Celso Lungaretti
Aleluia! Depois de longo e tenebroso inverno, encontro, finalmente, um editorial da Folha de S. Paulo que posso tranquilamente recomendar aos meus leitores: Israel persiste no erro (...) >>
ONU apura torturas israelenses
Celso Lungaretti
Especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas estão investigando as denúncias de torturas praticadas por Israel contra palestinos na chamada instalação 1931.
As informações que lhes chegaram ao conhecimento são de que:
Ou seja, nem sequer negou tratar-se de um centro de torturas, pois percebeu que a mentira seria dura de engolir: para que um país mantém prisioneiros em instalações clandestinas, se não para fazer o que não pode ser feito às claras?
Então, Israel saiu pela tangente. A resposta que deu pode ser traduzida para "torturava antes, mas agora não torturo mais". Acredite quem quiser.
De resto, desta vez o estado judeu não pode ser acusado de estar copiando os métodos que a Alemanha nazista utilizava contra os próprios judeus: naquele tempo não se ocultavam os campos de concentração.
O know-how de torturar opositores do regime em centros clandestinos é latino-americano. No Brasil, o mais conhecido foi a Casa da Morte de Petrópolis (RJ), palco do suplício e execução dos meus estimados companheiros José Raimundo da Costa e Heleny Ferreira Telles Guariba, dentre outros.
Especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas estão investigando as denúncias de torturas praticadas por Israel contra palestinos na chamada instalação 1931.
As informações que lhes chegaram ao conhecimento são de que:
- trata-se de um centro de detenção secreto, situado em “local indeterminado de Israel e inacessível para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha”;
- nele ocorrem torturas e maus tratos, além das condições de detenção serem deficientes.
Ou seja, nem sequer negou tratar-se de um centro de torturas, pois percebeu que a mentira seria dura de engolir: para que um país mantém prisioneiros em instalações clandestinas, se não para fazer o que não pode ser feito às claras?
Então, Israel saiu pela tangente. A resposta que deu pode ser traduzida para "torturava antes, mas agora não torturo mais". Acredite quem quiser.
De resto, desta vez o estado judeu não pode ser acusado de estar copiando os métodos que a Alemanha nazista utilizava contra os próprios judeus: naquele tempo não se ocultavam os campos de concentração.
O know-how de torturar opositores do regime em centros clandestinos é latino-americano. No Brasil, o mais conhecido foi a Casa da Morte de Petrópolis (RJ), palco do suplício e execução dos meus estimados companheiros José Raimundo da Costa e Heleny Ferreira Telles Guariba, dentre outros.
Tenistas de Israel terão de jogar sem público
Celso Lungaretti
A Suécia vai disputar seus jogos contra Israel pela Copa Davis de tênis com os portões fechados. O motivo é o temor de manifestações de protesto contra as matanças em Gaza.
A cidade de Malmö, sede do confronto, avaliou que, com a presença de torcedores, não teria condições para garantir a segurança dos esportistas israelenses.
Cogitou-se a transferência dos jogos para Estocolmo, mas as autoridades municipais responderam que lhes faltava tempo para montarem um policiamento eficiente.
A solução acaba sendo de um simbolismo terrível: de tão execrado pela consciência civilizada, Israel só pode atualmente exibir-se em estádios vazios.
Seria apropriado executarem o toque de silêncio antes de cada partida. Mais do que qualquer hino, expressa o que Israel se tornou.
Esperamos que os judeus do mundo inteiro façam uma profunda reflexão e decidam se é esse mesmo o rumo que seu estado deve seguir: a pátria dos kibtuzin reduzida a um bunker, cercado de inimigos por todos os lados e promovendo intimidações sangrentas contra eles a cada instante. Que caricatura grotesca do belo sonho judaico!
Parafraseando o Evangelho, o que aproveitaria a Israel conquistar todo o Oriente Médio e perder a sua alma?
A Suécia vai disputar seus jogos contra Israel pela Copa Davis de tênis com os portões fechados. O motivo é o temor de manifestações de protesto contra as matanças em Gaza.
A cidade de Malmö, sede do confronto, avaliou que, com a presença de torcedores, não teria condições para garantir a segurança dos esportistas israelenses.
Cogitou-se a transferência dos jogos para Estocolmo, mas as autoridades municipais responderam que lhes faltava tempo para montarem um policiamento eficiente.
A solução acaba sendo de um simbolismo terrível: de tão execrado pela consciência civilizada, Israel só pode atualmente exibir-se em estádios vazios.
Seria apropriado executarem o toque de silêncio antes de cada partida. Mais do que qualquer hino, expressa o que Israel se tornou.
Esperamos que os judeus do mundo inteiro façam uma profunda reflexão e decidam se é esse mesmo o rumo que seu estado deve seguir: a pátria dos kibtuzin reduzida a um bunker, cercado de inimigos por todos os lados e promovendo intimidações sangrentas contra eles a cada instante. Que caricatura grotesca do belo sonho judaico!
Parafraseando o Evangelho, o que aproveitaria a Israel conquistar todo o Oriente Médio e perder a sua alma?
Tribunal internacional declara Israel culpado por crimes de genocídio
Segundo o tribunal, Israel violou todas as Convenções Humanitárias de Genebra, todas as declarações internacionais de Direitos Humanos e apresentou como método de guerra o ataque à população civil. Leia matéria da Agência Adital.
Israel, Guerra Fria Árabe e o Massacre de Gaza
Ramez Philippe Maalouf
Mestrando em Geografia Humana – USP / Especialista em História das Relações Internacionais - Uerj
O Estado de Israel se proclama um "Estado judeu" em sua carta de fundação, porém, a realidade demográfica desmente tal pretensão, cerca de 20% da população israelense é árabe (palestinos, libaneses, árabes beduínos e drusos), há ainda armênios (cristãos) e circassianos. Há árabes no exército israelense, os drusos, que são seguidores da religião drusa, uma heterodoxia do Islã oriunda do xiismo. Os drusos apoiaram os judeus na chamada Guerra de Independência, entre 1947 e 1949, contra os palestinos e demais árabes. Portanto, a população árabe de Israel não é homogênea. A fundação de Israel foi possível através da expulsão de mais de 700 mil palestinos pelas forças judias em conluio com as monarquias árabes conservadoras (Jordânia e Egito) e governos árabes militares corruptos (Síria sob a ditadura do coronel Hosni Zaim), porém cerca de 100 mil palestinos permaneceram no chamado "Estado judeu". Estes remanescentes deram origem à maioria dos atuais 1,4 milhão de árabes-israelenses.
Em 1967, como resultado da Guerra dos Seis Dias, Israel invadiu e ocupou a península do Sinai, tomada do Egito, as Colinas do Golã, tomadas da Síria, e os territórios palestinos da Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Com isto, uma grande população árabe passou a ficar sob o domínio de um Estado que se definia como judeu. Para reverter tal situação (um Estado judeu com 40% de sua população de origem árabe) os israelenses fomentaram um processo de colonização judia, com o apoio de extremistas religiosos judeus, nos territórios árabes ocupados, de modo a criar um “fato consumado” e forçá-los a sair da região ocupada. Foi para quebrar de uma vez por todas a resistência pacífica dos palestinos nos Territórios Ocupados e expulsar os palestinos para a Jordânia, que o então ministro da defesa, general Ariel Sharon, e o então premier, do partido Likud, de extrema-direita, Menachem Begin, resolveram, no verão de 1982, invadir o Líbano, com apoio de milícias libanesas, e expulsar a OLP para a Tunísia, causando a morte de mais de 20 mil árabes.
Derrotados no Líbano e duramente reprimidos nos Territórios Ocupados, os palestinos se sublevaram com paus e pedras contra a opressão israelense, em dezembro de 1987, iniciando a Intifada (levante em árabe) na Faixa de Gaza, o território palestino mais pobre e mais densamente povoado, logo se alastrando para a Cisjordânia. O então ministro da defesa do governo de coalizão likudista-trabalhista, general Yitzhak Rabin, ordenou uma dura repressão à população palestina, provocando comoção internacional. Para quebrar a resistência, os serviços secretos israelenses passaram a instilar a guerra civil intra-palestina, financiando grupos extremistas islâmicos, tradicionais inimigos da ideologia secular da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), principal liderança militar e civil do movimento nacional palestino. Dentre estas organizações extremistas apoiadas por Israel, destacou-se um braço da Irmandade (ou Fraternidade) Muçulmana egípcia, o Hamas, fundada em 1988.
A Primeira Intifada acabou perdendo força com a Guerra do Golfo, em 1991, e praticamente cessou de existir com os Acordos de Oslo, em 1993. Por outro lado, estes Acordos, assinados por Arafat, então chefe da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) e Rabin (então premier de Israel), em 1993, legitimaram bantustanização dos palestinos nos Territórios Ocupados e Invadidos por Israel, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. A “bantustanização” significa o cerco das cidades e aldeias palestinas pelas colônias judias, desta forma, os palestinos passaram a viver em enclaves (territórios descontínuos), com acesso restrito ao mundo exterior. Assim, Israel mantém mais de 3,9 milhões de palestinos sob cerco permanente e enclausurados nos enclaves na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, impossibilitando a fundação de um Estado Palestino plenamente soberano. Entretanto, ao inviabilizar a fundação de um Estado palestino soberano, Israel, que se define como um Estado judeu, terá obrigatoriamente a conviver com uma população árabe em territórios sob seu domínio de fato, que somada, se iguala a população judia.
Aliados à “demopolítica” israelense, os Estados árabes estão em guerra civil aberta, sacrificando a população civil em conflitos "terceirizados", ou seja, o combate a um Estado árabe rival ocorre através da intervenção externa de um Estado não-árabe. Este foi o caso das duas invasões americanas que destruíram o Iraque, em 1991 e em 2003 e as três grandes invasões israelenses do Líbano, em 1978, 1982 e em 2006. Inicialmente, a rivalidade entre os Estados árabes surgiu, em grande medida, como decorrência da Guerra Fria, na disputa entre os EUA e a antiga União Soviética (URSS) pela supremacia mundial. A disputa inter-árabe era entre as monarquias conservadoras (Jordânia, Marrocos, Arábia Saudita e xecados do Golfo), firmemente apoiadas pelos EUA e Europa, e as repúblicas militaristas de inspiração kemalista (nacionalismo reformista), como era o caso do Egito (pós-1952), Iraque (pós-1958), Síria (pós-1949) e Líbia (pós-1969), que buscaram apoio da URSS. A Guerra de 1967, com a humilhante derrota das repúblicas nacionalistas, diluiu esta divisão. Com o fim da URSS, a Guerra Fria, que jamais terminou, ganha novos contornos com a possível aliança asiática entre China, Índia e Rússia, entendida pelos EUA como uma ameaça real e imediata aos seus interesses. Tal enfrentamento mundial reflete-se no Oriente Médio via a aliança entre Irã e China, que é percebido pelos EUA como desestabilizadora ao equilíbrio mundial.
O Irã, país não-árabe e remanescente do Império Persa, por sua vez, tem um projeto nacional-desenvolvimentista, com pretensões de hegemonia sobre o mundo árabe, pois, pretende expandir sua revolução xiita pela região. A destruição do Iraque, entretanto, principal inimigo do regime nacionalista-xiita do Irã, favoreceu o regime dos aiatolás. É preciso lembrar que o regime islâmico de Teerã apoiou da destruição do país mesopotâmico pelos EUA, que resultou num massacre contra as populações iraquianas sunitas, xiitas, cristãs e palestinas. Por outro lado, o desenvolvimento de um programa nuclear pelo Irã gerou hostilidade não apenas do Ocidente, mas de Israel e de seus aliados árabes (Egito, Jordânia e Arábia Saudita), aumentando ainda mais a polarização regional. Formou-se, com isto, no mundo árabe, duas coalizões de caráter heterodoxo e paradoxal, o chamado "eixo xiita", aliado à Rússia e China, formado pelo Líbano (após a posse de Michel Sleiman, pró-Hizbollah, grupo xiita), Síria (sob uma ditadura alauíta, ramo do xiismo), Irã (país não árabe) e o Hamas (grupo sunita palestino); e o chamado "eixo sunita", cujo núcleo duro é formado pela Arábia Saudita, Marrocos, Jordânia, Egito e Israel (país dominado pelos judeus).
