Indígenas vão à Funasa em Florianópolis conversar e são ameaçados

Na última segunda-feira, 14 de janeiro, um grupo de Guarani foi até a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em Florianópolis, Santa Catarina, buscar um diálogo com o Diretor do Departamento de Saúde Indígena (DESAI), mas foi ameaçado de ser expulso do prédio pela Polícia Federal.
Agência Consciência.Net; clique aqui


Após encaminhar documento a Wanderley Guenka, diretor do DESAI, com as reivindicações dos povos indígenas do sul, pretendiam permanecer no prédio até obter uma resposta da possibilidade de diálogo, mas foram forçados a deixar o local sob ameaças de serem expulsos. Essa atitude revoltou as lideranças Guarani, que se sentiram profundamente ofendidas, pois no grupo, além das lideranças políticas do povo, estavam os líderes religiosos, o presidente e o vice-presidente do Conselho Distrital Litoral Sul.

Até o final da tarde de segunda (14), os Guarani não tinham recebido resposta do diretor do DESAI, mas decidiram convocar mais parentes para retornar ao prédio e somente sair de lá depois que suas reivindicações fossem atendidas.

O descontentamento dos indígenas com as decisões unilaterais da Funasa vem de longa data, e apesar de terem enviado diversos documentos e terem solicitado reuniões para discutir os problemas, não foram ouvidos.

Em 3 de agosto de 2006, através da Portaria 1810, a Funasa alterou os Distritos Sanitários Especiais Indígenas, contrariando as decisões da Conferência Nacional de Saúde Indígena. Extinguiu o Distrito Litoral Sul sem sequer ouvir as comunidades. Os indígenas dizem que o “controle social” tão propalado nos discursos da Fundação não passa de mero discurso.

Em 17 de outubro de 2007, através da Portaria nº 2.656, foi criada uma série de incentivos financeiros ao municípios para estes incorporarem a saúde indígena em seus atendimentos. Os indígenas reclamam que essa “municipalização” acabará com o atendimento específico e diferenciado além de deixá-los reféns das políticas eleitorais. Essa portaria foi publicada sem qualquer discussão com as comunidades e contrariando as deliberações da Conferência Nacional de Saúde Indígena;

Para completar as maldades, no dia 7 de janeiro de 2008, o Memorando Circular nº 003/Dsei/Core/Santa Catarina mandou demitir todos os engenheiros e técnicos em saneamento, justamente no período de calor, quando mais é necessário o cuidado com o saneamento, especialmente a água potável.

Os indígenas pedem a revogação das duas Portarias e do Memorando. A ocupação na Funasa foi uma decisão drástica diante do descaso da Funasa para com a saúde indígena. Pela atitude demonstrada nesta ocasião pelo Órgão Federal, os indígenas terão que enfrentar a Polícia Federal para iniciar a conversa.

Cimi Sul – Equipe Florianópolis
http://www.cimi.org.br/


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Lembre-se que você tem quatro opções de entrega: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar, responda solicitando. [www.consciencia.net]

Indígenas vão à Funasa em Florianópolis conversar e são ameaçados

Na última segunda-feira, 14 de janeiro, um grupo de Guarani foi até a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em Florianópolis, Santa Catarina, buscar um diálogo com o Diretor do Departamento de Saúde Indígena (DESAI), mas foi ameaçado de ser expulso do prédio pela Polícia Federal.
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Após encaminhar documento a Wanderley Guenka, diretor do DESAI, com as reivindicações dos povos indígenas do sul, pretendiam permanecer no prédio até obter uma resposta da possibilidade de diálogo, mas foram forçados a deixar o local sob ameaças de serem expulsos. Essa atitude revoltou as lideranças Guarani, que se sentiram profundamente ofendidas, pois no grupo, além das lideranças políticas do povo, estavam os líderes religiosos, o presidente e o vice-presidente do Conselho Distrital Litoral Sul.

Até o final da tarde de segunda (14), os Guarani não tinham recebido resposta do diretor do DESAI, mas decidiram convocar mais parentes para retornar ao prédio e somente sair de lá depois que suas reivindicações fossem atendidas.

O descontentamento dos indígenas com as decisões unilaterais da Funasa vem de longa data, e apesar de terem enviado diversos documentos e terem solicitado reuniões para discutir os problemas, não foram ouvidos.

Em 3 de agosto de 2006, através da Portaria 1810, a Funasa alterou os Distritos Sanitários Especiais Indígenas, contrariando as decisões da Conferência Nacional de Saúde Indígena. Extinguiu o Distrito Litoral Sul sem sequer ouvir as comunidades. Os indígenas dizem que o “controle social” tão propalado nos discursos da Fundação não passa de mero discurso.

Em 17 de outubro de 2007, através da Portaria nº 2.656, foi criada uma série de incentivos financeiros ao municípios para estes incorporarem a saúde indígena em seus atendimentos. Os indígenas reclamam que essa “municipalização” acabará com o atendimento específico e diferenciado além de deixá-los reféns das políticas eleitorais. Essa portaria foi publicada sem qualquer discussão com as comunidades e contrariando as deliberações da Conferência Nacional de Saúde Indígena;

Para completar as maldades, no dia 7 de janeiro de 2008, o Memorando Circular nº 003/Dsei/Core/Santa Catarina mandou demitir todos os engenheiros e técnicos em saneamento, justamente no período de calor, quando mais é necessário o cuidado com o saneamento, especialmente a água potável.

Os indígenas pedem a revogação das duas Portarias e do Memorando. A ocupação na Funasa foi uma decisão drástica diante do descaso da Funasa para com a saúde indígena. Pela atitude demonstrada nesta ocasião pelo Órgão Federal, os indígenas terão que enfrentar a Polícia Federal para iniciar a conversa.

Cimi Sul – Equipe Florianópolis
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A febre da imprensa brasileira

Birra política se sobrepõe à saúde pública e cidadãos saem perdendo no caso da febre amarela. Por Gustavo Barreto.

Epidemia [substantivo feminino]
1 Rubrica: medicina.
doença ger. infecciosa, de caráter transitório, que ataca simultaneamente grande número de indivíduos em uma determinada localidade (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)

Birra [substantivo feminino]
1 ato ou disposição de insistir obstinadamente em um comportamento ou de não mudar de idéia ou opinião; teima, teimosia (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)

É perfeitamente possível dizer que há no Brasil, atualmente, um surto de febre amarela na imprensa brasileira. Como demonstro no caso de um importante jornal paulista, felizmente (ou infelizmente), este “surto” se restringe à imprensa brasileira e a alguns jornalistas brasileiros. Colocada sob a óptica de um microscópio, a imprensa de grande circulação parece conter em sua genética um arranjo que a destina a provocar o medo e a desinformação em casos de crises de saúde pública e, mais especificamente, no recente caso das notificações de febre amarela no Brasil.

Na capa do jornal Folha de S. Paulo da última segunda-feira (14/1/2008), ao melhor estilo Folha, um ministro de Estado “nega” - colocado na primeira linha (veja na imagem), em “Ministro vai à TV e nega” - uma “epidemia” de febre amarela – colocado como frase na segunda linha: “epidemia de febre amarela”. Acima, uma imagem de desabrigados da forte chuva que atingiu o litoral paulista, que casa à primeira vista com os dizeres “Ministro vai à TV e nega epidemia de febre amarela”. Não usarei nenhuma habilidade lingüística para demonstrar como esses elementos gráficos foram importantes na construção da capa - basta acompanhar o conteúdo que o jornal vem insistindo em dar preferência nos últimos dias.

O tom da reportagem tenta claramente desmentir o ministro, como se percebe logo no primeiro parágrafo: “No dia em que o número de notificações de casos suspeitos de febre amarela subiu de 15 para 24, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) foi à TV fazer um pronunciamento em cadeia nacional para dizer que “não existe risco de epidemia”. O ministério confirmou que, dos 24 casos suspeitos notificados pelas secretarias estaduais de saúde, 5 foram descartados e outros 2, confirmados. ”

As aspas em “não existe risco de epidemia” é contraposta à relação que fazem ao “dia em que o número de notificações de casos suspeitos (...) subiu de 15 para 24”.

Depois, continua com a birra com o governo dando um espaço de destaque a um “renomado infectologista da USP” que disse que “(...) ninguém pode dizer que não existe risco [de febre amarela urbana] quando doentes vêm de áreas silvestres para lugares com Aedes”, enquanto deixa no canto da página uma notinha que confirma exatamente o que sustenta o Ministério da Saúde: “Os casos de febre amarela confirmados até agora não são motivo para alarme na opinião de infectologistas do Incor, da Unicamp e do Fleury. Para eles, a preocupação deve mesmo ser apenas de pessoas que vão viajar para regiões afetadas.” David Uip, que também é infectologista e diretor-executivo do InCor (Instituto do Coração) – e nem por isso mereceu uma entrevista – tocou na ferida: “A gente precisa ter a responsabilidade de baixar a bola agora e não causar pânico”.

