Segundo o tribunal, Israel violou todas as Convenções Humanitárias de Genebra, todas as declarações internacionais de Direitos Humanos e apresentou como método de guerra o ataque à população civil. Leia matéria da Agência Adital.
Israel, Guerra Fria Árabe e o Massacre de Gaza
Ramez Philippe Maalouf
Mestrando em Geografia Humana – USP / Especialista em História das Relações Internacionais - Uerj
O Estado de Israel se proclama um "Estado judeu" em sua carta de fundação, porém, a realidade demográfica desmente tal pretensão, cerca de 20% da população israelense é árabe (palestinos, libaneses, árabes beduínos e drusos), há ainda armênios (cristãos) e circassianos. Há árabes no exército israelense, os drusos, que são seguidores da religião drusa, uma heterodoxia do Islã oriunda do xiismo. Os drusos apoiaram os judeus na chamada Guerra de Independência, entre 1947 e 1949, contra os palestinos e demais árabes. Portanto, a população árabe de Israel não é homogênea. A fundação de Israel foi possível através da expulsão de mais de 700 mil palestinos pelas forças judias em conluio com as monarquias árabes conservadoras (Jordânia e Egito) e governos árabes militares corruptos (Síria sob a ditadura do coronel Hosni Zaim), porém cerca de 100 mil palestinos permaneceram no chamado "Estado judeu". Estes remanescentes deram origem à maioria dos atuais 1,4 milhão de árabes-israelenses.
Em 1967, como resultado da Guerra dos Seis Dias, Israel invadiu e ocupou a península do Sinai, tomada do Egito, as Colinas do Golã, tomadas da Síria, e os territórios palestinos da Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Com isto, uma grande população árabe passou a ficar sob o domínio de um Estado que se definia como judeu. Para reverter tal situação (um Estado judeu com 40% de sua população de origem árabe) os israelenses fomentaram um processo de colonização judia, com o apoio de extremistas religiosos judeus, nos territórios árabes ocupados, de modo a criar um “fato consumado” e forçá-los a sair da região ocupada. Foi para quebrar de uma vez por todas a resistência pacífica dos palestinos nos Territórios Ocupados e expulsar os palestinos para a Jordânia, que o então ministro da defesa, general Ariel Sharon, e o então premier, do partido Likud, de extrema-direita, Menachem Begin, resolveram, no verão de 1982, invadir o Líbano, com apoio de milícias libanesas, e expulsar a OLP para a Tunísia, causando a morte de mais de 20 mil árabes.
Derrotados no Líbano e duramente reprimidos nos Territórios Ocupados, os palestinos se sublevaram com paus e pedras contra a opressão israelense, em dezembro de 1987, iniciando a Intifada (levante em árabe) na Faixa de Gaza, o território palestino mais pobre e mais densamente povoado, logo se alastrando para a Cisjordânia. O então ministro da defesa do governo de coalizão likudista-trabalhista, general Yitzhak Rabin, ordenou uma dura repressão à população palestina, provocando comoção internacional. Para quebrar a resistência, os serviços secretos israelenses passaram a instilar a guerra civil intra-palestina, financiando grupos extremistas islâmicos, tradicionais inimigos da ideologia secular da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), principal liderança militar e civil do movimento nacional palestino. Dentre estas organizações extremistas apoiadas por Israel, destacou-se um braço da Irmandade (ou Fraternidade) Muçulmana egípcia, o Hamas, fundada em 1988.
A Primeira Intifada acabou perdendo força com a Guerra do Golfo, em 1991, e praticamente cessou de existir com os Acordos de Oslo, em 1993. Por outro lado, estes Acordos, assinados por Arafat, então chefe da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) e Rabin (então premier de Israel), em 1993, legitimaram bantustanização dos palestinos nos Territórios Ocupados e Invadidos por Israel, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. A “bantustanização” significa o cerco das cidades e aldeias palestinas pelas colônias judias, desta forma, os palestinos passaram a viver em enclaves (territórios descontínuos), com acesso restrito ao mundo exterior. Assim, Israel mantém mais de 3,9 milhões de palestinos sob cerco permanente e enclausurados nos enclaves na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, impossibilitando a fundação de um Estado Palestino plenamente soberano. Entretanto, ao inviabilizar a fundação de um Estado palestino soberano, Israel, que se define como um Estado judeu, terá obrigatoriamente a conviver com uma população árabe em territórios sob seu domínio de fato, que somada, se iguala a população judia.
Aliados à “demopolítica” israelense, os Estados árabes estão em guerra civil aberta, sacrificando a população civil em conflitos "terceirizados", ou seja, o combate a um Estado árabe rival ocorre através da intervenção externa de um Estado não-árabe. Este foi o caso das duas invasões americanas que destruíram o Iraque, em 1991 e em 2003 e as três grandes invasões israelenses do Líbano, em 1978, 1982 e em 2006. Inicialmente, a rivalidade entre os Estados árabes surgiu, em grande medida, como decorrência da Guerra Fria, na disputa entre os EUA e a antiga União Soviética (URSS) pela supremacia mundial. A disputa inter-árabe era entre as monarquias conservadoras (Jordânia, Marrocos, Arábia Saudita e xecados do Golfo), firmemente apoiadas pelos EUA e Europa, e as repúblicas militaristas de inspiração kemalista (nacionalismo reformista), como era o caso do Egito (pós-1952), Iraque (pós-1958), Síria (pós-1949) e Líbia (pós-1969), que buscaram apoio da URSS. A Guerra de 1967, com a humilhante derrota das repúblicas nacionalistas, diluiu esta divisão. Com o fim da URSS, a Guerra Fria, que jamais terminou, ganha novos contornos com a possível aliança asiática entre China, Índia e Rússia, entendida pelos EUA como uma ameaça real e imediata aos seus interesses. Tal enfrentamento mundial reflete-se no Oriente Médio via a aliança entre Irã e China, que é percebido pelos EUA como desestabilizadora ao equilíbrio mundial.
O Irã, país não-árabe e remanescente do Império Persa, por sua vez, tem um projeto nacional-desenvolvimentista, com pretensões de hegemonia sobre o mundo árabe, pois, pretende expandir sua revolução xiita pela região. A destruição do Iraque, entretanto, principal inimigo do regime nacionalista-xiita do Irã, favoreceu o regime dos aiatolás. É preciso lembrar que o regime islâmico de Teerã apoiou da destruição do país mesopotâmico pelos EUA, que resultou num massacre contra as populações iraquianas sunitas, xiitas, cristãs e palestinas. Por outro lado, o desenvolvimento de um programa nuclear pelo Irã gerou hostilidade não apenas do Ocidente, mas de Israel e de seus aliados árabes (Egito, Jordânia e Arábia Saudita), aumentando ainda mais a polarização regional. Formou-se, com isto, no mundo árabe, duas coalizões de caráter heterodoxo e paradoxal, o chamado "eixo xiita", aliado à Rússia e China, formado pelo Líbano (após a posse de Michel Sleiman, pró-Hizbollah, grupo xiita), Síria (sob uma ditadura alauíta, ramo do xiismo), Irã (país não árabe) e o Hamas (grupo sunita palestino); e o chamado "eixo sunita", cujo núcleo duro é formado pela Arábia Saudita, Marrocos, Jordânia, Egito e Israel (país dominado pelos judeus).
Esta nova Guerra Fria no mundo árabe é uma das principais razões do ataque de Israel à Faixa de Gaza, na virada de 2008 para 2009, que visa diminuir a pressão demográfica dos árabes em territórios sob ocupação israelense. Os bombardeios israelenses, sem qualquer resistência militar palestina efetiva, resultaram no massacre de mais de 1330 palestinos, em sua maioria civis (mulheres e crianças). Esta política foi denominada pelo historiador israelense Ilan Pappé como genocídio. O "eixo sunita" deu sinal verde para Israel massacrar os palestinos na Faixa de Gaza, o que vem ocorrendo sistematicamente desde 2005, de forma a enfraquecer/eliminar o Hamas e seus aliados regionais (Síria e Irã). Se a "coalizão sunita" entender que o novo presidente dos EUA, Barak Obama, será um linha-dura com o Irã, tal como W. Bush, a ponto de apoiar a neutralização do programa nuclear iraniano, é grande a possibilidade de um agravamento dos conflitos na região a tal ponto que possam eclodir em escala internacional, com conseqüências sombrias.
A postura de Obama é pautada pela ambigüidade, pois ao mesmo tempo sinaliza com uma conciliação com o "eixo xiita" (Síria e Irã), nomeia para seu secretariado nomes alinhados com o expansionismo militar israelense. Por outro lado, a grave crise econômica enfrentada pelos EUA pode inibir ambições imperiais, constrangimento que W. Bush não sofreu, e com isto pacificar, ainda que temporariamente, a região.
A duração desta crise regional depende exclusivamente do apoio que os Estados árabes do "eixo sunita" e os EUA oferecem a Israel, na guerra à “coalizão xiita”, e também da opinião pública israelense, que apesar de ser dividida, se revela cada vez mais belicista. Tudo indica que a coalizão árabe sunita, a qual Israel é aliado, não pretende mudar o "status quo", ao contrário, não só quer mantê-lo, como também aprofundá-lo. Percebe-se, com isto, que ao contrário do que acredita a maioria das pessoas, este conflito não é apenas uma guerra de árabes contra judeus, mas, sim, uma guerra civil árabe, onde árabes e judeus se unem para assassinar árabes.
Referências Bibliográficas
AL-HASHEMI, Emir Faysal Ibn al-Hussein; WEIZMANN, Chaim. Acordo Faysal-Weizmann. 03/01/1919. Disponível em:. Acesso em: 28/10/2007.
CORM, Georges. Le Proche-Orient éclaté (1956-2006). 4 éme. edition mise à jour. Paris: Gallimard, 2006.
FREITAS JR., Osmar. Obama adota linha dura com Cabul. Jornal do Brasil. 1º de fevereiro de 2009, p. a-26.
GATTAZ, André. A guerra da Palestina: da criação de Israel à nova Intifada. 2ª ed. São Paulo: Usina do Livro, 2003.
