Contra o massacre e a destruição da Universidade Islâmica de Gaza

Em documento, acadêmicos brasileiros e estrangeiros se posicionam contra a violência na Faixa de Gaza. “Usa-se o mesmo sofisma com o qual se ataca o povo de Gaza: os estudantes e os professores da Universidade seriam do Hamas, pretexto idêntico àquele utilizado pelos regimes fascistas para decretar a morte da cultura (...)”. Leia na íntegra clicando aqui.

A adesão pode ser enviada à professora Arlene Clemesha (aeclem@hotmail.com) ou ao professor Caio Toledo (cntoledo@terra.com.br)

Contra o massacre e a destruição da Universidade Islâmica de Gaza

Enquanto a carnificina causada pelo ataque israelense à Faixa de Gaza nos enche de horror, tristeza e indignação, um fato, em particular, nos obriga a nos manifestar: a destruição da Universidade Islâmica de Gaza. Assim como as universidades católicas e pontifícias em todo o mundo, a Universidade de Gaza é uma instituição dedicada ao ensino e à pesquisa acadêmica.

Devido à negação ao acesso e compartimentação da vida nos territórios palestinos, a Universidade Islâmica tornou-se ainda mais importante para a população jovem de Gaza, impedida de cursar faculdades na Cisjordânia, em Israel ou no exterior, inclusive quando são aceitos como bolsistas.

A Universidade atende mais de 20.000 estudantes, 60% dos quais são mulheres. Formada por 10 faculdades, oferece cursos de graduação e pós-graduação em educação, religião, arte, comércio, direito, engenharias, ciências exatas, medicina e enfermagem. Usa-se o mesmo sofisma com o qual se ataca o povo de Gaza: os estudantes e os professores da Universidade seriam do Hamas, pretexto idêntico àquele utilizado pelos regimes fascistas para decretar a morte da cultura. O que querem é a morte da memória, da história e da identidade do povo palestino.

Os signatários desta carta condenam toda violência e lamentam cada morte, seja em Israel, seja nos Territórios Palestinos Ocupados ilegalmente por Israel. Mas não podemos aceitar calados que seja lançado literalmente aos escombros o direito à educação, à dignidade, à vida nessa pequena faixa de terra onde há décadas a população vive na mais absoluta negação. Ao atacar o direito à educação e à cultura em Gaza, coloca-se à prova a educação e a cultura mundiais.