Exatamente o que a Folha de S. Paulo, de modo irresponsável, não fez nesta segunda (14/1). E outros dois igualmente renomados médicos tinham a mesma opinião. Se ouvissem mais, teriam mais opiniões semelhantes.

Trocando em miúdos, o jornal Folha de S. Paulo, abrindo mão do jornalismo sério e que serve ao cidadão, de modo que tome a melhor atitude no cotidiano, está de birra com o governo, como lhe é comum. Nesse caso, está dando sua pequena contribuição ao caos na saúde pública.

Outro exemplo foi a entrevista com Drauzio Varella na mesma edição (14/1). Varella é uma excelente fonte, pois além de conhecedor do assunto (é médico cancerologista), foi um dos dois sobreviventes em 2004 quando três pacientes morreram.

O repórter começa a birra: “Dá para falar em surto?”

Varella é claro e diz que não, não dá. “O que acontece é um fenômeno de imprensa. E isso é clássico na história das epidemias. Toda vez que surge uma, os governos negam. E a imprensa vai atrás, no rastro da doença. Estamos vivendo uma situação normal.”

O repórter insiste na birra: “O senhor não vê esses casos como um alerta?”

Varella tenta ser mais objetivo: “Não vejo mesmo”. E dá uma dimensão do real problema que trazem jornais como a Folha de S. Paulo: “O problema dessas fases de pânico é que muita gente que não precisa vai tomar a vacina. O sujeito está em São Paulo e vai ao Guarujá e quer se vacinar. Aí cria-se um problema social, engrossam-se as filas. E o sujeito que precisa não vai tomar. Eu acho até que essa preocupação com a febre amarela silvestre vai aumentar o número de casos porque os médicos vão fazer mais o diagnóstico.”

O repórter, acredite, insiste na birra: “Então há subnotificação...”

Varella tenta ser ainda mais claro: “Fui cuidado por médicos da melhor competência, todos professores da USP, gente com muita experiência. Nenhum deles tinha visto sequer um caso de febre amarela.”

Finalmente o repórter muda de assunto. Ao responder se não daria pra erradicar a febre amarela, ele ironiza: “É impossível. Só se se puser fogo em todas as florestas, matar todos os macacos.” Sobre a vacinação em massa, que a imprensa insiste em colocar em questão, juntamente com o “renomado” infectologista da USP, Varella sentencia: “Está errado. Não é a medida mais inteligente.”

No dia 11 de janeiro, o Ministério da Saúde liberou nota técnica (leia aqui) sobre o assunto que foi solenemente ignorada por este jornal paulista. Em vez de informar aos seus leitores sobre as informações técnicas contidas ali, o jornal continuou com sua birra, tentando fazer acontecer uma epidemia urbana na marra:

> Mulher é internada em São Paulo com febre amarela (12/1/2008)
> Argentina: Turistas formam filas para vacinação (12/1/2008)
> Aeroporto e postos de SP têm filas de vacinação (12/1/2008)
> SP tem fila de até 4 h para vacina contra febre amarela (13/1/2008)
> Espanhol morre com suspeita da doença em GO (13/1/2008)

Na matéria de capa desta terça (15/1) - “GO confirma 2a morte por febre amarela neste ano no Brasil” - a Folha escreve: “O número de notificações ao Ministério da Saúde subiu ontem para 26 - eram 15 até sexta-feira e 24 até domingo. Desses, 17 estão sob investigação, três já foram confirmados e seis, descartados”.

O que os editores deste jornal chamam, então, de “notificações”? Se seis estão descartados, porque incluí-los no total de 26? E se apenas 3 estão confirmados, porque não deixar claro que 17 são casos suspeitos e 3 efetivamente de febre amarela? Tudo para confirmar a birra, visto que aparentemente ninguém na redação da Folha leu – três dias depois de divulgada – a nota técnica a que me referi – exceto a sucursal de Brasília, que citou um dos últimos parágrafos, referente à notificação internacional que o Ministério da Saúde fez em 21 de dezembro de 2007. Com mais uma matéria, no entanto, que não contém dados técnicos, apenas políticos: “Brasil fez alerta internacional sobre doença”.

Confirmando novamente a observação do jornalista Aloysio Biondi de que reside, em geral, nas últimas quatro linhas das matérias da grande mídia as informações mais importantes, a Folha publica (bem escondidinho, looonge da primeira página): “Especialistas ouvidos pela Folha dizem que os três casos confirmados e os outros 17 sob investigação não configuram nem epidemia nem surto da doença. "São casos isolados", explicou o epidemiologista Pedro Tauil, da Universidade de Brasília. Tauil disse que epidemia é um aumento inusitado de casos da doença, e surto é um tipo de epidemia localizada em que os casos têm relação entre si.”

O problema não chegou nem perto de se tornar uma epidemia, mas tamanha foi a insistência da imprensa que o ministro da Saúde foi obrigado a ir à TV para negar a suposta epidemia inventada pela repetição de mensagens de pânico.

Que jornalismo tem que ser de oposição ao poder, todos sabemos. Que tem que ser independente, igualmente. Mas que ignore informações técnicas e prejudique o seu público, ao criar birras políticas com quem quer que seja, inadmissível. Não se pode colocar acima do interesse público e da saúde pública as disputas mesquinhas entre o governo e aqueles que querem sua caveira – principalmente nesse caso, pois febre amarela é uma doença de pobre, conforme explicou Varella. Não é esse, continuo a acreditar, o papel de qualquer imprensa, seja esta grande, média ou pequena.

Gustavo Barreto é jornalista científico e estudante de Comunicação na UFRJ. (http://medicinaesociedade.blogspot.com/)

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A febre da imprensa brasileira

Birra política se sobrepõe à saúde pública e cidadãos saem perdendo no caso da febre amarela. Por Gustavo Barreto.

Epidemia [substantivo feminino]
1 Rubrica: medicina.
doença ger. infecciosa, de caráter transitório, que ataca simultaneamente grande número de indivíduos em uma determinada localidade (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)

Birra [substantivo feminino]
1 ato ou disposição de insistir obstinadamente em um comportamento ou de não mudar de idéia ou opinião; teima, teimosia (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)

É perfeitamente possível dizer que há no Brasil, atualmente, um surto de febre amarela na imprensa brasileira. Como demonstro no caso de um importante jornal paulista, felizmente (ou infelizmente), este “surto” se restringe à imprensa brasileira e a alguns jornalistas brasileiros. Colocada sob a óptica de um microscópio, a imprensa de grande circulação parece conter em sua genética um arranjo que a destina a provocar o medo e a desinformação em casos de crises de saúde pública e, mais especificamente, no recente caso das notificações de febre amarela no Brasil.

Na capa do jornal Folha de S. Paulo da última segunda-feira (14/1/2008), ao melhor estilo Folha, um ministro de Estado “nega” - colocado na primeira linha (veja na imagem), em “Ministro vai à TV e nega” - uma “epidemia” de febre amarela – colocado como frase na segunda linha: “epidemia de febre amarela”. Acima, uma imagem de desabrigados da forte chuva que atingiu o litoral paulista, que casa à primeira vista com os dizeres “Ministro vai à TV e nega epidemia de febre amarela”. Não usarei nenhuma habilidade lingüística para demonstrar como esses elementos gráficos foram importantes na construção da capa - basta acompanhar o conteúdo que o jornal vem insistindo em dar preferência nos últimos dias.

O tom da reportagem tenta claramente desmentir o ministro, como se percebe logo no primeiro parágrafo: “No dia em que o número de notificações de casos suspeitos de febre amarela subiu de 15 para 24, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) foi à TV fazer um pronunciamento em cadeia nacional para dizer que “não existe risco de epidemia”. O ministério confirmou que, dos 24 casos suspeitos notificados pelas secretarias estaduais de saúde, 5 foram descartados e outros 2, confirmados. ”

As aspas em “não existe risco de epidemia” é contraposta à relação que fazem ao “dia em que o número de notificações de casos suspeitos (...) subiu de 15 para 24”.

Depois, continua com a birra com o governo dando um espaço de destaque a um “renomado infectologista da USP” que disse que “(...) ninguém pode dizer que não existe risco [de febre amarela urbana] quando doentes vêm de áreas silvestres para lugares com Aedes”, enquanto deixa no canto da página uma notinha que confirma exatamente o que sustenta o Ministério da Saúde: “Os casos de febre amarela confirmados até agora não são motivo para alarme na opinião de infectologistas do Incor, da Unicamp e do Fleury. Para eles, a preocupação deve mesmo ser apenas de pessoas que vão viajar para regiões afetadas.” David Uip, que também é infectologista e diretor-executivo do InCor (Instituto do Coração) – e nem por isso mereceu uma entrevista – tocou na ferida: “A gente precisa ter a responsabilidade de baixar a bola agora e não causar pânico”.

Exatamente o que a Folha de S. Paulo, de modo irresponsável, não fez nesta segunda (14/1). E outros dois igualmente renomados médicos tinham a mesma opinião. Se ouvissem mais, teriam mais opiniões semelhantes.