Esta nova Guerra Fria no mundo árabe é uma das principais razões do ataque de Israel à Faixa de Gaza, na virada de 2008 para 2009, que visa diminuir a pressão demográfica dos árabes em territórios sob ocupação israelense. Os bombardeios israelenses, sem qualquer resistência militar palestina efetiva, resultaram no massacre de mais de 1330 palestinos, em sua maioria civis (mulheres e crianças). Esta política foi denominada pelo historiador israelense Ilan Pappé como genocídio. O "eixo sunita" deu sinal verde para Israel massacrar os palestinos na Faixa de Gaza, o que vem ocorrendo sistematicamente desde 2005, de forma a enfraquecer/eliminar o Hamas e seus aliados regionais (Síria e Irã). Se a "coalizão sunita" entender que o novo presidente dos EUA, Barak Obama, será um linha-dura com o Irã, tal como W. Bush, a ponto de apoiar a neutralização do programa nuclear iraniano, é grande a possibilidade de um agravamento dos conflitos na região a tal ponto que possam eclodir em escala internacional, com conseqüências sombrias.
A postura de Obama é pautada pela ambigüidade, pois ao mesmo tempo sinaliza com uma conciliação com o "eixo xiita" (Síria e Irã), nomeia para seu secretariado nomes alinhados com o expansionismo militar israelense. Por outro lado, a grave crise econômica enfrentada pelos EUA pode inibir ambições imperiais, constrangimento que W. Bush não sofreu, e com isto pacificar, ainda que temporariamente, a região.
A duração desta crise regional depende exclusivamente do apoio que os Estados árabes do "eixo sunita" e os EUA oferecem a Israel, na guerra à “coalizão xiita”, e também da opinião pública israelense, que apesar de ser dividida, se revela cada vez mais belicista. Tudo indica que a coalizão árabe sunita, a qual Israel é aliado, não pretende mudar o "status quo", ao contrário, não só quer mantê-lo, como também aprofundá-lo. Percebe-se, com isto, que ao contrário do que acredita a maioria das pessoas, este conflito não é apenas uma guerra de árabes contra judeus, mas, sim, uma guerra civil árabe, onde árabes e judeus se unem para assassinar árabes.
Referências Bibliográficas
AL-HASHEMI, Emir Faysal Ibn al-Hussein; WEIZMANN, Chaim. Acordo Faysal-Weizmann. 03/01/1919. Disponível em:. Acesso em: 28/10/2007.
CORM, Georges. Le Proche-Orient éclaté (1956-2006). 4 éme. edition mise à jour. Paris: Gallimard, 2006.
FREITAS JR., Osmar. Obama adota linha dura com Cabul. Jornal do Brasil. 1º de fevereiro de 2009, p. a-26.
GATTAZ, André. A guerra da Palestina: da criação de Israel à nova Intifada. 2ª ed. São Paulo: Usina do Livro, 2003.
HERSH, Seymour. The redirection: is the administration's new policy benefitting our enemies in the war on terrorism? Disponível em: . Acesso em: 22/07/2007.
KAPELIOUK, Amnon. Arafat, assassinado? Le Monde Diplomatique. Dezembro de 2005. Disponível em:. Acesso em: 13/03/2006.
LUNAT, Ziyaad. On collaboration and resistance of the oppressed. The Electronic Intifada, 3 January 2009. Disponível em: . Acesso em: 3 de janeiro de 2009.
National Lawyers Guild. US lawyers report on Israeli crimes in Gaza. Disponível em: .Acesso em: 14/02/2009.
NIGRI, Inácio Meneché. Nações e etnias do Oriente Próximo nas estratégias de Israel: pensamento e práxis. Disponível em:. Acesso em: 20/04/2003. p. 14-15.
_____ . Palaestina, Palestina: dos otomanos à partilha e à formação do Estado de Israel (do séc. XIX a 1947-48). Niterói – RJ. Tese de Doutorado em História Social – UFF, 2005.
PAPPÉ, Ilan. Genocídio en Gaza. Disponível em:. Acesso em: 13/01/2007.
PETERS, Ralph. How a better Middle East would look. Disponível em:. Acesso em: 03/07/2006.
RAVID, Barak. Disinformation, secrecy and lies: how the Gaza offensive came about. Disponível em: . Acesso em: 28/12/2008.
SHLAIM, Avi. A muralha de ferro: Israel e o mundo árabe. Rio de Janeiro: Fissus, 2004.
_______ . Israel and arab coalition in 1948. Disponível em:. Acesso em: 20/11/2008.
SIMON, Daniel Ben. The king is disappointed with Israel. Haaretz, 12 de outubro de 2006. Disponível em: . Acesso em: 13/11/2006.
The Declaration of the establishment of the State of Israel. Disponível em: . Acesso em: 22/10/2007.
Mestrando em Geografia Humana – USP / Especialista em História das Relações Internacionais - Uerj
O Estado de Israel se proclama um "Estado judeu" em sua carta de fundação, porém, a realidade demográfica desmente tal pretensão, cerca de 20% da população israelense é árabe (palestinos, libaneses, árabes beduínos e drusos), há ainda armênios (cristãos) e circassianos. Há árabes no exército israelense, os drusos, que são seguidores da religião drusa, uma heterodoxia do Islã oriunda do xiismo. Os drusos apoiaram os judeus na chamada Guerra de Independência, entre 1947 e 1949, contra os palestinos e demais árabes. Portanto, a população árabe de Israel não é homogênea. A fundação de Israel foi possível através da expulsão de mais de 700 mil palestinos pelas forças judias em conluio com as monarquias árabes conservadoras (Jordânia e Egito) e governos árabes militares corruptos (Síria sob a ditadura do coronel Hosni Zaim), porém cerca de 100 mil palestinos permaneceram no chamado "Estado judeu". Estes remanescentes deram origem à maioria dos atuais 1,4 milhão de árabes-israelenses.
Em 1967, como resultado da Guerra dos Seis Dias, Israel invadiu e ocupou a península do Sinai, tomada do Egito, as Colinas do Golã, tomadas da Síria, e os territórios palestinos da Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Com isto, uma grande população árabe passou a ficar sob o domínio de um Estado que se definia como judeu. Para reverter tal situação (um Estado judeu com 40% de sua população de origem árabe) os israelenses fomentaram um processo de colonização judia, com o apoio de extremistas religiosos judeus, nos territórios árabes ocupados, de modo a criar um “fato consumado” e forçá-los a sair da região ocupada. Foi para quebrar de uma vez por todas a resistência pacífica dos palestinos nos Territórios Ocupados e expulsar os palestinos para a Jordânia, que o então ministro da defesa, general Ariel Sharon, e o então premier, do partido Likud, de extrema-direita, Menachem Begin, resolveram, no verão de 1982, invadir o Líbano, com apoio de milícias libanesas, e expulsar a OLP para a Tunísia, causando a morte de mais de 20 mil árabes.
Derrotados no Líbano e duramente reprimidos nos Territórios Ocupados, os palestinos se sublevaram com paus e pedras contra a opressão israelense, em dezembro de 1987, iniciando a Intifada (levante em árabe) na Faixa de Gaza, o território palestino mais pobre e mais densamente povoado, logo se alastrando para a Cisjordânia. O então ministro da defesa do governo de coalizão likudista-trabalhista, general Yitzhak Rabin, ordenou uma dura repressão à população palestina, provocando comoção internacional. Para quebrar a resistência, os serviços secretos israelenses passaram a instilar a guerra civil intra-palestina, financiando grupos extremistas islâmicos, tradicionais inimigos da ideologia secular da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), principal liderança militar e civil do movimento nacional palestino. Dentre estas organizações extremistas apoiadas por Israel, destacou-se um braço da Irmandade (ou Fraternidade) Muçulmana egípcia, o Hamas, fundada em 1988.
A Primeira Intifada acabou perdendo força com a Guerra do Golfo, em 1991, e praticamente cessou de existir com os Acordos de Oslo, em 1993. Por outro lado, estes Acordos, assinados por Arafat, então chefe da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) e Rabin (então premier de Israel), em 1993, legitimaram bantustanização dos palestinos nos Territórios Ocupados e Invadidos por Israel, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. A “bantustanização” significa o cerco das cidades e aldeias palestinas pelas colônias judias, desta forma, os palestinos passaram a viver em enclaves (territórios descontínuos), com acesso restrito ao mundo exterior. Assim, Israel mantém mais de 3,9 milhões de palestinos sob cerco permanente e enclausurados nos enclaves na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, impossibilitando a fundação de um Estado Palestino plenamente soberano. Entretanto, ao inviabilizar a fundação de um Estado palestino soberano, Israel, que se define como um Estado judeu, terá obrigatoriamente a conviver com uma população árabe em territórios sob seu domínio de fato, que somada, se iguala a população judia.
Aliados à “demopolítica” israelense, os Estados árabes estão em guerra civil aberta, sacrificando a população civil em conflitos "terceirizados", ou seja, o combate a um Estado árabe rival ocorre através da intervenção externa de um Estado não-árabe. Este foi o caso das duas invasões americanas que destruíram o Iraque, em 1991 e em 2003 e as três grandes invasões israelenses do Líbano, em 1978, 1982 e em 2006. Inicialmente, a rivalidade entre os Estados árabes surgiu, em grande medida, como decorrência da Guerra Fria, na disputa entre os EUA e a antiga União Soviética (URSS) pela supremacia mundial. A disputa inter-árabe era entre as monarquias conservadoras (Jordânia, Marrocos, Arábia Saudita e xecados do Golfo), firmemente apoiadas pelos EUA e Europa, e as repúblicas militaristas de inspiração kemalista (nacionalismo reformista), como era o caso do Egito (pós-1952), Iraque (pós-1958), Síria (pós-1949) e Líbia (pós-1969), que buscaram apoio da URSS. A Guerra de 1967, com a humilhante derrota das repúblicas nacionalistas, diluiu esta divisão. Com o fim da URSS, a Guerra Fria, que jamais terminou, ganha novos contornos com a possível aliança asiática entre China, Índia e Rússia, entendida pelos EUA como uma ameaça real e imediata aos seus interesses. Tal enfrentamento mundial reflete-se no Oriente Médio via a aliança entre Irã e China, que é percebido pelos EUA como desestabilizadora ao equilíbrio mundial.
O Irã, país não-árabe e remanescente do Império Persa, por sua vez, tem um projeto nacional-desenvolvimentista, com pretensões de hegemonia sobre o mundo árabe, pois, pretende expandir sua revolução xiita pela região. A destruição do Iraque, entretanto, principal inimigo do regime nacionalista-xiita do Irã, favoreceu o regime dos aiatolás. É preciso lembrar que o regime islâmico de Teerã apoiou da destruição do país mesopotâmico pelos EUA, que resultou num massacre contra as populações iraquianas sunitas, xiitas, cristãs e palestinas. Por outro lado, o desenvolvimento de um programa nuclear pelo Irã gerou hostilidade não apenas do Ocidente, mas de Israel e de seus aliados árabes (Egito, Jordânia e Arábia Saudita), aumentando ainda mais a polarização regional. Formou-se, com isto, no mundo árabe, duas coalizões de caráter heterodoxo e paradoxal, o chamado "eixo xiita", aliado à Rússia e China, formado pelo Líbano (após a posse de Michel Sleiman, pró-Hizbollah, grupo xiita), Síria (sob uma ditadura alauíta, ramo do xiismo), Irã (país não árabe) e o Hamas (grupo sunita palestino); e o chamado "eixo sunita", cujo núcleo duro é formado pela Arábia Saudita, Marrocos, Jordânia, Egito e Israel (país dominado pelos judeus).
Esta nova Guerra Fria no mundo árabe é uma das principais razões do ataque de Israel à Faixa de Gaza, na virada de 2008 para 2009, que visa diminuir a pressão demográfica dos árabes em territórios sob ocupação israelense. Os bombardeios israelenses, sem qualquer resistência militar palestina efetiva, resultaram no massacre de mais de 1330 palestinos, em sua maioria civis (mulheres e crianças). Esta política foi denominada pelo historiador israelense Ilan Pappé como genocídio. O "eixo sunita" deu sinal verde para Israel massacrar os palestinos na Faixa de Gaza, o que vem ocorrendo sistematicamente desde 2005, de forma a enfraquecer/eliminar o Hamas e seus aliados regionais (Síria e Irã). Se a "coalizão sunita" entender que o novo presidente dos EUA, Barak Obama, será um linha-dura com o Irã, tal como W. Bush, a ponto de apoiar a neutralização do programa nuclear iraniano, é grande a possibilidade de um agravamento dos conflitos na região a tal ponto que possam eclodir em escala internacional, com conseqüências sombrias.