SIGNATÁRIOS
  • Adelaide Gonçalves, Universidade Federal do Ceará
  • Afrânio Mendes Catani - USP
  • Alice Áurea Penteado Martha, UEM, Maringá/PR
  • Alphonse Nagib Sabbagh - Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Anita Handfas, FE/UFRJ
  • Antonio Carlos de Azevedo Ritto, UERJ
  • Antonio Miguel, FE, Unicamp
  • Ana Lúcia Goulart de Faria, FE, Unicamp
  • Philomena Gebran, UFRJ
  • Arlene Clemesha, FFLCH, Universidade de São Paulo
  • Arlete Moyses Rodrigues, IFCH, Unicamp
  • Arlet Ramos Moreno, IFCH, Unicamp
  • Áurea M. Guimarães, F.E. - Unicamp.
  • Benedito Antunes, FCL-UNESP, Assis
  • Boaventura de Sousa Santos - Universidade de Coimbra
  • Cacilda Aparecida da Silva - PUC-SP
  • Caio N. de Toledo, IFCH, UNICAMP
  • Carlos Eduardo Martins, Universidade Federal Fluminense
  • Carlos Walter Porto-Gonçalves, UFF
  • Ceci Juruá, LPP - UERJ
  • Clarice Gatto - Friocruz - RJClaudia Gil Ryckebusch - PUC-SP
  • Cristina Ayoub Riche - Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Suely Ferreira Lima - Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Cristiane Nunes Duarte - Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Cristina Paniago, FCS, Universidade Federal de Alagoas
  • Danilo Enrico Martuscelli, IFCH, Unicamp
  • Danilo Guiral, FAU-USP
  • Deise Mancebo
  • Edmilson Carvalho, UCSAL
  • Eduardo Galeano, Escritor
  • Edwiges Rabello de Lima, prof. SEESP
  • Eleuterio F. S. Prado, FEA/USP
  • Elisabeth Sekulic, PPFH/UERJ
  • Emir Sader, LPP - UERJ e Universidade de São Paulo
  • Enio Serra - FE/UFRJ
  • Fernando Morais, Jornalista e Escritor
  • Flávio Wolf de Aguiar, FFLCH/USP.
  • Florence Carboni, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Francisco Antonio de Castro Lacaz - UNIFESP/Escola Paulista de Medicina
  • Francisco de Oliveira, FFLCH - Universidade de São Paulo
  • Francisco Miraglia, IME -Universidade de São Paulo
  • Gaudencio Frigoto – UERJ
  • Gilberto Maringoni - Jornalista
  • Guillermo Almeyra - Universidade Autonoma de México
  • Guillermo Marcelo Almeyra Casares
  • Heloísa Fernandes, FFLCH - Universidade de São Paulo
  • Hugo V. Capelato, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
  • Ildeberto Muniz de Almeida - Faculdade de Medicina Botucatu - UNESP
  • Immanuel Wallerstein - Yale University
  • Ivana Jinkings, Editora João Alexandre Peschanski, University of Wisconsin-Madison
  • João Baptista M. Vargens - Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Hani Hazime - Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Ibrahim Georges Khalil - Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Geni Harb - Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • João Francisco Tidei Lima, Unesp/USC- Bauru
  • Joaquim Fontes
  • Jorge Marcelo Córdova Jarufe
  • José Arbex Jr - PUC-SP
  • José Claudinei Lombardi,, FE - Unicamp
  • José Oscar de Almeida Marques, IFCH, UNICAMP
  • Kjeld Jakobsen, FFLCH - USP
  • Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida - FCS, PUC-SP.
  • Luiz Carlos de Freitas, Professor Titular da Faculdade de Educação, Unicamp.
  • Mamede Jarouche, FFLCH - Universidade de São Paulo
  • Manuela Quintáns Alvarenga, UFRJ e CEDERJ
  • Marcelo Carcanholo, FE/UFF
  • Marcos Silva, Professor Titular da FFLCH/USP
  • Maria Teresa Toribio B.Lemos, PPGH - UERJ e Nucleas
  • Maria Victoria de Mesquita Benevides , socióloga USP
  • Mário Maestri, Historiador, Programa de Pós-Graduação em História da UPF
  • Marisa Brandão, CEFET/RJ
  • Marise Leite - CAp - UFRJ
  • Maurício Vieira Martins, ICHF/UFF
  • Michel Sleiman, FFLCH - Universidade de São Paulo
  • Miguel Attie Filho - FFLCH - Universidade de São Paulo
  • Milton Pinheiro - Universidade do Estado da Bahia
  • Miriam Abduche Kaiuca - UFRJ
  • Mirian Giannella - Socióloga DRT 1902
  • Mona Hawi, FFLCH- Universidade de São Paulo
  • Olgária Matos, FFLCH-USP
  • Osvaldo Coggiola, FFLCH - Universidade de São Paulo
  • Pablo Gentili, UERJ
  • Patrícia Vieira Trópia, Universidade Federal de Uberlândia
  • Paulo Benevides Soares, astrônomo USP
  • Paulo Cesar Azevedo Ribeiro, Relações Internacionais - UNESA
  • Paulo Nakatani, Professor UFES
  • Pedro Ganzeli, FE / Unicamp
  • Rafael Alonso, Professor CEFET-RJ
  • Ramon Casas Vilarino - Faculdade Sumaré.
  • Reinaldo A. Carcanholo - UFES
  • Roberto Leher - Universidade Federal FluminenseRodrigo Nobile, LPP - UERJ
  • Rosanne E. Dias, CAp - UFRJ/ Proped-UERJ
  • Rosemary Achcar - UNB
  • Safa Jubran, FFLCH - Universidade de São Paulo
  • Sergio Amadeu da Silveira - Faculdade Cásper Líbero.
  • Sérgio Gregório Baierle, CIDADE Centro de Assessoria e Estudos Urbanos
  • Siomara Borba, FE/UERJ
  • Sonia Mariza Martuscelli, Unitau
  • Soraya Smaili, Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina
  • Theotonio dos Santos, prof. Emérito UFF
  • Valter Pomar, Relações Internacionais - PT
  • Virgínia Fontes - Historiadora, UFF
  • Vittorio Cappelli, prof. Associato di Storia Contemporanea, Università della Calabria
  • Zilda Márcia Grícoli Iokoi, FFLCH - USP

3 comentários:

® disse...