Trocando em miúdos, o jornal Folha de S. Paulo, abrindo mão do jornalismo sério e que serve ao cidadão, de modo que tome a melhor atitude no cotidiano, está de birra com o governo, como lhe é comum. Nesse caso, está dando sua pequena contribuição ao caos na saúde pública.

Outro exemplo foi a entrevista com Drauzio Varella na mesma edição (14/1). Varella é uma excelente fonte, pois além de conhecedor do assunto (é médico cancerologista), foi um dos dois sobreviventes em 2004 quando três pacientes morreram.

O repórter começa a birra: “Dá para falar em surto?”

Varella é claro e diz que não, não dá. “O que acontece é um fenômeno de imprensa. E isso é clássico na história das epidemias. Toda vez que surge uma, os governos negam. E a imprensa vai atrás, no rastro da doença. Estamos vivendo uma situação normal.”

O repórter insiste na birra: “O senhor não vê esses casos como um alerta?”

Varella tenta ser mais objetivo: “Não vejo mesmo”. E dá uma dimensão do real problema que trazem jornais como a Folha de S. Paulo: “O problema dessas fases de pânico é que muita gente que não precisa vai tomar a vacina. O sujeito está em São Paulo e vai ao Guarujá e quer se vacinar. Aí cria-se um problema social, engrossam-se as filas. E o sujeito que precisa não vai tomar. Eu acho até que essa preocupação com a febre amarela silvestre vai aumentar o número de casos porque os médicos vão fazer mais o diagnóstico.”

O repórter, acredite, insiste na birra: “Então há subnotificação...”

Varella tenta ser ainda mais claro: “Fui cuidado por médicos da melhor competência, todos professores da USP, gente com muita experiência. Nenhum deles tinha visto sequer um caso de febre amarela.”

Finalmente o repórter muda de assunto. Ao responder se não daria pra erradicar a febre amarela, ele ironiza: “É impossível. Só se se puser fogo em todas as florestas, matar todos os macacos.” Sobre a vacinação em massa, que a imprensa insiste em colocar em questão, juntamente com o “renomado” infectologista da USP, Varella sentencia: “Está errado. Não é a medida mais inteligente.”

No dia 11 de janeiro, o Ministério da Saúde liberou nota técnica (leia aqui) sobre o assunto que foi solenemente ignorada por este jornal paulista. Em vez de informar aos seus leitores sobre as informações técnicas contidas ali, o jornal continuou com sua birra, tentando fazer acontecer uma epidemia urbana na marra:

> Mulher é internada em São Paulo com febre amarela (12/1/2008)
> Argentina: Turistas formam filas para vacinação (12/1/2008)
> Aeroporto e postos de SP têm filas de vacinação (12/1/2008)
> SP tem fila de até 4 h para vacina contra febre amarela (13/1/2008)
> Espanhol morre com suspeita da doença em GO (13/1/2008)

Na matéria de capa desta terça (15/1) - “GO confirma 2a morte por febre amarela neste ano no Brasil” - a Folha escreve: “O número de notificações ao Ministério da Saúde subiu ontem para 26 - eram 15 até sexta-feira e 24 até domingo. Desses, 17 estão sob investigação, três já foram confirmados e seis, descartados”.

O que os editores deste jornal chamam, então, de “notificações”? Se seis estão descartados, porque incluí-los no total de 26? E se apenas 3 estão confirmados, porque não deixar claro que 17 são casos suspeitos e 3 efetivamente de febre amarela? Tudo para confirmar a birra, visto que aparentemente ninguém na redação da Folha leu – três dias depois de divulgada – a nota técnica a que me referi – exceto a sucursal de Brasília, que citou um dos últimos parágrafos, referente à notificação internacional que o Ministério da Saúde fez em 21 de dezembro de 2007. Com mais uma matéria, no entanto, que não contém dados técnicos, apenas políticos: “Brasil fez alerta internacional sobre doença”.

Confirmando novamente a observação do jornalista Aloysio Biondi de que reside, em geral, nas últimas quatro linhas das matérias da grande mídia as informações mais importantes, a Folha publica (bem escondidinho, looonge da primeira página): “Especialistas ouvidos pela Folha dizem que os três casos confirmados e os outros 17 sob investigação não configuram nem epidemia nem surto da doença. "São casos isolados", explicou o epidemiologista Pedro Tauil, da Universidade de Brasília. Tauil disse que epidemia é um aumento inusitado de casos da doença, e surto é um tipo de epidemia localizada em que os casos têm relação entre si.”

O problema não chegou nem perto de se tornar uma epidemia, mas tamanha foi a insistência da imprensa que o ministro da Saúde foi obrigado a ir à TV para negar a suposta epidemia inventada pela repetição de mensagens de pânico.

Que jornalismo tem que ser de oposição ao poder, todos sabemos. Que tem que ser independente, igualmente. Mas que ignore informações técnicas e prejudique o seu público, ao criar birras políticas com quem quer que seja, inadmissível. Não se pode colocar acima do interesse público e da saúde pública as disputas mesquinhas entre o governo e aqueles que querem sua caveira – principalmente nesse caso, pois febre amarela é uma doença de pobre, conforme explicou Varella. Não é esse, continuo a acreditar, o papel de qualquer imprensa, seja esta grande, média ou pequena.

Gustavo Barreto é jornalista científico e estudante de Comunicação na UFRJ. (http://medicinaesociedade.blogspot.com/)

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ONG sugere presente social neste natal

Agência Consciência.Net; clique aqui

A ONG Homeopatia Ação pelo Semelhante (HAPS), que presta assistência médica a 150 crianças carentes do Morro dos Cabritos, em Copacabana, no Rio de Janeiro, sugere à população dar um presente social neste Natal: uma pequena colaboração financeira mensal (o equivalente a cerca de duas entradas de cinema), que pode ser doada por qualquer pessoa física ou jurídica. Com isso, o doador se torna padrinho ou madrinha social da saúde de uma das crianças atendidas pela ONG.

Para conhecer os detalhes do projeto, saber como fazer doações, ou ainda oferecer trabalho voluntário, basta entrar no site http://www.semelhante.org.br ou comparecer pessoalmente na ONG. O ambulatório homeopático funciona na Rua Siqueira Campos 115, sobrado, em Copacabana, no Rio de Janeiro, de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h - tel.: (21) 2255-9190 / 2255-9189 ou e-mail semelhante@semelhante.org.br

O apoio financeiro dos padrinhos é fundamental para a ONG dar continuidade a esta iniciativa social. As crianças matriculadas nas creches da comunidade, conveniadas à ONG, recebem consultas médicas gratuitas, com hora marcada no ambulatório homeopático na rua Siqueira Campos, por um período de quatro anos. Quando necessário, as crianças são examinadas por psicólogos, fonoaudiólogos e nutricionistas.

Além disso, a ONG oferece aos pais atividades periódicas de Educação Popular em Saúde para orientar a saúde familiar. Os medicamentos são fornecidos gratuitamente através de uma parceria da ONG com farmácias homeopáticas.

A ONG oferece ainda consultas populares com médicos homeopatas para a população em geral, por R$ 50, com o objetivo de ajudar a manter seus trabalhos sociais.

Informações adicionais:
Marcia Arbache - (21) 9149-0237

_______________________________________
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Para conhecer os detalhes do projeto, saber como fazer doações, ou ainda oferecer trabalho voluntário, basta entrar no site http://www.semelhante.org.br ou comparecer pessoalmente na ONG. O ambulatório homeopático funciona na Rua Siqueira Campos 115, sobrado, em Copacabana, no Rio de Janeiro, de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h - tel.: (21) 2255-9190 / 2255-9189 ou e-mail semelhante@semelhante.org.br

O apoio financeiro dos padrinhos é fundamental para a ONG dar continuidade a esta iniciativa social. As crianças matriculadas nas creches da comunidade, conveniadas à ONG, recebem consultas médicas gratuitas, com hora marcada no ambulatório homeopático na rua Siqueira Campos, por um período de quatro anos. Quando necessário, as crianças são examinadas por psicólogos, fonoaudiólogos e nutricionistas.

Além disso, a ONG oferece aos pais atividades periódicas de Educação Popular em Saúde para orientar a saúde familiar. Os medicamentos são fornecidos gratuitamente através de uma parceria da ONG com farmácias homeopáticas.

A ONG oferece ainda consultas populares com médicos homeopatas para a população em geral, por R$ 50, com o objetivo de ajudar a manter seus trabalhos sociais.

Informações adicionais:
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Disseminação de doenças é recorde, diz ONU

Novas enfermidades estão surgindo “com mais rapidez do que nunca”, afirma relatório da Organização Mundial da Saúde. Mundo atual tem pelo menos 40 doenças que eram desconhecidas pela geração passada, segundo o informe sobre a situação da saúde pública mundial de 2007, lançado nesta quinta (23). Por Gustavo Barreto

A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou na última quinta-feira, dia 23 de agosto, o informe sobre a saúde no mundo de 2007, com o título Un porvenir más seguro: protección de la salud pública mundial en el siglo XXI (“Um futuro mais seguro: proteção da saúde pública mundial no século XXI”). A OMS considera o documento “um marco na história da saúde pública mundial” e potencialmente “um dos maiores avanços realizados em meio século para alcançar a seguridade sanitária”.

