Augusto Boal (1931-2009)

"A morte de Augusto Boal me atingiu como se eu tivesse perdido um grande amigo. A ele e a Gianfrancesco Guarnieri devo o texto e a encenação da primeira peça de teatro profissional a que assisti, aos 15 anos: Arena Conta Zumbi. Marcou-me para sempre, assim como a seguinte, Arena Conta Tiradentes. As duas têm muito a ver com o rumo que tomei na vida." Leia texto de Celso Lungaretti clicando no título.

Mensagem do MST a Augusto Boal

Por sua viagem inesperada...

A ti sempre estimaremos por nos ter ensinado que só aprende quem ensina. Tua luta, tua consciência política, tua solidariedade com a classe trabalhadora é mais que exemplo para nós, companheiro, é uma obra didática, como tantas que escreveu. Aprendemos contigo que os bons combatentes se forjam na luta. Leia mais.

Quando ingressou no coletivo do Teatro de Arena, soube dar expressão combativa ao anseio daqueles que queriam dar a ver o Brasil popular, o povo brasileiro. Sem temor, nacionalizou obras universais, formou dramaturgos e atores, e escreveu algumas das peças mais críticas de nosso teatro, como Revolução na América do Sul (1961). Colaborou com a criação e expansão pelo Brasil dos Centros Populares de Cultura (CPC), e as ações do Movimento de Cultura Popular (MCP), em Pernambuco.

Mostrou para a classe trabalhadora que o teatro pode ser uma arma revolucionária a serviço da emancipação humana.

Aprendeu, no contato direto com os combatentes das Ligas Camponesas, que só o teatro não faz revolução. Quantas vezes contou nos teus livros e em nossos encontros de teu aprendizado com Virgílio, o líder camponês que te fez observar que na luta de classes todos tem que correr o mesmo risco.

Generoso, expôs sempre por meio dos relatos de suas histórias, seu método de aprendizado: aprender com os obstáculos, criar na dificuldade, sem jamais parar a luta.

Na ditadura, foi preso, torturado e exilado. No contra-ataque, desenvolveu o Teatro do Oprimido, com diversas táticas de combate e educação por meio do teatro, que hoje fazemos uso em nossas escolas do campo, em nossos acampamentos e assentamentos, e no trabalho de formação política que desenvolvemos com as comunidades de periferia urbana.

Poucas pessoas no Brasil atravessaram décadas a fio sem mudar de posição política, sem abrandar o discurso, sem fazer concessões, sem jogar na lata de lixo da história a experiência revolucionária que se forjou no teatro brasileiro até seu esmagamento pela burguesia nacional e os militares, com o golpe militar de 1964.

Aprendemos contigo que podemos nos divertir e aprender ao mesmo tempo, que podemos fazer política enquanto fazemos teatro, e fazer teatro enquanto fazemos política.

Poucos artistas souberam evitar o poder sedutor dos monopólios da mídia, mesmo quando passaram por dificuldades financeiras. Você, companheiro, não se vergou, não se vendeu, não se calou.

Aprendemos contigo que um revolucionário deve lutar contra todas, absolutamente todas as formas de opressão. Contemporâneo de Che Guevara, soube como ninguém multiplicar o legado de que é preciso se indignar contra todo tipo de injustiça.

Poucos atacaram com tanta radicalidade as criminosas leis de incentivo fiscal para o financiamento da cultura brasileira. Você, companheiro, não se deixou seduzir pelos privilégios dos artistas renomados. Nos ensinou a mirar nos alvos certeiros.

Incansável, meio século depois de teus primeiros combates, propôs ao MST a formação de multiplicadores teatrais em nosso meio. Em 2001 criamos contigo, e com os demais companheiros e companheiras do Centro do Teatro do Oprimido, a Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré. Você que na década de 1960 aprendeu com Virgílio que não basta o teatro dizer ao povo o que fazer, soube transferir os meios de produção da linguagem teatral para que nós, camponeses, façamos nosso próprio teatro, e por meio dele discutir nossos problemas e formular estratégias coletivas para a transformação social.

Nós, trabalhadoras e trabalhadores rurais sem terra de todo o Brasil, como parte dos seres humanos oprimidos pelo sistema que você e nós tanto combatemos, lhes rendemos homenagem, e reforçamos o compromisso de seguir combatendo em todas as trincheiras. No que depender de nós, tua vida e tua luta não será esquecida e transformada em mercadoria.

O teatro mundial perde um mestre, o Brasil perde um lutador, e o MST um companheiro. Nos solidarizamos com a família nesse momento difícil, e com todos e todas praticantes de Teatro do Oprimido no mundo.

Dos companheiros e companheiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
02 de maio de 2009

O teatro popular de luto

Morreu hoje, aos 78 anos, o dramaturgo Augusto Boal, embaixador mundial do teatro da Unesco, por insuficiência respiratória, segundo informou sua família. Fundador do 'teatro do oprimido', sofria de leucemia e estava internado desde a ultima 3a em um hospital no Rio por problemas respiratórios, deu no BlueBus aqui. Matéria "Carioca da Penha e herói da resistência" no JB online, logo mais outras. Uma perda para a resistência cultural mundial ;/

Leia dois textos aqui publicados aqui (Teatro é a solução) e aqui (Presente de Natal).

