o último destino do relator em sua visita ao Brasil. No último domingo (11/11), ele visitou o Assentamento do MST Pedro e Inácio, localizado no município de Nazaré da Mata, Zona da Mata pernambucana, para investigar denúncias de execuções sumárias ocorridas no Estado. Durante a visita, foi realizada uma audiência pública pela manhã, onde ele recebeu denúncias de diversas organizações e pessoas sobre casos de assassinatos ocorridos nos últimos anos em Pernambuco. À tarde o relator se reuniu individualmente com familiares de vitimas e testemunhas.

No dia 14, às 9h, Alston participará de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e, à tarde, deve se reunir com o presidente Lula. Ao final da missão, o relator vai elaborar um relatório sobre a visita que deverá ser divulgado entre março e abril de 2008.

A reunião está marcada para 16h30, no auditório da CNBB (SE/SUL – Quadra 801 - Conjunto B). Além do MST, participam do encontro integrantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e Movimento Negro Unificado (MNU), que também apresentarão relatórios sobre violência contra movimentos sociais.

Sobre o caso Syngenta

A área da Syngenta, no município paranaense de Santa Tereza do Oeste, foi reocupada no dia 21 de outubro por cerca de 150 integrantes da Via Campesina. O campo de experimento da empresa havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006, para denunciar o cultivo ilegal de reprodução de sementes transgênicas de soja e milho. A ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo. Após 16 meses de resistência, no dia 18 de julho deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, deslocando-se para um local provisório.

Na reocupação, os trabalhadores rurais soltaram fogos de artifício e os seguranças que estavam na fazenda abandonaram o local. Por volta da 13h30, um microônibus parou em frente ao portão de entrada, de onde desceu uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados. Os seguranças, de uma empresa particular de segurança contratada pela Syngenta, chegaram atirando em direção aos trabalhadores. Arrombaram o portão, executaram o militante Valmir Mota com dois tiros, balearam outros cinco agricultores e espancaram a Sem Terra Isabel do Nascimento de Souza, que ficou gravemente ferida.

Contatos com a imprensa:

Maria Mello - Escritório Nacional do MST – Brasília
Tel.: (61) 3322-5035 / 8464-6176 / www.mst.org.br

Mariana Duque - Escritório Nacional do MST – Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2533-6556 / 9736-3678
marianaduque@mst.org.br / www.mst.org.br

Empresa de transgenia assassina trabalhador

A Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra vem se juntar às diversas expressões de indignação que ecoam Brasil afora diante da morte do sem-terra Valmir Mota, encomendada pela empresa multinacional Syngenta Seeds, no dia 21 de outubro passado, em seu campo de experimentos, no município de Santa Tereza do Oeste, Paraná. Além de Valmir, os pistoleiros ainda feriram outras cinco pessoas, entre as quais Izabel do Nascimento Souza, internada em estado grave no hospital de Cascavel. No confronto um pistoleiro também foi morto. Da Comissão Pastoral da Terra.

A área onde ocorreu o conflito ficou conhecida nacionalmente quando, no início de 2006, 70 famílias da Via Campesina a ocuparam para que a nação brasileira tomasse conhecimento de que nela se efetuavam experimentos com plantas transgênicas em desobediência aberta à legislação ambiental que proíbe tais práticas em áreas próximas a reservas florestais. A propriedade acabou sendo desapropriada pelo governo do estado para que se transformasse num centro de experiências em agroecologia. Uma decisão da Justiça, porém, anulou a desapropriação e determinou a retirada das famílias. No último domingo, 21 de outubro, as famílias da Via Campesina voltaram a ocupá-la.

O que deixa a Coordenação Nacional da CPT preocupada é que, em pleno século XXI, pistoleiros fortemente armados estejam ainda em plena ação em estados considerados desenvolvidos, como é o Paraná, num frontal desrespeito ao estado de direito vigente, e a serviço da elite latifundiária e agora também de empresas transnacionais. Estas além de se apropriarem de parte do território nacional, recorrem ainda à utilização de milícias privadas para proteger seus interesses.

O que nos deixa atônitos é que tudo isto esteja acontecendo nos mesmos espaços em que o agronegócio, em conluio com as multinacionais, se vangloria dos avanços tecnológicos na agricultura moderna capazes até de alterar a estrutura dos próprios seres vivos. Não se alteram, porém, a propriedade como direito absoluto acima da vida e dos direitos básicos da pessoa humana, nem os métodos utilizados desde os tempos da barbárie.

A CPT expressa à família do Valmir sua solidariedade neste momento de dor e de indignação. E exige que o poder judiciário seja ágil na punição dos responsáveis por este crime e que o governo do Estado do Paraná tome imediatas e enérgicas medidas a fim de combater eficazmente a formação e atuação dessas quadrilhas, que são milícias privadas, que espalham o terror e a violência entre os trabalhadores e trabalhadoras do campo.