A publicação expõe alguns riscos crescentes que correm pelo mundo, como a emergência de enfermidades, epidemias, acidentes industriais, desastres naturais e outras emergências de saúde que podem converter-se rapidamente em ameaças para a segurança sanitária mundial. O informe explica que o Regulamento Sanitário Internacional revisado (2005), em vigor a partir deste ano, dá suporte para que os países colaborem para identificar os riscos e atuar de modo a contê-los e controlá-los.

O Regulamento é necessário porque nenhum país, independentemente de sua capacidade ou riqueza, pode proteger-se de emergências sanitárias e dos demais riscos sem a cooperação de outros países. O informe assinala que um futuro mais seguro é possível e que constitui tanto uma aspiração coletiva como uma responsabilidade recíproca.

Você pode acessar o informe “Um futuro mais seguro: proteção da saúde pública mundial no século XXI” – em inglês, francês e espanhol – pelo site http://www.who.int/whr/2007/es/index.html

Disseminação de doenças é recorde, diz ONU

Novas enfermidades estão surgindo “com mais rapidez do que nunca”, afirma relatório da Organização Mundial da Saúde. Mundo atual tem pelo menos 40 doenças que eram desconhecidas pela geração passada, segundo o informe sobre a situação da saúde pública mundial de 2007, lançado nesta quinta (23). Por Gustavo Barreto

A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou na última quinta-feira, dia 23 de agosto, o informe sobre a saúde no mundo de 2007, com o título Un porvenir más seguro: protección de la salud pública mundial en el siglo XXI (“Um futuro mais seguro: proteção da saúde pública mundial no século XXI”). A OMS considera o documento “um marco na história da saúde pública mundial” e potencialmente “um dos maiores avanços realizados em meio século para alcançar a seguridade sanitária”.

A publicação expõe alguns riscos crescentes que correm pelo mundo, como a emergência de enfermidades, epidemias, acidentes industriais, desastres naturais e outras emergências de saúde que podem converter-se rapidamente em ameaças para a segurança sanitária mundial. O informe explica que o Regulamento Sanitário Internacional revisado (2005), em vigor a partir deste ano, dá suporte para que os países colaborem para identificar os riscos e atuar de modo a contê-los e controlá-los.

O Regulamento é necessário porque nenhum país, independentemente de sua capacidade ou riqueza, pode proteger-se de emergências sanitárias e dos demais riscos sem a cooperação de outros países. O informe assinala que um futuro mais seguro é possível e que constitui tanto uma aspiração coletiva como uma responsabilidade recíproca.

Você pode acessar o informe “Um futuro mais seguro: proteção da saúde pública mundial no século XXI” – em inglês, francês e espanhol – pelo site http://www.who.int/whr/2007/es/index.html

Blogagem coletiva sobre amamentação

Por Arcanjo de Prata, leitor do Consciência e jovem blogueiro cheio de espírito humanitário

Chegou a semana mundial de amamentação! Vai do começo de agosto até o dia 7 do mesmo mês, e partiu do Síndrome de Estocolmo a iniciativa de formar uma mega-união na blogosfera para discutirem o assunto sob prismas diferentes.

Bom, a mãe moderna de hoje em dia possui uma acessibilidade infinita na net para saber as mil e uma razões(senão mais, é que parei de contar na 1001°, rs) da importância do aleitamento materno. Ela encontra na Wikipedia/aleitamento, no Grupo Origem, e até em blogs destinados exclusivamente ao assunto, como esse AQUI. Pra se ter uma idéia, "googleando" a palavra "amamentação" você tem 1.190.000 de resultado.

Não obstante, há uma parcela considerável de mães que não têm ciência do valor que o ato tão simples como o da foto acima representa. Uma mãe que não sabe dos benefícios endógenos e exógenos, ou seja, biológicos e psicológicos do bebê. Por isso é necessária uma divulgação, sim. Não raramente você pode encontrar uma pessoa que questiona "Por que toda essa atenção? A mãe desinformada, que em sua maioria é de uma renda baixa, não tem capital para dar ao bebê outra coisa senão o leite materno." Aí é que tá! Tem uma geração de mãe, essa de garotas de 15 anos, geração bem novinha, que segundo especialistas engravidam cedo para obter um afeto que não lhes foi dado, não sabem lidar com esse "ser" que surgiu. Muitas vezes sentem-se presas, e o que mais fazem é, precoce e erroneamente, botar o bebê na mamadeira. Isso quando as mães não são enganadas por empresas bilionárias como o caso da Nestlé, já falado no post anterior!

Sinceramente, eu acho que pouca gente reconhece a responsabilidade de trazer uma nova vida a este globo. Eu acho egoísmo alguém querer plantar uma bela árvore num terreno preste a desabar. É o que está acontecendo. Mulheres, homens, esses casais, parecem todos enxergar só o glamour que a sociedade passa, ou deixam um desejo puramente egocêntrico predominar, e têm um bebê sem tentar fazer deste um mundo melhor. Acho esse fato inconcebível! No meu ver, há muitas crianças sem pai, sem mãe, e eu adoraria um dia adotar. Sei que não sou mulher, e não tenho essa vontade de ter filho, que é mais instintivo que outra coisa, mas é bom parar e refletir um pouco ao notar esse aspecto. Não condeno o fato de ter filhos, mas se é para ter, ao menos queira fazer do Mundo um lugar melhor de se viver para que seu filho sofra o menos, o menos possível. Logo, se é pra fazer, faça direito!

Ah, entrando nesse universo feminino, indico um site que está fazendo uma ótima campanha, também. Trata-se da Campanha da Mamografia Digital Gratuita do Instituto Neo Mama de Prevenção e Combate ao Câncer de Mama, que por sinal não atinge somente as mulheres, mas como alguns homens também. O site depende das visitas para conseguir subsídios suficientes para continuar com o serviço gratuito. Vale à pena conferir!

Aqui vai uma dica essencial, 5 partes de uma espécie de documentário que... bom... deixe-me transcrever: "A história das fórmulas de leite que em alguns países substituíram a amamentação com resultados catastróficos (dublado em português /BR)." Deixo aqui a 1° parte, aí é só seguir na barra de vídeos no lado direito da tela para a continuação.

Parte 1 (Amamentação)

Blogagem coletiva sobre amamentação

Por Arcanjo de Prata, leitor do Consciência e jovem blogueiro cheio de espírito humanitário

Chegou a semana mundial de amamentação! Vai do começo de agosto até o dia 7 do mesmo mês, e partiu do Síndrome de Estocolmo a iniciativa de formar uma mega-união na blogosfera para discutirem o assunto sob prismas diferentes.

Bom, a mãe moderna de hoje em dia possui uma acessibilidade infinita na net para saber as mil e uma razões(senão mais, é que parei de contar na 1001°, rs) da importância do aleitamento materno. Ela encontra na Wikipedia/aleitamento, no Grupo Origem, e até em blogs destinados exclusivamente ao assunto, como esse AQUI. Pra se ter uma idéia, "googleando" a palavra "amamentação" você tem 1.190.000 de resultado.

Não obstante, há uma parcela considerável de mães que não têm ciência do valor que o ato tão simples como o da foto acima representa. Uma mãe que não sabe dos benefícios endógenos e exógenos, ou seja, biológicos e psicológicos do bebê. Por isso é necessária uma divulgação, sim. Não raramente você pode encontrar uma pessoa que questiona "Por que toda essa atenção? A mãe desinformada, que em sua maioria é de uma renda baixa, não tem capital para dar ao bebê outra coisa senão o leite materno." Aí é que tá! Tem uma geração de mãe, essa de garotas de 15 anos, geração bem novinha, que segundo especialistas engravidam cedo para obter um afeto que não lhes foi dado, não sabem lidar com esse "ser" que surgiu. Muitas vezes sentem-se presas, e o que mais fazem é, precoce e erroneamente, botar o bebê na mamadeira. Isso quando as mães não são enganadas por empresas bilionárias como o caso da Nestlé, já falado no post anterior!

Sinceramente, eu acho que pouca gente reconhece a responsabilidade de trazer uma nova vida a este globo. Eu acho egoísmo alguém querer plantar uma bela árvore num terreno preste a desabar. É o que está acontecendo. Mulheres, homens, esses casais, parecem todos enxergar só o glamour que a sociedade passa, ou deixam um desejo puramente egocêntrico predominar, e têm um bebê sem tentar fazer deste um mundo melhor. Acho esse fato inconcebível! No meu ver, há muitas crianças sem pai, sem mãe, e eu adoraria um dia adotar. Sei que não sou mulher, e não tenho essa vontade de ter filho, que é mais instintivo que outra coisa, mas é bom parar e refletir um pouco ao notar esse aspecto. Não condeno o fato de ter filhos, mas se é para ter, ao menos queira fazer do Mundo um lugar melhor de se viver para que seu filho sofra o menos, o menos possível. Logo, se é pra fazer, faça direito!

