Para a moça do sonho

A partir de um poema muito bonito sobre sonhos, gritos e liberdade, que eu não sei se tenho permissão de reproduzir - poemas são muito pessoais, às vezes -, lembrei de outro de autoria de Edu Lobo e Chico Buarque. Para a "moça do sonho", autora do poema (ou simplesmente pensamento), dedico a música homônima.

A música toda é muito bonita, mas destaco dois trechos. Abaixo o vídeo, mas clicando aqui você acessa a letra e uma versão de estúdio, em áudio, que eu achei melhor (clica na vitrola! ;).

Antes, vale o registro: a música é recente (2001) e foi feita para o musical Cambaio, de Adriana e João Falcão. Contou com 12 canções inéditas e a participação de Lenine na direção musical, marcando o retorno da parceria entre Chico e Edu Lobo, que estavam há 12 anos sem compor juntos. Não deixe de ler uma crítica completa clicando aqui, e depois aqui.



"(...) Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não"

"(...) Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar"

Bethânia e Chico, em apresentação, creio que nos anos 90. Leia mais clicando aqui.

(a letra aqui)

Eu sempre fico um pouco decepcionado, quando nossa geração acessa 700 mil vezes um vídeo qualquer, sem qualquer coisa que valha a pena, e essa obra de arte tem 3.946 visitas. Talvez uma esperança perdida, de uma época que valia a pena sonhar e questionar?

Antes de ser acusado de saudosista - afinal, em 1967, quando a música foi feita, eu não estava nem perto de estar a caminho! -, destaco um trecho muito bom, rico, cheio de poesia e sentimento. E de realidade também, nesse sentido perdido de realidade que usam atualmente.

"(...) Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus"

Sem fantasia, de Chico Buarque, em 1967, para a peça Roda Viva. A versão mais famosa com a Bethânia é de uma apresentação no Canecão, em 1975.

Quanto ao papel do texto na obra do autor, é válido afirmar que, apesar de, num primeiro momento após a explosão de Roda viva, Chico Buarque assumir a ruptura com o lirismo do compositor de "A banda", não se pode negar a forma como esse mesmo lirismo contamina determinadas passagens da peça. A inserção da canção "Sem fantasia", tema de amor de Benedito e Juliana, denota exatamente esse fato. Até a tomada de consciência de Benedito Silva, o momento em que se denunciam os efeitos da roda viva sobre o que resta de um indivíduo transformado em ídolo, é um momento em que a agressividade e o distanciamento cedem ao lirismo (...) [leia aqui]

O ano de 1968, disso não há dúvida, foi aquele em que o bom moço de olhos verdes deixou de ser "a unanimidade nacional". Ele próprio se encarregou de dinamitar o incômodo rótulo da unanimidade ao escrever, em 1967, a peça Roda viva, sobre um artista popular triturado pelos mecanismos do show biz. As cinqüenta laudas do texto forma produzidas em 25 dias, e a montagem confiada ao diretor José Celso Martinez Corrêa, com quem Chico já havia trabalhado: em 1966, fez uma canção para a peça 'Os inimigos', de Máximo Gorki, que depois recebeu letra e se chamou 'Acalanto'. As músicas da peça eram 'Roda viva' e 'Sem fantasia' (...) [lê o resto, do Humberto Werneck, aqui]

Para os meus colegas de Colégio Cruzeiro, uma surpresa: uma versão em alemão! Quem poderia querer mais? Para ler clica aqui: Ohne Fantasien (traduzida por Karin von Schweder-Schreiner, há outras aqui).

E finalizo com um trecho que já tinha destacado aqui, ótimo. Como comentei, o Caetano tá a cara da Bethânia. Repara só! ;)



(Texto de Gustavo Barreto, da redação)
Demais dicas musicais aqui, e o canal cultural aqui.

Consciência Cultural

Canal de música, poesia e outras manifestações culturais da Revista Consciência.Net.



O endereço original deste canal cultural aqui.

Fado Tropical (Chico Buarque e Carlos do Carmo)


Versão da música de Ruy Guerra e Chico Buarque para o filme "Fados" de Carlos Saura, que também contou com a participação de Caetano Veloso.

Alegria (Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Cleo Pires e Paulo José)


Música de Arnaldo Antunes para o filme "Benjamim", direção de Monique Gardenberg, baseada no livro homônimo de Chico Buarque.

Sem vacilo, a Vila faz bonito

O curta "Feitiço da Vila", que vale a pena, tem quase 5 minutos e foi dirigido por Robson de Oliveira, em novembro de 2004. Faz um panorama rápido desde janeiro de 1872, quando nasce oficialmente o bairro. A Corte mantinha uma fazenda com escravos na região, a Fazenda dos Macacos, mas surge lá boa parte da resistência negra. Leia a resenha de Gustavo Barreto, da redação.

O curta "Feitiço da Vila", que vale a pena, tem quase 5 minutos e foi dirigido por Robson de Oliveira, em novembro de 2004. É apenas uma síntese, já que a História de Vila Isabel dá um longa, no entanto não deixa de ser interessante. O autor promete mais. A produção é do Canal Futura.

