Editora condenada por denunciar condições desumanas da cadeia de Leopoldina (MG)

Era inacreditável que um juiz de direito fosse se ocupar com um jornalzinho alternativo, de 200 exemplares, distribuidos numa cidadezinha no interior de Minas Gerais e que só visa contribuir para humanizar o sistema penal e atenuar o caos carcerário em nosso país. No entanto, a juíza disse textualmente na última audiência: "É melhor a senhora aceitar a transação penal porque não há a mínima possibilidade de absolvição, embora eu nem tenha lido o processo". Por Glória Reis, professora e editora do jornal Recomeço.

"A injustiça que se faz a um é uma ameaça que se faz a todos"
Montesquieu


No final de 2006, informei aos meus leitores e divulguei na internet que estava sendo processada pelo então juiz da Execução Penal de Leopoldina, acusada de difamação por ter escrito um editorial no qual eu expunha as condições desumanas da cadeia de Leopoldina.

Vários amigos se manifestaram e alguns sites e blogs publicaram a notícia. A professora Maria Helena Zamora escreveu o artigo "Glória e o Recomeço" no site La Insignia, no qual manifestou sua indignação sobre o fato. Encontrei apoio também da advogada Vera Vassouras (aqui) e outras pessoas sensibilizadas, que divulgaram a notícia na internet.

Acredito que as pessoas, assim como eu mesma, no início, não acreditavam que isso fosse adiante. Afinal o que mais se fala neste país é sobre os milhões de processos do Judiciário, de juízes ocupadíssimos, da necessidade de se concentrar na questão urgente da violência urbana que assola o cotidiano do povo brasileiro.

Era inacreditável que um juiz de direito fosse se ocupar com um jornalzinho alternativo, de 200 exemplares, distribuidos numa cidadezinha no interior de Minas Gerais e que só visa contribuir para humanizar o sistema penal e atenuar o caos carcerário em nosso país. Coisa de sonhadores! Ledo engano o nosso, eu e meus ingênuos leitores!

Eles, em bloco, o juiz acusador, o promotor de justiça e a juíza que julgou, vieram com toda sanha e determinação. Não importava a minha inocência, queriam a minha cabeça, daquela mulher "incômoda e perigosa" que publicava no jornal a radiografia da masmorra prisional, pela qual eles são as autoridades responsáveis.

Como na ditadura, houve interrogatório policial, várias audiências, até culminar na minha CONDENAÇÃO, neste janeiro de 2008. A sentença compõe-se de oito páginas primorosamente escritas e recheadas de citações, leis, artigos, verbetes do Houaiss, expressões latinas, e, principalmente, o corporativismo da classe, que está acima da ética e da justiça.

Deduz-se que a juíza dedicou grande parte de seus dias do fim de 2007 e início de 2008 para se debruçar sobre a estética da sentença. Queria um verniz literário para camuflar o pré-julgamento e criminalizar a inocência. Sobre o veredito, a juíza não necessitou de tempo, pois disse textualmente na última audiência: "É melhor a senhora aceitar a transação penal porque não há a mínima possibilidade de absolvição, embora eu nem tenha lido o processo".

Assim, já saí da audiência com a sentença condenatória.

Segue o editorial que deu origem à condenação (No final, em vermelho, o trecho "criminoso"):

EDITORIAL EDIÇÃO 117
Que regime é este em Leopoldina?

Com a LEI No 10.792/1º.12.2003, foi criada a RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) para aplicação de penalidade disciplinar ao preso pelo cometimento de falta grave, ou seja, "aos líderes e integrantes de facções criminosas e aos presos cujo comportamento exija tratamento específico" (art. 1º).
Então, assim ficou a redação na LEP, a Lei de Execuções Penais:
Art. 58. O isolamento, a suspensão e a restrição de direitos não poderão exceder a trinta dias, ressalvada a hipótese do regime disciplinar diferenciado." (Redação da LEI No 10.792/1º.12.2003) .
Acontece que, mesmo a RDD garante ao preso “banho de sol por, 'no mínimo', uma hora por dia e visita semanal de duas horas... (arts. 4º e 5º, II, IV e V da resolução).