Ah, entrando nesse universo feminino, indico um site que está fazendo uma ótima campanha, também. Trata-se da Campanha da Mamografia Digital Gratuita do Instituto Neo Mama de Prevenção e Combate ao Câncer de Mama, que por sinal não atinge somente as mulheres, mas como alguns homens também. O site depende das visitas para conseguir subsídios suficientes para continuar com o serviço gratuito. Vale à pena conferir!

Aqui vai uma dica essencial, 5 partes de uma espécie de documentário que... bom... deixe-me transcrever: "A história das fórmulas de leite que em alguns países substituíram a amamentação com resultados catastróficos (dublado em português /BR)." Deixo aqui a 1° parte, aí é só seguir na barra de vídeos no lado direito da tela para a continuação.

Parte 1 (Amamentação)

Democratização da homeopatia como direito à saúde

A democratização do acesso à homeopatia como uma forma de garantir o acesso igualitário à saúde, à humanização do atendimento e à redução dos custos da assistência. Esses os valores em que está firmada a iniciativa da organização não-governamental Ação pelo Semelhante, localizada no Rio de Janeiro.

Nessa entrevista, Hylton Luz, presidente da ONG, fala da proposta da instituição de defender o direito à saúde da população, dos empecilhos ligados à implementação das práticas como a acupuntura e a própria homeopatia, e do direito "de cada cidadão poder optar pelo que deseja e acredita ser melhor para si". Do site www.mobilizadores.org.br/coep


Mobilizadores COEP - A ONG Ação Pelo Semelhante tem discutido a Portaria 971, que institui a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que determina que a homeopatia, a acupuntura e a fitoterapia estarão asseguradas aos cidadãos através do Sistema Único de Saúde. Qual a importância e as dificuldades para a inclusão dessas práticas nas políticas públicas de saúde?

A Portaria 971, que institui a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, incluindo a prática da homeopatia, da acupuntura e da fitoterapia no SUS, tem recebido o apoio da Ação Pelo Semelhante porque promove a democratização do acesso à homeopatia, iniciativa que se coaduna com a missão de nossa organização social. Nossa manifestação é substantiva e comprometida, promovemos um abaixo-assinado que se encontra no site www.semelhante.org.br, o qual explicita apoio e cobra, do Ministério da Saúde, conseqüência com a iniciativa. Conseqüência no sentido de a portaria ministerial criar um evento novo para a grande maioria dos municípios do país, estimulando uma ação que implica despesas, mas sem indicar como serão cobertas.

A situação atual se parece com o dito popular: "fazer cortesia com chapéu alheio". Além desta omissão que deixa os prefeitos sem recursos para tomar as iniciativas específicas que a portaria deseja fomentar, não declara critérios ou o modo como estas ações serão acompanhadas, quer dizer, não oferece para a sociedade nenhum parâmetro que permita monitorar, com transparência, a sua implementação. Encontramos aspectos omissos no texto, como por onde começar? o que fazer primeiro? quanto será investido para promover cada uma das diretrizes?

Da maneira como a portaria está redigida, esta política, corre o risco de virar mais uma bela iniciativa que nunca sairá do papel, como se fosse apenas "para inglês ver" ou silenciar uma demanda que está latente. O abaixo-assinado criado pela Ação pelo Semelhante pode contribuir para este processo porque é um instrumento que registra o interesse específico da população.

Por um lado, divulgando a política para a sociedade e estimulando a população a participar, construindo "indícios sobre demanda" nos diversos pontos do país. Por outro, por organizar os interessados com vista a participarem, desenvolvendo uma rede e uma articulação que podem favorecer o controle social, estimulando os cidadãos a se envolverem e tomarem conta daquilo que lhes interessa e atende a suas necessidades. Certamente que para alcançar estes objetivos precisamos buscar apoios, fazer com que a sociedade e o Ministério da Saúde vejam a pertinência de nossa iniciativa e a justeza de nossas ponderações.

Mobilizadores COEP - Essa iniciativa tem a ver com a universalização do acesso a essas práticas pela população?

Sim. Temos dito que a PNPIC é democratizante. Isso não é retórica, é um fato que se apóia nos seguintes números: de 15 mil médicos homeopatas na clínica privada, apenas 514 estão no SUS; apenas 157 dos 3.518 municípios do país oferecem homeopatia no SUS; temos 986 estabelecimentos registrados e fiscalizados como farmácias homeopáticas no país e apenas 45 pontos de distribuição de remédios no SUS, destes, talvez apenas dois atendam às regras de fiscalização de farmácias. Só com estes dados podemos dizer que existe uma parcela da população que está excluída do acesso à homeopatia e que isto decorre exclusivamente do poder econômico.

Existem inúmeros exemplos de exclusão de direitos decorrente da desigualdade de poder econômico, mas neste caso se trata de acesso à saúde e, particularmente, de uma forma de cuidar da saúde que pode ser vantajosa para o país. Quando o Estado editou a PNPIC, a Ação Pelo Semelhante detectou esta desigualdade social e se implicou em corrigi-la. Isso, sem margem para dúvida, é uma iniciativa democratizante e inclusiva de direitos. Uma iniciativa que cria a possibilidade para que a maior parte da população, que é dependente dos serviços públicos, tenha acesso a homeopatia. Por esta razão devemos apoiar e cobrar conseqüência, para que seja posta em prática.

Trata-se de defender a garantia de direitos sociais inscritos na Constituição e de cobrar amadurecimento no processo democrático. Eu diria que esta é a razão mais importante, cumprir os fundamentos da democracia, garantir o direito de escolha, garantir o direito das minorias, garantir a universalidade da lei e do direito, promover a equanimidade de tratamento e a isonomia do direito entre os cidadãos. Acredito que esta seja a mais forte de todas as razões, o motivo para que seja implementada sem rodeios e sem tergiversar.

Mobilizadores COEP - Há ainda alguma controvérsia sobre a adoção dessas práticas no cuidado à saúde?

Questões como entender o processo fisiológico que produz resultados na saúde dos cidadãos e porque eles elegem a homeopatia como opção de cuidados e atenção são pertinentes e devem ser respondidas com investimentos em educação e pesquisa. A questão que se coloca é a garantia do exercício do direito de escolha. A segunda razão acerca da importância da implementação dessas práticas diz respeito ao seu potencial de humanizar a assistência e reduzir custos na saúde. Vale lembrar que estes dois traços representam o ponto central de uma crise que afeta a saúde em todo o mundo.

Embora tal potencial seja conhecido e propalado, tanto por usuários, quanto por gestores públicos, as instituições de pesquisa ainda resistem a financiar estudos e projetos. Na experiência com o abaixo-assinado nós podemos corroborar a opinião favorável dos gestores públicos. Em agosto de 2006, durante o Congresso Mundial de Saúde Pública, no Rio de Janeiro, distribuímos 5 mil panfletos divulgando o abaixo-assinado e como resultado colhemos 960 assinaturas, índice de quase 20% de apoio. Acredito que esta mostra seja indicativa desta percepção do setor e de apoio à implementação da política.

Mobilizadores COEP - A ampliação do uso da homeopatia e de outras práticas integrativas implicaria um processo de mudanças na cultura do cuidado à saúde tal como praticado hoje. Há muitos empecilhos para isso?

Sobre dificuldades podemos dizer que são inúmeras, mas todas de pequena monta, de resolução progressiva e relativamente simples diante das possibilidades da homeopatia e de outras práticas integrativas poderem contribuir para reduzir os custos da saúde. É um paradoxo de nossos tempos, mas o maior de todos os obstáculos para o sucesso da homeopatia é exatamente o fato de ela ser barata e, como conseqüência, poder minorar despesas. Hoje, os agentes econômicos e os interesses financeiros são os principais motores das decisões e ações públicas e dos veículos de formação de opinião.

Neste contexto, uma racionalidade médica que requisita menos insumos tecnológicos, menos aparatos para intermediar a relação entre o paciente e o médico, medicamentos menos dispendiosos e menor exigência em equipamentos, contraria este fluxo, por esta razão enfrenta uma dificuldade enorme. Trata-se de uma peleja onde um dos lados é um gigante conhecido e o outro um frágil e desconhecido personagem.

Outra dificuldade importante é a cultura da medicalização e a educação para a expectativa de resultados imediatos, a perspectiva de eliminar os problemas com medidas radicais, a visão dos problemas de saúde como sendo locais, esquecendo o sujeito em sua história, sem levar em conta que na saúde humana, tal qual na natureza, nada ocorre por acaso, tudo tem um tempo e um processo envolvido. O equilíbrio da saúde é o mesmo da ecologia, o resultado imediato pode ser a semente do distúrbio e o ponto de partida para um mal maior. Suportar limites, se responsabilizar pela própria vida, educar-se para modificar hábitos dão mais trabalho que comprar resultados prontos.