A postura de Obama é pautada pela ambigüidade, pois ao mesmo tempo sinaliza com uma conciliação com o "eixo xiita" (Síria e Irã), nomeia para seu secretariado nomes alinhados com o expansionismo militar israelense. Por outro lado, a grave crise econômica enfrentada pelos EUA pode inibir ambições imperiais, constrangimento que W. Bush não sofreu, e com isto pacificar, ainda que temporariamente, a região.
A duração desta crise regional depende exclusivamente do apoio que os Estados árabes do "eixo sunita" e os EUA oferecem a Israel, na guerra à “coalizão xiita”, e também da opinião pública israelense, que apesar de ser dividida, se revela cada vez mais belicista. Tudo indica que a coalizão árabe sunita, a qual Israel é aliado, não pretende mudar o "status quo", ao contrário, não só quer mantê-lo, como também aprofundá-lo. Percebe-se, com isto, que ao contrário do que acredita a maioria das pessoas, este conflito não é apenas uma guerra de árabes contra judeus, mas, sim, uma guerra civil árabe, onde árabes e judeus se unem para assassinar árabes.
Referências Bibliográficas
AL-HASHEMI, Emir Faysal Ibn al-Hussein; WEIZMANN, Chaim. Acordo Faysal-Weizmann. 03/01/1919. Disponível em:
CORM, Georges. Le Proche-Orient éclaté (1956-2006). 4 éme. edition mise à jour. Paris: Gallimard, 2006.
FREITAS JR., Osmar. Obama adota linha dura com Cabul. Jornal do Brasil. 1º de fevereiro de 2009, p. a-26.
GATTAZ, André. A guerra da Palestina: da criação de Israel à nova Intifada. 2ª ed. São Paulo: Usina do Livro, 2003.
HERSH, Seymour. The redirection: is the administration's new policy benefitting our enemies in the war on terrorism? Disponível em:
KAPELIOUK, Amnon. Arafat, assassinado? Le Monde Diplomatique. Dezembro de 2005. Disponível em:
LUNAT, Ziyaad. On collaboration and resistance of the oppressed. The Electronic Intifada, 3 January 2009. Disponível em:
National Lawyers Guild. US lawyers report on Israeli crimes in Gaza. Disponível em:
NIGRI, Inácio Meneché. Nações e etnias do Oriente Próximo nas estratégias de Israel: pensamento e práxis. Disponível em:
_____ . Palaestina, Palestina: dos otomanos à partilha e à formação do Estado de Israel (do séc. XIX a 1947-48). Niterói – RJ. Tese de Doutorado em História Social – UFF, 2005.
PAPPÉ, Ilan. Genocídio en Gaza. Disponível em:
PETERS, Ralph. How a better Middle East would look. Disponível em:
RAVID, Barak. Disinformation, secrecy and lies: how the Gaza offensive came about. Disponível em:
SHLAIM, Avi. A muralha de ferro: Israel e o mundo árabe. Rio de Janeiro: Fissus, 2004.
_______ . Israel and arab coalition in 1948. Disponível em:
SIMON, Daniel Ben. The king is disappointed with Israel. Haaretz, 12 de outubro de 2006. Disponível em:
The Declaration of the establishment of the State of Israel. Disponível em:
Como morrer de medo aos 14 anos
Por L. L. Caron (*)(Tradução de Bruno Ribeiro)
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O estrondo da artilharia israelense se aproximando cada vez mais do bairro pobre de Al Remal, acuado sobre as bombas pelo sétimo dia consecutivo, foi demasiado para Christine. Tinha 14 anos, era estudante colegial e filha de um médico. “Morreu de medo. Desde que começou a guerra sentiu o perigo, sofreu desordens neuróticas e histeria, como tantas outras crianças... Quando os F-16 voltaram a disparar seus mísseis naquela quarta-feira, caiu ao chão aterrorizada pelas explosões. Seu pai tentou ajudá-la, mas não pôde. A tomou em seus braços para tentar reanimá-la no hospital, mas morreu antes de chegar”.
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Quem conta é o sacerdote à frente da Igreja do Patriarcado Latino de Gaza, Manawei Mussallam, intimamente vinculado à pequena comunidade cristã ortodoxa a qual pertence a família de Christine – a quem não se pôde enterrar até cinco dias depois, por causa da loucura odiosa da guerra. Era 7 de janeiro.
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Outra geração perdida
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O diagnóstico médico de Christine fala de um ataque do coração. Seu pânico insuperável fala da terrível perda de outra geração de crianças de Gaza, prisioneiras do medo de morrer assassinadas enquanto dormem, ou a caminho do colégio, confundidos em imensas desordens psicológicas depois de ver a seus pais impotentes e incapazes de proporcionar-lhes comida, abrigo e segurança.
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Não há nada o que se possa fazer pelos mais de 300 menores que morreram desde o dia 27 de dezembro e pelos mais de 1500 feridos. A tragédia são os pequenos que, todavia, ainda estão vivos. Seu sofrimento é espantoso: “36% dos meninos entre 8 e 12 anos de idade, e 17% das meninas, desejam morrer nos ataques do Exército de Israel”.
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São dados do Programa de Saúde Mental da Comunidade de Gaza, dirigida com vigor incansável pelo doutor Eyad al-Sarraj há mais de 17 anos, durante os quais pôde documentar como as graves seqüelas mentais acabam jogando as crianças nos braços dos grupos armados ao atingirem a idade adulta. “Um menino exposto a tanta violência se converte em violento”, ratifica o diretor do Hospital Psiquiátrico de Gaza, Aish Samur.
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As seqüelas do terror
As seqüelas do terror
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Os meninos de Gaza desenham tanques, postos militares, roem as unhas, têm pesadelos, dores de causa desconhecida, prantos e episódios de introspecção. Cerca de 47% sofrem traumas psicológicos sem que suas famílias se dêem conta. Cerca de 30% deles se recusam a dormir sozinhos e apresentam severa incontinência urinária. A operação Inverno Quente, lançada por Israel em maio, aumentou em 1/3 o número de pacientes infantis nos serviços de psiquiatria, onde tratam de limpar suas mentes das cenas de morte, funerais, casas demolidas, bulldozer arrancando árvores...
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A foto de Christine, contraída e amortalhada, nos jornais árabes de Israel, tem mexido com as consciências, ainda que isto não seja suficiente. No diário Al Quds, Sam Bahour escreveu: “Nunca te conheci e, contudo, te quero como a minha filha de sua idade. Vivestes 14 anos em medo permanente... Perdão por que nem eu, nem o mundo, atuamos com suficiente esforço para te dar uma vida normal, uma vida digna".
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(*) desde el Paso de Erez - Corresponsal de ABC
Gaza: Esclarecimentos do Núcleo Meretz Brasil
“Acreditamos que somente a negociação trará a paz entre israelenses e palestinos. A guerra e os atos de violência só terão como desdobramento a transformação das populações civis em reféns e a ampliação do ódio (...)” ["We believe that only the negotiation will bring peace between Israelis and Palestinians. The war and the acts of violence will only result in the transformation of civilian populations in hostages and in the expansion of hatred"]. O Meretz é um dos partidos da esquerda israelense. Este é o manifesto do Meretz Brasil, a respeito do que ocorre em Gaza. Em português e inglês. Por Esther Kuperman, Doutora em Ciências Políticas. Leia mais.
Em consonância com as decisões do Conselho Executivo do Meretz, o Núcleo Meretz Brasil esclarece que:
1 – Acreditamos que somente a negociação trará a paz entre israelenses e palestinos. A guerra e os atos de violência só terão como desdobramento a transformação das populações civis em reféns e a ampliação do ódio. Por isso, consideramos urgente um armistício imediato, seguido de um processo de negociação que possa atender, ao máximo, os interesses dos dois lados.
2 – Reivindicamos a soltura de Gilad Shalit, soldado israelense em poder das forças do Hamas, bem como a abertura das entradas e saídas da faixa de Gaza, para que seus habitantes possam receber a ajuda humanitária que necessitam.
3 – Condenamos as agressões aos cidadãos israelenses por parte do Hamas e de outras organizações cuja plataforma envolva o uso da violência, bem como a invasão terrestre da faixa de Gaza pelas Forças de Defesa de Israel. Tais atitudes só contribuem para aprofundar o sofrimento e as perdas dos dois lados.
4 – Reiteramos a necessidade de retomar as negociações, com vistas a um acordo entre israelenses e palestinos, garantindo a existência de dois Estados soberanos e autônomos na região.
5 – Reafirmamos nossa solidariedade com as populações atingidas pelo conflito, tanto os israelenses que vivem ao sul de Israel e tem sido alvo constante de ataques dos foguetes lançados pelo Hamas, quanto os palestinos residentes na faixa de Gaza, que têm sido utilizados como escudo pelos ativistas do Hamas e, ao mesmo tempo, vítimas das ações perpetradas pelas Forças de Defesa de Israel.
6 – Consideramos que a participação política da população árabe de Israel é seu direito inalienável e constitui parte integrante de sua cidadania. A restrição às suas prerrogativas de expressão e de representação partidária contraria os princípios democráticos que caracterizam as relações entre o Estado e a sociedade israelenses.
7 – Condenamos, também, aqueles que, por ignorância ou preconceito, usam o conflito entre israelenses e palestinos para expressar velhos ódios irracionais, propondo a eliminação dos judeus como forma de solução para os problemas do Oriente Médio. Recusamos qualquer incitação à intolerância e reafirmamos que a solução para as desavenças entre estes dois povos não passa pela erradicação de nenhum deles, mas pelo reconhecimento mútuo do direito de existir.
Núcleo Meretz Brasil
Mauro Lipman – Maskir
Esther Kuperman – Secretária Geral
***
In accordance with the decisions of the Executive Board of Meretz the Brazilian Core clarifies that
1 – We believe that only the negotiation will bring peace between Israelis and Palestinians. The war and the acts of violence will only result in the transformation of civilian populations in hostages and in the expansion of hatred. For that very reason, we consider urgent an armistice, immediately followed by a negotiation process that can serve the interests of both sides.
2– We demand the release of Gilad Shalit, Israeli soldier in power of forces of Hamas, as well as the opening of entrances and exits of Gaza Strip, so that its inhabitants can receive the humanitarian aid they need.
3 – We condemn the attacks on Israeli citizens by Hamas and other organizations whose platform involves the use of violence, as well as the invasion ground Gaza Strip by the Israel Defense Forces. Such attitudes only contribute to deepen the suffering and losses on both sides.
4– We reiterate the need to resume negotiations, to an agreement between Israelis and Palestinians, ensuring the existence of two sovereign and autonomous states in the region.
5 – We affirm our solidarity with the populations affected by the conflict, both the israeli along south under constant attacks of rockets launched by Hamas, as the Palestinians living in the Gaza Strip, which has been used as shields by Hamas activists and, at the same time, victims of actions perpetrated by Israel Defense Forces.
6 - We believe that political participation of the arab population of Israel is their inalienable right and is an integral part of their citizenship. The restriction to their prerogatives of expression and partisan representation is contrary to democratic principles that leads the relations between the israeli state and the israeli society.
7– We condemn also those who, through ignorance or prejudice, use the conflict between israelis and palestinians to express old irrational hatred, proposing the elimination of jews as solution to the problems of the Middle East. We reject any incitement to intolerance and reaffirm that the solution to the quarrel between the two peoples is for the eradication of none of them, but by mutual recognition of the right to exist.
Core Meretz Brasil
Mauro Lipman – Maskir
Esther Kuperman - Secretary General
1 – Acreditamos que somente a negociação trará a paz entre israelenses e palestinos. A guerra e os atos de violência só terão como desdobramento a transformação das populações civis em reféns e a ampliação do ódio. Por isso, consideramos urgente um armistício imediato, seguido de um processo de negociação que possa atender, ao máximo, os interesses dos dois lados.
2 – Reivindicamos a soltura de Gilad Shalit, soldado israelense em poder das forças do Hamas, bem como a abertura das entradas e saídas da faixa de Gaza, para que seus habitantes possam receber a ajuda humanitária que necessitam.
3 – Condenamos as agressões aos cidadãos israelenses por parte do Hamas e de outras organizações cuja plataforma envolva o uso da violência, bem como a invasão terrestre da faixa de Gaza pelas Forças de Defesa de Israel. Tais atitudes só contribuem para aprofundar o sofrimento e as perdas dos dois lados.
4 – Reiteramos a necessidade de retomar as negociações, com vistas a um acordo entre israelenses e palestinos, garantindo a existência de dois Estados soberanos e autônomos na região.