HERSH, Seymour. The redirection: is the administration's new policy benefitting our enemies in the war on terrorism? Disponível em: . Acesso em: 22/07/2007.
KAPELIOUK, Amnon. Arafat, assassinado? Le Monde Diplomatique. Dezembro de 2005. Disponível em:. Acesso em: 13/03/2006.
LUNAT, Ziyaad. On collaboration and resistance of the oppressed. The Electronic Intifada, 3 January 2009. Disponível em: . Acesso em: 3 de janeiro de 2009.
National Lawyers Guild. US lawyers report on Israeli crimes in Gaza. Disponível em: .Acesso em: 14/02/2009.
NIGRI, Inácio Meneché. Nações e etnias do Oriente Próximo nas estratégias de Israel: pensamento e práxis. Disponível em:. Acesso em: 20/04/2003. p. 14-15.
_____ . Palaestina, Palestina: dos otomanos à partilha e à formação do Estado de Israel (do séc. XIX a 1947-48). Niterói – RJ. Tese de Doutorado em História Social – UFF, 2005.
PAPPÉ, Ilan. Genocídio en Gaza. Disponível em:. Acesso em: 13/01/2007.
PETERS, Ralph. How a better Middle East would look. Disponível em:. Acesso em: 03/07/2006.
RAVID, Barak. Disinformation, secrecy and lies: how the Gaza offensive came about. Disponível em: . Acesso em: 28/12/2008.
SHLAIM, Avi. A muralha de ferro: Israel e o mundo árabe. Rio de Janeiro: Fissus, 2004.
_______ . Israel and arab coalition in 1948. Disponível em:. Acesso em: 20/11/2008.
SIMON, Daniel Ben. The king is disappointed with Israel. Haaretz, 12 de outubro de 2006. Disponível em: . Acesso em: 13/11/2006.
The Declaration of the establishment of the State of Israel. Disponível em: . Acesso em: 22/10/2007.
Mestrando em Geografia Humana – USP / Especialista em História das Relações Internacionais - Uerj
O Estado de Israel se proclama um "Estado judeu" em sua carta de fundação, porém, a realidade demográfica desmente tal pretensão, cerca de 20% da população israelense é árabe (palestinos, libaneses, árabes beduínos e drusos), há ainda armênios (cristãos) e circassianos. Há árabes no exército israelense, os drusos, que são seguidores da religião drusa, uma heterodoxia do Islã oriunda do xiismo. Os drusos apoiaram os judeus na chamada Guerra de Independência, entre 1947 e 1949, contra os palestinos e demais árabes. Portanto, a população árabe de Israel não é homogênea. A fundação de Israel foi possível através da expulsão de mais de 700 mil palestinos pelas forças judias em conluio com as monarquias árabes conservadoras (Jordânia e Egito) e governos árabes militares corruptos (Síria sob a ditadura do coronel Hosni Zaim), porém cerca de 100 mil palestinos permaneceram no chamado "Estado judeu". Estes remanescentes deram origem à maioria dos atuais 1,4 milhão de árabes-israelenses.
Em 1967, como resultado da Guerra dos Seis Dias, Israel invadiu e ocupou a península do Sinai, tomada do Egito, as Colinas do Golã, tomadas da Síria, e os territórios palestinos da Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Com isto, uma grande população árabe passou a ficar sob o domínio de um Estado que se definia como judeu. Para reverter tal situação (um Estado judeu com 40% de sua população de origem árabe) os israelenses fomentaram um processo de colonização judia, com o apoio de extremistas religiosos judeus, nos territórios árabes ocupados, de modo a criar um “fato consumado” e forçá-los a sair da região ocupada. Foi para quebrar de uma vez por todas a resistência pacífica dos palestinos nos Territórios Ocupados e expulsar os palestinos para a Jordânia, que o então ministro da defesa, general Ariel Sharon, e o então premier, do partido Likud, de extrema-direita, Menachem Begin, resolveram, no verão de 1982, invadir o Líbano, com apoio de milícias libanesas, e expulsar a OLP para a Tunísia, causando a morte de mais de 20 mil árabes.
Derrotados no Líbano e duramente reprimidos nos Territórios Ocupados, os palestinos se sublevaram com paus e pedras contra a opressão israelense, em dezembro de 1987, iniciando a Intifada (levante em árabe) na Faixa de Gaza, o território palestino mais pobre e mais densamente povoado, logo se alastrando para a Cisjordânia. O então ministro da defesa do governo de coalizão likudista-trabalhista, general Yitzhak Rabin, ordenou uma dura repressão à população palestina, provocando comoção internacional. Para quebrar a resistência, os serviços secretos israelenses passaram a instilar a guerra civil intra-palestina, financiando grupos extremistas islâmicos, tradicionais inimigos da ideologia secular da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), principal liderança militar e civil do movimento nacional palestino. Dentre estas organizações extremistas apoiadas por Israel, destacou-se um braço da Irmandade (ou Fraternidade) Muçulmana egípcia, o Hamas, fundada em 1988.
A Primeira Intifada acabou perdendo força com a Guerra do Golfo, em 1991, e praticamente cessou de existir com os Acordos de Oslo, em 1993. Por outro lado, estes Acordos, assinados por Arafat, então chefe da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) e Rabin (então premier de Israel), em 1993, legitimaram bantustanização dos palestinos nos Territórios Ocupados e Invadidos por Israel, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. A “bantustanização” significa o cerco das cidades e aldeias palestinas pelas colônias judias, desta forma, os palestinos passaram a viver em enclaves (territórios descontínuos), com acesso restrito ao mundo exterior. Assim, Israel mantém mais de 3,9 milhões de palestinos sob cerco permanente e enclausurados nos enclaves na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, impossibilitando a fundação de um Estado Palestino plenamente soberano. Entretanto, ao inviabilizar a fundação de um Estado palestino soberano, Israel, que se define como um Estado judeu, terá obrigatoriamente a conviver com uma população árabe em territórios sob seu domínio de fato, que somada, se iguala a população judia.
Aliados à “demopolítica” israelense, os Estados árabes estão em guerra civil aberta, sacrificando a população civil em conflitos "terceirizados", ou seja, o combate a um Estado árabe rival ocorre através da intervenção externa de um Estado não-árabe. Este foi o caso das duas invasões americanas que destruíram o Iraque, em 1991 e em 2003 e as três grandes invasões israelenses do Líbano, em 1978, 1982 e em 2006. Inicialmente, a rivalidade entre os Estados árabes surgiu, em grande medida, como decorrência da Guerra Fria, na disputa entre os EUA e a antiga União Soviética (URSS) pela supremacia mundial. A disputa inter-árabe era entre as monarquias conservadoras (Jordânia, Marrocos, Arábia Saudita e xecados do Golfo), firmemente apoiadas pelos EUA e Europa, e as repúblicas militaristas de inspiração kemalista (nacionalismo reformista), como era o caso do Egito (pós-1952), Iraque (pós-1958), Síria (pós-1949) e Líbia (pós-1969), que buscaram apoio da URSS. A Guerra de 1967, com a humilhante derrota das repúblicas nacionalistas, diluiu esta divisão. Com o fim da URSS, a Guerra Fria, que jamais terminou, ganha novos contornos com a possível aliança asiática entre China, Índia e Rússia, entendida pelos EUA como uma ameaça real e imediata aos seus interesses. Tal enfrentamento mundial reflete-se no Oriente Médio via a aliança entre Irã e China, que é percebido pelos EUA como desestabilizadora ao equilíbrio mundial.
O Irã, país não-árabe e remanescente do Império Persa, por sua vez, tem um projeto nacional-desenvolvimentista, com pretensões de hegemonia sobre o mundo árabe, pois, pretende expandir sua revolução xiita pela região. A destruição do Iraque, entretanto, principal inimigo do regime nacionalista-xiita do Irã, favoreceu o regime dos aiatolás. É preciso lembrar que o regime islâmico de Teerã apoiou da destruição do país mesopotâmico pelos EUA, que resultou num massacre contra as populações iraquianas sunitas, xiitas, cristãs e palestinas. Por outro lado, o desenvolvimento de um programa nuclear pelo Irã gerou hostilidade não apenas do Ocidente, mas de Israel e de seus aliados árabes (Egito, Jordânia e Arábia Saudita), aumentando ainda mais a polarização regional. Formou-se, com isto, no mundo árabe, duas coalizões de caráter heterodoxo e paradoxal, o chamado "eixo xiita", aliado à Rússia e China, formado pelo Líbano (após a posse de Michel Sleiman, pró-Hizbollah, grupo xiita), Síria (sob uma ditadura alauíta, ramo do xiismo), Irã (país não árabe) e o Hamas (grupo sunita palestino); e o chamado "eixo sunita", cujo núcleo duro é formado pela Arábia Saudita, Marrocos, Jordânia, Egito e Israel (país dominado pelos judeus).
Esta nova Guerra Fria no mundo árabe é uma das principais razões do ataque de Israel à Faixa de Gaza, na virada de 2008 para 2009, que visa diminuir a pressão demográfica dos árabes em territórios sob ocupação israelense. Os bombardeios israelenses, sem qualquer resistência militar palestina efetiva, resultaram no massacre de mais de 1330 palestinos, em sua maioria civis (mulheres e crianças). Esta política foi denominada pelo historiador israelense Ilan Pappé como genocídio. O "eixo sunita" deu sinal verde para Israel massacrar os palestinos na Faixa de Gaza, o que vem ocorrendo sistematicamente desde 2005, de forma a enfraquecer/eliminar o Hamas e seus aliados regionais (Síria e Irã). Se a "coalizão sunita" entender que o novo presidente dos EUA, Barak Obama, será um linha-dura com o Irã, tal como W. Bush, a ponto de apoiar a neutralização do programa nuclear iraniano, é grande a possibilidade de um agravamento dos conflitos na região a tal ponto que possam eclodir em escala internacional, com conseqüências sombrias.
A postura de Obama é pautada pela ambigüidade, pois ao mesmo tempo sinaliza com uma conciliação com o "eixo xiita" (Síria e Irã), nomeia para seu secretariado nomes alinhados com o expansionismo militar israelense. Por outro lado, a grave crise econômica enfrentada pelos EUA pode inibir ambições imperiais, constrangimento que W. Bush não sofreu, e com isto pacificar, ainda que temporariamente, a região.