O nazismo judaico-sionista deve ser detido. O extermínio de palestinos deve parar. A segurança do sistema financeiro de base estadunidense-israelense não pode estar acima da humanidade. Fora judeus da Palestina! Fora nazista do territóro árabe. Basta de matar crianças, mulheres e homens inocentes! Os judeus sionistas fascistas aprenderam com seu mestre Adolf Hitler e seus discípulos Videla, Massera, Agosti, de triste memória: vamos matar todo mundo (menos os nossos, claro, loucos são, mas não bobos), por causa dos guerrilheiros do ERP e Montoneros. Hamas, Tupamaros, sejam quem for, iscas de tubarão. Será que os perseguidos de ontem está fadados a se tornarem perseguidores? ERP e Montoneros estavam infiltrados pela inteligência militar. Por defender a população destes infiltrados, os nazistas argentinos fizeram o que os nazistas judaico-sionistas fazem hoje: matar, torturar, seqüestrar, violentar. Se o Hamas existir, de fato, (alguém viu um hamista alguma vez?, os judeus e os estadunidenses falam o tempo todo) se os palestinos existirem, isto é, se até este exermínio do nazismo judeu não parar antes, o mundo deverá pensar, seriamente e friamente, na necessidade de repensar a ordem social mundial. Nações Unidas democratizadas, fora dos Estados Unidos, fora da ditadura do Conselho de Segurança (segurança de quem? Não dos palestinos. Não dos argentinos, que fomos torturados e mortos sem piedade com o silêncio cúmplice das Nações Unida como hoje, caladas diante da matança). Tribunal Internacional de Justiça (ao qual Israel e EEUU sistemáticamente se opõem) para julgar os genocidas de todos os países, Israel, Estados Unidos, Argentina, Chile. Estamos esperando. Basta de matança em Gaza! Basta de nazismo judeu! Viva Palestina! Viva a justiça! Viva a vida! Abaixo a indústria da morte dos terroristas estadunidenses-israelenses, e seus cúmplices na imprensa mundial! Nações Unidas para todos, e não para judeus, estadunidenses, nazistas, fascistas e assemelhados.

maria rejane vargas da costa disse...

Sou absolutamente a favor de um estado judeu e de um árabe.Afinal de contas são povos irmãos, tem o mesmo passado, cresceram no mesmo lugar. São tribos diferentes,sim! Mas o que vemos é um genocídio. Não podemos olhar com "olhos de quem nada vê" o extermínio de um povo e a progressiva ocupação dos territórios árabes. O que vemos hoje é muito igual ao feito pela Alemanha. Creio que até mais cruel, pois levantar muros e deixar a população morrer sem água e com fome, é pior que levá-los em um caminhão com o cano de escape voltado para dentro. O povo judeo deve se contentar com o que lhe foi dado, deixar seus irmãos viver com um mínimo de dignidade. Dever entender: a paz se constrói com humildade e respeito aos diferentes princípios. A indústria bélica deve buscar outra ocupação. Nosso planeta já está poluido por tantos outros motivos. Basta de mortes e queima de pólvora.

Anônimo disse...

“Plomo fundido” sobre la conciencia judía

Por León Rozitchner (1)


“Si nosotros nos revelamos incapaces de alcanzar una cohabitación y acuerdos con los árabes, entonces no habremos aprendido estrictamente nada durante nuestros dos mil años de sufrimientos y mereceremos todo lo que llegue a sucedernos.” (Albert Einstein, carta a Weismann, 1929.)


¿Recuerdan cuando hace dos mil años los judíos palestinos, nuestros antepasados en Massada sitiada, enfrentaron las legiones del Imperio romano y se suicidaron en masa para no rendirse? ¿Recuerdan la rebelión popular y nacional de nuestros macabeos contra la invasión romana, cuando murieron decenas de miles de judíos y se acabó la resistencia judía en Palestina y nos dispersamos otra vez por el mundo? ¿No piensan que esa misma dignidad extrema que nuestros antepasados tuvieron, de la que quizá ya no seamos dignos, es la que lleva a la resistencia de los palestinos que ocupan en el presente el lugar que antes, hace casi dos mil años, ocupamos nosotros como judíos? ¿No se inscribe en cambio esta masacre cometida por el Estado de Israel en la estela de la “solución final” occidental y cristiana de la cuestión judía? ¿Han perdido la memoria los judíos israelíes? No: sucede que se han convertido en neoliberales y se han cristianizado como sus perseguidores europeos, que, luego de exterminarlos, empujaron a los que quedaron vivos para que se fueran a vivir a Palestina con el terror del exterminio a cuestas.