Este é um processo educacional e cultural que é longo e demorado e pareceria imutável se nós não assistíssemos hoje a uma mudança de hábitos e de processos de decisão que se sustentam no pensamento ecológico. A idéia é a mesma. Falar de controvérsias na implementação da PNPIC é abordar a questão da habilitação dos praticantes da acupuntura.

Os médicos tardaram muito em reconhecer a acupuntura como uma prática de saúde, quando o fizeram, quase 30 anos depois de sua difusão, já era exercida como especialidade por diversos profissionais de saúde, com reconhecimento e regulamentação pelos conselhos federais destas profissões. Por esta razão o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira vêm trabalhando para derrubar a PNPIC, alegando que a mesma fomenta a prática leiga e estimula profissionais sem habilitação específica a praticarem atos que põem em risco a saúde da população. Este é um debate, uma polêmica que ainda deve se prolongar, pois o Conselho Nacional de Saúde não tem a mesma posição dos médicos.

Ainda no campo das controvérsias há uma questão que é recorrente e que não podemos deixar de abordar, que diz respeito à crítica sobre a falta de pesquisas que comprovem a efetividade e os fundamentos científicos da homeopatia e outras práticas integrativas. Sobre isso só é possível dizer que a falta de pesquisa decorre da falta de investimentos no setor, que bastará proceder com equanimidade, disponibilizando recursos em igual proporção, para que os resultados ocorram e as dúvidas se elucidem.

Mobilizadores COEP - Poderiam ser apontados, brevemente, alguns benefícios da utilização dessas práticas, recomendações de uso?

Quanto a indicações de tratamento com a homeopatia eu diria que não há limites ou enfermidades nas quais cuidar do indivíduo enfermo não represente ampliar os recursos e melhorar as suas condições de superar ou suportar o sofrimento. Não existem razões para restringir o seu uso, ou limitar a sua indicação.

A expectativa de sobreviver, resistir e superar qualquer enfermidade ou problema de saúde repousa sempre na capacidade do organismo reagir e reorganizar suas forças. Esta é a forma como os medicamentos homeopáticos atuam. O tratamento homeopático estimula a capacidade do organismo de reagir e, todos os pacientes podem ser beneficiados.

No entanto, devemos ter em vista que a resposta do organismo ocorre no tempo que é próprio aos ciclos vitais, portanto, aqueles casos em que não é possível aguardar, que necessitamos de mudanças imediatas e emergentes outros recursos devem ser buscados. Há muitas situações para as quais só medidas de reconstrução e alteração da estrutura física do organismo podem garantir a sobrevivência, nas quais apenas a cirurgia pode representar a direção da vida, outras em que este resultado só pode alcançado pelo uso de recursos mecânicos para substituir determinados órgãos.

Não falamos de uma racionalidade médica que substitui ou suplanta a outra, mas sim de podermos utilizar o que cada um tem de melhor, dos melhores resultados que cada uma pode promover, de haver democratização de informações, de haver direito de escolha, de cada cidadão poder optar pelo que deseja e acredita ser melhor para si. A perspectiva é de inclusão e convivência, não de dominância e de uma reserva de mercado que coloca a população no lugar de consumidora sem direito a escolher o produto que lhe interessa.

Na minha experiência, algo que as pesquisas futuras poderão comprovar ou refutar é o fato de que todas as enfermidades naturais e todos os casos crônicos são passíveis de serem tratados com a homeopatia de forma vantajosa no que diz respeito à qualidade de vida e custos. O que considero ideal é tratar a saúde, é cuidar do organismo enquanto está saudável, é estimular as forças do organismo com medicamentos em doses mínimas para que amplie a sua capacidade de se conservar íntegro e, como conseqüência, reduza a disposição a adoecer.

Eu tenho quatro filhos, hoje todos adultos, e durante toda a vida nunca precisaram tomar um antibiótico ou qualquer outro tipo de remédios. Não quer dizer que viviam em uma redoma ou que tinham uma vida limitada, muito pelo contrário, eram como todos os demais e nada os diferia neste aspecto. Mesmo quando contundidos pelos traumas próprios das imprudências ou excessos, quando só as suturas corrigiam o problema, eram os remédios homeopáticos os recursos coadjuvantes.

Mas se existe uma unanimidade sobre os efeitos benéficos do tratamento homeopático, nós citamos as enfermidades respiratórias, as bronquites, as rinites, sinusites e toda ordem de alterações funcionais do organismo, quero dizer, aquelas em que os sintomas que estão presentes representam uma alteração do funcionamento, mas para o qual não se encontram modificações anatômicas e patologias presentes. Ou seja, aquele grande número de casos em que, após todos os exames, a conclusão é que não há justificativa para os sintomas, ou seja, trata-se de um desequilíbrio do funcionamento do órgão ou das sensações que o regulam. Nesta fase, o organismo está apenas modificado no seu funcionamento, os órgãos que estão afetados ainda não se deformaram pela alteração em curso.

Não quer dizer que quando estas alterações estão presentes que não seja benéfico tratar, muito pelo contrário, sempre há benefício em estimular o organismo a se recompor e melhorar o seu funcionamento. Às vezes, é mais trabalhoso, mas manter a integridade dos órgãos e das funções geralmente traz benefícios a longo prazo, quando toda a economia vai ficando desgastada e as operações vitais ocorrem com menos vigor.

Mobilizadores COEP - Como surgiu a idéia de realizar um trabalho homeopático voltado para a população de comunidades de baixa renda e quais são os objetivos da Ação Pelo Semelhante?

A idéia nasceu da vivência de 20 anos de prática homeopática, da certeza de seus resultados benéficos e do seu baixo custo, daí a possibilidade de colaborar com o apelo da Organização Mundial de Saúde sobre a necessidade de se minorar os custos públicos da assistência à saúde. Este problema, decorrente do impacto dos altos custos da medicina tecnológica, afeta todo o mundo, mesmo em países ricos, excluindo a maior parte da população do acesso a recursos básicos de saúde.

Diante desta evidência de meu cotidiano não era possível ficar passivo. Estou convencido de que temos em mãos algo que nos parece um caminho na busca da minoração dos efeitos perversos desta equação financeira. Escolhemos como objeto de trabalho a população em desvantagem econômica e social, pelo fato de não terem acesso à maioria dos recursos que estão disponíveis para as classes mais favorecidas, conseqüentemente, mais aptas a retratar a realidade da maioria.

Era preciso demonstrar que a efetividade da homeopatia é verificável quando é a única opção disponível, quando é o recurso que faz a diferença. Precisamos evidenciar que a homeopatia atua positivamente sobre a maioria dos problemas mais comuns de saúde e que não é uma prática complementar ou um recurso coadjuvante. Os resultados benéficos na saúde e seus baixos custos decorrem da maneira como compreende as enfermidades, analisa suas manifestações e estimula o organismo a reagir, seja quando o sujeito está enfermo, seja quando está se cuidando para manter e aprimorar o seu estado de saúde.

Hoje, nosso trabalho com a população em desvantagem social e econômica está restrito às crianças na faixa etária de 0 a 6 anos, com resultados muito interessantes e alentadores. Gostaríamos de fazer intervenções com outras faixas etárias e com outros modelos de relacionamento comunitário. Esperamos que com a PNPIC em curso, as instituições de apoio a iniciativas sociais entendam que promover este modelo de trabalho assistencial não é fazer "assistencialismo", mas sim estimular inovações que podem representar alternativas para as políticas públicas do país.

Mobilizadores COEP - Atualmente, quais são as principais ações desenvolvidas?

Afora nossa atuação na defesa dos direitos da população e na promoção da divulgação da homeopatia como uma opção de saúde, nós temos dois focos de ação na assistência que visam ampliar o acesso da população à homeopatia.

Um é o Programa de Atenção a Criança e ao Adolescente, dirigido para população em desvantagem social e econômica, com o qual garantimos gratuitamente a assistência integral à saúde de crianças das creches comunitárias no Morro dos Cabritos (em Copacabana), próximo a nossa sede, através do sistema de "padrinhos sociais". Eles contribuem com um valor mensal equivalente a dois ingressos de cinema.

Garantimos acompanhamento regular e assistência integral à saúde, provemos assistência para as crianças e educação em saúde para os responsáveis e as crecheiras. As crianças têm garantidas a assistência médica homeopática, psicológica e fonoaudiológica. Enquanto os responsáveis e as crecheiras - atores diretamente envolvidos nos cuidados da criança - são alvo de atividade de educação popular em saúde. O objetivo é integrar as ações e atender as necessidades da população assistida. As ações de educação têm o propósito de ampliar informações e conhecimentos sobre saúde, isto é, o repertório de recursos disponíveis para conhecer, entender, atender e cuidar das crianças. Empregando o conceito de construção coletiva de conhecimentos, compartilhamos informações e experiências, estimulando o debate de idéias e problemas que estejam de acordo com a realidade e aquilo que vivenciam.