Goiânia, 23 de outubro de 2007.
Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra

Empresa de transgenia assassina trabalhador

A Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra vem se juntar às diversas expressões de indignação que ecoam Brasil afora diante da morte do sem-terra Valmir Mota, encomendada pela empresa multinacional Syngenta Seeds, no dia 21 de outubro passado, em seu campo de experimentos, no município de Santa Tereza do Oeste, Paraná. Além de Valmir, os pistoleiros ainda feriram outras cinco pessoas, entre as quais Izabel do Nascimento Souza, internada em estado grave no hospital de Cascavel. No confronto um pistoleiro também foi morto. Da Comissão Pastoral da Terra.

A área onde ocorreu o conflito ficou conhecida nacionalmente quando, no início de 2006, 70 famílias da Via Campesina a ocuparam para que a nação brasileira tomasse conhecimento de que nela se efetuavam experimentos com plantas transgênicas em desobediência aberta à legislação ambiental que proíbe tais práticas em áreas próximas a reservas florestais. A propriedade acabou sendo desapropriada pelo governo do estado para que se transformasse num centro de experiências em agroecologia. Uma decisão da Justiça, porém, anulou a desapropriação e determinou a retirada das famílias. No último domingo, 21 de outubro, as famílias da Via Campesina voltaram a ocupá-la.

O que deixa a Coordenação Nacional da CPT preocupada é que, em pleno século XXI, pistoleiros fortemente armados estejam ainda em plena ação em estados considerados desenvolvidos, como é o Paraná, num frontal desrespeito ao estado de direito vigente, e a serviço da elite latifundiária e agora também de empresas transnacionais. Estas além de se apropriarem de parte do território nacional, recorrem ainda à utilização de milícias privadas para proteger seus interesses.

O que nos deixa atônitos é que tudo isto esteja acontecendo nos mesmos espaços em que o agronegócio, em conluio com as multinacionais, se vangloria dos avanços tecnológicos na agricultura moderna capazes até de alterar a estrutura dos próprios seres vivos. Não se alteram, porém, a propriedade como direito absoluto acima da vida e dos direitos básicos da pessoa humana, nem os métodos utilizados desde os tempos da barbárie.

A CPT expressa à família do Valmir sua solidariedade neste momento de dor e de indignação. E exige que o poder judiciário seja ágil na punição dos responsáveis por este crime e que o governo do Estado do Paraná tome imediatas e enérgicas medidas a fim de combater eficazmente a formação e atuação dessas quadrilhas, que são milícias privadas, que espalham o terror e a violência entre os trabalhadores e trabalhadoras do campo.

Goiânia, 23 de outubro de 2007.
Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra

Milícia armada ataca acampamento da Via Campesina e executa militante

Após reocupação nenhum refém foi mantido no local, ao contrário do que a Rede Globo informou. Leia nota pública da Via Campesina sobre o ocorrido em Santa Tereza do Oeste, no Paraná.

No último domingo, 21 de outubro, por volta das 13h30, o acampamento da Via Campesina, no campo de experimentos transgênicos da Syngenta, em Santa Tereza do Oeste (PR), foi atacado por uma milícia armada. No massacre o militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e membro da Via Campesina, Valmir Mota de Oliveira (conhecido como Keno), foi executado à queima roupa com dois tiros no peito. Os trabalhadores Gentil Couto Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos, Izabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin foram gravemente feridos.

Diante dos acontecimentos a Via Campesina faz os seguintes esclarecimentos:

1. A reocupação da área da Syngenta aconteceu às 6h de ontem (21), por cerca 150 agricultores. Na ação os trabalhadores rurais soltaram fogos de artifício. No momento havia quatro seguranças na área. Uma das armas dos seguranças foi disparada e feriu um trabalhador, que foi hospitalizado. Os agricultores desarmaram os seguranças, que em seguida abandonaram o local. As armas foram apreendidas para serem entregues para a polícia.

2. Por volta da 13h30, um ônibus parou em frente ao portão de entrada e uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados desceu metralhando as pessoas que se encontravam no acampamento. Eles arrombaram o portão, executaram o militante Keno com dois tiros no peito, balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de Souza, que continua hospitalizada em estado grave.

3. A milícia atacou o acampamento para assassinar as lideranças e recuperar as armas ilegais da empresa NF Segurança, que foram apreendidas pelos trabalhadores. Os dirigentes do MST Celso Barbosa e Célia Aparecida Lourenço chegaram a ser perseguidos pelos pistoleiros, mas conseguiram escapar durante o ataque.

4. A Syngenta utilizava serviços de uma milícia armada, que agia através da empresa de fachada NF Segurança, em conjunto com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR), ligado ao agronegócio.

5. A denúncia da atuação de milícias armadas na região Oeste do Paraná foi reforçada durante uma audiência pública, na última quinta-feira (18), para a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), em Curitiba (PR). Os dirigentes do MST, inclusive Keno, já vinham sendo ameaçados há mais de seis meses, pelas milícias que estavam a serviço do consórcio SRO/MPR/Syngenta. Um inquérito havia sido aberto para apurar as denúncias contra a Syngenta e a NF Segurança.