5 – Reafirmamos nossa solidariedade com as populações atingidas pelo conflito, tanto os israelenses que vivem ao sul de Israel e tem sido alvo constante de ataques dos foguetes lançados pelo Hamas, quanto os palestinos residentes na faixa de Gaza, que têm sido utilizados como escudo pelos ativistas do Hamas e, ao mesmo tempo, vítimas das ações perpetradas pelas Forças de Defesa de Israel.
6 – Consideramos que a participação política da população árabe de Israel é seu direito inalienável e constitui parte integrante de sua cidadania. A restrição às suas prerrogativas de expressão e de representação partidária contraria os princípios democráticos que caracterizam as relações entre o Estado e a sociedade israelenses.
7 – Condenamos, também, aqueles que, por ignorância ou preconceito, usam o conflito entre israelenses e palestinos para expressar velhos ódios irracionais, propondo a eliminação dos judeus como forma de solução para os problemas do Oriente Médio. Recusamos qualquer incitação à intolerância e reafirmamos que a solução para as desavenças entre estes dois povos não passa pela erradicação de nenhum deles, mas pelo reconhecimento mútuo do direito de existir.
Núcleo Meretz Brasil
Mauro Lipman – Maskir
Esther Kuperman – Secretária Geral
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In accordance with the decisions of the Executive Board of Meretz the Brazilian Core clarifies that
1 – We believe that only the negotiation will bring peace between Israelis and Palestinians. The war and the acts of violence will only result in the transformation of civilian populations in hostages and in the expansion of hatred. For that very reason, we consider urgent an armistice, immediately followed by a negotiation process that can serve the interests of both sides.
2– We demand the release of Gilad Shalit, Israeli soldier in power of forces of Hamas, as well as the opening of entrances and exits of Gaza Strip, so that its inhabitants can receive the humanitarian aid they need.
3 – We condemn the attacks on Israeli citizens by Hamas and other organizations whose platform involves the use of violence, as well as the invasion ground Gaza Strip by the Israel Defense Forces. Such attitudes only contribute to deepen the suffering and losses on both sides.
4– We reiterate the need to resume negotiations, to an agreement between Israelis and Palestinians, ensuring the existence of two sovereign and autonomous states in the region.
5 – We affirm our solidarity with the populations affected by the conflict, both the israeli along south under constant attacks of rockets launched by Hamas, as the Palestinians living in the Gaza Strip, which has been used as shields by Hamas activists and, at the same time, victims of actions perpetrated by Israel Defense Forces.
6 - We believe that political participation of the arab population of Israel is their inalienable right and is an integral part of their citizenship. The restriction to their prerogatives of expression and partisan representation is contrary to democratic principles that leads the relations between the israeli state and the israeli society.
7– We condemn also those who, through ignorance or prejudice, use the conflict between israelis and palestinians to express old irrational hatred, proposing the elimination of jews as solution to the problems of the Middle East. We reject any incitement to intolerance and reaffirm that the solution to the quarrel between the two peoples is for the eradication of none of them, but by mutual recognition of the right to exist.
Core Meretz Brasil
Mauro Lipman – Maskir
Esther Kuperman - Secretary General
Thank you Jon Stewart!
On The Daily Show's January 5 "Strip Maul" segment, Jon Stewart did what few American television personalities have dared to do: he criticized Israel's campaign against Gaza, making it clear that bombing will not bring peace for Israelis or Palestinians. He mocked the one-sided response of U.S. politicians by calling the Israeli-Palestinian conflict the "Mobius strip of issues because there's only one side!" He's sure to get thousands of complaints, so send Jon a letter of appreciation and then ask all your friends to watch this segment. Watch the video here.
Faroeste no Gueto de Gaza
Celso Lungaretti
Pasmem: tanto a Câmara dos Representantes quanto o Senado dos EUA aprovaram, por esmagadoras maiorias, resoluções de apoio ao genocídio que Israel está perpetrando no Gueto de Gaza!
Como se fossem autistas, alheios a tudo que câmaras mostram, correspondentes relatam e a ONU deplora (com tanta veemência quanto impotência), os parlamentares estadunidenses atribuem ao Hamas a responsabilidade única por essa versão em miniatura e com sinal trocado do Holocausto.
"Israel, como qualquer outra nação, tem direito à autodefesa quando está sob ataque", disse a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, omitindo a extrema desigualdade de forças e a adoção da matança generalizada de civis (velhos, mulheres e crianças incluídos) como prática intimidatória por parte do estado judeu.
Então, que fique o resto do mundo ciente: por melhores que sejam as intenções do presidente eleito Barack Obama, pouco ou nada poderá fazer para corrigir as distorções mais aberrantes da política dos EUA. O Congresso não deixará.
De resto, louve-se a coerência dos deputadores e senadores estadunidenses, que mantêm ínalterada sua postura através dos séculos. Avalizaram outrora o extermínio dos indígenas em seu país com a mesmíssima argumentação ora utilizada para avalizar o extermínio dos palestinos.
PITONISA - Embora pareça mais o jornalzinho da Gaviões da Fiel enfocando um Corinthians x Palmeiras, o trecho abaixo é da reportagem "O direito à autodefesa", publicada na edição de 14/01/2009 da revista Veja:
"O que é fora de dúvida é que Israel não pode (e não vai) perder a guerra contra as forças da intolerância religiosa no Oriente Médio, representada agora pelos terroristas do Hamas. Israel é uma sentinela avançada da democracia e da civilização judaico-cristã cercada por nações e grupos políticos armados que formal e claramente lutam pela destruição do estado judeu e pela morte de todos os seus habitantes não-árabes. Também é fora de dúvida que não haverá paz enquanto os vizinhos hostis não aceitarem que a existência de Israel é legítima, que o país tem o direito de se defender e que o terrorismo destrói o que pretende construir."
A confusão é total entre espaços noticiosos e editoriais, bem como entre jornalismo e militância e, enfim, entre análise séria e mera expressão de desejos.
Eu, que não vi em nenhuma bola de cristal se Israel vai ou não perder qualquer guerra, prefiro relatar/comentar os fatos à medida que vão ocorrendo, como aprendi na escola de jornalismo .
BUMERANGUE - O PT comparou a carnificina em Gaza com suas similares históricas, cometidas pelos nazistas. Pelo menos desta vez, está certíssimo.
Que se preparem, entretanto, os petistas para o bumerangue: eles é que serão alvos de uma comparação extremamente vexatória, caso venham a entregar o perseguido político Cesare Battisti para a retaliação (não Justiça) italiana.
O episódio será encarado pela esquerda digna desse nome como repetição do ato indigno de Getúlio Vargas, ao despachar Olga Benário para os cárceres nazistas e a morte.
E a reputação que certos petistas laboriosamente tentam construir, de coerência com os ideais históricos que o partido esqueceu, virará pó no mesmo instante.
Pasmem: tanto a Câmara dos Representantes quanto o Senado dos EUA aprovaram, por esmagadoras maiorias, resoluções de apoio ao genocídio que Israel está perpetrando no Gueto de Gaza!
Como se fossem autistas, alheios a tudo que câmaras mostram, correspondentes relatam e a ONU deplora (com tanta veemência quanto impotência), os parlamentares estadunidenses atribuem ao Hamas a responsabilidade única por essa versão em miniatura e com sinal trocado do Holocausto.
"Israel, como qualquer outra nação, tem direito à autodefesa quando está sob ataque", disse a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, omitindo a extrema desigualdade de forças e a adoção da matança generalizada de civis (velhos, mulheres e crianças incluídos) como prática intimidatória por parte do estado judeu.
Então, que fique o resto do mundo ciente: por melhores que sejam as intenções do presidente eleito Barack Obama, pouco ou nada poderá fazer para corrigir as distorções mais aberrantes da política dos EUA. O Congresso não deixará.
De resto, louve-se a coerência dos deputadores e senadores estadunidenses, que mantêm ínalterada sua postura através dos séculos. Avalizaram outrora o extermínio dos indígenas em seu país com a mesmíssima argumentação ora utilizada para avalizar o extermínio dos palestinos.
PITONISA - Embora pareça mais o jornalzinho da Gaviões da Fiel enfocando um Corinthians x Palmeiras, o trecho abaixo é da reportagem "O direito à autodefesa", publicada na edição de 14/01/2009 da revista Veja:
"O que é fora de dúvida é que Israel não pode (e não vai) perder a guerra contra as forças da intolerância religiosa no Oriente Médio, representada agora pelos terroristas do Hamas. Israel é uma sentinela avançada da democracia e da civilização judaico-cristã cercada por nações e grupos políticos armados que formal e claramente lutam pela destruição do estado judeu e pela morte de todos os seus habitantes não-árabes. Também é fora de dúvida que não haverá paz enquanto os vizinhos hostis não aceitarem que a existência de Israel é legítima, que o país tem o direito de se defender e que o terrorismo destrói o que pretende construir."
A confusão é total entre espaços noticiosos e editoriais, bem como entre jornalismo e militância e, enfim, entre análise séria e mera expressão de desejos.
Eu, que não vi em nenhuma bola de cristal se Israel vai ou não perder qualquer guerra, prefiro relatar/comentar os fatos à medida que vão ocorrendo, como aprendi na escola de jornalismo .
BUMERANGUE - O PT comparou a carnificina em Gaza com suas similares históricas, cometidas pelos nazistas. Pelo menos desta vez, está certíssimo.
Que se preparem, entretanto, os petistas para o bumerangue: eles é que serão alvos de uma comparação extremamente vexatória, caso venham a entregar o perseguido político Cesare Battisti para a retaliação (não Justiça) italiana.
O episódio será encarado pela esquerda digna desse nome como repetição do ato indigno de Getúlio Vargas, ao despachar Olga Benário para os cárceres nazistas e a morte.
E a reputação que certos petistas laboriosamente tentam construir, de coerência com os ideais históricos que o partido esqueceu, virará pó no mesmo instante.
Dignidade infinita
Todos se lembram da imagem do rapaz chinês enfrentando os tanques na Praça Tiananmen, em 1989. A imagem correu o globo, em parte porque interessava ao mundo ocidental mostrar as (mui reais, diga-se) violações dos direitos humanos na China. Os incontáveis heróis populares palestinos - e, muito especialmente, suas heroínas - não têm a mesma sorte, dado o interesse das potências ocidentais em esconder sua cumplicidade com a política de limpeza étnica de Israel.
Vejam a determinação com que essa mulher enfrenta, de peito aberto, à frente de uma população desarmada, as baionetas do exército sionista. Vejam a determinação nos seus olhos. Vejam como os soldados israelenses da ocupação evitam o contato visual, envergonhados, desumanizados pela tarefa de verdugos:
O vídeo e o texto acima estão no blog O Biscoito Fino e a Massa.
Vejam a determinação com que essa mulher enfrenta, de peito aberto, à frente de uma população desarmada, as baionetas do exército sionista. Vejam a determinação nos seus olhos. Vejam como os soldados israelenses da ocupação evitam o contato visual, envergonhados, desumanizados pela tarefa de verdugos:
O vídeo e o texto acima estão no blog O Biscoito Fino e a Massa.
Dignidade infinita
Todos se lembram da imagem do rapaz chinês enfrentando os tanques na Praça Tiananmen, em 1989. A imagem correu o globo, em parte porque interessava ao mundo ocidental mostrar as (mui reais, diga-se) violações dos direitos humanos na China. Os incontáveis heróis populares palestinos - e, muito especialmente, suas heroínas - não têm a mesma sorte, dado o interesse das potências ocidentais em esconder sua cumplicidade com a política de limpeza étnica de Israel. Veja um vídeo sobre o tema clicando aqui.
Vejam a determinação com que essa mulher enfrenta, de peito aberto, à frente de uma população desarmada, as baionetas do exército sionista. Vejam a determinação nos seus olhos. Vejam como os soldados israelenses da ocupação evitam o contato visual, envergonhados, desumanizados pela tarefa de verdugos:
O vídeo e o texto acima estão no blog O Biscoito Fino e a Massa.
O vídeo e o texto acima estão no blog O Biscoito Fino e a Massa.
Jogador deve ser multado por manifestar apoio à Palestina
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O ato de Kanouté, que nasceu na França, mas defende a seleção de Mali e é adepto do islamismo, foi punido com um cartão amarelo pelo árbitro da partida e tem sido interpretado como uma resposta aos recentes ataques de Israel à Faixa de Gaza, que já matou mais de 700 pessoas. O embaixador de Israel, Raphael Schultz, disse à Rádio Marca nesta quinta-feira que o gesto de Kanouté foi "além de sua profissão e das regras da Fifa a esse respeito". Mas Schultz não viu o ato como algo ofensivo a Israel. "Eu vi a partida e a camiseta não mostrava nada além do nome da Palestina. Não foi um incidente contra Israel. Eu não penso que isto tenha incitado a violência."