REGIME COMPLETA UM ANO
Como interpretar o fato de que os presos de Leopoldina, que não se enquadram ao perfil de condenados descrito na Lei, estejam num regime mais diferenciado que o RDD, pois o banho de sol é uma vez por semana e a visita é de 15 minutos através das grades? Esta realidade é a confirmação de que ainda vigora o entendimento de que o preso está sujeito a uma relação especial de poder, embora derive da Constituição a obrigatoriedade da proteção dos seus direitos fundamentais tanto pela autoridade judicial, quanto pela autoridade administrativa.

DIREITOS E DEVERES RECÍPROCOS
Também vigora o entendimento de que há entre preso e administração penitenciária uma relação de sujeição e não uma relação de direitos e deveres recíprocos entre autoridades e prisioneiros.
Não é aceitável a conivência de magistrados, fiscais da lei, advogados, enfim, operadores do direito com tamanha barbárie. O regime atual é um desrespeito à Constituição, à lei, aos cidadãos deste país, enfim, à nossa inteligência.


APELO
Solicito às pessoas que ainda se indignam com a injustiça e tirania neste país que protestem da maneira que puderem contra o despotismo do judiciário de Minas Gerais. Divulguem entre amigos, na internet, na imprensa, nas entidades de defesa dos direitos humanos.
A liberdade de expressão está sob perigo, a toda hora deparamos com notícias de condenação em primeira instância contra meios de comunicação no país.
Mais informação sobre a sentença está no blog do jornal Recomeço:
http://jornalrecomeco.blogspot.com/

Informações:
Glória Reis
Fone: (32) 3441-4081
Professora e editora do jornal Recomeço
Leopoldina, MG


_______________________________________
Lembre-se que você tem quatro opções de entrega: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar, responda solicitando. [www.consciencia.net]

Editora condenada por denunciar condições desumanas da cadeia de Leopoldina (MG)

Era inacreditável que um juiz de direito fosse se ocupar com um jornalzinho alternativo, de 200 exemplares, distribuidos numa cidadezinha no interior de Minas Gerais e que só visa contribuir para humanizar o sistema penal e atenuar o caos carcerário em nosso país. No entanto, a juíza disse textualmente na última audiência: "É melhor a senhora aceitar a transação penal porque não há a mínima possibilidade de absolvição, embora eu nem tenha lido o processo". Por Glória Reis, professora e editora do jornal Recomeço.

"A injustiça que se faz a um é uma ameaça que se faz a todos"
Montesquieu


No final de 2006, informei aos meus leitores e divulguei na internet que estava sendo processada pelo então juiz da Execução Penal de Leopoldina, acusada de difamação por ter escrito um editorial no qual eu expunha as condições desumanas da cadeia de Leopoldina.

Vários amigos se manifestaram e alguns sites e blogs publicaram a notícia. A professora Maria Helena Zamora escreveu o artigo "Glória e o Recomeço" no site La Insignia, no qual manifestou sua indignação sobre o fato. Encontrei apoio também da advogada Vera Vassouras (aqui) e outras pessoas sensibilizadas, que divulgaram a notícia na internet.

Acredito que as pessoas, assim como eu mesma, no início, não acreditavam que isso fosse adiante. Afinal o que mais se fala neste país é sobre os milhões de processos do Judiciário, de juízes ocupadíssimos, da necessidade de se concentrar na questão urgente da violência urbana que assola o cotidiano do povo brasileiro.

Era inacreditável que um juiz de direito fosse se ocupar com um jornalzinho alternativo, de 200 exemplares, distribuidos numa cidadezinha no interior de Minas Gerais e que só visa contribuir para humanizar o sistema penal e atenuar o caos carcerário em nosso país. Coisa de sonhadores! Ledo engano o nosso, eu e meus ingênuos leitores!

Eles, em bloco, o juiz acusador, o promotor de justiça e a juíza que julgou, vieram com toda sanha e determinação. Não importava a minha inocência, queriam a minha cabeça, daquela mulher "incômoda e perigosa" que publicava no jornal a radiografia da masmorra prisional, pela qual eles são as autoridades responsáveis.