Faz um panorama rápido desde janeiro de 1872, quando nasce oficialmente o bairro. A Corte mantinha uma fazenda com escravos na região, a Fazenda dos Macacos, mas surge lá boa parte da resistência negra.

Foi palco de diversos movimentos abolicionistas, confirmando desde o começo a tradição de luta por justiça social. Enquanto outros bairros mantêm hoje muitos generais e senhores de terra nos nomes de ruas, Vila Isabel possui uma grande quantidade de abolicionistas homenageados (Visconde de Abaeté, Souza Franco, Torres Homem, Hipólito da Costa, Luis Barbosa, entre outros).

Dizem que os franceses passaram pela Avenida Boulevard 28 de Setembro quando invadiram a cidade em 1710 - invasões de Duclerc e de Duguay-Trouin, esta um ano depois.

Aqui já funcionou a extinta TV Guanabara (canal 9) - antes TV Continental, na verdade, que mudara para Vila Isabel depois de ser despejada em 1970. Passou a transmitir de um caminhão de externas e, em 1971, mudou para a Av. 28 de Setembro, número 258. Com muito esforço, resistiu com duas horas diárias de programação, realizadas pela equipe do Instituto de Educação de Alfredina de Paiva e Sousa. Teve a concessão cassada em fevereiro de 1972.

Braguinha, Nei Lopes, Pixinguinha, Noel Rosa e Martinho da Vila são alguns dos craques da poesia que já passaram e ainda passam pelo bairro. Noel, claro, é o mais lembrado. E não é à toa. Nasceu, viveu e morreu aqui, sempre na mesma casa, por 26 anos.

"Feitiço da Vila", nome emprestado ao curta, é um dos melhores sambas de todos os tempos. Para mim, claro, é o maior.

A emoção que dá ao ouvir "Sol, pelo o amor de Deus não venha agora, que as morenas vão logo embora" é indescritível. Como na letra, São Paulo dá café, Minas dá leite e Vila Isabel dá samba.

Robson participou também do roteiro, texto (com Lúcia Marapodi), fotografia e, de quebra, fez a narração. No samba: "(...) tenho que dizer, modéstia à parte, meus senhores eu sou da Vila".

Dê uma olhada na única imagem em movimento de Noel Rosa, pelo que se comenta.

Uma reportagem na Rede Globo parece confirmar esta crença, já que é a única imagem que eles utilizam em um VT sobre o compositor.

O Quinteto Levapalavá interpreta Noel e divulgou no YouTube a simpática Tipo Zero.

Com Vadico e Francisco Alves, fez o clássico "Conversa de botequim", gravado em 1935 e relançado em 1950. Chico Buarque regravou e ficou ótimo.

Sem esquecer, claro, que nos últimos anos se intensificaram os conflitos entre traficantes, policiais militares e milicianos (ex-policiais e policiais corruptos). Para o pessoal da favela, o cenário é mais violento.

No entanto, quem nasce aqui sabe que o valor do bairro está acima de qualquer problema temporário - por pior que seja. Com muita criatividade, samba e resistência, o bairro está unido e não vacila.

TV Café: 2600 jogos oficiais, nenhuma derrota

Depois deste desastroso ano para o meu América, o negócio é torcer para o Politeama. Da redação. Leia mais.

Pra quem não sabe, Politeama era o time de botão do Chico Buarque. "Depois foram promovidos a seres humanos", explica. Segundo o próprio compositor: 2600 jogos oficiais, nenhuma derrota. "Alguns empates", admite. Alguém sabe se é em homenagem ao Teatro em Lisboa?



Hino do Politeama
(Chico Buarque, trecho aqui e íntegra no vídeo acima)

Politeama [Tun-tun-tum]
Politeama
O povo clama por você

Politeama [Tun-tun-tum]
Politeama
Cultiva a fama de não perder [Tun-tun-tum]

[Repete o refrão]

O teu pavilhão tremula sempre de emoção [Pu-ru-pu-pum]
Onde ostenta o galardão de clube sempre campeão [Pum-pum-pum]

Augusto e varonil
O nosso clube verde anil

Das glórias [Das glórias!]
Vitórias [Vitórias!]
Pra História do meu Brasil

Politeama [Tun-tun-tum]
Politeama
O povo clama por você

Politeama [Tun-tun-tum]
Politeama
Cultiva a fama de não perder [Tun-tun-tum]

(Texto: Gustavo Barreto)

TV Café: Joana francesa, de Chico para Diegues

Gustavo Barreto, da redação - Humberto Werneck comenta: "Cacá Diegues lhe encomendou uma canção para Jeanne Moreau, que faz uma dona de bordel. Quando Jeanne chegou de Paris, Chico foi lhe mostrar a música - morrendo de vergonha, conta, e se lembrando o tempo todo dela em Les amants, de Louis Malle, filme que assombrou os adolescentes de sua geração. A atriz adorou essa canção onde fundem palavras em português e francês e gravou-a no seu LP." (in Chico Buarque Letra e Música, Companhia da Letras, 1989)

Abaixo trecho de um documentário que eu não identifiquei (quem souber manda!), com a letra completa tirada do site do Chico (aqui). Mais abaixo, a minha primeira postagem, com destaque para a versão simpática da Nara Leão e trecho destacado.