A duração desta crise regional depende exclusivamente do apoio que os Estados árabes do "eixo sunita" e os EUA oferecem a Israel, na guerra à “coalizão xiita”, e também da opinião pública israelense, que apesar de ser dividida, se revela cada vez mais belicista. Tudo indica que a coalizão árabe sunita, a qual Israel é aliado, não pretende mudar o "status quo", ao contrário, não só quer mantê-lo, como também aprofundá-lo. Percebe-se, com isto, que ao contrário do que acredita a maioria das pessoas, este conflito não é apenas uma guerra de árabes contra judeus, mas, sim, uma guerra civil árabe, onde árabes e judeus se unem para assassinar árabes.
Referências Bibliográficas
AL-HASHEMI, Emir Faysal Ibn al-Hussein; WEIZMANN, Chaim. Acordo Faysal-Weizmann. 03/01/1919. Disponível em:
CORM, Georges. Le Proche-Orient éclaté (1956-2006). 4 éme. edition mise à jour. Paris: Gallimard, 2006.
FREITAS JR., Osmar. Obama adota linha dura com Cabul. Jornal do Brasil. 1º de fevereiro de 2009, p. a-26.
GATTAZ, André. A guerra da Palestina: da criação de Israel à nova Intifada. 2ª ed. São Paulo: Usina do Livro, 2003.
HERSH, Seymour. The redirection: is the administration's new policy benefitting our enemies in the war on terrorism? Disponível em:
KAPELIOUK, Amnon. Arafat, assassinado? Le Monde Diplomatique. Dezembro de 2005. Disponível em:
LUNAT, Ziyaad. On collaboration and resistance of the oppressed. The Electronic Intifada, 3 January 2009. Disponível em:
National Lawyers Guild. US lawyers report on Israeli crimes in Gaza. Disponível em:
NIGRI, Inácio Meneché. Nações e etnias do Oriente Próximo nas estratégias de Israel: pensamento e práxis. Disponível em:
_____ . Palaestina, Palestina: dos otomanos à partilha e à formação do Estado de Israel (do séc. XIX a 1947-48). Niterói – RJ. Tese de Doutorado em História Social – UFF, 2005.
PAPPÉ, Ilan. Genocídio en Gaza. Disponível em:
PETERS, Ralph. How a better Middle East would look. Disponível em:
RAVID, Barak. Disinformation, secrecy and lies: how the Gaza offensive came about. Disponível em:
SHLAIM, Avi. A muralha de ferro: Israel e o mundo árabe. Rio de Janeiro: Fissus, 2004.
_______ . Israel and arab coalition in 1948. Disponível em:
SIMON, Daniel Ben. The king is disappointed with Israel. Haaretz, 12 de outubro de 2006. Disponível em:
The Declaration of the establishment of the State of Israel. Disponível em:
Como morrer de medo aos 14 anos
Por L. L. Caron (*)(Tradução de Bruno Ribeiro)
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O estrondo da artilharia israelense se aproximando cada vez mais do bairro pobre de Al Remal, acuado sobre as bombas pelo sétimo dia consecutivo, foi demasiado para Christine. Tinha 14 anos, era estudante colegial e filha de um médico. “Morreu de medo. Desde que começou a guerra sentiu o perigo, sofreu desordens neuróticas e histeria, como tantas outras crianças... Quando os F-16 voltaram a disparar seus mísseis naquela quarta-feira, caiu ao chão aterrorizada pelas explosões. Seu pai tentou ajudá-la, mas não pôde. A tomou em seus braços para tentar reanimá-la no hospital, mas morreu antes de chegar”.
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Quem conta é o sacerdote à frente da Igreja do Patriarcado Latino de Gaza, Manawei Mussallam, intimamente vinculado à pequena comunidade cristã ortodoxa a qual pertence a família de Christine – a quem não se pôde enterrar até cinco dias depois, por causa da loucura odiosa da guerra. Era 7 de janeiro.
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Outra geração perdida
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O diagnóstico médico de Christine fala de um ataque do coração. Seu pânico insuperável fala da terrível perda de outra geração de crianças de Gaza, prisioneiras do medo de morrer assassinadas enquanto dormem, ou a caminho do colégio, confundidos em imensas desordens psicológicas depois de ver a seus pais impotentes e incapazes de proporcionar-lhes comida, abrigo e segurança.
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Não há nada o que se possa fazer pelos mais de 300 menores que morreram desde o dia 27 de dezembro e pelos mais de 1500 feridos. A tragédia são os pequenos que, todavia, ainda estão vivos. Seu sofrimento é espantoso: “36% dos meninos entre 8 e 12 anos de idade, e 17% das meninas, desejam morrer nos ataques do Exército de Israel”.
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São dados do Programa de Saúde Mental da Comunidade de Gaza, dirigida com vigor incansável pelo doutor Eyad al-Sarraj há mais de 17 anos, durante os quais pôde documentar como as graves seqüelas mentais acabam jogando as crianças nos braços dos grupos armados ao atingirem a idade adulta. “Um menino exposto a tanta violência se converte em violento”, ratifica o diretor do Hospital Psiquiátrico de Gaza, Aish Samur.
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As seqüelas do terror
As seqüelas do terror
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Os meninos de Gaza desenham tanques, postos militares, roem as unhas, têm pesadelos, dores de causa desconhecida, prantos e episódios de introspecção. Cerca de 47% sofrem traumas psicológicos sem que suas famílias se dêem conta. Cerca de 30% deles se recusam a dormir sozinhos e apresentam severa incontinência urinária. A operação Inverno Quente, lançada por Israel em maio, aumentou em 1/3 o número de pacientes infantis nos serviços de psiquiatria, onde tratam de limpar suas mentes das cenas de morte, funerais, casas demolidas, bulldozer arrancando árvores...
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A foto de Christine, contraída e amortalhada, nos jornais árabes de Israel, tem mexido com as consciências, ainda que isto não seja suficiente. No diário Al Quds, Sam Bahour escreveu: “Nunca te conheci e, contudo, te quero como a minha filha de sua idade. Vivestes 14 anos em medo permanente... Perdão por que nem eu, nem o mundo, atuamos com suficiente esforço para te dar uma vida normal, uma vida digna".
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(*) desde el Paso de Erez - Corresponsal de ABC
Gaza: Esclarecimentos do Núcleo Meretz Brasil
“Acreditamos que somente a negociação trará a paz entre israelenses e palestinos. A guerra e os atos de violência só terão como desdobramento a transformação das populações civis em reféns e a ampliação do ódio (...)” ["We believe that only the negotiation will bring peace between Israelis and Palestinians. The war and the acts of violence will only result in the transformation of civilian populations in hostages and in the expansion of hatred"]. O Meretz é um dos partidos da esquerda israelense. Este é o manifesto do Meretz Brasil, a respeito do que ocorre em Gaza. Em português e inglês. Por Esther Kuperman, Doutora em Ciências Políticas. Leia mais.
Em consonância com as decisões do Conselho Executivo do Meretz, o Núcleo Meretz Brasil esclarece que:
1 – Acreditamos que somente a negociação trará a paz entre israelenses e palestinos. A guerra e os atos de violência só terão como desdobramento a transformação das populações civis em reféns e a ampliação do ódio. Por isso, consideramos urgente um armistício imediato, seguido de um processo de negociação que possa atender, ao máximo, os interesses dos dois lados.
2 – Reivindicamos a soltura de Gilad Shalit, soldado israelense em poder das forças do Hamas, bem como a abertura das entradas e saídas da faixa de Gaza, para que seus habitantes possam receber a ajuda humanitária que necessitam.
3 – Condenamos as agressões aos cidadãos israelenses por parte do Hamas e de outras organizações cuja plataforma envolva o uso da violência, bem como a invasão terrestre da faixa de Gaza pelas Forças de Defesa de Israel. Tais atitudes só contribuem para aprofundar o sofrimento e as perdas dos dois lados.
4 – Reiteramos a necessidade de retomar as negociações, com vistas a um acordo entre israelenses e palestinos, garantindo a existência de dois Estados soberanos e autônomos na região.
5 – Reafirmamos nossa solidariedade com as populações atingidas pelo conflito, tanto os israelenses que vivem ao sul de Israel e tem sido alvo constante de ataques dos foguetes lançados pelo Hamas, quanto os palestinos residentes na faixa de Gaza, que têm sido utilizados como escudo pelos ativistas do Hamas e, ao mesmo tempo, vítimas das ações perpetradas pelas Forças de Defesa de Israel.
6 – Consideramos que a participação política da população árabe de Israel é seu direito inalienável e constitui parte integrante de sua cidadania. A restrição às suas prerrogativas de expressão e de representação partidária contraria os princípios democráticos que caracterizam as relações entre o Estado e a sociedade israelenses.
7 – Condenamos, também, aqueles que, por ignorância ou preconceito, usam o conflito entre israelenses e palestinos para expressar velhos ódios irracionais, propondo a eliminação dos judeus como forma de solução para os problemas do Oriente Médio. Recusamos qualquer incitação à intolerância e reafirmamos que a solução para as desavenças entre estes dois povos não passa pela erradicação de nenhum deles, mas pelo reconhecimento mútuo do direito de existir.
Núcleo Meretz Brasil
Mauro Lipman – Maskir
Esther Kuperman – Secretária Geral
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In accordance with the decisions of the Executive Board of Meretz the Brazilian Core clarifies that
1 – We believe that only the negotiation will bring peace between Israelis and Palestinians. The war and the acts of violence will only result in the transformation of civilian populations in hostages and in the expansion of hatred. For that very reason, we consider urgent an armistice, immediately followed by a negotiation process that can serve the interests of both sides.
2– We demand the release of Gilad Shalit, Israeli soldier in power of forces of Hamas, as well as the opening of entrances and exits of Gaza Strip, so that its inhabitants can receive the humanitarian aid they need.
3 – We condemn the attacks on Israeli citizens by Hamas and other organizations whose platform involves the use of violence, as well as the invasion ground Gaza Strip by the Israel Defense Forces. Such attitudes only contribute to deepen the suffering and losses on both sides.