Como na ditadura, houve interrogatório policial, várias audiências, até culminar na minha CONDENAÇÃO, neste janeiro de 2008. A sentença compõe-se de oito páginas primorosamente escritas e recheadas de citações, leis, artigos, verbetes do Houaiss, expressões latinas, e, principalmente, o corporativismo da classe, que está acima da ética e da justiça.

Deduz-se que a juíza dedicou grande parte de seus dias do fim de 2007 e início de 2008 para se debruçar sobre a estética da sentença. Queria um verniz literário para camuflar o pré-julgamento e criminalizar a inocência. Sobre o veredito, a juíza não necessitou de tempo, pois disse textualmente na última audiência: "É melhor a senhora aceitar a transação penal porque não há a mínima possibilidade de absolvição, embora eu nem tenha lido o processo".

Assim, já saí da audiência com a sentença condenatória.

Segue o editorial que deu origem à condenação (No final, em vermelho, o trecho "criminoso"):

EDITORIAL EDIÇÃO 117
Que regime é este em Leopoldina?

Com a LEI No 10.792/1º.12.2003, foi criada a RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) para aplicação de penalidade disciplinar ao preso pelo cometimento de falta grave, ou seja, "aos líderes e integrantes de facções criminosas e aos presos cujo comportamento exija tratamento específico" (art. 1º).
Então, assim ficou a redação na LEP, a Lei de Execuções Penais:
Art. 58. O isolamento, a suspensão e a restrição de direitos não poderão exceder a trinta dias, ressalvada a hipótese do regime disciplinar diferenciado." (Redação da LEI No 10.792/1º.12.2003) .
Acontece que, mesmo a RDD garante ao preso “banho de sol por, 'no mínimo', uma hora por dia e visita semanal de duas horas... (arts. 4º e 5º, II, IV e V da resolução).

REGIME COMPLETA UM ANO
Como interpretar o fato de que os presos de Leopoldina, que não se enquadram ao perfil de condenados descrito na Lei, estejam num regime mais diferenciado que o RDD, pois o banho de sol é uma vez por semana e a visita é de 15 minutos através das grades? Esta realidade é a confirmação de que ainda vigora o entendimento de que o preso está sujeito a uma relação especial de poder, embora derive da Constituição a obrigatoriedade da proteção dos seus direitos fundamentais tanto pela autoridade judicial, quanto pela autoridade administrativa.

DIREITOS E DEVERES RECÍPROCOS
Também vigora o entendimento de que há entre preso e administração penitenciária uma relação de sujeição e não uma relação de direitos e deveres recíprocos entre autoridades e prisioneiros.
Não é aceitável a conivência de magistrados, fiscais da lei, advogados, enfim, operadores do direito com tamanha barbárie. O regime atual é um desrespeito à Constituição, à lei, aos cidadãos deste país, enfim, à nossa inteligência.


APELO
Solicito às pessoas que ainda se indignam com a injustiça e tirania neste país que protestem da maneira que puderem contra o despotismo do judiciário de Minas Gerais. Divulguem entre amigos, na internet, na imprensa, nas entidades de defesa dos direitos humanos.
A liberdade de expressão está sob perigo, a toda hora deparamos com notícias de condenação em primeira instância contra meios de comunicação no país.
Mais informação sobre a sentença está no blog do jornal Recomeço:
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Glória Reis
Fone: (32) 3441-4081
Professora e editora do jornal Recomeço
Leopoldina, MG


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Povo Maxakali fazem apelo

O ano de 2008 iniciou com um comum cenário de enormes dificuldades para o Povo Maxakali, da Aldeia Verde, município de Ladainha, no Vale do Mucuri (MG). Há exatamente um ano estabelecido na reserva indígena da Aldeia Verde, o Povo Maxakali vem vivenciando problemas na nova área. Apesar de ser uma região de mata, a área não é suficiente em potencial para a garantia da qualidade de vida do povo.
Agência Consciência.Net; clique aqui


A população, atualmente num total de 306 pessoas, não tem acesso à água de boa qualidade. Apesar de haver algumas nascentes na aldeia, em alguns lugares a água é de péssima qualidade, como a água parada de represas que compromete a saúde da população, e onde principalmente as crianças nadam e banham, correndo o risco de se contaminar.