6. A Rede Globo vem sustentando em suas reportagens que a Via Campesina teria mantido reféns durante a reocupação. A versão da Rede Globo e de outros veículos da grande imprensa têm como objetivo criminalizar os movimentos sociais e retirar de foco o ataque realizado pela milícia da Syngenta, que executou um trabalhador e deixou outros feridos. A Via Campesina esclarece que não houve, em nenhuma hipótese, reféns durante a ocupação.

7. A Via Campesina exige punição dos responsáveis pelos crimes – principalmente os mandantes –, a desarticulação da milícia armada na região e o fechamento imediato da empresa de segurança NF. Além da garantia de segurança e proteção das vidas dos dirigentes Celso e Célia, e de todos os trabalhadores da Via Campesina, na região.

8. Os camponeses seguem na luta para que a área de experimentos ilegais de transgênicos da Syngenta seja transformada em Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e a Reforma Agrária.

Histórico

O campo de experimento da Syngenta havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006 para denunciar o cultivo ilegal de sementes transgênicas de soja e milho. A ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo. Após 16 meses de resistência, no dia 18 de julho deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, se deslocando para um local provisório no assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do Oeste (PR).

VIA CAMPESINA

Milícia armada ataca acampamento da Via Campesina e executa militante

Após reocupação nenhum refém foi mantido no local, ao contrário do que a Rede Globo informou. Leia nota pública da Via Campesina sobre o ocorrido em Santa Tereza do Oeste, no Paraná.

No último domingo, 21 de outubro, por volta das 13h30, o acampamento da Via Campesina, no campo de experimentos transgênicos da Syngenta, em Santa Tereza do Oeste (PR), foi atacado por uma milícia armada. No massacre o militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e membro da Via Campesina, Valmir Mota de Oliveira (conhecido como Keno), foi executado à queima roupa com dois tiros no peito. Os trabalhadores Gentil Couto Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos, Izabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin foram gravemente feridos.

Diante dos acontecimentos a Via Campesina faz os seguintes esclarecimentos:

1. A reocupação da área da Syngenta aconteceu às 6h de ontem (21), por cerca 150 agricultores. Na ação os trabalhadores rurais soltaram fogos de artifício. No momento havia quatro seguranças na área. Uma das armas dos seguranças foi disparada e feriu um trabalhador, que foi hospitalizado. Os agricultores desarmaram os seguranças, que em seguida abandonaram o local. As armas foram apreendidas para serem entregues para a polícia.

2. Por volta da 13h30, um ônibus parou em frente ao portão de entrada e uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados desceu metralhando as pessoas que se encontravam no acampamento. Eles arrombaram o portão, executaram o militante Keno com dois tiros no peito, balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de Souza, que continua hospitalizada em estado grave.

3. A milícia atacou o acampamento para assassinar as lideranças e recuperar as armas ilegais da empresa NF Segurança, que foram apreendidas pelos trabalhadores. Os dirigentes do MST Celso Barbosa e Célia Aparecida Lourenço chegaram a ser perseguidos pelos pistoleiros, mas conseguiram escapar durante o ataque.

4. A Syngenta utilizava serviços de uma milícia armada, que agia através da empresa de fachada NF Segurança, em conjunto com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR), ligado ao agronegócio.

5. A denúncia da atuação de milícias armadas na região Oeste do Paraná foi reforçada durante uma audiência pública, na última quinta-feira (18), para a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), em Curitiba (PR). Os dirigentes do MST, inclusive Keno, já vinham sendo ameaçados há mais de seis meses, pelas milícias que estavam a serviço do consórcio SRO/MPR/Syngenta. Um inquérito havia sido aberto para apurar as denúncias contra a Syngenta e a NF Segurança.

6. A Rede Globo vem sustentando em suas reportagens que a Via Campesina teria mantido reféns durante a reocupação. A versão da Rede Globo e de outros veículos da grande imprensa têm como objetivo criminalizar os movimentos sociais e retirar de foco o ataque realizado pela milícia da Syngenta, que executou um trabalhador e deixou outros feridos. A Via Campesina esclarece que não houve, em nenhuma hipótese, reféns durante a ocupação.

7. A Via Campesina exige punição dos responsáveis pelos crimes – principalmente os mandantes –, a desarticulação da milícia armada na região e o fechamento imediato da empresa de segurança NF. Além da garantia de segurança e proteção das vidas dos dirigentes Celso e Célia, e de todos os trabalhadores da Via Campesina, na região.

8. Os camponeses seguem na luta para que a área de experimentos ilegais de transgênicos da Syngenta seja transformada em Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e a Reforma Agrária.

Histórico

O campo de experimento da Syngenta havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006 para denunciar o cultivo ilegal de sementes transgênicas de soja e milho. A ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo. Após 16 meses de resistência, no dia 18 de julho deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, se deslocando para um local provisório no assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do Oeste (PR).

VIA CAMPESINA