El meollo de la actual tragedia está en la Shoá. Si la memoria de su pasado define el sentido histórico que marcó el “destino” del pueblo judío, donde se van hilando las cuentas de nuestro derrotero, y si el acto final en el que culmina ese destino convoca a los judíos israelíes a aniquilar la resistencia de otros pueblos inocentes, algo del sentido histórico ha desaparecido de la memoria de los israelíes. ¿Puede ser invocada la Shoá sin ser infieles a los desaparecidos, cuando al mismo tiempo el sentido completo de ese acontecimiento monstruoso ha quedado oscurecido? ¿Cómo podríamos “hacer memoria” si la construimos con los únicos recuerdos de nuestro pasado que los culpables europeos del genocidio nos autorizan? Es cierto: si los israelíes recuerdan todo, pierden a sus aliados. Porque la memoria de la Shoá que llevó al retorno a una tierra perdida hace mucho tiempo tendría que volver a ser pensada.


Lo primero a recordar: nuestros perseguidores históricos no fueron ni son los palestinos. Nuestros perseguidores estaban y siguen estando en las naciones de cultura europea que nos expulsaron y masacraron, y sin embargo son ellos los que siguen marcando el destino de todos nosotros, sobre todo de los judíos israelíes. ¿Será por eso que se busca olvidar a los verdaderos culpables de la Shoá? Los israelíes ya no se preguntan por el pasado bimilenario judío. Nunca los judíos, salvo excepciones, acusan del exterminio judío a la religión cristiana y a la economía capitalista que produjeron necesariamente la Shoá, como la conclusión de un silogismo que se venía desarrollando en Europa cristiana desde su mismo origen, como si el nazismo hubiera sido sólo un accidente sin antecedente en la historia europea y todo comenzara con Hitler. ¿No será que luego de la Shoá ustedes, los descendientes de los judíos europeos asimilados, se aliaron luego con los exterminadores en un pacto oscuro que el terror dictaba, y volvieron ahora todos, de cierta manera, a ser judeo–cristianos? Porque seamos honestos: el Tercer Reich se ha prolongado en el 4º Reich del Imperio norteamericano. Es claro: prefieren no saberlo porque el Estado de Israel está –nosotros los judíos latinoamericanos sí lo sabemos– al servicio del poder cristiano–imperial de los EE.UU. ¿O van a creerse que los EE.UU. y Europa combatieron al nazismo para salvar a los judíos? ¿Por qué ahora habrían de seguir persiguiéndolos si mantienen lo que tienen de judíos congelado sólo en lo arcaico religioso? Pero ¿no les dice nada pasar a ocupar ahora el lugar impiadoso, como brazo armado de los poderosos capitalistas cristianos, contra una población civil asediada y asesinada por osar defenderse contra la expropiación ilimitada de un territorio que debía ser compartido?


Recordemos. Karl Schmitt, filósofo católico del nazismo, había puesto de relieve lo que la hipocresía democrática ocultaba: la categorías políticas son todas ellas categorías teológicas. Es decir: la política occidental (democrática y capitalista) tiene su fundamento en la teología cristiana. Es notable: Schmitt coincide con lo que Marx joven decía en Sobre la cuestión judía: el fundamento cristiano del Estado germano se prolonga como premisa también en el Estado democrático.


Y si la política occidental al desnudarse muestra su fundamento teológico oculto, sin el cual no hubiera habido capitalismo, entonces toda política de Estado capitalista era antijudía, porque ése era el escollo que el cristianismo había encontrado para consolidarse como religión universal. No contra los judíos cristianizados que, como ustedes en Israel, apoyan esa política, es cierto. Ustedes tienen de cristianos, sin saberlo, lo que ocultan en su propia memoria al ocultar que la Shoá como “solución final” fue un exterminio teológico (cristiano) político europeo. Schmitt la tenía clara. Lo que el sutil filósofo alemán católico necesitaba activar, en momentos de peligro extremo para el cristianismo y el capitalismo frente a la amenaza de la Revolución Rusa y las rebeliones socialistas, era el fundamento cristiano escondido en la política: el odio visceral y alucinado religioso antijudío para que en Europa reverdeciera con toda intensidad el fundamento grabado durante siglos en el imaginario popular cristiano. Y con ese vigor arcaico reverdecido pudieran enfrentar la amenaza revolucionaria del judeo–marxismo.