Tu ris, tu mens trop
Tu pleures, tu meurs trop
Tu as le tropique
Dans le sang et sur la peau
Geme de loucura e de torpor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda

Mata-me de rir
Fala-me de amor
Songes et mensonges
Sei de longe e sei de cor
Geme de prazer e de pavor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda

Vem molhar meu colo
Vou te consolar
Vem, mulato mole
Dançar dans mes bras
Vem, moleque me dizer
Onde é que está
Ton soleil, ta braise

Quem me enfeitiçou
O mar, marée, bateau
Tu as le parfum
De la cachaça e de suor
Geme de preguiça e de calor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda

* * *


Mata-me de rir / Fala-me de amor / Songes et mensonges / Sei de longe e sei de cor / Geme de prazer e de pavor / Já é madrugada (...)

Joana francesa, Chico Buarque, (1973), para o filme Joana Francesa, de Cacá Diegues.

"Eu não existo sem você"

De Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes, 1957, na voz de Tom Jobim.



Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você

(Original no site de Tom)

RJ: Mônica Salmaso lança seu segundo CD e DVD

Mônica Salmaso lança seu segundo CD e DVD inéditos pela Biscoito Fino – Noites de Gala, Samba na Rua - dedicado ao repertório de Chico Buarque. Os espetáculos acontecem nos dias 08, 09 e 10 de setembro (segunda, terça e quarta), às 19h30.

O disco foi todo gravado ao lado do quinteto Pau Brasil, formado por Nelson Ayres (piano), Paulo Bellinati (violão e cavaquinho), Teco Cardoso (sax e flauta), Ricardo Mosca (bateria e percussão) e Rodolfo Stroeter (baixo e produção do álbum).

A química entre a voz precisa de Mônica, a sonoridade jazzística do Pau Brasil e as canções de Chico Buarque perpassa quatro décadas de criação do maior compositor brasileiro. Compositor cultuado por Mônica desde o início de sua carreira, Chico Buarque convidou a cantora para participar de seu mais recente CD, “Carioca”, com quem dividiu os vocais em “Imagina”. O Teatro Municipal Carlos Gomes fica na Praça Tiradentes s/n – Centro, Rio de Janeiro. Telefone: (21) 2232-8701. Classificação etária: livre.

Dica cultural: Piazzolla revisitado

Gustavo Barreto, da redação - The Anderson & Roe Piano Duo é uma dupla sensacional, não sei se conhecem. Eu conheci por causa do Piazzolla. É que eles interpretam Libertango (e que bela interpretação).



Vale a pena navegar: www.andersonroe.net

Peito vazio (Cartola / Elton Medeiros)

Cineclube Beco do Rato está de volta

Direto da Lapa, Rio de Janeiro, eis que ressurge o Cineclube Beco do Rato. Abriu inscrições para o Festival Ratoeira, em sua primeira edição. O mote deles é ótimo: "Pegue o queijo e não deixe o rabo preso". ;]

Nos dias 3, 4 e 5 de julho, inauguram a nova fase. As inscrições estão abertas, atenção ao prazo e para um fato inédito no mundo: todas as obras inscritas serão exibidas. "Como sempre, não praticaremos curadoria predatória", explicam.

Aguardem mais notícias sobre as atividades paralelas e, se você tem uma banda, meia banda ou dá uma banda por aí em carreira solo, entre em contato com eles. Haverá espaço para muita música de qualquer estilo. Saiba em http://cidadelarte.wordpress.com/

Partido alto



MPB-4 interpreta "Partido Alto", de Chico Buarque, no especial "A presença de Vlado" (Globo, 2005), por ocasião dos 30 anos do assassinato do jornalista.

"Cuba Salsa Rap" (do grupo cubano Orishas)

Sorri (Djavan)

"Essa moça tá diferente" (Chico Buarque, 1969)



(...) Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Que é pra ninguém reparar
Eu cultivo rosas e rimas
Achando que é muito bom
Ela me olha de cima
E vai desiventar o som

"Samba do grande amor" e "A Rosa", com Chico e Djavan

Caçador de Mim (Milton Nascimento)

RJ: Bohemian Queen se apresenta no Saloon 79

A banda Bohemian Queen, que há 3 anos faz tributos ao Queen e ao vocalista Freddy Mercury, se apresenta nesta sexta-feira, dia 28, no Saloon 79, em Botafogo. O bar está entrando no alto-circuito do Rio como um dos lugares mais rock'n roll da cidade. Além de tocar grandes sucessos do Queen, o grupo garante que Bohemian Rhapsody e Innuendo estão no repertório – completas. Visite o site da banda clicanco no título.

Bohemian Queen no Saloon 79
Local: Rua Pinheiro Guimarães, 79 - Botafogo
Data: Dia 28 de março, às 21h.
Entrada: 10 reais
Reservas: (21) 3239-0735 (após 18hs)