Conforme relato dos próprios Maxakali, desde o início deste mês de janeiro, o povo vem adoecendo de tal forma que o mal já atingiu a toda a população. Há crianças que estão há vários dias sem se alimentar, com vômito, febre alta, sangramentos pelas narinas, dor de cabeça, dor abdominal e fraqueza generalizada. Esses mesmos sintomas atingem os idosos, adultos (estes com quadro de desmaios) e jovens.

Portanto, isso caracteriza um quadro de epidemia no Povo Maxakali da Aldeia Verde. O próprio povo afirma que nunca houve uma epidemia dessa proporção.

A gravidade maior, porém, é a ausência da Fundação Nacional da Saúde (FUNASA), órgão responsável pela saúde indígena, deixando os Maxakali em condição de abandono. Não há médico como também não há remédios. Segundo lideranças locais, é urgente que a FUNASA esteja presente na Aldeia Verde, para analisar as condições do local, coletar e examinar a água e exercer demais procedimentos para detectar o foco da epidemia e erradicá-la urgentemente, além de, especialmente, dar a assistência devida ao povo. O risco de estar acontecendo uma epidemia de febre amarela na Aldeia Verde é grande.

Um outro problema grave que o povo enfrenta é a falta de alimentos. As cestas básicas que a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) fornece chegam à Aldeia Verde com muita irregularidade e em quantidade insuficiente para as mais de 70 famílias. Ao serem indagados por uma equipe de reportagem que esteve no último 23 de janeiro na aldeia, sobre suas necessidades do momento, os Maxakali responderam: “Remédio e comida”.

“Clamamos às pessoas e entidades parceiras e apoiadoras dos Maxakali que ajudem a divulgar essa situação grave e a pressionar os órgãos da administração regional de Governador Valadares, a FUNAI e FUNASA, a cumprir o que lhe compete por lei”, afirmam lideranças.
Informações à imprensa:
ARMICOPA - Associação Regional Mucuri de Cooperação dos Pequenos Agricultores - armicopa@uai.com.br
EQUIPE MAXAKALI - equipemaxakali@gmail.com
FUNASA - (33) 3271-8231
FUNAI – (33) 3271-1694


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O ano de 2008 iniciou com um comum cenário de enormes dificuldades para o Povo Maxakali, da Aldeia Verde, município de Ladainha, no Vale do Mucuri (MG). Há exatamente um ano estabelecido na reserva indígena da Aldeia Verde, o Povo Maxakali vem vivenciando problemas na nova área. Apesar de ser uma região de mata, a área não é suficiente em potencial para a garantia da qualidade de vida do povo.
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A população, atualmente num total de 306 pessoas, não tem acesso à água de boa qualidade. Apesar de haver algumas nascentes na aldeia, em alguns lugares a água é de péssima qualidade, como a água parada de represas que compromete a saúde da população, e onde principalmente as crianças nadam e banham, correndo o risco de se contaminar.

Conforme relato dos próprios Maxakali, desde o início deste mês de janeiro, o povo vem adoecendo de tal forma que o mal já atingiu a toda a população. Há crianças que estão há vários dias sem se alimentar, com vômito, febre alta, sangramentos pelas narinas, dor de cabeça, dor abdominal e fraqueza generalizada. Esses mesmos sintomas atingem os idosos, adultos (estes com quadro de desmaios) e jovens.

Portanto, isso caracteriza um quadro de epidemia no Povo Maxakali da Aldeia Verde. O próprio povo afirma que nunca houve uma epidemia dessa proporção.