Por eso, frente a la apariencia liberal de la política democrática como una relación “amigo-amigo”, el fundamento de la política nazi extremaba las categorías de “amigo–enemigo” que Schmitt vuelve a poner de relieve en el “estado de excepción” como la verdad oculta de la democracia: el único enemigo histórico cuando entra en crisis el fundamento social europeo son nuevamente los judíos. En 1933, frente a la amenaza del socialismo tildado quizá con cierta razón de judío, resurgía para muchos europeos todo su pasado y encontraban en los judíos el fundamento más profundo de lo más temido para su concepción cristiana: las premisas judías de un materialismo consagrado, no meramente físico cartesiano como la economía capitalista requería. Por eso Schmitt vuelve a desnudar las categorías fundantes adormecidas que la teología católica mantenía vivas: volvía al fundamento religioso de la política cristiana del Estado democrático para enfrentar el peligro del “comunismo ateo y judío”.


Sucede que en ese momento los judíos laicos formaban parte de la creatividad moderna que en Europa alimentó el pensamiento político y científico: eran rebeldes todavía, no como tantos de ahora, y por eso Marx de joven pensaba que los judíos, una vez superada su etapa religiosa y se hicieran laicos prolongando la esencia judía más allá de lo religioso, podrían pasar a formar parte activa de la liberación humana.


Y cuando al fin los europeos creían haber logrado en el siglo XIX la universalización del cristiano–capitalismo que se expandía colonizando a sangre y fuego el mundo, aparece otra vez el materialismo judaico como premisa del socialismo, que no es físicamente metafísico sino que parte de la Naturaleza como fundamento de la vida del espíritu humano. Tiemblan entonces en Europa los fundamentos cristianos de la política y de la economía: un nuevo fantasma la recorre y se manifiesta en una teoría judía revolucionaria. De lo cual resulta que en momentos de crisis Hitler sólo representó, en términos estrictamente religiosos, culturales y políticos, el temor de toda la cultura occidental ante los comunistas y los judíos como los máximos enemigos de ambos, ahora renovados: del capitalismo y del cristianismo. El racismo de los nazis –esa “teozoología política”– no es más que el espiritualismo cristiano secularizado que el Estado nazi consagró laicamente en las pulsiones de los cuerpos arios.


Una vez aniquilados los millones de judíos –como luego fueron arrasando y aniquilando con la misma consigna a millones de soviéticos “judeo-comunistas”– el impacto aterrorizante de la “solución final” hizo que los judíos casi nunca, salvo muy pocos, se atrevieran a señalar a los verdaderos culpables del genocidio (como pasó entre nosotros con los genocidas). Con la derrota de los nazis como únicos culpables –según cuenta la historia de los vencedores– desapareció en Europa la historia de los pogromos y las persecuciones cristianas medievales y modernas que nos aterraron durante siglos: la de los franceses tanto como la de los italianos, los españoles, los polacos y los rusos mismos. Sólo los nazis alemanes fueron antijudíos.


Los judíos cristianizados por el terror del cristiano-capitalismo en Europa luego de la Shoá buscaron su “hogar” fuera de Europa: se instalaron en Palestina, como si el reloj de la historia, ahora teológica, se hubiera detenido hacía dos mil años. No se dieron cuenta de que la mayoría de los judíos que volvían a Israel no eran como nuestros antepasados que se habían ido: los descendientes de los defensores de Massada o de los macabeos. Buber, Gershon Scholem y tantos otros sí lo recordaban. Nadie quería que nos volviera a pasar otra vez lo mismo, es cierto; pero en vez de enfrentar y denunciar a los verdaderos culpables del genocidio –que ahora nos apoyaban para que nos fuéramos para siempre de Europa y termináramos nosotros mismos la etapa final democrática de la “solución final” judía que ellos comenzaron– los israelíes terminaron sometiendo a los palestinos como los romanos, los europeos y los nazis lo hicieron antes con nosotros. Pero primero tuvieron que vencer la resistencia de nuestros pioneros socialistas.