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Já o embaixador oficial da Palestina, Mahmoud Aluanen, afirmou à mesma rádio que Kanouté demonstrou ser uma pessoa muito corajosa por ter apoiado o povo palestino em um evento público. Para Aluanen, o ato será comemorado entre os palestinos. "Os atletas são seres humanos e não podem conter seus sentimentos. Eles têm todo o direito do mundo de expressar suas opiniões sobre problemas que infringem os direitos humanos. Eu tenho certeza de que todas as crianças palestinas, que amam o futebol, ficarão felizes com este gesto."
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O incidente aconteceu um dia antes da visita do presidente palestino, Mahmoud Abbas, a Madri para uma conversa com o primeiro-ministro espanhol Jose Luis Rodriguez Zapatero e o rei Juan Carlos.
.Fonte: Agência Estado
O confronto na visão de um estudante palestino
Durante o horror que nos espreita diariamente na Faixa de Gaza, o que vem a seguir são trechos de algumas entrevistas transmitidas pela televisão. Um colono israelense respondeu o seguinte ao ser perguntado sobre a morte de um garoto palestino de 12 anos em Gaza: "Nossos filhos são filhos de Deus, os deles são os filhos de Satã" (...) Leia mais.
Durante o horror que nos espreita diariamente na Faixa de Gaza, o que vem a seguir são trechos de algumas entrevistas transmitidas pela televisão. Um colono israelense respondeu o seguinte ao ser perguntado sobre a morte de um garoto palestino de 12 anos em Gaza: "Nossos filhos são filhos de Deus, os deles são os filhos de Satã". Outra colona judia disse, pensando sobre a morte do garoto: "Eles (os palestinos) não são humanos. Eles são animais. De certa forma, não são nem mesmo animais. Animais cuidam de sua prole, palestinos mandam seus filhos para matar ou serem mortos".
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Evidentemente, ela não sabe que o pai do garoto tentou afastá-lo o mais longe possível da violência e da guerra. E foram os israelenses que apontavam suas armas para pai e filho, nenhum dos dois carregava pedras ou armas. Talvez essa colona não tenha ouvido que o motorista da ambulância, que foi socorrer o ferido, também foi morto. Esses médicos não tinham pedras para jogar, mas todos tinham mães, como os soldados de Israel e cada homem, mulher ou criança morta nesta catástrofe sem fim.
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"Palestinos são fatalistas. Eles são pobres e têm muitos filhos. Eles não têm uma democracia ou educação sobre paz. Eles desejam enviar seus filhos para a guerra apenas para conseguir a atenção internacional e pressionar o governo de Israel. É triste o fato deles serem mortos, mas isso é o que acontece quando se tenta parar a violência contra israelenses", disse um judeu moderado na televisão.
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Você pode imaginar como o povo judeu em Nova York reagiria se alguém dissesse tais coisas em público ou até mesmo particularmente? Até mesmo os não-judeus nos EUA, que simpatizam com a fé judia, mas não concordam com os princípios do Sionismo, são taxados como anti-semitas. Um americano não-judeu deveria falar abertamente contra o comportamento dos judeus de Israel, a contradição do Judaísmo é rápida e áspera. Empregos podem ser perdidos, posições em uma comunidade podem ser degradadas, carreiras políticas demolidas, tudo isso por uma palavra, ou uma história que implique algo negativo sobre um israelense ou sobre o Estado de Israel. Então, a maioria dos americanos escolhe não ver como Israel trata os palestinos.
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A maioria dos americanos sabe pouco sobre a fé muçulmana. É mais fácil rejeitar os árabes do que procurar pela verdade e enfrentar a reação judaica. Muitos americanos nem mesmo sabem que existem árabes cristãos ou que o Jihad significa o esforço entre si mesmos e que ambos judeus e árabes são pessoas semitas. Deveria ser deixado claro que como palestinos, nós não enviamos nossos filhos para a morte. Como cada pai em todo o mundo, palestinos querem o melhor para suas crianças.
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Eu fui uma criança durante a Intifada (1987-1994). Me lembro o quão romântico era pra mim, a idéia de sair correndo e atirando pedras. Quando eu via meus amigos juntos, tinha vontade de me unir à eles. Crianças em todo lugar pensam que são imortais. As crianças palestinas pensavam assim também naquele tempo. Ninguém acreditava que alguma coisa pudesse acontecer conosco. Mas nossos pais sabem. Meus pais fizeram de tudo para me manter dentro de casa. Eles me mantinham ocupado com estudos, então não podia ir lá fora e jogar pedras.
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Às vezes a situação escapa do controle dos pais. Os israelenses proibiam uma vida decente para a maioria das crianças assentadas em Gaza após 1978. Várias cresceram na pobreza sem esperança de uma vida melhor. A maioria dos pais de crianças "acampadas" engolia o orgulho e ia trabalhar por um salário de fome, pago por israelenses. As pessoas precisam saber agora que o povo mais perigoso que existe neste mundo é aquele que não tem motivo para viver. Muitos jovens palestinos se adequam a esta categoria.
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Para este jovens, enfrentar soldados israelenses garante um sentimento de liberdade e poder. Se não podemos ser iguais na vida, alguém me disse, seremos na morte. "Seja nós ou eles, a morte deixa para trás uma concha e então nossa fé nos traz uma nova vida". Pessoas da região mediterrânea, particularmente árabes, são famosas pelo seu senso de paixão e emoção. Nós somos românticos com muito sentimentalismo poético para provar. Nós preferimos agir ao ter que esperar, mas não somos idiotas ou violentos. Temos uma forte apreciação pela democracia e paz.
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Maturidade traz consigo hesitação e sentimentos estranhos. Esperamos desde 1948 pelos israelenses e para que o mundo veja o que eles têm de bom a oferecer. Infelizmente, nações parecem cegas para o que aconteceu e facilmente fogem da realidade de nossa situação. Nossos filhos estão com raiva. Intelectualmente e emocionalmente eles sabem muito do que é a opressão. Eles cresceram em campos de refugiados, suas casas foram destruídas e eles assistem seus pais e irmãos mais velhos serem presos e voltando da cadeia espancados, sem poder falar e andar.
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Recentemente, me aproximei de pessoas feridas no hospital e tentei ouvir suas histórias. Eu perguntei uma mulher de meia idade que levou um tiro no estômago:
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"Como aconteceu? Você estava na rua?"
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"Eu estava protegendo meu filho", ela respondeu
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"Então você deu a luz ao seu filho duas vezes", eu disse, "porque ele vai viver"
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Eu sou palestino e acreditamos em tudo. Acreditamos em nosso direito de viver em nossa terra. Queremos viver e deixar viver, mas não ficaremos de braços cruzados e nem na linha de fogo para sermos mortos. Já esperamos muito. E agora, eu sei que israelenses matam nossas crianças deliberadamente apenas para nos ferir e trazer nossa nação aos seus pés.
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Eu não quero chorar sobre o corpo de mais um jovem palestino. Mas, se eu tiver que fazer isso, farei. Sei que estas crianças se unirão ao solo da Palestina, produzindo hidrocarbonos e nutrindo nosso solo vermelho. Nossos limoeiros crescerão, nossas oliveiras se curvarão como as mães sobre a nossa morte e o nosso vinculo com a nossa terra natal viverá para sempre.
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(Samah Jaber é um escritor freelancer e estudante de medicina em Jerusalém. Texto extraído do Palestine Times. Tradução de Eduardo Gregori, do Cosmo On Line)
Israel ataca comboio da ONU de ajuda humanitária
Míssil que atingiu um comboio de ajuda humanitária da Agência de Assistência aos Refugiados Palestinos matou dois motoristas. Bombardeio, que ocorreu durante cessar-fogo estabelecido por Israel, levou à interrupção do auxílio da ONU a Gaza. Por Gustavo Barreto, da redação. Leia mais clicando aqui.
A Agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA) suspendeu suas operações na Faixa de Gaza depois que um de seus comboios foi atacado nesta quinta-feira (8) pelo Exército de Israel, causando a morte de um dos condutores e ferindo um terceiro. A ação foi condenada enfaticamente pelo secretário-geral da ONU.
Em um comunicado, Ban Ki-moon assinalou que o incidente ocorreu durante as três horas em que Israel havia prometido suspender os ataques, para a entrada de ajuda ao território palestino. “Desde o início do conflito, há 13 dias, quatro empregados da UNRWA foram mortos”, destacou Ban Ki-moon.
Ele acrescentou que a ONU se mantém em contato com as autoridades israelenses para que se investiguem a fundo este e outros acontecimentos, como modo de obrigar Israel a tomar medidas que evitem novos ataques.
O secretário-geral reiterou sua convocatório por um imediato cessar-fogo, para facilitar o acesso irrestrito de bens humanitários e permitir que os trabalhadores assistam a população necessitada, em condições de segurança.
Ban Ki-moon explicou que a UNRWA não pode garantir a integridade de seu pessoal e considerou inaceitável interromper suas tarefas de assistência em um momento em que a crise humanitária aumenta.
A caravana atacada transportava mantimentos humanitários a partir do acesso norte da Faixa de Gaza e portava bandeiras da ONU. Além disso, os condutores vestiam jalecos que os identificavam como funcionários das Nações Unidas. A UNRWA distribui alimentos a cerca de 750.000 pessoas em território palestino.
Genocídio é comparado a uma “nova nakba”
Segundo a agência de notícias AFP, o número de vítimas da ofensiva israelense na Faixa de Gaza subiu nesta quinta-feira (8), para 763 mortos, após novos ataques mortíferos e a recuperação de muitos corpos pelos socorristas durante uma pausa nos bombardeios.
A ofensiva israelense na Faixa de Gaza entrou no seu 13º dia e já deixou mais de 3.200 feridos, segundo o chefe dos serviços de emergência, Muawiya Hassanein. Oito militares israelenses foram mortos desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro.
Para o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, a ofensiva israelense constitui uma nova 'nakba', a "catástrofe" que foi para os palestinos a criação, em 1948, de Israel em 75% da Palestina histórica. Segundo a AFP, as agências humanitárias denunciaram uma crise "total" no território pobre e densamente povoado, onde falta água, comida, combustível e energia.
Em um comunicado, Ban Ki-moon assinalou que o incidente ocorreu durante as três horas em que Israel havia prometido suspender os ataques, para a entrada de ajuda ao território palestino. “Desde o início do conflito, há 13 dias, quatro empregados da UNRWA foram mortos”, destacou Ban Ki-moon.
Ele acrescentou que a ONU se mantém em contato com as autoridades israelenses para que se investiguem a fundo este e outros acontecimentos, como modo de obrigar Israel a tomar medidas que evitem novos ataques.
O secretário-geral reiterou sua convocatório por um imediato cessar-fogo, para facilitar o acesso irrestrito de bens humanitários e permitir que os trabalhadores assistam a população necessitada, em condições de segurança.
Ban Ki-moon explicou que a UNRWA não pode garantir a integridade de seu pessoal e considerou inaceitável interromper suas tarefas de assistência em um momento em que a crise humanitária aumenta.
A caravana atacada transportava mantimentos humanitários a partir do acesso norte da Faixa de Gaza e portava bandeiras da ONU. Além disso, os condutores vestiam jalecos que os identificavam como funcionários das Nações Unidas. A UNRWA distribui alimentos a cerca de 750.000 pessoas em território palestino.
Genocídio é comparado a uma “nova nakba”
Segundo a agência de notícias AFP, o número de vítimas da ofensiva israelense na Faixa de Gaza subiu nesta quinta-feira (8), para 763 mortos, após novos ataques mortíferos e a recuperação de muitos corpos pelos socorristas durante uma pausa nos bombardeios.
A ofensiva israelense na Faixa de Gaza entrou no seu 13º dia e já deixou mais de 3.200 feridos, segundo o chefe dos serviços de emergência, Muawiya Hassanein. Oito militares israelenses foram mortos desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro.
Para o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, a ofensiva israelense constitui uma nova 'nakba', a "catástrofe" que foi para os palestinos a criação, em 1948, de Israel em 75% da Palestina histórica. Segundo a AFP, as agências humanitárias denunciaram uma crise "total" no território pobre e densamente povoado, onde falta água, comida, combustível e energia.