Teatro: Mostra Mais 2008 na UFRJ

Os estudantes do sétimo período do curso de Direção Teatral da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ apresentarão suas experiências teatrais desenvolvidas ao longo da disciplina Direção VI entre os dias 01 e 16 de julho. Trata-se da "Mostra Mais", que, neste ano, apresenta peças relacionadas à dramaturgia nacional e internacional, com adaptações e cortes. "Capitães de Areia", de Jorge Amado, e "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues, são apenas duas das atrações que o evento promete.

Além dos alunos de diferentes períodos de Direção Teatral, os espetáculos também contam com a participação de estudantes da Escola de Belas Artes, responsáveis pelos cenários e figurinos, e de Produção Editorial, que produzem o material gráfico. Para conferir, basta ir ao campus da Praia Vermelha, na Avenida Pasteur, 250. As apresentações acontecerão na ECO e no 'Laguinho'. A entrada é franca, mas haverá distribuição de senha meia hora antes do início de cada peça teatral. Para mais informações: 3873-5073.

Prêmio Luso-Brasileiro de Dramaturgia lembra obra do Padre Antônio Vieira

A brasileira Fundação Nacional de Artes (Funarte) e o Instituto Camões, de Portugal, abriram as inscrições para o Prêmio Luso-Brasileiro de Dramaturgia Antônio José da Silva, que receberá propostas até 31 de março. O prêmio seleciona textos teatrais originais de todos os gêneros, escritos em língua portuguesa por dramaturgos brasileiros e portugueses.

O texto vencedor será editado em livro e encenado no Brasil e em Portugal. O autor receberá 15 mil euros. Nesta segunda edição do Prêmio, os textos concorrentes devem se inspirar na obra de Padre Antônio Vieira, informou a Funarte. Saiba mais aqui.

Augusto Boal dá aula inaugural da Escola de Comunicação da UFRJ

Na próxima segunda-feira, 20 de agosto, ocorre a aula inaugural da Escola de Comunicação da UFRJ, com o dramaturgo e ensaísta brasileiro Augusto Boal. O autor possui uma expressiva obra de teatral, além de ser conhecido internacionalmente, com traduções em mais de vinte línguas, por suas teorias e práticas que envolvem o “Teatro do Oprimido”. Local: Salão Moniz de Aragão, Fórum de Ciência e Cultura, às 10h. O Fórum fica na Av. Pasteur, 250, 2º andar, na Urca (esquina com Av. Venceslau Brás). Tel.: (21) 2295-1595, ramais 109, 113 e 117. Na rede: www.eco.ufrj.br

Abertas inscrições para VI Mostra Nacional de Teatro Universitário do festival riocenacontemporanea

Grupos teatrais universitários de todo o Brasil já podem se inscrever na VI Mostra Nacional de Teatro Universitário do riocenacontemporanea 2007 – festival internacional de artes cênicas do Rio de Janeiro – que acontecerá entre os dias 05 e 14 de outubro. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site do festival, em www.riocenacontemporanea.com.br, até o dia 10 de agosto. A seleção das melhores peças inscritas será feita por profissionais de artes cênicas convidados pela coordenação do festival, e o resultado será divulgado a partir do dia 10 de setembro. Cada grupo participante fará de 3 a 5 apresentações durante o riocenacontemporanea, em outubro. Os três melhores espetáculos receberão um prêmio de R$ 5 mil cada um na festa de encerramento no dia 14 de outubro.

O riocenacontemporanea 2007, em sua 8ª edição, será realizado entre os dias 04 e 14 de outubro, transformando a cidade em palco da cena contemporânea. O festival integra a cidade e o público ocupando centros culturais, teatros convencionais, espaços alternativos e espaços públicos como praças e ruas. O riocenacontemporanea promove encontros, debates, conferências, intervenções urbanas, entre outras manifestações artísticas e formativas. Informações adicionais pelo (21) 2246-0042, no email riocena@riocenacontemporanea.com.br ou pelo site.

Projeto “Um Castelo de Palavras” promove leitura dramatizada no Rio

No próximo 23 de junho, das 16h30 às 20h, acontecerá a leitura dramatizada da peça “O Homem Ideal”, de Luciana Guerra Malta, no Castelinho do Flamengo (Praia do Flamengo, 158 – Flamengo, Rio de Janeiro). A peça, uma comédia romântica, conta a história de Letícia, uma jornalista bem sucedida de 29 anos. Ela não suporta mais a natureza fútil de seu trabalho numa revista feminina e até seu passatempo preferido, "colecionar homens", já não a satisfaz. Gabriel, um famoso escritor tímido e recluso, chama sua atenção. Apesar das diferenças entre os dois, surge uma incontrolável paixão.

A comédia será interpretada pelos atores Maíra Carneiro, Jerry Gilly, Amélia Bittencourt e Carolina Krause. A autora, que também dirigirá a leitura, estará presente no evento e ouvirá, no final da apresentação, as críticas do público. Coordenação e apresentação de João Pedro Roriz. Realização: Secretaria de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro. Após 17h, não será mais permitida a entrada do público. Entrada gratuita. Informações pelos telefones (21) 2285-1355 e (21) 8151-8981.