Com as crecheiras visamos, também, ampliar a capacitação em atenção e cuidados para estimular a observação de traços que favoreçam antecipar a requisição de apoio assistencial e promover medidas de cuidados no ambiente da creche, ou nas orientações para os responsáveis. Outro programa é de Universalização do Acesso, que está orientado para a população em geral, disponibilizando consultas homeopáticas com as mesmas características dos consultórios privados, só que ao custo de R$50, enquanto no mercado são encontradas na faixa de R$150 a 300.


Conheça a ONG Ação Pelo Semelhante em www.semelhante.org.br

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Democratização da homeopatia como direito à saúde

A democratização do acesso à homeopatia como uma forma de garantir o acesso igualitário à saúde, à humanização do atendimento e à redução dos custos da assistência. Esses os valores em que está firmada a iniciativa da organização não-governamental Ação pelo Semelhante, localizada no Rio de Janeiro.

Nessa entrevista, Hylton Luz, presidente da ONG, fala da proposta da instituição de defender o direito à saúde da população, dos empecilhos ligados à implementação das práticas como a acupuntura e a própria homeopatia, e do direito "de cada cidadão poder optar pelo que deseja e acredita ser melhor para si". Do site www.mobilizadores.org.br/coep


Mobilizadores COEP - A ONG Ação Pelo Semelhante tem discutido a Portaria 971, que institui a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que determina que a homeopatia, a acupuntura e a fitoterapia estarão asseguradas aos cidadãos através do Sistema Único de Saúde. Qual a importância e as dificuldades para a inclusão dessas práticas nas políticas públicas de saúde?

A Portaria 971, que institui a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, incluindo a prática da homeopatia, da acupuntura e da fitoterapia no SUS, tem recebido o apoio da Ação Pelo Semelhante porque promove a democratização do acesso à homeopatia, iniciativa que se coaduna com a missão de nossa organização social. Nossa manifestação é substantiva e comprometida, promovemos um abaixo-assinado que se encontra no site www.semelhante.org.br, o qual explicita apoio e cobra, do Ministério da Saúde, conseqüência com a iniciativa. Conseqüência no sentido de a portaria ministerial criar um evento novo para a grande maioria dos municípios do país, estimulando uma ação que implica despesas, mas sem indicar como serão cobertas.

A situação atual se parece com o dito popular: "fazer cortesia com chapéu alheio". Além desta omissão que deixa os prefeitos sem recursos para tomar as iniciativas específicas que a portaria deseja fomentar, não declara critérios ou o modo como estas ações serão acompanhadas, quer dizer, não oferece para a sociedade nenhum parâmetro que permita monitorar, com transparência, a sua implementação. Encontramos aspectos omissos no texto, como por onde começar? o que fazer primeiro? quanto será investido para promover cada uma das diretrizes?

Da maneira como a portaria está redigida, esta política, corre o risco de virar mais uma bela iniciativa que nunca sairá do papel, como se fosse apenas "para inglês ver" ou silenciar uma demanda que está latente. O abaixo-assinado criado pela Ação pelo Semelhante pode contribuir para este processo porque é um instrumento que registra o interesse específico da população.

Por um lado, divulgando a política para a sociedade e estimulando a população a participar, construindo "indícios sobre demanda" nos diversos pontos do país. Por outro, por organizar os interessados com vista a participarem, desenvolvendo uma rede e uma articulação que podem favorecer o controle social, estimulando os cidadãos a se envolverem e tomarem conta daquilo que lhes interessa e atende a suas necessidades. Certamente que para alcançar estes objetivos precisamos buscar apoios, fazer com que a sociedade e o Ministério da Saúde vejam a pertinência de nossa iniciativa e a justeza de nossas ponderações.

Mobilizadores COEP - Essa iniciativa tem a ver com a universalização do acesso a essas práticas pela população?

Sim. Temos dito que a PNPIC é democratizante. Isso não é retórica, é um fato que se apóia nos seguintes números: de 15 mil médicos homeopatas na clínica privada, apenas 514 estão no SUS; apenas 157 dos 3.518 municípios do país oferecem homeopatia no SUS; temos 986 estabelecimentos registrados e fiscalizados como farmácias homeopáticas no país e apenas 45 pontos de distribuição de remédios no SUS, destes, talvez apenas dois atendam às regras de fiscalização de farmácias. Só com estes dados podemos dizer que existe uma parcela da população que está excluída do acesso à homeopatia e que isto decorre exclusivamente do poder econômico.

Existem inúmeros exemplos de exclusão de direitos decorrente da desigualdade de poder econômico, mas neste caso se trata de acesso à saúde e, particularmente, de uma forma de cuidar da saúde que pode ser vantajosa para o país. Quando o Estado editou a PNPIC, a Ação Pelo Semelhante detectou esta desigualdade social e se implicou em corrigi-la. Isso, sem margem para dúvida, é uma iniciativa democratizante e inclusiva de direitos. Uma iniciativa que cria a possibilidade para que a maior parte da população, que é dependente dos serviços públicos, tenha acesso a homeopatia. Por esta razão devemos apoiar e cobrar conseqüência, para que seja posta em prática.

Trata-se de defender a garantia de direitos sociais inscritos na Constituição e de cobrar amadurecimento no processo democrático. Eu diria que esta é a razão mais importante, cumprir os fundamentos da democracia, garantir o direito de escolha, garantir o direito das minorias, garantir a universalidade da lei e do direito, promover a equanimidade de tratamento e a isonomia do direito entre os cidadãos. Acredito que esta seja a mais forte de todas as razões, o motivo para que seja implementada sem rodeios e sem tergiversar.

Mobilizadores COEP - Há ainda alguma controvérsia sobre a adoção dessas práticas no cuidado à saúde?

Questões como entender o processo fisiológico que produz resultados na saúde dos cidadãos e porque eles elegem a homeopatia como opção de cuidados e atenção são pertinentes e devem ser respondidas com investimentos em educação e pesquisa. A questão que se coloca é a garantia do exercício do direito de escolha. A segunda razão acerca da importância da implementação dessas práticas diz respeito ao seu potencial de humanizar a assistência e reduzir custos na saúde. Vale lembrar que estes dois traços representam o ponto central de uma crise que afeta a saúde em todo o mundo.

Embora tal potencial seja conhecido e propalado, tanto por usuários, quanto por gestores públicos, as instituições de pesquisa ainda resistem a financiar estudos e projetos. Na experiência com o abaixo-assinado nós podemos corroborar a opinião favorável dos gestores públicos. Em agosto de 2006, durante o Congresso Mundial de Saúde Pública, no Rio de Janeiro, distribuímos 5 mil panfletos divulgando o abaixo-assinado e como resultado colhemos 960 assinaturas, índice de quase 20% de apoio. Acredito que esta mostra seja indicativa desta percepção do setor e de apoio à implementação da política.

Mobilizadores COEP - A ampliação do uso da homeopatia e de outras práticas integrativas implicaria um processo de mudanças na cultura do cuidado à saúde tal como praticado hoje. Há muitos empecilhos para isso?

Sobre dificuldades podemos dizer que são inúmeras, mas todas de pequena monta, de resolução progressiva e relativamente simples diante das possibilidades da homeopatia e de outras práticas integrativas poderem contribuir para reduzir os custos da saúde. É um paradoxo de nossos tempos, mas o maior de todos os obstáculos para o sucesso da homeopatia é exatamente o fato de ela ser barata e, como conseqüência, poder minorar despesas. Hoje, os agentes econômicos e os interesses financeiros são os principais motores das decisões e ações públicas e dos veículos de formação de opinião.

Neste contexto, uma racionalidade médica que requisita menos insumos tecnológicos, menos aparatos para intermediar a relação entre o paciente e o médico, medicamentos menos dispendiosos e menor exigência em equipamentos, contraria este fluxo, por esta razão enfrenta uma dificuldade enorme. Trata-se de uma peleja onde um dos lados é um gigante conhecido e o outro um frágil e desconhecido personagem.

Outra dificuldade importante é a cultura da medicalização e a educação para a expectativa de resultados imediatos, a perspectiva de eliminar os problemas com medidas radicais, a visão dos problemas de saúde como sendo locais, esquecendo o sujeito em sua história, sem levar em conta que na saúde humana, tal qual na natureza, nada ocorre por acaso, tudo tem um tempo e um processo envolvido. O equilíbrio da saúde é o mesmo da ecologia, o resultado imediato pode ser a semente do distúrbio e o ponto de partida para um mal maior. Suportar limites, se responsabilizar pela própria vida, educar-se para modificar hábitos dão mais trabalho que comprar resultados prontos.

Este é um processo educacional e cultural que é longo e demorado e pareceria imutável se nós não assistíssemos hoje a uma mudança de hábitos e de processos de decisão que se sustentam no pensamento ecológico. A idéia é a mesma. Falar de controvérsias na implementação da PNPIC é abordar a questão da habilitação dos praticantes da acupuntura.