O confronto na visão de um estudante palestino
Durante o horror que nos espreita diariamente na Faixa de Gaza, o que vem a seguir são trechos de algumas entrevistas transmitidas pela televisão. Um colono israelense respondeu o seguinte ao ser perguntado sobre a morte de um garoto palestino de 12 anos em Gaza: "Nossos filhos são filhos de Deus, os deles são os filhos de Satã". Outra colona judia disse, pensando sobre a morte do garoto: "Eles (os palestinos) não são humanos. Eles são animais. De certa forma, não são nem mesmo animais. Animais cuidam de sua prole, palestinos mandam seus filhos para matar ou serem mortos".
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Evidentemente, ela não sabe que o pai do garoto tentou afastá-lo o mais longe possível da violência e da guerra. E foram os israelenses que apontavam suas armas para pai e filho, nenhum dos dois carregava pedras ou armas. Talvez essa colona não tenha ouvido que o motorista da ambulância, que foi socorrer o ferido, também foi morto. Esses médicos não tinham pedras para jogar, mas todos tinham mães, como os soldados de Israel e cada homem, mulher ou criança morta nesta catástrofe sem fim.
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"Palestinos são fatalistas. Eles são pobres e têm muitos filhos. Eles não têm uma democracia ou educação sobre paz. Eles desejam enviar seus filhos para a guerra apenas para conseguir a atenção internacional e pressionar o governo de Israel. É triste o fato deles serem mortos, mas isso é o que acontece quando se tenta parar a violência contra israelenses", disse um judeu moderado na televisão.
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Você pode imaginar como o povo judeu em Nova York reagiria se alguém dissesse tais coisas em público ou até mesmo particularmente? Até mesmo os não-judeus nos EUA, que simpatizam com a fé judia, mas não concordam com os princípios do Sionismo, são taxados como anti-semitas. Um americano não-judeu deveria falar abertamente contra o comportamento dos judeus de Israel, a contradição do Judaísmo é rápida e áspera. Empregos podem ser perdidos, posições em uma comunidade podem ser degradadas, carreiras políticas demolidas, tudo isso por uma palavra, ou uma história que implique algo negativo sobre um israelense ou sobre o Estado de Israel. Então, a maioria dos americanos escolhe não ver como Israel trata os palestinos.
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A maioria dos americanos sabe pouco sobre a fé muçulmana. É mais fácil rejeitar os árabes do que procurar pela verdade e enfrentar a reação judaica. Muitos americanos nem mesmo sabem que existem árabes cristãos ou que o Jihad significa o esforço entre si mesmos e que ambos judeus e árabes são pessoas semitas. Deveria ser deixado claro que como palestinos, nós não enviamos nossos filhos para a morte. Como cada pai em todo o mundo, palestinos querem o melhor para suas crianças.
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Eu fui uma criança durante a Intifada (1987-1994). Me lembro o quão romântico era pra mim, a idéia de sair correndo e atirando pedras. Quando eu via meus amigos juntos, tinha vontade de me unir à eles. Crianças em todo lugar pensam que são imortais. As crianças palestinas pensavam assim também naquele tempo. Ninguém acreditava que alguma coisa pudesse acontecer conosco. Mas nossos pais sabem. Meus pais fizeram de tudo para me manter dentro de casa. Eles me mantinham ocupado com estudos, então não podia ir lá fora e jogar pedras.
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Às vezes a situação escapa do controle dos pais. Os israelenses proibiam uma vida decente para a maioria das crianças assentadas em Gaza após 1978. Várias cresceram na pobreza sem esperança de uma vida melhor. A maioria dos pais de crianças "acampadas" engolia o orgulho e ia trabalhar por um salário de fome, pago por israelenses. As pessoas precisam saber agora que o povo mais perigoso que existe neste mundo é aquele que não tem motivo para viver. Muitos jovens palestinos se adequam a esta categoria.
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Para este jovens, enfrentar soldados israelenses garante um sentimento de liberdade e poder. Se não podemos ser iguais na vida, alguém me disse, seremos na morte. "Seja nós ou eles, a morte deixa para trás uma concha e então nossa fé nos traz uma nova vida". Pessoas da região mediterrânea, particularmente árabes, são famosas pelo seu senso de paixão e emoção. Nós somos românticos com muito sentimentalismo poético para provar. Nós preferimos agir ao ter que esperar, mas não somos idiotas ou violentos. Temos uma forte apreciação pela democracia e paz.
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Maturidade traz consigo hesitação e sentimentos estranhos. Esperamos desde 1948 pelos israelenses e para que o mundo veja o que eles têm de bom a oferecer. Infelizmente, nações parecem cegas para o que aconteceu e facilmente fogem da realidade de nossa situação. Nossos filhos estão com raiva. Intelectualmente e emocionalmente eles sabem muito do que é a opressão. Eles cresceram em campos de refugiados, suas casas foram destruídas e eles assistem seus pais e irmãos mais velhos serem presos e voltando da cadeia espancados, sem poder falar e andar.
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Recentemente, me aproximei de pessoas feridas no hospital e tentei ouvir suas histórias. Eu perguntei uma mulher de meia idade que levou um tiro no estômago:
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"Como aconteceu? Você estava na rua?"
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"Eu estava protegendo meu filho", ela respondeu
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"Então você deu a luz ao seu filho duas vezes", eu disse, "porque ele vai viver"
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Eu sou palestino e acreditamos em tudo. Acreditamos em nosso direito de viver em nossa terra. Queremos viver e deixar viver, mas não ficaremos de braços cruzados e nem na linha de fogo para sermos mortos. Já esperamos muito. E agora, eu sei que israelenses matam nossas crianças deliberadamente apenas para nos ferir e trazer nossa nação aos seus pés.
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Eu não quero chorar sobre o corpo de mais um jovem palestino. Mas, se eu tiver que fazer isso, farei. Sei que estas crianças se unirão ao solo da Palestina, produzindo hidrocarbonos e nutrindo nosso solo vermelho. Nossos limoeiros crescerão, nossas oliveiras se curvarão como as mães sobre a nossa morte e o nosso vinculo com a nossa terra natal viverá para sempre.
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(Samah Jaber é um escritor freelancer e estudante de medicina em Jerusalém. Texto extraído do Palestine Times. Tradução de Eduardo Gregori, do Cosmo On Line)
Ban condena ataque israelí a convoy humanitario
El Organismo de las Naciones Unidas para los Refugiados Palestinos (OOPS) suspendió sus operaciones en la Franja de Gaza luego de que uno de sus convoyes fuera atacado por las fuerzas israelíes, causando la muerte de dos conductores e hiriendo a un tercero, una acción condenada enérgicamente por el Secretario General de la ONU. Leia mais.En un comunicado, Ban Ki-moon, señaló que el incidente se produjo durante las tres horas de suspensión del fuego anunciada por Israel para la entrada y distribución de ayuda al territorio palestino.
“Desde el inicio del conflicto, hace trece días, cuatro empleados locales del OOPS han sido muertos”, recordó Ban.
Agregó que la ONU se mantiene en contacto con las autoridades israelíes para que se investiguen a fondo éste y otros acontecimientos, y para urgirlas a tomar medidas que eviten que vuelvan a ocurrir.
El Secretario General reiteró su llamamiento a un alto el fuego inmediato para facilitar el acceso irrestricto de bienes humanitarios y permitir que los trabajadores asistan a la población necesitada en condiciones de seguridad.
Explicó que el OOPS no puede garantizar la integridad de su personal y consideró inaceptable que haya debido interrumpir sus tareas de asistencia en un momento en que la crisis se agudiza.
La caravana atacada transportaba suministros humanitarios desde el acceso norte y portaba banderas de la ONU, además de que los conductores vestían chalecos que los identificaban como personal de Naciones Unidas.
“Desde el inicio del conflicto, hace trece días, cuatro empleados locales del OOPS han sido muertos”, recordó Ban.
Agregó que la ONU se mantiene en contacto con las autoridades israelíes para que se investiguen a fondo éste y otros acontecimientos, y para urgirlas a tomar medidas que eviten que vuelvan a ocurrir.
El Secretario General reiteró su llamamiento a un alto el fuego inmediato para facilitar el acceso irrestricto de bienes humanitarios y permitir que los trabajadores asistan a la población necesitada en condiciones de seguridad.
Explicó que el OOPS no puede garantizar la integridad de su personal y consideró inaceptable que haya debido interrumpir sus tareas de asistencia en un momento en que la crisis se agudiza.
La caravana atacada transportaba suministros humanitarios desde el acceso norte y portaba banderas de la ONU, además de que los conductores vestían chalecos que los identificaban como personal de Naciones Unidas.
O confronto na visão de um estudante palestino
Durante o horror que nos espreita diariamente na Faixa de Gaza, o que vem a seguir são trechos de algumas entrevistas transmitidas pela televisão. Um colono israelense respondeu o seguinte ao ser perguntado sobre a morte de um garoto palestino de 12 anos em Gaza: "Nossos filhos são filhos de Deus, os deles são os filhos de Satã". Leia a matéria na íntegra clicando no título.
Robert Fisk: "Por que nos odeiam tanto?!"
Falaríamos de "atrocidade" se o que Israel fez aos palestinos tivesse sido feito pelo Hamás. Israel fez muito pior. Temos de falar de "crime de guerra", de matança, de assassinato em massa (...) Na foto (AP), criança bombardeada por Israel em escola da ONU é levada para hospital próximo. A análise é de Robert Fisk no jornal The Independent. Leia mais.Assim, mais uma vez, Israel abriu as portas do inferno sobre os palestinos. 40 refugiados civis mortos numa escola da ONU, mais três noutra. Nada mau, para uma noite de trabalho do exército que acredita na "pureza das armas". Não pode ser surpresa para ninguém.
Esquecemos os 17.500 mortos – quase todos civis, a maioria mulheres e crianças – de quando Israel invadiu o Líbano, em 1982? E os 1.700 civis palestinos mortos no massacre de Sabra-Chatila? E o massacre, em 1996, em Qana, de 106 refugiados libaneses civis, mais da metade dos quais crianças, numa base da ONU? E o massacre dos refugiados de Marwahin, que receberam ordens de Israel para sair de suas casas, em 2006, e foram assassinados na rua pela tripulação de um helicóptero israelense? E os 1.000 mortos no mesmo bombardeio de 2006, na mesma invasão do Líbano, praticamente todos civis?
O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham-se preocupado com poupar civis. "Israel toma todo o cuidado possível para evitar atingir civis", disse mais um embaixador de Israel, apenas horas antes do massacre de Gaza.
Todos os presidentes e primeiros-ministros que repetiram a mesma mentira, como pretexto para não impor o cessar-fogo, têm as mãos sujas do sangue da carnificina de ontem. Se George Bush tivesse tido coragem para exigir imediato cessar-fogo 48 horas antes, todos aqueles 40 civis, velhos, mulheres e crianças, estariam vivos.
O que aconteceu não foi apenas vergonhoso. O que aconteceu foi uma desgraça. "Atrocidade" é pouco, para descrever o que aconteceu. Falaríamos de "atrocidade" se o que Israel fez aos palestinos tivesse sido feito pelo Hamás. Israel fez muito pior. Temos de falar de "crime de guerra", de matança, de assassinato em massa.
Depois de cobrir tantos assassinatos em massa, pelos exércitos do Oriente Médio – por sírios, iraqueanos, iranianos e israelenses – seria de supor que eu já estivesse calejado, que reagisse com cinismo. Mas Israel diz que está lutando em nosso nome, contra "o terror internacional". Israel diz que está lutando em Gaza por nós, pelos ideais ocidentais, pela nossa segurança, pelos nossos padrões ocidentais.
Então também somos criminosos, cúmplices da selvageria que desabou sobre Gaza.
Reportei as desculpas que o exército de Israel tem oferecido ao mundo, já várias vezes, depois de cada chacina. Dado que provavelmente serão requentadas nas próximas horas, adianto algumas delas: que os palestinos mataram refugiados palestinos; que os palestinos desenterram cadáveres para pô-los nas ruínas e serem fotografados; que a culpa é dos palestinos, por terem apoiado um grupo terrorista; ou porque os palestinos usam refugiados inocentes como escudos humanos.
O massacre de Sabra e Chatila foi cometido pela Falange Libanesa aliada à direita israelense; os soldados israelenses assistiram a tudo por 48 horas, sem nada fazer para deter o morticínio; são conclusões de uma comissão de inquérito de Israel. Quando o exército de Israel foi responsabilizado, o governo de Menachem Begin acusou o mundo de preconceito contra Israel. Depois que o exército de Israel atacou com mísseis a base da ONU em Qana, em 1996, os israelenses disseram que a base servia de esconderijo para o Hizbóllah. Mentira.