4– We reiterate the need to resume negotiations, to an agreement between Israelis and Palestinians, ensuring the existence of two sovereign and autonomous states in the region.
5 – We affirm our solidarity with the populations affected by the conflict, both the israeli along south under constant attacks of rockets launched by Hamas, as the Palestinians living in the Gaza Strip, which has been used as shields by Hamas activists and, at the same time, victims of actions perpetrated by Israel Defense Forces.
6 - We believe that political participation of the arab population of Israel is their inalienable right and is an integral part of their citizenship. The restriction to their prerogatives of expression and partisan representation is contrary to democratic principles that leads the relations between the israeli state and the israeli society.
7– We condemn also those who, through ignorance or prejudice, use the conflict between israelis and palestinians to express old irrational hatred, proposing the elimination of jews as solution to the problems of the Middle East. We reject any incitement to intolerance and reaffirm that the solution to the quarrel between the two peoples is for the eradication of none of them, but by mutual recognition of the right to exist.
Core Meretz Brasil
Mauro Lipman – Maskir
Esther Kuperman - Secretary General
1 – Acreditamos que somente a negociação trará a paz entre israelenses e palestinos. A guerra e os atos de violência só terão como desdobramento a transformação das populações civis em reféns e a ampliação do ódio. Por isso, consideramos urgente um armistício imediato, seguido de um processo de negociação que possa atender, ao máximo, os interesses dos dois lados.
2 – Reivindicamos a soltura de Gilad Shalit, soldado israelense em poder das forças do Hamas, bem como a abertura das entradas e saídas da faixa de Gaza, para que seus habitantes possam receber a ajuda humanitária que necessitam.
3 – Condenamos as agressões aos cidadãos israelenses por parte do Hamas e de outras organizações cuja plataforma envolva o uso da violência, bem como a invasão terrestre da faixa de Gaza pelas Forças de Defesa de Israel. Tais atitudes só contribuem para aprofundar o sofrimento e as perdas dos dois lados.
4 – Reiteramos a necessidade de retomar as negociações, com vistas a um acordo entre israelenses e palestinos, garantindo a existência de dois Estados soberanos e autônomos na região.
5 – Reafirmamos nossa solidariedade com as populações atingidas pelo conflito, tanto os israelenses que vivem ao sul de Israel e tem sido alvo constante de ataques dos foguetes lançados pelo Hamas, quanto os palestinos residentes na faixa de Gaza, que têm sido utilizados como escudo pelos ativistas do Hamas e, ao mesmo tempo, vítimas das ações perpetradas pelas Forças de Defesa de Israel.
6 – Consideramos que a participação política da população árabe de Israel é seu direito inalienável e constitui parte integrante de sua cidadania. A restrição às suas prerrogativas de expressão e de representação partidária contraria os princípios democráticos que caracterizam as relações entre o Estado e a sociedade israelenses.
7 – Condenamos, também, aqueles que, por ignorância ou preconceito, usam o conflito entre israelenses e palestinos para expressar velhos ódios irracionais, propondo a eliminação dos judeus como forma de solução para os problemas do Oriente Médio. Recusamos qualquer incitação à intolerância e reafirmamos que a solução para as desavenças entre estes dois povos não passa pela erradicação de nenhum deles, mas pelo reconhecimento mútuo do direito de existir.
Núcleo Meretz Brasil
Mauro Lipman – Maskir
Esther Kuperman – Secretária Geral
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In accordance with the decisions of the Executive Board of Meretz the Brazilian Core clarifies that
1 – We believe that only the negotiation will bring peace between Israelis and Palestinians. The war and the acts of violence will only result in the transformation of civilian populations in hostages and in the expansion of hatred. For that very reason, we consider urgent an armistice, immediately followed by a negotiation process that can serve the interests of both sides.
2– We demand the release of Gilad Shalit, Israeli soldier in power of forces of Hamas, as well as the opening of entrances and exits of Gaza Strip, so that its inhabitants can receive the humanitarian aid they need.
3 – We condemn the attacks on Israeli citizens by Hamas and other organizations whose platform involves the use of violence, as well as the invasion ground Gaza Strip by the Israel Defense Forces. Such attitudes only contribute to deepen the suffering and losses on both sides.
4– We reiterate the need to resume negotiations, to an agreement between Israelis and Palestinians, ensuring the existence of two sovereign and autonomous states in the region.
5 – We affirm our solidarity with the populations affected by the conflict, both the israeli along south under constant attacks of rockets launched by Hamas, as the Palestinians living in the Gaza Strip, which has been used as shields by Hamas activists and, at the same time, victims of actions perpetrated by Israel Defense Forces.
6 - We believe that political participation of the arab population of Israel is their inalienable right and is an integral part of their citizenship. The restriction to their prerogatives of expression and partisan representation is contrary to democratic principles that leads the relations between the israeli state and the israeli society.
7– We condemn also those who, through ignorance or prejudice, use the conflict between israelis and palestinians to express old irrational hatred, proposing the elimination of jews as solution to the problems of the Middle East. We reject any incitement to intolerance and reaffirm that the solution to the quarrel between the two peoples is for the eradication of none of them, but by mutual recognition of the right to exist.
Core Meretz Brasil
Mauro Lipman – Maskir
Esther Kuperman - Secretary General
Thank you Jon Stewart!
On The Daily Show's January 5 "Strip Maul" segment, Jon Stewart did what few American television personalities have dared to do: he criticized Israel's campaign against Gaza, making it clear that bombing will not bring peace for Israelis or Palestinians. He mocked the one-sided response of U.S. politicians by calling the Israeli-Palestinian conflict the "Mobius strip of issues because there's only one side!" He's sure to get thousands of complaints, so send Jon a letter of appreciation and then ask all your friends to watch this segment. Watch the video here.
Dignidade infinita
Todos se lembram da imagem do rapaz chinês enfrentando os tanques na Praça Tiananmen, em 1989. A imagem correu o globo, em parte porque interessava ao mundo ocidental mostrar as (mui reais, diga-se) violações dos direitos humanos na China. Os incontáveis heróis populares palestinos - e, muito especialmente, suas heroínas - não têm a mesma sorte, dado o interesse das potências ocidentais em esconder sua cumplicidade com a política de limpeza étnica de Israel.
Vejam a determinação com que essa mulher enfrenta, de peito aberto, à frente de uma população desarmada, as baionetas do exército sionista. Vejam a determinação nos seus olhos. Vejam como os soldados israelenses da ocupação evitam o contato visual, envergonhados, desumanizados pela tarefa de verdugos:
O vídeo e o texto acima estão no blog O Biscoito Fino e a Massa.
Vejam a determinação com que essa mulher enfrenta, de peito aberto, à frente de uma população desarmada, as baionetas do exército sionista. Vejam a determinação nos seus olhos. Vejam como os soldados israelenses da ocupação evitam o contato visual, envergonhados, desumanizados pela tarefa de verdugos:
O vídeo e o texto acima estão no blog O Biscoito Fino e a Massa.
Dignidade infinita
Todos se lembram da imagem do rapaz chinês enfrentando os tanques na Praça Tiananmen, em 1989. A imagem correu o globo, em parte porque interessava ao mundo ocidental mostrar as (mui reais, diga-se) violações dos direitos humanos na China. Os incontáveis heróis populares palestinos - e, muito especialmente, suas heroínas - não têm a mesma sorte, dado o interesse das potências ocidentais em esconder sua cumplicidade com a política de limpeza étnica de Israel. Veja um vídeo sobre o tema clicando aqui.
Vejam a determinação com que essa mulher enfrenta, de peito aberto, à frente de uma população desarmada, as baionetas do exército sionista. Vejam a determinação nos seus olhos. Vejam como os soldados israelenses da ocupação evitam o contato visual, envergonhados, desumanizados pela tarefa de verdugos:
O vídeo e o texto acima estão no blog O Biscoito Fino e a Massa.
O vídeo e o texto acima estão no blog O Biscoito Fino e a Massa.
Jogador deve ser multado por manifestar apoio à Palestina
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O ato de Kanouté, que nasceu na França, mas defende a seleção de Mali e é adepto do islamismo, foi punido com um cartão amarelo pelo árbitro da partida e tem sido interpretado como uma resposta aos recentes ataques de Israel à Faixa de Gaza, que já matou mais de 700 pessoas. O embaixador de Israel, Raphael Schultz, disse à Rádio Marca nesta quinta-feira que o gesto de Kanouté foi "além de sua profissão e das regras da Fifa a esse respeito". Mas Schultz não viu o ato como algo ofensivo a Israel. "Eu vi a partida e a camiseta não mostrava nada além do nome da Palestina. Não foi um incidente contra Israel. Eu não penso que isto tenha incitado a violência."
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Já o embaixador oficial da Palestina, Mahmoud Aluanen, afirmou à mesma rádio que Kanouté demonstrou ser uma pessoa muito corajosa por ter apoiado o povo palestino em um evento público. Para Aluanen, o ato será comemorado entre os palestinos. "Os atletas são seres humanos e não podem conter seus sentimentos. Eles têm todo o direito do mundo de expressar suas opiniões sobre problemas que infringem os direitos humanos. Eu tenho certeza de que todas as crianças palestinas, que amam o futebol, ficarão felizes com este gesto."
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O incidente aconteceu um dia antes da visita do presidente palestino, Mahmoud Abbas, a Madri para uma conversa com o primeiro-ministro espanhol Jose Luis Rodriguez Zapatero e o rei Juan Carlos.
.Fonte: Agência Estado
O confronto na visão de um estudante palestino
Durante o horror que nos espreita diariamente na Faixa de Gaza, o que vem a seguir são trechos de algumas entrevistas transmitidas pela televisão. Um colono israelense respondeu o seguinte ao ser perguntado sobre a morte de um garoto palestino de 12 anos em Gaza: "Nossos filhos são filhos de Deus, os deles são os filhos de Satã" (...) Leia mais.