Los israelíes, apoyados ahora por el Imperio cristiano–capitalista que los había perseguido, crearon también en Israel un Estado teológico, pero la “parte” secularizada dentro de ese Estado judío siguió siendo la del Estado cristiano. Volvieron como judíos para culminar en Israel la cristianización comenzada en Europa: mitad judíos eternos en lo religioso, mitad cristianos secularizados en lo político y en lo económico. Por eso ahora en Israel el Estado mantiene la economía neoliberal capitalista y cristiana sostenida por los religiosos judíos sedentarios, detenidos en el tiempo arcaico de su rumiar imaginario. Y por el otro lado los iraelíes son neoliberales en la política y en la economía y en la ciencia “neutral”, cuyas premisas iluministas son cristianas. Mitad judíos en el sentimiento, mitad cristianos en el pensamiento.


Y por eso quieren que todos, también aquí y ahora, seamos como ellos: judeo-cristianos como el rabino Bermann, avalado por el cardenal Bergoglio, o judíos–laicos como Aguinis, neoliberal letrado avalado por el obispo Laguna. O como los directivos de la AMIA, que tienen la potestad de determinar si soy o no judío. Si soy judío “progresista” y no me secularicé como cristiano, entonces no soy judío, no podré aspirar a ser enterrado en un cementerio comunitario porque me faltaría la parte cristiana de mi ser judío. Pero judíos–judíos, esos que prolongan en lo que hacen o piensan los valores culturales judíos, quedan al parecer muy pocos, aunque sean muchos los que leen hebreo o reciten kaddish en la tumba de sus padres. Todos están aureolados con la coronita del cristiano-capitalismo que al fin los ha vencido por el terror cristiano luego de dos mil años de resistencia empecinada: convertidos ahora al “judeo-cristianismo”.


Por eso la creación del Hogar Judío en Palestina tiene un doble sentido: la “solución final” europea tuvo éxito, logró su objetivo, el cristianismo europeo se desembarazó de los judíos y muchos de los que se salvaron se fueron de Europa casi agradecidos, sin querer recordar por qué se iban y quiénes los habían exterminado. La Europa cristiana y democrática se había sacado el milenario peso judío de encima. Pero mis padres, que llegaron a las colonias judías de Entre Ríos, sí lo sabían.


Todos los judíos estamos pagando esta inmerecida transacción, ese “olvido” del Estado de Israel, al que seguramente se habrían negado los defensores del Ghetto de Varsovia, que murieron, ellos sí, sabiendo quiénes eran los responsables políticos, económicos y religiosos –estaban a la vista–- como los millones de judíos europeos que murieron en los campos de exterminio. Los judíos que vinieron luego, esos que estamos viendo, no quisieron ni pensar a fondo en los culpables: se unieron a los poderosos y saludaron alborozados que el socialismo stalinista antisemita se derrumbara arrastrando al olvido al mismo tiempo, como si fuera lo mismo, la memoria de los pioneros judíos revolucionarios asesinados por Stalin. Por eso sus sueños mesiánicos dependen ahora únicamente de los cristianos y del capitalismo para poder realizarse. Sólo tenían que hacer una cosa: permutar al enemigo verdadero por un enemigo falso.


Estamos pagando muy cara esta conversión judía. Los israelíes, ya vencidos en lo más entrañable que tenían de judíos históricos, se han transformado en la punta de lanza del capitalismo cristiano que los armó hasta los dientes para enfrentar el mayor y nuevo peligro que tiene el cristianismo: los mil millones de musulmanes que pueblan el mundo. Pero ni los musulmanes ni los palestinos fueron los culpables de la Shoá: los culpables del genocidio son ahora sus amigos, que los mandan al frente.


Y aquí cierra la ecuación política amigo-enemigo de Karl Schmitt. Antes, hasta la Segunda Guerra Mundial, el fundamento teológico de la política era “amigo/cristiano–enemigo/judío”. Ahora que los judíos vencidos se cristianizaron como Estado teológico neoliberal la ecuación es otra: “amigo/judeocristiano–enemigo/musulmán”. ¿Este es el lamentable destino que Jehová nos reservaba a los judíos? Porque de lo que hacen ustedes en Israel depende también el destino de todos nosotros.
http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/subnotas/117692-37474-2009-01-04.html

(1) León Rozitchner es argentino, judío, licenciado en letras y doctorado en filosofía.