Os mais de 1.000 mortos de 2006 – uma guerra deflagrada porque o Hizbóllah capturou dois soldados israelenses na fronteira – não foram crimes do Hizbóllah; foram crimes de Israel.
Israel insinuou que os corpos das crianças assassinadas num segundo massacre em Qana teriam sido desenterrados e expostos para fotografias. Mentira.
Sobre o massacre de Marwahin, nenhuma explicação. As pessoas receberam ordens, de um grupo de soldados israelenses, para evacuar as casas. Obedeceram. Em seguida, foram assassinadas por matadores israelenses. Os refugiados reuniram os filhos e puseram-se à volta dos caminhões nos quais viajavam, para que os pilotos dos helicópteros vissem quem eram, que estavam desarmados. O helicóptero varreu-os a tiros, de curta distância. Houve dois sobreviventes, que se salvaram porque fingiram estar mortos. Israel não tentou nenhuma explicação.
12 anos depois, outro helicóptero israelense atacou uma ambulância que conduzia civis de uma vila próxima – outra vez, soldados israelenses ordenaram que saíssem da ambulância – e assassinaram três crianças e duas mulheres. Israel alegou que a ambulância conduzia um ferido do Hizbóllah. Mentira.
Cobri, como jornalista, todas essas atrocidades, investiguei-as uma a uma, entrevistei sobreviventes. Muitos jornalistas sabem o que eu sei. Nosso destino foi, é claro, o mais grave dos estigmas: fomos acusados de anti-semitismo.
Por tudo isso, escrevo aqui, sem medo de errar: agora recomeçarão as mais escandalosas mentiras. Primeiro, virá a mentira do "culpem o Hamás" – como se o Hamás já não fosse culpado dos próprios crimes! Depois, talvez requentem a mentira dos cadáveres desenterrados para fotografias. E com certeza haverá a mentira do "homem do Hamás na escola da ONU". E com absoluta certeza virá também a mentira do anti-semitismo. Os líderes ocidentais cacarejarão, lembrando ao mundo que o Hamás rompeu o cessar-fogo. É mentira.
O cessar-fogo foi rompido por Israel, primeiro dia 4/11; quando bombardeou e matou seis palestinos em Gaza e, depois, outra vez, dia 17/11, quando outra vez bombardeou e matou mais quatro palestinos.
Sim, os israelenses merecem segurança. 20 israelenses mortos nos arredores de Gaza é número escandaloso. Mas 600 palestinos mortos em uma semana, além dos milhares assassinados desde 1948 – quando a chacina de Deir Yassin ajudou a mandar para o espaço os habitantes autóctones dessa parte do mundo que viria a chamar-se Israel – é outro assunto e é outra escala.
Dessa vez, temos de pensar não nos banhos de sangue normais no Oriente Médio. Dessa vez é preciso pensar em massacres na escala das guerras dos Bálcãs, dos anos 90. Ah, sim.
Quando os árabes enlouquecerem de fúria e virmos crescer seu ódio incendiário, cego, contra o Ocidente, sempre poderemos dizer que "não é conosco". Sempre haverá quem pergunte "Por que nos odeiam tanto?" Que, pelo menos, ninguém minta que não sabe por quê.
Esquecemos os 17.500 mortos – quase todos civis, a maioria mulheres e crianças – de quando Israel invadiu o Líbano, em 1982? E os 1.700 civis palestinos mortos no massacre de Sabra-Chatila? E o massacre, em 1996, em Qana, de 106 refugiados libaneses civis, mais da metade dos quais crianças, numa base da ONU? E o massacre dos refugiados de Marwahin, que receberam ordens de Israel para sair de suas casas, em 2006, e foram assassinados na rua pela tripulação de um helicóptero israelense? E os 1.000 mortos no mesmo bombardeio de 2006, na mesma invasão do Líbano, praticamente todos civis?
O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham-se preocupado com poupar civis. "Israel toma todo o cuidado possível para evitar atingir civis", disse mais um embaixador de Israel, apenas horas antes do massacre de Gaza.
Todos os presidentes e primeiros-ministros que repetiram a mesma mentira, como pretexto para não impor o cessar-fogo, têm as mãos sujas do sangue da carnificina de ontem. Se George Bush tivesse tido coragem para exigir imediato cessar-fogo 48 horas antes, todos aqueles 40 civis, velhos, mulheres e crianças, estariam vivos.
O que aconteceu não foi apenas vergonhoso. O que aconteceu foi uma desgraça. "Atrocidade" é pouco, para descrever o que aconteceu. Falaríamos de "atrocidade" se o que Israel fez aos palestinos tivesse sido feito pelo Hamás. Israel fez muito pior. Temos de falar de "crime de guerra", de matança, de assassinato em massa.
Depois de cobrir tantos assassinatos em massa, pelos exércitos do Oriente Médio – por sírios, iraqueanos, iranianos e israelenses – seria de supor que eu já estivesse calejado, que reagisse com cinismo. Mas Israel diz que está lutando em nosso nome, contra "o terror internacional". Israel diz que está lutando em Gaza por nós, pelos ideais ocidentais, pela nossa segurança, pelos nossos padrões ocidentais.
Então também somos criminosos, cúmplices da selvageria que desabou sobre Gaza.
Reportei as desculpas que o exército de Israel tem oferecido ao mundo, já várias vezes, depois de cada chacina. Dado que provavelmente serão requentadas nas próximas horas, adianto algumas delas: que os palestinos mataram refugiados palestinos; que os palestinos desenterram cadáveres para pô-los nas ruínas e serem fotografados; que a culpa é dos palestinos, por terem apoiado um grupo terrorista; ou porque os palestinos usam refugiados inocentes como escudos humanos.
O massacre de Sabra e Chatila foi cometido pela Falange Libanesa aliada à direita israelense; os soldados israelenses assistiram a tudo por 48 horas, sem nada fazer para deter o morticínio; são conclusões de uma comissão de inquérito de Israel. Quando o exército de Israel foi responsabilizado, o governo de Menachem Begin acusou o mundo de preconceito contra Israel. Depois que o exército de Israel atacou com mísseis a base da ONU em Qana, em 1996, os israelenses disseram que a base servia de esconderijo para o Hizbóllah. Mentira.
Os mais de 1.000 mortos de 2006 – uma guerra deflagrada porque o Hizbóllah capturou dois soldados israelenses na fronteira – não foram crimes do Hizbóllah; foram crimes de Israel.
Israel insinuou que os corpos das crianças assassinadas num segundo massacre em Qana teriam sido desenterrados e expostos para fotografias. Mentira.
Sobre o massacre de Marwahin, nenhuma explicação. As pessoas receberam ordens, de um grupo de soldados israelenses, para evacuar as casas. Obedeceram. Em seguida, foram assassinadas por matadores israelenses. Os refugiados reuniram os filhos e puseram-se à volta dos caminhões nos quais viajavam, para que os pilotos dos helicópteros vissem quem eram, que estavam desarmados. O helicóptero varreu-os a tiros, de curta distância. Houve dois sobreviventes, que se salvaram porque fingiram estar mortos. Israel não tentou nenhuma explicação.
12 anos depois, outro helicóptero israelense atacou uma ambulância que conduzia civis de uma vila próxima – outra vez, soldados israelenses ordenaram que saíssem da ambulância – e assassinaram três crianças e duas mulheres. Israel alegou que a ambulância conduzia um ferido do Hizbóllah. Mentira.
Cobri, como jornalista, todas essas atrocidades, investiguei-as uma a uma, entrevistei sobreviventes. Muitos jornalistas sabem o que eu sei. Nosso destino foi, é claro, o mais grave dos estigmas: fomos acusados de anti-semitismo.
Por tudo isso, escrevo aqui, sem medo de errar: agora recomeçarão as mais escandalosas mentiras. Primeiro, virá a mentira do "culpem o Hamás" – como se o Hamás já não fosse culpado dos próprios crimes! Depois, talvez requentem a mentira dos cadáveres desenterrados para fotografias. E com certeza haverá a mentira do "homem do Hamás na escola da ONU". E com absoluta certeza virá também a mentira do anti-semitismo. Os líderes ocidentais cacarejarão, lembrando ao mundo que o Hamás rompeu o cessar-fogo. É mentira.
O cessar-fogo foi rompido por Israel, primeiro dia 4/11; quando bombardeou e matou seis palestinos em Gaza e, depois, outra vez, dia 17/11, quando outra vez bombardeou e matou mais quatro palestinos.
Sim, os israelenses merecem segurança. 20 israelenses mortos nos arredores de Gaza é número escandaloso. Mas 600 palestinos mortos em uma semana, além dos milhares assassinados desde 1948 – quando a chacina de Deir Yassin ajudou a mandar para o espaço os habitantes autóctones dessa parte do mundo que viria a chamar-se Israel – é outro assunto e é outra escala.
Dessa vez, temos de pensar não nos banhos de sangue normais no Oriente Médio. Dessa vez é preciso pensar em massacres na escala das guerras dos Bálcãs, dos anos 90. Ah, sim.
Quando os árabes enlouquecerem de fúria e virmos crescer seu ódio incendiário, cego, contra o Ocidente, sempre poderemos dizer que "não é conosco". Sempre haverá quem pergunte "Por que nos odeiam tanto?" Que, pelo menos, ninguém minta que não sabe por quê.
(*) Texto publicado por Robert Fisk em 07/01/2009 no jornal britânico The Independent.
Estado fascista causa destruição em escola da ONU
A tragédia do Oriente Médio
Celso Lungaretti
Os folhetins, o cinema e a TV nos acostumaram a observar os complexos dramas das pessoas, povos e nações a partir de uma ótica simplista: heróis-vilãos-vítimas.
Ou, simplificando mais ainda, a acreditarmos que quem causa sofrimento às vítimas são os bandidos e quem as defende, os mocinhos.
No fundo, trata-se do velho e obtuso maniqueísmo, a que os pensadores marxistas contrapuseram a dialética: Bem e Mal não existem como instâncias metafísicas que, desde os píncaros do paraíso celestial ou das profundezas do inferno, teleguiam a práxis humana, mas sim como resultado das decisões e ações adotadas pelos homens em cada situação.
No primeiro caso, alguns encarnam o Bem absoluto e o Mal absoluto, sem nuances: os mocinhos são sempre mocinhos e os bandidos, eternamente bandidos.
Na análise marxista, os papéis vão sendo assumidos a cada instante, de forma que o mocinho de ontem poderá ser o bandido de hoje, e vice-versa.
Infelizmente, a esquerda mundial até hoje não se recuperou do pesadelo stalinista, que, como Isaac Deutscher bem assinalou, foi um amálgama do pensamento sofisticado dos revolucionários europeus com a religiosidade primitiva da Santa Mãe Rússia.
E a História, infelizmente, favoreceu essa perda de densidade crítica por parte da esquerda. O nazifascismo parecia mesmo encarnar o Mal absoluto, colocando os que o combatiam na condição de cruzados do Bem absoluto.
Veio a guerra fria e a estreiteza de visão se consolidou definitivamente, de ambos os lados. A política mundial se tornou um mero western daqueles tempos em que os mocinhos se vestiam sempre de branco e os bandidos só usavam trajes negros.
Então, desde que os EUA se colocaram como protetores de Israel e os soviéticos se compuseram com o líder egípcio Gamal Abdel Nasser, na década de 1950, ficou estabelecido que a única forma progressista de encararmos os conflitos do Oriente Médio é beatificando os árabes e satanizando os judeus.
A questão no Oriente Médio é muito mais complexa.
Em primeiro lugar, temos um povo (o judeu) milenarmente perseguido, não só devido à maldade intrínseca dos poderosos de todos os tempos, mas também a uma certa vocação para o martírio: nunca quis misturar-se aos outros povos e conviver harmoniosamente com eles, fazendo, pelo contrário, questão de preservar sua identidade cultural/religiosa e de ostentá-la aos olhos de todos.
Então, mais do que a outros povos, fazia-lhe imensa falta um território próprio. Constituindo uma colônia minoritária em outros países e segregando-se rigidamente dos naturais desses países, neles despertava previsível hostilidade.
Ademais, os judeus eram invejados pelos gênios da cultura e da ciência que produziam (Marx, Freud, Einstein e tantos outros) e por seu êxito nas finanças, além de despertarem a hostilidade dos governos pela participação marcante que tinham em movimentos libertários/revolucionários.
É sintomático, aliás, que a esquerda hoje esqueça ou omita a importantíssima contribuição do Bund (União Judaica Trabalhista da Lituânia, Polônia e Rússia) para a gestação do movimento revolucionário russo, no início do século passado.