Durante o horror que nos espreita diariamente na Faixa de Gaza, o que vem a seguir são trechos de algumas entrevistas transmitidas pela televisão. Um colono israelense respondeu o seguinte ao ser perguntado sobre a morte de um garoto palestino de 12 anos em Gaza: "Nossos filhos são filhos de Deus, os deles são os filhos de Satã". Outra colona judia disse, pensando sobre a morte do garoto: "Eles (os palestinos) não são humanos. Eles são animais. De certa forma, não são nem mesmo animais. Animais cuidam de sua prole, palestinos mandam seus filhos para matar ou serem mortos".
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Evidentemente, ela não sabe que o pai do garoto tentou afastá-lo o mais longe possível da violência e da guerra. E foram os israelenses que apontavam suas armas para pai e filho, nenhum dos dois carregava pedras ou armas. Talvez essa colona não tenha ouvido que o motorista da ambulância, que foi socorrer o ferido, também foi morto. Esses médicos não tinham pedras para jogar, mas todos tinham mães, como os soldados de Israel e cada homem, mulher ou criança morta nesta catástrofe sem fim.
.
"Palestinos são fatalistas. Eles são pobres e têm muitos filhos. Eles não têm uma democracia ou educação sobre paz. Eles desejam enviar seus filhos para a guerra apenas para conseguir a atenção internacional e pressionar o governo de Israel. É triste o fato deles serem mortos, mas isso é o que acontece quando se tenta parar a violência contra israelenses", disse um judeu moderado na televisão.
.
Você pode imaginar como o povo judeu em Nova York reagiria se alguém dissesse tais coisas em público ou até mesmo particularmente? Até mesmo os não-judeus nos EUA, que simpatizam com a fé judia, mas não concordam com os princípios do Sionismo, são taxados como anti-semitas. Um americano não-judeu deveria falar abertamente contra o comportamento dos judeus de Israel, a contradição do Judaísmo é rápida e áspera. Empregos podem ser perdidos, posições em uma comunidade podem ser degradadas, carreiras políticas demolidas, tudo isso por uma palavra, ou uma história que implique algo negativo sobre um israelense ou sobre o Estado de Israel. Então, a maioria dos americanos escolhe não ver como Israel trata os palestinos.
.
A maioria dos americanos sabe pouco sobre a fé muçulmana. É mais fácil rejeitar os árabes do que procurar pela verdade e enfrentar a reação judaica. Muitos americanos nem mesmo sabem que existem árabes cristãos ou que o Jihad significa o esforço entre si mesmos e que ambos judeus e árabes são pessoas semitas. Deveria ser deixado claro que como palestinos, nós não enviamos nossos filhos para a morte. Como cada pai em todo o mundo, palestinos querem o melhor para suas crianças.
.
Eu fui uma criança durante a Intifada (1987-1994). Me lembro o quão romântico era pra mim, a idéia de sair correndo e atirando pedras. Quando eu via meus amigos juntos, tinha vontade de me unir à eles. Crianças em todo lugar pensam que são imortais. As crianças palestinas pensavam assim também naquele tempo. Ninguém acreditava que alguma coisa pudesse acontecer conosco. Mas nossos pais sabem. Meus pais fizeram de tudo para me manter dentro de casa. Eles me mantinham ocupado com estudos, então não podia ir lá fora e jogar pedras.
.
Às vezes a situação escapa do controle dos pais. Os israelenses proibiam uma vida decente para a maioria das crianças assentadas em Gaza após 1978. Várias cresceram na pobreza sem esperança de uma vida melhor. A maioria dos pais de crianças "acampadas" engolia o orgulho e ia trabalhar por um salário de fome, pago por israelenses. As pessoas precisam saber agora que o povo mais perigoso que existe neste mundo é aquele que não tem motivo para viver. Muitos jovens palestinos se adequam a esta categoria.
.
Para este jovens, enfrentar soldados israelenses garante um sentimento de liberdade e poder. Se não podemos ser iguais na vida, alguém me disse, seremos na morte. "Seja nós ou eles, a morte deixa para trás uma concha e então nossa fé nos traz uma nova vida". Pessoas da região mediterrânea, particularmente árabes, são famosas pelo seu senso de paixão e emoção. Nós somos românticos com muito sentimentalismo poético para provar. Nós preferimos agir ao ter que esperar, mas não somos idiotas ou violentos. Temos uma forte apreciação pela democracia e paz.
.
Maturidade traz consigo hesitação e sentimentos estranhos. Esperamos desde 1948 pelos israelenses e para que o mundo veja o que eles têm de bom a oferecer. Infelizmente, nações parecem cegas para o que aconteceu e facilmente fogem da realidade de nossa situação. Nossos filhos estão com raiva. Intelectualmente e emocionalmente eles sabem muito do que é a opressão. Eles cresceram em campos de refugiados, suas casas foram destruídas e eles assistem seus pais e irmãos mais velhos serem presos e voltando da cadeia espancados, sem poder falar e andar.
.
Recentemente, me aproximei de pessoas feridas no hospital e tentei ouvir suas histórias. Eu perguntei uma mulher de meia idade que levou um tiro no estômago:
,
"Como aconteceu? Você estava na rua?"
.
"Eu estava protegendo meu filho", ela respondeu
.
"Então você deu a luz ao seu filho duas vezes", eu disse, "porque ele vai viver"
.
Eu sou palestino e acreditamos em tudo. Acreditamos em nosso direito de viver em nossa terra. Queremos viver e deixar viver, mas não ficaremos de braços cruzados e nem na linha de fogo para sermos mortos. Já esperamos muito. E agora, eu sei que israelenses matam nossas crianças deliberadamente apenas para nos ferir e trazer nossa nação aos seus pés.
.
Eu não quero chorar sobre o corpo de mais um jovem palestino. Mas, se eu tiver que fazer isso, farei. Sei que estas crianças se unirão ao solo da Palestina, produzindo hidrocarbonos e nutrindo nosso solo vermelho. Nossos limoeiros crescerão, nossas oliveiras se curvarão como as mães sobre a nossa morte e o nosso vinculo com a nossa terra natal viverá para sempre.
.
(Samah Jaber é um escritor freelancer e estudante de medicina em Jerusalém. Texto extraído do Palestine Times. Tradução de Eduardo Gregori, do Cosmo On Line)
Israel ataca comboio da ONU de ajuda humanitária
Míssil que atingiu um comboio de ajuda humanitária da Agência de Assistência aos Refugiados Palestinos matou dois motoristas. Bombardeio, que ocorreu durante cessar-fogo estabelecido por Israel, levou à interrupção do auxílio da ONU a Gaza. Por Gustavo Barreto, da redação. Leia mais clicando aqui.
A Agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA) suspendeu suas operações na Faixa de Gaza depois que um de seus comboios foi atacado nesta quinta-feira (8) pelo Exército de Israel, causando a morte de um dos condutores e ferindo um terceiro. A ação foi condenada enfaticamente pelo secretário-geral da ONU.
Em um comunicado, Ban Ki-moon assinalou que o incidente ocorreu durante as três horas em que Israel havia prometido suspender os ataques, para a entrada de ajuda ao território palestino. “Desde o início do conflito, há 13 dias, quatro empregados da UNRWA foram mortos”, destacou Ban Ki-moon.
Ele acrescentou que a ONU se mantém em contato com as autoridades israelenses para que se investiguem a fundo este e outros acontecimentos, como modo de obrigar Israel a tomar medidas que evitem novos ataques.
O secretário-geral reiterou sua convocatório por um imediato cessar-fogo, para facilitar o acesso irrestrito de bens humanitários e permitir que os trabalhadores assistam a população necessitada, em condições de segurança.
Ban Ki-moon explicou que a UNRWA não pode garantir a integridade de seu pessoal e considerou inaceitável interromper suas tarefas de assistência em um momento em que a crise humanitária aumenta.
A caravana atacada transportava mantimentos humanitários a partir do acesso norte da Faixa de Gaza e portava bandeiras da ONU. Além disso, os condutores vestiam jalecos que os identificavam como funcionários das Nações Unidas. A UNRWA distribui alimentos a cerca de 750.000 pessoas em território palestino.
Genocídio é comparado a uma “nova nakba”
Segundo a agência de notícias AFP, o número de vítimas da ofensiva israelense na Faixa de Gaza subiu nesta quinta-feira (8), para 763 mortos, após novos ataques mortíferos e a recuperação de muitos corpos pelos socorristas durante uma pausa nos bombardeios.
A ofensiva israelense na Faixa de Gaza entrou no seu 13º dia e já deixou mais de 3.200 feridos, segundo o chefe dos serviços de emergência, Muawiya Hassanein. Oito militares israelenses foram mortos desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro.
Para o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, a ofensiva israelense constitui uma nova 'nakba', a "catástrofe" que foi para os palestinos a criação, em 1948, de Israel em 75% da Palestina histórica. Segundo a AFP, as agências humanitárias denunciaram uma crise "total" no território pobre e densamente povoado, onde falta água, comida, combustível e energia.
Em um comunicado, Ban Ki-moon assinalou que o incidente ocorreu durante as três horas em que Israel havia prometido suspender os ataques, para a entrada de ajuda ao território palestino. “Desde o início do conflito, há 13 dias, quatro empregados da UNRWA foram mortos”, destacou Ban Ki-moon.
Ele acrescentou que a ONU se mantém em contato com as autoridades israelenses para que se investiguem a fundo este e outros acontecimentos, como modo de obrigar Israel a tomar medidas que evitem novos ataques.
O secretário-geral reiterou sua convocatório por um imediato cessar-fogo, para facilitar o acesso irrestrito de bens humanitários e permitir que os trabalhadores assistam a população necessitada, em condições de segurança.
Ban Ki-moon explicou que a UNRWA não pode garantir a integridade de seu pessoal e considerou inaceitável interromper suas tarefas de assistência em um momento em que a crise humanitária aumenta.
A caravana atacada transportava mantimentos humanitários a partir do acesso norte da Faixa de Gaza e portava bandeiras da ONU. Além disso, os condutores vestiam jalecos que os identificavam como funcionários das Nações Unidas. A UNRWA distribui alimentos a cerca de 750.000 pessoas em território palestino.
Genocídio é comparado a uma “nova nakba”
Segundo a agência de notícias AFP, o número de vítimas da ofensiva israelense na Faixa de Gaza subiu nesta quinta-feira (8), para 763 mortos, após novos ataques mortíferos e a recuperação de muitos corpos pelos socorristas durante uma pausa nos bombardeios.
