Palavras mudam o mundo

Em uma mesa sobre jornalismo independente em Brasília, valeu muito a pena quando, ao final, alguns estudantes que participaram do debate vieram me dizer: “Esse trabalho de vocês é muito importante. Parabéns! Vocês mostram pra gente que temos alternativas” (...) Por Marcelo Salles, do Fazendo Media. Leia mais clicando aqui.

Pude sentir a secura de Brasília nas breves cinco horas em que estive na capital. Foi sair do avião para sentir os lábios ressecados. No trajeto do aeroporto à Feira do Livro, onde estive numa mesa sobre Jornalismo Independente, miro a vegetação amarelada ao longo da avenida. “O pessoal aqui rouba até a chuva”, brinca César, nosso motorista.

As palestras foram boas, gostei muito de ouvir as reflexões do Gustavo Barreto, editor da Consciência.Net e nosso companheiro aqui no Fazendo Media. Ele fez uma consideração muito importante a respeito da necessidade da mobilização social. Como trabalhou durante muito tempo na Fiocruz, ele garantiu, com conhecimento de causa, que não falta dinheiro para a Saúde. “E não falta porque o movimento social na área é o mais antigo do Brasil. Oswaldo Cruz era um militante”, frisou. Nesse sentido, Gustavo ressaltou a importância do Fórum de Mídia Livre, realizado no Rio de Janeiro este ano, evento que reuniu 500 pessoas do Brasil inteiro e que definiu como uma de suas principais bandeiras a democratização das verbas publicitárias.

Jean Charlau completou a mesa ao lado do Marcelo Pirata, nosso mediador. Este, quando ameaçado pela organização do evento, pegou o microfone e disse o seguinte: “Nós temos o horário reservado até 16h30, mas acabo de ser expulso. Se fosse em outra época, mandava a organização tomar no cu, mas com o tempo a gente ganha experiência”. E a energia foi cortada. Caiu a luz, caiu o som do microfone. Mas o Pirata não desistiu. Levantou-se e continuou a agitação frente à platéia que se avolumava para a “próxima atração”. Resultado: saímos com um grupo de dez interessados e continuamos o debate num restaurante próximo.

No final das contas, digo que essa ida à Brasília valeu a pena pelo convite do Pirata, por sua coragem ao montar e bancar uma mesa sobre Jornalismo Independente com esse perfil combativo (geralmente os convidados são professores e/ou jornalistas de direita, que defendem esse sistema que aí está, ou de centro, que fazem uma ou outra crítica que não alcança a essência das injustiças).

Também digo que valeu muito a pena quando, ao final, alguns estudantes que participaram do debate vieram me dizer: “Esse trabalho de vocês é muito importante. Parabéns! Vocês mostram pra gente que temos alternativas”. Por fim, publico aqui, mais uma vez, o juramento que nós, jornalistas, fazemos no instante em que somos diplomados. Isso porque, no final do debate, a Alessandra, uma estudante do pré-vestibular, me disse que ficou emocionada ao ouvir a citação que fiz do primeiro parágrafo do nosso juramento profissional. Um parágrafo que decorei, não sei porque:

A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na luta por sua dignidade.

A Comunicação é um compromisso com a Verdade. Por isto, juro ser fiel à verdade, jamais contentando-me com as primeiras versões dos fatos ou sujeitando-me a interesses que não a expressem.

A Comunicação pressupõe a Liberdade. Por isto, juro defender incondicionalmente a liberdade de expressão, de opinião e de afirmação dos seres humanos, opondo-me a qualquer sedução ou imposição autoritárias.

A Comunicação é uma atividade criadora. Por isto, juro promover, em minha vida e em minha coletividade, tudo que estimule e garanta a imaginação, a arte e a invenção.

(*) Marcelo Salles é jornalista e editor do Jornal Fazendo Media. Publicado em seu blog em 06/09/2008, clique aqui para acessá-lo.

PS: Tá certo que não viajo tanto de avião, mas entre as poucas vezes que fiz uso desse meio de transporte posso dizer que nunca fiz uma viagem tão desconfortável quanto a volta para o Rio. O piloto do vôo 1867 da GOL tentou compensar o atraso de 50 minutos com uma descida brusca no Rio, o que causou a mim e a outros passageiros uma violenta dor nos ouvidos e na cabeça. O pior é que a pressão de muitos passageiros é para que não haja atraso de maneira nenhuma, mesmo que isso signifique um relaxamento das normas de segurança de vôo. De um lado, a burrice reclama. De outro, a burrice atende.

PS: O tema desta 27a Feira do Livro de Brasília foi "Palavras mudam o mundo". Fausto Wolff certamente concordaria com isso. Ele, com certeza, mudou o mundo de muita gente com suas palavras. Por isso não será esquecido.

Um comentário:

Barletta disse...

Silvio Barletta
Apoio na Sustentabilidade de Projetos Sociais
ORKUT "Barletta Locutor"
www.portaldovoluntario.org.br/barletta
www.ubatuba.com.br/barletta
barletta_locutor@yahoo.com.br - 11 9554.0225 cel.


O BARBEIRO

Um homem foi ao barbeiro para cortar o cabelo como ele sempre fazia. Ele começou a conversar com o barbeiro sobre vários assuntos. Conversa vai, conversa vem, eles começaram a falar sobre Deus.
O barbeiro disse:
- Eu não acredito que Deus exista como você diz.
- Por que você diz isto? – o cliente perguntou.
- Bem, é muito simples. Você só precisa sair na rua para ver que Deus não existe. Se Deus existisse, você acha que existiriam tantas pessoas doentes? Existiriam crianças abandonadas? Se Deus existisse, não haveria dor ou sofrimento. Eu não consigo imaginar um Deus que permite todas essas coisas.
O cliente pensou por um momento, mas ele não quis dar uma resposta, para prevenir uma discussão. O barbeiro terminou o trabalho e o cliente saiu. Neste momento, ele viu um homem na rua com barba e cabelos longos. Parecia que já fazia um bom tempo que ele não cortava o cabelo ou fazia a barba e ele parecia bem sujo e arrepiado. Então o cliente voltou para a barbearia e disse:
- Sabe de uma coisa ? Barbeiros não existem!
- Como assim eles não existem? – perguntou o barbeiro. – Eu sou um.
- Não! - o cliente exclamou. – Eles não existem, pois se eles existissem não haveria pessoas com barba e cabelos longos como aquele homem que está ali na rua.
- Ah, mas barbeiros existem, o que acontece é que as pessoas não me procuram, e isso é uma opção delas.
- Exatamente! - afirmou o cliente. É justamente isso. Deus existe, o que acontece é que as pessoas não o procuram, pois é uma opção delas e é por isso que há tanta dor e sofrimento no mundo.
“Deus não prometeu dias sem dor; risos sem sofrimentos; sol sem chuva. Ele prometeu força para o dia; conforto para as lágrimas e Luz para o Caminho...”