A gravidade maior, porém, é a ausência da Fundação Nacional da Saúde (FUNASA), órgão responsável pela saúde indígena, deixando os Maxakali em condição de abandono. Não há médico como também não há remédios. Segundo lideranças locais, é urgente que a FUNASA esteja presente na Aldeia Verde, para analisar as condições do local, coletar e examinar a água e exercer demais procedimentos para detectar o foco da epidemia e erradicá-la urgentemente, além de, especialmente, dar a assistência devida ao povo. O risco de estar acontecendo uma epidemia de febre amarela na Aldeia Verde é grande.

Um outro problema grave que o povo enfrenta é a falta de alimentos. As cestas básicas que a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) fornece chegam à Aldeia Verde com muita irregularidade e em quantidade insuficiente para as mais de 70 famílias. Ao serem indagados por uma equipe de reportagem que esteve no último 23 de janeiro na aldeia, sobre suas necessidades do momento, os Maxakali responderam: “Remédio e comida”.

“Clamamos às pessoas e entidades parceiras e apoiadoras dos Maxakali que ajudem a divulgar essa situação grave e a pressionar os órgãos da administração regional de Governador Valadares, a FUNAI e FUNASA, a cumprir o que lhe compete por lei”, afirmam lideranças.
Informações à imprensa:
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Ameaças continuam depois de três anos do Massacre de Felisburgo

No dia 20 e novembro de 2004, 16 pistoleiros fortemente armados e encapuzados, incluindo o latifundiário Adriano Chafik Luedy, invadiram o acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), situado na fazenda Nova Alegria, localizada no município de Felisburgo (MG) e assassinaram cinco trabalhadores rurais. Da Radioagência NP.

Na chacina, outros 13 trabalhadores ficaram feridos, 30 barracos foram queimados e uma escola foi destruída. Depois de três anos do ato de violência relacionado à questão agrária, as 200 famílias que ocupam desde 2002 a área, que fica na região do Jequitinhonha, continuam recebendo ameaças por parte de parentes e cúmplices do fazendeiro.

Mesmo tendo confessado a participação no massacre, os movimentos sociais temem pela impunidade do fazendeiro Chafik e lutam para que o julgamento seja realizado em Belo Horizonte (MG), local onde ele possui menos influência política. O julgamento ainda não tem data para ocorrer.

O integrante da direção estadual do MST Ênio Bonemberger fala sobre a situação das famílias, a fazenda Nova Alegria e o julgamento do fazendeiro.

Qual a situação da fazenda Nova Alegria hoje?

Ênio Bonemberger: A Justiça determinou a demarcação de 568 hectares da fazenda que são terras devolutas e é essa onde as famílias estão morando hoje e trabalhando. O restante da área que é em torno de 1700 hectares está em processo de desapropriação por interesse social. E as famílias continuam lutando pela fazenda, os supostos proprietários abandonaram essa fazenda e hoje então quem controla a produção no local são essas famílias.

As famílias da dos Sem Terra continuam sendo ameaçadas?

EB: Continuam porque os irmãos do Adriano têm outra fazenda no município, então cada vez que há um encontro sempre há provocações. Então tudo isso a gente tem registrado em novos boletins de ocorrência. Mas para se ter uma idéia, antes do massacre havia pelo menos sete boletins de ocorrência e que foram encaminhados para o Ministério Público com as ameaças de morte e, dentre as autoridades locais, ninguém tomou providência.

A que se deve o fato de a justiça saber dessas ameaças e não fazer nada?

EB: Para se ter uma idéia, no município de Felisburgo a polícia militar é composta por três policiais e que são fortemente ligados ao grupo [fazendeiros]. Nessas cidades do interior quem tem mais poder econômico tem o poder político. Então a influência nas autoridades locais é muito grande por parte dos fazendeiros.

Como está a questão do desaforamento do processo?

EB: Nós conseguimos uma vitória importante que foi o desaforamento do processo. Então quando acontecer o julgamento desse massacre, este será em Belo Horizonte (MG). Isso é uma vitória porque a influência do fazendeiro sobre um júri da capital seria bem menor. Há uma maior chance de imparcialidade e de punição para o crime. Se o caso fosse julgado na Comarca do Jequitinhonha há uma grande probabilidade de não haver condenação, como já aconteceu em outros casos lá no Jequitinhonha.