A ofensiva israelense na Faixa de Gaza entrou no seu 13º dia e já deixou mais de 3.200 feridos, segundo o chefe dos serviços de emergência, Muawiya Hassanein. Oito militares israelenses foram mortos desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro.
Para o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, a ofensiva israelense constitui uma nova 'nakba', a "catástrofe" que foi para os palestinos a criação, em 1948, de Israel em 75% da Palestina histórica. Segundo a AFP, as agências humanitárias denunciaram uma crise "total" no território pobre e densamente povoado, onde falta água, comida, combustível e energia.
O confronto na visão de um estudante palestino
Durante o horror que nos espreita diariamente na Faixa de Gaza, o que vem a seguir são trechos de algumas entrevistas transmitidas pela televisão. Um colono israelense respondeu o seguinte ao ser perguntado sobre a morte de um garoto palestino de 12 anos em Gaza: "Nossos filhos são filhos de Deus, os deles são os filhos de Satã". Outra colona judia disse, pensando sobre a morte do garoto: "Eles (os palestinos) não são humanos. Eles são animais. De certa forma, não são nem mesmo animais. Animais cuidam de sua prole, palestinos mandam seus filhos para matar ou serem mortos".
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Evidentemente, ela não sabe que o pai do garoto tentou afastá-lo o mais longe possível da violência e da guerra. E foram os israelenses que apontavam suas armas para pai e filho, nenhum dos dois carregava pedras ou armas. Talvez essa colona não tenha ouvido que o motorista da ambulância, que foi socorrer o ferido, também foi morto. Esses médicos não tinham pedras para jogar, mas todos tinham mães, como os soldados de Israel e cada homem, mulher ou criança morta nesta catástrofe sem fim.
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"Palestinos são fatalistas. Eles são pobres e têm muitos filhos. Eles não têm uma democracia ou educação sobre paz. Eles desejam enviar seus filhos para a guerra apenas para conseguir a atenção internacional e pressionar o governo de Israel. É triste o fato deles serem mortos, mas isso é o que acontece quando se tenta parar a violência contra israelenses", disse um judeu moderado na televisão.
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Você pode imaginar como o povo judeu em Nova York reagiria se alguém dissesse tais coisas em público ou até mesmo particularmente? Até mesmo os não-judeus nos EUA, que simpatizam com a fé judia, mas não concordam com os princípios do Sionismo, são taxados como anti-semitas. Um americano não-judeu deveria falar abertamente contra o comportamento dos judeus de Israel, a contradição do Judaísmo é rápida e áspera. Empregos podem ser perdidos, posições em uma comunidade podem ser degradadas, carreiras políticas demolidas, tudo isso por uma palavra, ou uma história que implique algo negativo sobre um israelense ou sobre o Estado de Israel. Então, a maioria dos americanos escolhe não ver como Israel trata os palestinos.
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A maioria dos americanos sabe pouco sobre a fé muçulmana. É mais fácil rejeitar os árabes do que procurar pela verdade e enfrentar a reação judaica. Muitos americanos nem mesmo sabem que existem árabes cristãos ou que o Jihad significa o esforço entre si mesmos e que ambos judeus e árabes são pessoas semitas. Deveria ser deixado claro que como palestinos, nós não enviamos nossos filhos para a morte. Como cada pai em todo o mundo, palestinos querem o melhor para suas crianças.
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Eu fui uma criança durante a Intifada (1987-1994). Me lembro o quão romântico era pra mim, a idéia de sair correndo e atirando pedras. Quando eu via meus amigos juntos, tinha vontade de me unir à eles. Crianças em todo lugar pensam que são imortais. As crianças palestinas pensavam assim também naquele tempo. Ninguém acreditava que alguma coisa pudesse acontecer conosco. Mas nossos pais sabem. Meus pais fizeram de tudo para me manter dentro de casa. Eles me mantinham ocupado com estudos, então não podia ir lá fora e jogar pedras.
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Às vezes a situação escapa do controle dos pais. Os israelenses proibiam uma vida decente para a maioria das crianças assentadas em Gaza após 1978. Várias cresceram na pobreza sem esperança de uma vida melhor. A maioria dos pais de crianças "acampadas" engolia o orgulho e ia trabalhar por um salário de fome, pago por israelenses. As pessoas precisam saber agora que o povo mais perigoso que existe neste mundo é aquele que não tem motivo para viver. Muitos jovens palestinos se adequam a esta categoria.
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Para este jovens, enfrentar soldados israelenses garante um sentimento de liberdade e poder. Se não podemos ser iguais na vida, alguém me disse, seremos na morte. "Seja nós ou eles, a morte deixa para trás uma concha e então nossa fé nos traz uma nova vida". Pessoas da região mediterrânea, particularmente árabes, são famosas pelo seu senso de paixão e emoção. Nós somos românticos com muito sentimentalismo poético para provar. Nós preferimos agir ao ter que esperar, mas não somos idiotas ou violentos. Temos uma forte apreciação pela democracia e paz.
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Maturidade traz consigo hesitação e sentimentos estranhos. Esperamos desde 1948 pelos israelenses e para que o mundo veja o que eles têm de bom a oferecer. Infelizmente, nações parecem cegas para o que aconteceu e facilmente fogem da realidade de nossa situação. Nossos filhos estão com raiva. Intelectualmente e emocionalmente eles sabem muito do que é a opressão. Eles cresceram em campos de refugiados, suas casas foram destruídas e eles assistem seus pais e irmãos mais velhos serem presos e voltando da cadeia espancados, sem poder falar e andar.
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Recentemente, me aproximei de pessoas feridas no hospital e tentei ouvir suas histórias. Eu perguntei uma mulher de meia idade que levou um tiro no estômago:
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"Como aconteceu? Você estava na rua?"
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"Eu estava protegendo meu filho", ela respondeu
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"Então você deu a luz ao seu filho duas vezes", eu disse, "porque ele vai viver"
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Eu sou palestino e acreditamos em tudo. Acreditamos em nosso direito de viver em nossa terra. Queremos viver e deixar viver, mas não ficaremos de braços cruzados e nem na linha de fogo para sermos mortos. Já esperamos muito. E agora, eu sei que israelenses matam nossas crianças deliberadamente apenas para nos ferir e trazer nossa nação aos seus pés.
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Eu não quero chorar sobre o corpo de mais um jovem palestino. Mas, se eu tiver que fazer isso, farei. Sei que estas crianças se unirão ao solo da Palestina, produzindo hidrocarbonos e nutrindo nosso solo vermelho. Nossos limoeiros crescerão, nossas oliveiras se curvarão como as mães sobre a nossa morte e o nosso vinculo com a nossa terra natal viverá para sempre.
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(Samah Jaber é um escritor freelancer e estudante de medicina em Jerusalém. Texto extraído do Palestine Times. Tradução de Eduardo Gregori, do Cosmo On Line)
Ban condena ataque israelí a convoy humanitario
El Organismo de las Naciones Unidas para los Refugiados Palestinos (OOPS) suspendió sus operaciones en la Franja de Gaza luego de que uno de sus convoyes fuera atacado por las fuerzas israelíes, causando la muerte de dos conductores e hiriendo a un tercero, una acción condenada enérgicamente por el Secretario General de la ONU. Leia mais.En un comunicado, Ban Ki-moon, señaló que el incidente se produjo durante las tres horas de suspensión del fuego anunciada por Israel para la entrada y distribución de ayuda al territorio palestino.
“Desde el inicio del conflicto, hace trece días, cuatro empleados locales del OOPS han sido muertos”, recordó Ban.
Agregó que la ONU se mantiene en contacto con las autoridades israelíes para que se investiguen a fondo éste y otros acontecimientos, y para urgirlas a tomar medidas que eviten que vuelvan a ocurrir.
El Secretario General reiteró su llamamiento a un alto el fuego inmediato para facilitar el acceso irrestricto de bienes humanitarios y permitir que los trabajadores asistan a la población necesitada en condiciones de seguridad.
Explicó que el OOPS no puede garantizar la integridad de su personal y consideró inaceptable que haya debido interrumpir sus tareas de asistencia en un momento en que la crisis se agudiza.
La caravana atacada transportaba suministros humanitarios desde el acceso norte y portaba banderas de la ONU, además de que los conductores vestían chalecos que los identificaban como personal de Naciones Unidas.
“Desde el inicio del conflicto, hace trece días, cuatro empleados locales del OOPS han sido muertos”, recordó Ban.
Agregó que la ONU se mantiene en contacto con las autoridades israelíes para que se investiguen a fondo éste y otros acontecimientos, y para urgirlas a tomar medidas que eviten que vuelvan a ocurrir.
El Secretario General reiteró su llamamiento a un alto el fuego inmediato para facilitar el acceso irrestricto de bienes humanitarios y permitir que los trabajadores asistan a la población necesitada en condiciones de seguridad.
Explicó que el OOPS no puede garantizar la integridad de su personal y consideró inaceptable que haya debido interrumpir sus tareas de asistencia en un momento en que la crisis se agudiza.
La caravana atacada transportaba suministros humanitarios desde el acceso norte y portaba banderas de la ONU, además de que los conductores vestían chalecos que los identificaban como personal de Naciones Unidas.
O confronto na visão de um estudante palestino
Durante o horror que nos espreita diariamente na Faixa de Gaza, o que vem a seguir são trechos de algumas entrevistas transmitidas pela televisão. Um colono israelense respondeu o seguinte ao ser perguntado sobre a morte de um garoto palestino de 12 anos em Gaza: "Nossos filhos são filhos de Deus, os deles são os filhos de Satã". Leia a matéria na íntegra clicando no título.
Robert Fisk: "Por que nos odeiam tanto?!"
Falaríamos de "atrocidade" se o que Israel fez aos palestinos tivesse sido feito pelo Hamás. Israel fez muito pior. Temos de falar de "crime de guerra", de matança, de assassinato em massa (...) Na foto (AP), criança bombardeada por Israel em escola da ONU é levada para hospital próximo. A análise é de Robert Fisk no jornal The Independent. Leia mais.Assim, mais uma vez, Israel abriu as portas do inferno sobre os palestinos. 40 refugiados civis mortos numa escola da ONU, mais três noutra. Nada mau, para uma noite de trabalho do exército que acredita na "pureza das armas". Não pode ser surpresa para ninguém.