Os médicos tardaram muito em reconhecer a acupuntura como uma prática de saúde, quando o fizeram, quase 30 anos depois de sua difusão, já era exercida como especialidade por diversos profissionais de saúde, com reconhecimento e regulamentação pelos conselhos federais destas profissões. Por esta razão o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira vêm trabalhando para derrubar a PNPIC, alegando que a mesma fomenta a prática leiga e estimula profissionais sem habilitação específica a praticarem atos que põem em risco a saúde da população. Este é um debate, uma polêmica que ainda deve se prolongar, pois o Conselho Nacional de Saúde não tem a mesma posição dos médicos.

Ainda no campo das controvérsias há uma questão que é recorrente e que não podemos deixar de abordar, que diz respeito à crítica sobre a falta de pesquisas que comprovem a efetividade e os fundamentos científicos da homeopatia e outras práticas integrativas. Sobre isso só é possível dizer que a falta de pesquisa decorre da falta de investimentos no setor, que bastará proceder com equanimidade, disponibilizando recursos em igual proporção, para que os resultados ocorram e as dúvidas se elucidem.

Mobilizadores COEP - Poderiam ser apontados, brevemente, alguns benefícios da utilização dessas práticas, recomendações de uso?

Quanto a indicações de tratamento com a homeopatia eu diria que não há limites ou enfermidades nas quais cuidar do indivíduo enfermo não represente ampliar os recursos e melhorar as suas condições de superar ou suportar o sofrimento. Não existem razões para restringir o seu uso, ou limitar a sua indicação.

A expectativa de sobreviver, resistir e superar qualquer enfermidade ou problema de saúde repousa sempre na capacidade do organismo reagir e reorganizar suas forças. Esta é a forma como os medicamentos homeopáticos atuam. O tratamento homeopático estimula a capacidade do organismo de reagir e, todos os pacientes podem ser beneficiados.

No entanto, devemos ter em vista que a resposta do organismo ocorre no tempo que é próprio aos ciclos vitais, portanto, aqueles casos em que não é possível aguardar, que necessitamos de mudanças imediatas e emergentes outros recursos devem ser buscados. Há muitas situações para as quais só medidas de reconstrução e alteração da estrutura física do organismo podem garantir a sobrevivência, nas quais apenas a cirurgia pode representar a direção da vida, outras em que este resultado só pode alcançado pelo uso de recursos mecânicos para substituir determinados órgãos.

Não falamos de uma racionalidade médica que substitui ou suplanta a outra, mas sim de podermos utilizar o que cada um tem de melhor, dos melhores resultados que cada uma pode promover, de haver democratização de informações, de haver direito de escolha, de cada cidadão poder optar pelo que deseja e acredita ser melhor para si. A perspectiva é de inclusão e convivência, não de dominância e de uma reserva de mercado que coloca a população no lugar de consumidora sem direito a escolher o produto que lhe interessa.

Na minha experiência, algo que as pesquisas futuras poderão comprovar ou refutar é o fato de que todas as enfermidades naturais e todos os casos crônicos são passíveis de serem tratados com a homeopatia de forma vantajosa no que diz respeito à qualidade de vida e custos. O que considero ideal é tratar a saúde, é cuidar do organismo enquanto está saudável, é estimular as forças do organismo com medicamentos em doses mínimas para que amplie a sua capacidade de se conservar íntegro e, como conseqüência, reduza a disposição a adoecer.

Eu tenho quatro filhos, hoje todos adultos, e durante toda a vida nunca precisaram tomar um antibiótico ou qualquer outro tipo de remédios. Não quer dizer que viviam em uma redoma ou que tinham uma vida limitada, muito pelo contrário, eram como todos os demais e nada os diferia neste aspecto. Mesmo quando contundidos pelos traumas próprios das imprudências ou excessos, quando só as suturas corrigiam o problema, eram os remédios homeopáticos os recursos coadjuvantes.

Mas se existe uma unanimidade sobre os efeitos benéficos do tratamento homeopático, nós citamos as enfermidades respiratórias, as bronquites, as rinites, sinusites e toda ordem de alterações funcionais do organismo, quero dizer, aquelas em que os sintomas que estão presentes representam uma alteração do funcionamento, mas para o qual não se encontram modificações anatômicas e patologias presentes. Ou seja, aquele grande número de casos em que, após todos os exames, a conclusão é que não há justificativa para os sintomas, ou seja, trata-se de um desequilíbrio do funcionamento do órgão ou das sensações que o regulam. Nesta fase, o organismo está apenas modificado no seu funcionamento, os órgãos que estão afetados ainda não se deformaram pela alteração em curso.

Não quer dizer que quando estas alterações estão presentes que não seja benéfico tratar, muito pelo contrário, sempre há benefício em estimular o organismo a se recompor e melhorar o seu funcionamento. Às vezes, é mais trabalhoso, mas manter a integridade dos órgãos e das funções geralmente traz benefícios a longo prazo, quando toda a economia vai ficando desgastada e as operações vitais ocorrem com menos vigor.

Mobilizadores COEP - Como surgiu a idéia de realizar um trabalho homeopático voltado para a população de comunidades de baixa renda e quais são os objetivos da Ação Pelo Semelhante?

A idéia nasceu da vivência de 20 anos de prática homeopática, da certeza de seus resultados benéficos e do seu baixo custo, daí a possibilidade de colaborar com o apelo da Organização Mundial de Saúde sobre a necessidade de se minorar os custos públicos da assistência à saúde. Este problema, decorrente do impacto dos altos custos da medicina tecnológica, afeta todo o mundo, mesmo em países ricos, excluindo a maior parte da população do acesso a recursos básicos de saúde.

Diante desta evidência de meu cotidiano não era possível ficar passivo. Estou convencido de que temos em mãos algo que nos parece um caminho na busca da minoração dos efeitos perversos desta equação financeira. Escolhemos como objeto de trabalho a população em desvantagem econômica e social, pelo fato de não terem acesso à maioria dos recursos que estão disponíveis para as classes mais favorecidas, conseqüentemente, mais aptas a retratar a realidade da maioria.

Era preciso demonstrar que a efetividade da homeopatia é verificável quando é a única opção disponível, quando é o recurso que faz a diferença. Precisamos evidenciar que a homeopatia atua positivamente sobre a maioria dos problemas mais comuns de saúde e que não é uma prática complementar ou um recurso coadjuvante. Os resultados benéficos na saúde e seus baixos custos decorrem da maneira como compreende as enfermidades, analisa suas manifestações e estimula o organismo a reagir, seja quando o sujeito está enfermo, seja quando está se cuidando para manter e aprimorar o seu estado de saúde.

Hoje, nosso trabalho com a população em desvantagem social e econômica está restrito às crianças na faixa etária de 0 a 6 anos, com resultados muito interessantes e alentadores. Gostaríamos de fazer intervenções com outras faixas etárias e com outros modelos de relacionamento comunitário. Esperamos que com a PNPIC em curso, as instituições de apoio a iniciativas sociais entendam que promover este modelo de trabalho assistencial não é fazer "assistencialismo", mas sim estimular inovações que podem representar alternativas para as políticas públicas do país.

Mobilizadores COEP - Atualmente, quais são as principais ações desenvolvidas?

Afora nossa atuação na defesa dos direitos da população e na promoção da divulgação da homeopatia como uma opção de saúde, nós temos dois focos de ação na assistência que visam ampliar o acesso da população à homeopatia.

Um é o Programa de Atenção a Criança e ao Adolescente, dirigido para população em desvantagem social e econômica, com o qual garantimos gratuitamente a assistência integral à saúde de crianças das creches comunitárias no Morro dos Cabritos (em Copacabana), próximo a nossa sede, através do sistema de "padrinhos sociais". Eles contribuem com um valor mensal equivalente a dois ingressos de cinema.

Garantimos acompanhamento regular e assistência integral à saúde, provemos assistência para as crianças e educação em saúde para os responsáveis e as crecheiras. As crianças têm garantidas a assistência médica homeopática, psicológica e fonoaudiológica. Enquanto os responsáveis e as crecheiras - atores diretamente envolvidos nos cuidados da criança - são alvo de atividade de educação popular em saúde. O objetivo é integrar as ações e atender as necessidades da população assistida. As ações de educação têm o propósito de ampliar informações e conhecimentos sobre saúde, isto é, o repertório de recursos disponíveis para conhecer, entender, atender e cuidar das crianças. Empregando o conceito de construção coletiva de conhecimentos, compartilhamos informações e experiências, estimulando o debate de idéias e problemas que estejam de acordo com a realidade e aquilo que vivenciam.

Com as crecheiras visamos, também, ampliar a capacitação em atenção e cuidados para estimular a observação de traços que favoreçam antecipar a requisição de apoio assistencial e promover medidas de cuidados no ambiente da creche, ou nas orientações para os responsáveis. Outro programa é de Universalização do Acesso, que está orientado para a população em geral, disponibilizando consultas homeopáticas com as mesmas características dos consultórios privados, só que ao custo de R$50, enquanto no mercado são encontradas na faixa de R$150 a 300.


Conheça a ONG Ação Pelo Semelhante em www.semelhante.org.br

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