Mesmo sabendo que Adriano já confessou que participou do massacre, há ainda o temor que de que ele seja inocentado?

EB: Há o temor sim, porque a gente sabe que no Brasil há impunidade e que os massacres que continuam acontecendo são fruto dessa impunidade. Então nós acreditamos ainda numa condenação, mas sempre há o temor uma absolvição e isso não seria nenhuma novidade se acontecesse no Brasil.

Informações à imprensa:
Igor Felippe - (11) 3361-3866

Ameaças continuam depois de três anos do Massacre de Felisburgo

No dia 20 e novembro de 2004, 16 pistoleiros fortemente armados e encapuzados, incluindo o latifundiário Adriano Chafik Luedy, invadiram o acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), situado na fazenda Nova Alegria, localizada no município de Felisburgo (MG) e assassinaram cinco trabalhadores rurais. Da Radioagência NP.

Na chacina, outros 13 trabalhadores ficaram feridos, 30 barracos foram queimados e uma escola foi destruída. Depois de três anos do ato de violência relacionado à questão agrária, as 200 famílias que ocupam desde 2002 a área, que fica na região do Jequitinhonha, continuam recebendo ameaças por parte de parentes e cúmplices do fazendeiro.

Mesmo tendo confessado a participação no massacre, os movimentos sociais temem pela impunidade do fazendeiro Chafik e lutam para que o julgamento seja realizado em Belo Horizonte (MG), local onde ele possui menos influência política. O julgamento ainda não tem data para ocorrer.

O integrante da direção estadual do MST Ênio Bonemberger fala sobre a situação das famílias, a fazenda Nova Alegria e o julgamento do fazendeiro.

Qual a situação da fazenda Nova Alegria hoje?

Ênio Bonemberger: A Justiça determinou a demarcação de 568 hectares da fazenda que são terras devolutas e é essa onde as famílias estão morando hoje e trabalhando. O restante da área que é em torno de 1700 hectares está em processo de desapropriação por interesse social. E as famílias continuam lutando pela fazenda, os supostos proprietários abandonaram essa fazenda e hoje então quem controla a produção no local são essas famílias.

As famílias da dos Sem Terra continuam sendo ameaçadas?

EB: Continuam porque os irmãos do Adriano têm outra fazenda no município, então cada vez que há um encontro sempre há provocações. Então tudo isso a gente tem registrado em novos boletins de ocorrência. Mas para se ter uma idéia, antes do massacre havia pelo menos sete boletins de ocorrência e que foram encaminhados para o Ministério Público com as ameaças de morte e, dentre as autoridades locais, ninguém tomou providência.

A que se deve o fato de a justiça saber dessas ameaças e não fazer nada?

EB: Para se ter uma idéia, no município de Felisburgo a polícia militar é composta por três policiais e que são fortemente ligados ao grupo [fazendeiros]. Nessas cidades do interior quem tem mais poder econômico tem o poder político. Então a influência nas autoridades locais é muito grande por parte dos fazendeiros.

Como está a questão do desaforamento do processo?

EB: Nós conseguimos uma vitória importante que foi o desaforamento do processo. Então quando acontecer o julgamento desse massacre, este será em Belo Horizonte (MG). Isso é uma vitória porque a influência do fazendeiro sobre um júri da capital seria bem menor. Há uma maior chance de imparcialidade e de punição para o crime. Se o caso fosse julgado na Comarca do Jequitinhonha há uma grande probabilidade de não haver condenação, como já aconteceu em outros casos lá no Jequitinhonha.

Mesmo sabendo que Adriano já confessou que participou do massacre, há ainda o temor que de que ele seja inocentado?

EB: Há o temor sim, porque a gente sabe que no Brasil há impunidade e que os massacres que continuam acontecendo são fruto dessa impunidade. Então nós acreditamos ainda numa condenação, mas sempre há o temor uma absolvição e isso não seria nenhuma novidade se acontecesse no Brasil.

Informações à imprensa:
Igor Felippe - (11) 3361-3866