Esquecemos os 17.500 mortos – quase todos civis, a maioria mulheres e crianças – de quando Israel invadiu o Líbano, em 1982? E os 1.700 civis palestinos mortos no massacre de Sabra-Chatila? E o massacre, em 1996, em Qana, de 106 refugiados libaneses civis, mais da metade dos quais crianças, numa base da ONU? E o massacre dos refugiados de Marwahin, que receberam ordens de Israel para sair de suas casas, em 2006, e foram assassinados na rua pela tripulação de um helicóptero israelense? E os 1.000 mortos no mesmo bombardeio de 2006, na mesma invasão do Líbano, praticamente todos civis?
O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham-se preocupado com poupar civis. "Israel toma todo o cuidado possível para evitar atingir civis", disse mais um embaixador de Israel, apenas horas antes do massacre de Gaza.
Todos os presidentes e primeiros-ministros que repetiram a mesma mentira, como pretexto para não impor o cessar-fogo, têm as mãos sujas do sangue da carnificina de ontem. Se George Bush tivesse tido coragem para exigir imediato cessar-fogo 48 horas antes, todos aqueles 40 civis, velhos, mulheres e crianças, estariam vivos.
O que aconteceu não foi apenas vergonhoso. O que aconteceu foi uma desgraça. "Atrocidade" é pouco, para descrever o que aconteceu. Falaríamos de "atrocidade" se o que Israel fez aos palestinos tivesse sido feito pelo Hamás. Israel fez muito pior. Temos de falar de "crime de guerra", de matança, de assassinato em massa.
Depois de cobrir tantos assassinatos em massa, pelos exércitos do Oriente Médio – por sírios, iraqueanos, iranianos e israelenses – seria de supor que eu já estivesse calejado, que reagisse com cinismo. Mas Israel diz que está lutando em nosso nome, contra "o terror internacional". Israel diz que está lutando em Gaza por nós, pelos ideais ocidentais, pela nossa segurança, pelos nossos padrões ocidentais.
Então também somos criminosos, cúmplices da selvageria que desabou sobre Gaza.
Reportei as desculpas que o exército de Israel tem oferecido ao mundo, já várias vezes, depois de cada chacina. Dado que provavelmente serão requentadas nas próximas horas, adianto algumas delas: que os palestinos mataram refugiados palestinos; que os palestinos desenterram cadáveres para pô-los nas ruínas e serem fotografados; que a culpa é dos palestinos, por terem apoiado um grupo terrorista; ou porque os palestinos usam refugiados inocentes como escudos humanos.
O massacre de Sabra e Chatila foi cometido pela Falange Libanesa aliada à direita israelense; os soldados israelenses assistiram a tudo por 48 horas, sem nada fazer para deter o morticínio; são conclusões de uma comissão de inquérito de Israel. Quando o exército de Israel foi responsabilizado, o governo de Menachem Begin acusou o mundo de preconceito contra Israel. Depois que o exército de Israel atacou com mísseis a base da ONU em Qana, em 1996, os israelenses disseram que a base servia de esconderijo para o Hizbóllah. Mentira.
Os mais de 1.000 mortos de 2006 – uma guerra deflagrada porque o Hizbóllah capturou dois soldados israelenses na fronteira – não foram crimes do Hizbóllah; foram crimes de Israel.
Israel insinuou que os corpos das crianças assassinadas num segundo massacre em Qana teriam sido desenterrados e expostos para fotografias. Mentira.
Sobre o massacre de Marwahin, nenhuma explicação. As pessoas receberam ordens, de um grupo de soldados israelenses, para evacuar as casas. Obedeceram. Em seguida, foram assassinadas por matadores israelenses. Os refugiados reuniram os filhos e puseram-se à volta dos caminhões nos quais viajavam, para que os pilotos dos helicópteros vissem quem eram, que estavam desarmados. O helicóptero varreu-os a tiros, de curta distância. Houve dois sobreviventes, que se salvaram porque fingiram estar mortos. Israel não tentou nenhuma explicação.
12 anos depois, outro helicóptero israelense atacou uma ambulância que conduzia civis de uma vila próxima – outra vez, soldados israelenses ordenaram que saíssem da ambulância – e assassinaram três crianças e duas mulheres. Israel alegou que a ambulância conduzia um ferido do Hizbóllah. Mentira.
Cobri, como jornalista, todas essas atrocidades, investiguei-as uma a uma, entrevistei sobreviventes. Muitos jornalistas sabem o que eu sei. Nosso destino foi, é claro, o mais grave dos estigmas: fomos acusados de anti-semitismo.
Por tudo isso, escrevo aqui, sem medo de errar: agora recomeçarão as mais escandalosas mentiras. Primeiro, virá a mentira do "culpem o Hamás" – como se o Hamás já não fosse culpado dos próprios crimes! Depois, talvez requentem a mentira dos cadáveres desenterrados para fotografias. E com certeza haverá a mentira do "homem do Hamás na escola da ONU". E com absoluta certeza virá também a mentira do anti-semitismo. Os líderes ocidentais cacarejarão, lembrando ao mundo que o Hamás rompeu o cessar-fogo. É mentira.
O cessar-fogo foi rompido por Israel, primeiro dia 4/11; quando bombardeou e matou seis palestinos em Gaza e, depois, outra vez, dia 17/11, quando outra vez bombardeou e matou mais quatro palestinos.
Sim, os israelenses merecem segurança. 20 israelenses mortos nos arredores de Gaza é número escandaloso. Mas 600 palestinos mortos em uma semana, além dos milhares assassinados desde 1948 – quando a chacina de Deir Yassin ajudou a mandar para o espaço os habitantes autóctones dessa parte do mundo que viria a chamar-se Israel – é outro assunto e é outra escala.
Dessa vez, temos de pensar não nos banhos de sangue normais no Oriente Médio. Dessa vez é preciso pensar em massacres na escala das guerras dos Bálcãs, dos anos 90. Ah, sim.
Quando os árabes enlouquecerem de fúria e virmos crescer seu ódio incendiário, cego, contra o Ocidente, sempre poderemos dizer que "não é conosco". Sempre haverá quem pergunte "Por que nos odeiam tanto?" Que, pelo menos, ninguém minta que não sabe por quê.
Esquecemos os 17.500 mortos – quase todos civis, a maioria mulheres e crianças – de quando Israel invadiu o Líbano, em 1982? E os 1.700 civis palestinos mortos no massacre de Sabra-Chatila? E o massacre, em 1996, em Qana, de 106 refugiados libaneses civis, mais da metade dos quais crianças, numa base da ONU? E o massacre dos refugiados de Marwahin, que receberam ordens de Israel para sair de suas casas, em 2006, e foram assassinados na rua pela tripulação de um helicóptero israelense? E os 1.000 mortos no mesmo bombardeio de 2006, na mesma invasão do Líbano, praticamente todos civis?
O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham-se preocupado com poupar civis. "Israel toma todo o cuidado possível para evitar atingir civis", disse mais um embaixador de Israel, apenas horas antes do massacre de Gaza.
Todos os presidentes e primeiros-ministros que repetiram a mesma mentira, como pretexto para não impor o cessar-fogo, têm as mãos sujas do sangue da carnificina de ontem. Se George Bush tivesse tido coragem para exigir imediato cessar-fogo 48 horas antes, todos aqueles 40 civis, velhos, mulheres e crianças, estariam vivos.
O que aconteceu não foi apenas vergonhoso. O que aconteceu foi uma desgraça. "Atrocidade" é pouco, para descrever o que aconteceu. Falaríamos de "atrocidade" se o que Israel fez aos palestinos tivesse sido feito pelo Hamás. Israel fez muito pior. Temos de falar de "crime de guerra", de matança, de assassinato em massa.
Depois de cobrir tantos assassinatos em massa, pelos exércitos do Oriente Médio – por sírios, iraqueanos, iranianos e israelenses – seria de supor que eu já estivesse calejado, que reagisse com cinismo. Mas Israel diz que está lutando em nosso nome, contra "o terror internacional". Israel diz que está lutando em Gaza por nós, pelos ideais ocidentais, pela nossa segurança, pelos nossos padrões ocidentais.
Então também somos criminosos, cúmplices da selvageria que desabou sobre Gaza.
Reportei as desculpas que o exército de Israel tem oferecido ao mundo, já várias vezes, depois de cada chacina. Dado que provavelmente serão requentadas nas próximas horas, adianto algumas delas: que os palestinos mataram refugiados palestinos; que os palestinos desenterram cadáveres para pô-los nas ruínas e serem fotografados; que a culpa é dos palestinos, por terem apoiado um grupo terrorista; ou porque os palestinos usam refugiados inocentes como escudos humanos.
O massacre de Sabra e Chatila foi cometido pela Falange Libanesa aliada à direita israelense; os soldados israelenses assistiram a tudo por 48 horas, sem nada fazer para deter o morticínio; são conclusões de uma comissão de inquérito de Israel. Quando o exército de Israel foi responsabilizado, o governo de Menachem Begin acusou o mundo de preconceito contra Israel. Depois que o exército de Israel atacou com mísseis a base da ONU em Qana, em 1996, os israelenses disseram que a base servia de esconderijo para o Hizbóllah. Mentira.
Os mais de 1.000 mortos de 2006 – uma guerra deflagrada porque o Hizbóllah capturou dois soldados israelenses na fronteira – não foram crimes do Hizbóllah; foram crimes de Israel.
Israel insinuou que os corpos das crianças assassinadas num segundo massacre em Qana teriam sido desenterrados e expostos para fotografias. Mentira.
Sobre o massacre de Marwahin, nenhuma explicação. As pessoas receberam ordens, de um grupo de soldados israelenses, para evacuar as casas. Obedeceram. Em seguida, foram assassinadas por matadores israelenses. Os refugiados reuniram os filhos e puseram-se à volta dos caminhões nos quais viajavam, para que os pilotos dos helicópteros vissem quem eram, que estavam desarmados. O helicóptero varreu-os a tiros, de curta distância. Houve dois sobreviventes, que se salvaram porque fingiram estar mortos. Israel não tentou nenhuma explicação.