HOLOCAUSTO – Ao buscar um inimigo comum contra o qual unir a nação alemã, Hitler não precisou pensar muito: os judeus eram a opção óbvia.
Finda a II Guerra Mundial, a indignação que o Holocausto provocou na consciência civilizada fez com que a idéia do lar judaico passasse a ser vista com simpatia generalizada.
Foi quando os judeus cometeram seu maior erro de todos os tempos: aceitando a liderança espúria de fundamentalistas religiosos/terroristas sanguinários, implantaram seu estado nacional numa região em que se chocariam necessariamente com outros fundamentalistas religiosos/terroristas sanguinários.
A Inglaterra, império decadente, bem que tentou impedir, em vão. E as pombas desnorteadas, judeus imbuídos dos melhores ideais, acabaram aderindo em massa ao projeto sinistro dos falcões.
Então, uma das experiências socialistas mais avançadas que a humanidade conheceu, a dos kibutzim (comunidades coletivas voluntárias israelenses), acabou sendo tentada num país que logo viraria bunker – e, melancolicamente, foi definhando, até quase nada diferir hoje das cooperativas dos países capitalistas.
As nações árabes só não exterminaram até agora o estado judeu porque jamais o enfrentaram juntas e disciplinadas, sob um verdadeiro comando militar. Mesmo quando vários exércitos combateram Israel, atuaram praticamente como unidades independentes, em função das querelas e disputas de poder entre os reis, sheiks, sultões, califas, emires, etc., de países cuja organização política e social ainda é feudal.
Os israelenses, por enquanto, têm compensado sua inferioridade numérica com a superioridade de seus quadros e equipamentos militares, bem como com a repulsiva prática de promover massacres intimidatórios, reagindo de forma desproporcional e freqüentemente genocida aos ataques que sofre.
Os movimentos fundamentalistas/terroristas árabes agem como provocadores: sabem que jamais conseguirão enfrentar de igual para igual Israel, mas atraem retaliações contra seus povos, na esperança de que isto acabe trazendo as nações para o campo de batalha. Querem ser o estopim de uma guerra santa e não hesitam em sacrificar os seus em nome dos desígnios de Alá.
Os governantes feudais árabes, entretanto, têm mais medo de serem desalojados dos seus tronos do que ódio por Israel. Sabem que o despertar das massas contra o inimigo nacional pode derivar para levantes revolucionários em seus países. Preferem preservar o status quo, ao preço de fecharem os olhos a atrocidades como as que estão sendo cometidas contra os palestinos em Gaza.
Não se trata de nenhum filme de mocinho-e-bandido, pois só há vilãos entre os atores políticos; ninguém que mereça nossa simpatia e apoio.
Quanto às vítimas, estas sim são indiscutíveis: os civis que, nas últimas seis décadas, têm sido abatidos como moscas, devido à cegueira e (sejamos francos) imoralidade monstruosa desses atores políticos.
No fundo, a solução sensata seria o estabelecimento dos judeus noutro território qualquer – quantos países paupérrimos não lhes cederiam terras e autonomia administrativa, em troca de recursos e cooperação para seu desenvolvimento?
Mas não é a sensatez que rege o mundo e sim, como Edgar Allan Poe destacou, o horror e a fatalidade.
Então, os Hamas da vida continuarão ensejando carnificinas e os israelenses seguirão massacrando os vizinhos, trucidando seus velhos, mulheres e crianças, até que surja um novo Lawrence da Arábia e consiga levar à vitória a guerra santa sonhada pelos fundamentalistas/terroristas árabes.
O que temos no Oriente Médio é uma tragédia: os acontecimentos marcham insensivelmente para o pior desfecho e nada podemos fazer, exceto atenuar, tanto quanto possível, os banhos de sangue.
Os folhetins, o cinema e a TV nos acostumaram a observar os complexos dramas das pessoas, povos e nações a partir de uma ótica simplista: heróis-vilãos-vítimas.
Ou, simplificando mais ainda, a acreditarmos que quem causa sofrimento às vítimas são os bandidos e quem as defende, os mocinhos.
No fundo, trata-se do velho e obtuso maniqueísmo, a que os pensadores marxistas contrapuseram a dialética: Bem e Mal não existem como instâncias metafísicas que, desde os píncaros do paraíso celestial ou das profundezas do inferno, teleguiam a práxis humana, mas sim como resultado das decisões e ações adotadas pelos homens em cada situação.
No primeiro caso, alguns encarnam o Bem absoluto e o Mal absoluto, sem nuances: os mocinhos são sempre mocinhos e os bandidos, eternamente bandidos.
Na análise marxista, os papéis vão sendo assumidos a cada instante, de forma que o mocinho de ontem poderá ser o bandido de hoje, e vice-versa.
Infelizmente, a esquerda mundial até hoje não se recuperou do pesadelo stalinista, que, como Isaac Deutscher bem assinalou, foi um amálgama do pensamento sofisticado dos revolucionários europeus com a religiosidade primitiva da Santa Mãe Rússia.
E a História, infelizmente, favoreceu essa perda de densidade crítica por parte da esquerda. O nazifascismo parecia mesmo encarnar o Mal absoluto, colocando os que o combatiam na condição de cruzados do Bem absoluto.
Veio a guerra fria e a estreiteza de visão se consolidou definitivamente, de ambos os lados. A política mundial se tornou um mero western daqueles tempos em que os mocinhos se vestiam sempre de branco e os bandidos só usavam trajes negros.
Então, desde que os EUA se colocaram como protetores de Israel e os soviéticos se compuseram com o líder egípcio Gamal Abdel Nasser, na década de 1950, ficou estabelecido que a única forma progressista de encararmos os conflitos do Oriente Médio é beatificando os árabes e satanizando os judeus.
A questão no Oriente Médio é muito mais complexa.
Em primeiro lugar, temos um povo (o judeu) milenarmente perseguido, não só devido à maldade intrínseca dos poderosos de todos os tempos, mas também a uma certa vocação para o martírio: nunca quis misturar-se aos outros povos e conviver harmoniosamente com eles, fazendo, pelo contrário, questão de preservar sua identidade cultural/religiosa e de ostentá-la aos olhos de todos.
Então, mais do que a outros povos, fazia-lhe imensa falta um território próprio. Constituindo uma colônia minoritária em outros países e segregando-se rigidamente dos naturais desses países, neles despertava previsível hostilidade.
Ademais, os judeus eram invejados pelos gênios da cultura e da ciência que produziam (Marx, Freud, Einstein e tantos outros) e por seu êxito nas finanças, além de despertarem a hostilidade dos governos pela participação marcante que tinham em movimentos libertários/revolucionários.
É sintomático, aliás, que a esquerda hoje esqueça ou omita a importantíssima contribuição do Bund (União Judaica Trabalhista da Lituânia, Polônia e Rússia) para a gestação do movimento revolucionário russo, no início do século passado.
HOLOCAUSTO – Ao buscar um inimigo comum contra o qual unir a nação alemã, Hitler não precisou pensar muito: os judeus eram a opção óbvia.
Finda a II Guerra Mundial, a indignação que o Holocausto provocou na consciência civilizada fez com que a idéia do lar judaico passasse a ser vista com simpatia generalizada.
Foi quando os judeus cometeram seu maior erro de todos os tempos: aceitando a liderança espúria de fundamentalistas religiosos/terroristas sanguinários, implantaram seu estado nacional numa região em que se chocariam necessariamente com outros fundamentalistas religiosos/terroristas sanguinários.
A Inglaterra, império decadente, bem que tentou impedir, em vão. E as pombas desnorteadas, judeus imbuídos dos melhores ideais, acabaram aderindo em massa ao projeto sinistro dos falcões.
Então, uma das experiências socialistas mais avançadas que a humanidade conheceu, a dos kibutzim (comunidades coletivas voluntárias israelenses), acabou sendo tentada num país que logo viraria bunker – e, melancolicamente, foi definhando, até quase nada diferir hoje das cooperativas dos países capitalistas.
As nações árabes só não exterminaram até agora o estado judeu porque jamais o enfrentaram juntas e disciplinadas, sob um verdadeiro comando militar. Mesmo quando vários exércitos combateram Israel, atuaram praticamente como unidades independentes, em função das querelas e disputas de poder entre os reis, sheiks, sultões, califas, emires, etc., de países cuja organização política e social ainda é feudal.
Os israelenses, por enquanto, têm compensado sua inferioridade numérica com a superioridade de seus quadros e equipamentos militares, bem como com a repulsiva prática de promover massacres intimidatórios, reagindo de forma desproporcional e freqüentemente genocida aos ataques que sofre.
Os movimentos fundamentalistas/terroristas árabes agem como provocadores: sabem que jamais conseguirão enfrentar de igual para igual Israel, mas atraem retaliações contra seus povos, na esperança de que isto acabe trazendo as nações para o campo de batalha. Querem ser o estopim de uma guerra santa e não hesitam em sacrificar os seus em nome dos desígnios de Alá.
Os governantes feudais árabes, entretanto, têm mais medo de serem desalojados dos seus tronos do que ódio por Israel. Sabem que o despertar das massas contra o inimigo nacional pode derivar para levantes revolucionários em seus países. Preferem preservar o status quo, ao preço de fecharem os olhos a atrocidades como as que estão sendo cometidas contra os palestinos em Gaza.
Não se trata de nenhum filme de mocinho-e-bandido, pois só há vilãos entre os atores políticos; ninguém que mereça nossa simpatia e apoio.
Quanto às vítimas, estas sim são indiscutíveis: os civis que, nas últimas seis décadas, têm sido abatidos como moscas, devido à cegueira e (sejamos francos) imoralidade monstruosa desses atores políticos.
No fundo, a solução sensata seria o estabelecimento dos judeus noutro território qualquer – quantos países paupérrimos não lhes cederiam terras e autonomia administrativa, em troca de recursos e cooperação para seu desenvolvimento?
Mas não é a sensatez que rege o mundo e sim, como Edgar Allan Poe destacou, o horror e a fatalidade.
Então, os Hamas da vida continuarão ensejando carnificinas e os israelenses seguirão massacrando os vizinhos, trucidando seus velhos, mulheres e crianças, até que surja um novo Lawrence da Arábia e consiga levar à vitória a guerra santa sonhada pelos fundamentalistas/terroristas árabes.
O que temos no Oriente Médio é uma tragédia: os acontecimentos marcham insensivelmente para o pior desfecho e nada podemos fazer, exceto atenuar, tanto quanto possível, os banhos de sangue.
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Segundo o tribunal, Israel violou todas as Convenções Humanitárias de Genebra, todas as declarações internacionais de Direitos Humanos e apresentou como método de guerra o ataque à população civil. A sentença é constituída de provas dos ataques à população infantil palestina e da violação das leis internacionais e do estatuto de Roma, com testemunhos de crianças e mães da Faixa de Gaza, junto a assinaturas e petições de milhares de pessoas da América Latina, Europa, África e Ásia.
O organismo destaca ainda que a infância palestina tem vivido sob o genocídio das bombas, das metralhadoras, e da utilização como escudos humanos das crianças por parte do exército israelense. Afirma que 700 mil crianças da região foram submetidas a massacres, assassinatos, a crimes contra a humanidade, ao genocídio, ao bloqueio humanitário, sequestro e à destruição de suas escolas, de seus lares, de suas famílias e de suas casas.
"É a Sentença Moral e Ética em memória das crianças palestinas que morrem em Gaza, pelo menos para devolve-lhes a dignidade que lhes roubaram com esses crimes da barbárie humana, acompanhada por mais de 2.000 assinaturas e petições de organizações e cidadãos de mais de 50 países do mundo que apóiam este Tribunal Internacional de Consciência e solicitam à Corte Penal Internacional e aos organismos internacionais de justiça e direitos humanos da União Européia e da América Latina a abertura de causa e investigação e condenação dos culpados dos crimes", afirma o documento.
Ainda de acordo com a sentença, as violações do direito internacional humanitário devem ser perseguidas e investigadas pelos Estados, em especial pelos Estados parte dos Convênios de Genebra de 1949. O tribunal lembra que Israel é parte desde 1950 do IV Convênio, aplicável à proteção da população civil, mas não investiga nem persegue os atos que são denunciados ante seus tribunais militares e penais.
O mais adequado para a realização do julgamento desses crimes seria a atuação da Corte Penal Internacional, de acordo com a sentença. No entanto, o Estado de Israel não é parte do Estatuto dessa Corte, permitindo que os crimes de guerra perpetrados em seu território ou por seus nacionais fiquem impunes.
A sentença na íntegra pode ser acessada clicando aqui.