12 anos depois, outro helicóptero israelense atacou uma ambulância que conduzia civis de uma vila próxima – outra vez, soldados israelenses ordenaram que saíssem da ambulância – e assassinaram três crianças e duas mulheres. Israel alegou que a ambulância conduzia um ferido do Hizbóllah. Mentira.
Cobri, como jornalista, todas essas atrocidades, investiguei-as uma a uma, entrevistei sobreviventes. Muitos jornalistas sabem o que eu sei. Nosso destino foi, é claro, o mais grave dos estigmas: fomos acusados de anti-semitismo.
Por tudo isso, escrevo aqui, sem medo de errar: agora recomeçarão as mais escandalosas mentiras. Primeiro, virá a mentira do "culpem o Hamás" – como se o Hamás já não fosse culpado dos próprios crimes! Depois, talvez requentem a mentira dos cadáveres desenterrados para fotografias. E com certeza haverá a mentira do "homem do Hamás na escola da ONU". E com absoluta certeza virá também a mentira do anti-semitismo. Os líderes ocidentais cacarejarão, lembrando ao mundo que o Hamás rompeu o cessar-fogo. É mentira.
O cessar-fogo foi rompido por Israel, primeiro dia 4/11; quando bombardeou e matou seis palestinos em Gaza e, depois, outra vez, dia 17/11, quando outra vez bombardeou e matou mais quatro palestinos.
Sim, os israelenses merecem segurança. 20 israelenses mortos nos arredores de Gaza é número escandaloso. Mas 600 palestinos mortos em uma semana, além dos milhares assassinados desde 1948 – quando a chacina de Deir Yassin ajudou a mandar para o espaço os habitantes autóctones dessa parte do mundo que viria a chamar-se Israel – é outro assunto e é outra escala.
Dessa vez, temos de pensar não nos banhos de sangue normais no Oriente Médio. Dessa vez é preciso pensar em massacres na escala das guerras dos Bálcãs, dos anos 90. Ah, sim.
Quando os árabes enlouquecerem de fúria e virmos crescer seu ódio incendiário, cego, contra o Ocidente, sempre poderemos dizer que "não é conosco". Sempre haverá quem pergunte "Por que nos odeiam tanto?" Que, pelo menos, ninguém minta que não sabe por quê.
(*) Texto publicado por Robert Fisk em 07/01/2009 no jornal britânico The Independent.
Estado fascista causa destruição em escola da ONU
A tragédia do Oriente Médio
Os folhetins, o cinema e a TV nos acostumaram a observar os complexos dramas das pessoas, povos e nações a partir de uma ótica simplista: heróis-vilãos-vítimas (...) Análise de Celso Lungaretti, clique no título.
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Jovens israelenses presos por oposição à guerra pedem apoio mundial
Shministim. Já ouviu falar? São objetores de consciência. “Objeção de consciência”, na definição de um grupo de jovens de 16 a 19 anos, é a recusa a servir o exército por razões de consciência. Resultado: estão presos e pedem o apoio da sociedade civil global. Por Gustavo Barreto, da redação. Leia mais.Shministim. Já ouviu falar? São objetores de consciência. “Objeção de consciência”, na definição de um grupo de jovens, é a recusa a servir o exército por razões de consciência. Jovens de Israel, secundaristas, se declararam objetores de consciência. São jovens com a coragem necessária para dizer não ao que discordam. São israelenses e querem continuar sendo israelenses livres.
Os Shministim - todos com idade entre 16 e 19 anos, no final do segundo grau - são objetores de consciência em Israel e estão presos.
Eles acreditam num futuro melhor e mais pacífico para eles e para os israelenses e palestinos. Eles recusaram o alistamento do Exército de Israel. Além da prisão, eles suportam uma enorme pressão da família, de amigos e do governo de Israel. “Eles precisam do nosso apoio e eles precisam hoje”, afirma um comunicado que circula por emails e sites em todo o mundo.
Os Shministim pediram ao grupo “Jewish Voice for Peace” para buscar pessoas da sociedade civil global para fazer o governo de Israel saber que existe outros objetores de consciência em todo o mundo que apóiam sua coragem. Esperam receber centenas de milhares de 'postcards' que serão entregues ao Ministro da Defesa de Israel. Já chegaram 22 mil cartas até agora (veja abaixo o site).
“Especialmente agora que bombas caem sobre Gaza, nós somos lembrados de que quando os soldados dizem não ao ilegal, mortes são evitadas”, afirma outro trecho do comunicado.
Os Shministim esperam representar não apenas os milhares que os precederam, não apenas os muitos jovens para quem eles são um exemplo, mas também querem representar pessoas como as milhares de centenas de pessoas que, em todo o mundo, querem a paz.
Em 18 de dezembro foi lançada a campanha mundial pela libertação destes jovens. Assista ao vídeo, abaixo. A campanha, a carta de apoio e as histórias destes jovens estão no site www.december18th.org
Os Shministim - todos com idade entre 16 e 19 anos, no final do segundo grau - são objetores de consciência em Israel e estão presos.
Eles acreditam num futuro melhor e mais pacífico para eles e para os israelenses e palestinos. Eles recusaram o alistamento do Exército de Israel. Além da prisão, eles suportam uma enorme pressão da família, de amigos e do governo de Israel. “Eles precisam do nosso apoio e eles precisam hoje”, afirma um comunicado que circula por emails e sites em todo o mundo.
Os Shministim pediram ao grupo “Jewish Voice for Peace” para buscar pessoas da sociedade civil global para fazer o governo de Israel saber que existe outros objetores de consciência em todo o mundo que apóiam sua coragem. Esperam receber centenas de milhares de 'postcards' que serão entregues ao Ministro da Defesa de Israel. Já chegaram 22 mil cartas até agora (veja abaixo o site).
“Especialmente agora que bombas caem sobre Gaza, nós somos lembrados de que quando os soldados dizem não ao ilegal, mortes são evitadas”, afirma outro trecho do comunicado.
Os Shministim esperam representar não apenas os milhares que os precederam, não apenas os muitos jovens para quem eles são um exemplo, mas também querem representar pessoas como as milhares de centenas de pessoas que, em todo o mundo, querem a paz.
Em 18 de dezembro foi lançada a campanha mundial pela libertação destes jovens. Assista ao vídeo, abaixo. A campanha, a carta de apoio e as histórias destes jovens estão no site www.december18th.org
Carta aberta de Uri Avnery a Barack Obama
O ex-deputado do Parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz, Uri Avnery, redigiu uma carta aberta ao presidente eleito dos EUA, Barack Obama, sugerindo que o novo governo comece a agir pela paz israelense-árabe a partir do primeiro dia. "Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de falarem sobre paz da boca para fora, e às vezes realizarem gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço", diz Avnery. Leia aqui a matéria da Carta Maior.
Esta é uma carta aberta escrita por Uri Avnery, 85 anos, ex-deputado do Knesset (Parlamento de Israel), soldado que ajudou a fundar Israel em 1948 e que há décadas milita pela paz:
"As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:
1) No que se refere à paz israelense-árabe, o Sr. deve agir a partir do primeiro dia.
2) As eleições em Israel acontecerão em fevereiro de 2009. O Sr. pode ter um impacto indireto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestina, israelo-síria e israelo-pan-árabe em 2009.
3) Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de que falaram sobre paz da boca para fora, e às vezes realizaram gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço.
Particularmente, deram aprovação tácita à construção e ao crescimento dos assentamentos colonizadores de Israel nos territórios ocupados da Palestina e da Síria, cada um dos quais é uma mina subterrânea na estrada da paz.
4) Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos “ilegais” e os outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar essa simples verdade.
5) Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o objetivo expresso de tornar um estado palestino – e portanto a paz – impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino. Praticamente todos os departamentos de governo e o exército têm ajudado, aberta ou secretamente, a construir, consolidar e aumentar os assentamentos, como confirma o relatório preparado para o governo pela advogada Talia Sasson.
6) A estas alturas, o número de colonos na Cisjordânia já chegou a uns 250.000 (além dos 200.000 colonos da Grande Jerusalém, cujo estatuto é um pouco diferente). Eles estão politicamente isolados e são às vezes detestados pela maioria do público israelense, mas desfrutam de apoio significativo nos ministérios de governo e no exército.
7) Nenhum governo israelense ousaria confrontar a força material e política concentrada dos colonos. Esse confronto exigiria uma liderança muito forte e o apoio generoso do Presidente dos Estados Unidos para que tivesse qualquer chance de sucesso.
8) Na ausência de tudo isso, todas as “negociações de paz” são uma farsa. O governo israelense e seus apoiadores nos Estados Unidos já fizeram tudo o que é possível para impedir que as negociações com os palestinos ou com os sírios cheguem a qualquer conclusão, por causa do medo de enfrentar os colonos e seus apoiadores. As atuais negociações de “Annapolis” são tão vazias como as precedentes, com cada lado mantendo o fingimento por interesses politicos próprios.
9) A administração Clinton, e ainda mais a administração Bush, permitiram que o governo israelense mantivesse o fingimento. É, portanto, imperativo que se impeça que os membros dessas administrações desviem a política que terá o Sr. para o Oriente Médio na direção dos velhos canais.
10) É importante que o Sr. comece de novo e diga-o publicamente. Idéias desacreditadas e iniciativas falidas – como a “visão” de Bush, o “mapa do caminho”, Anápolis e coisas do tipo – devem ser lançadas à lata de lixo da história.
11) Para começar de novo, o alvo da política americana deve ser dito clara e sucintamente: atingir uma paz baseada numa solução biestatal dentro de um prazo de tempo (digamos, o fim de 2009).
12) Deve-se assinalar que este objetivo se baseia numa reavaliação do interesse nacional americano, de remover o veneno das relações muçulmano-americanas e árabe-americanas, fortalecer os regimes dedicados à paz, derrotar o terrorismo da Al-Qaeda, terminar as guerras do Iraque e do Afeganistão e atingir uma acomodação viável com o Irã.
13) Os termos da paz israelo-palestina são claros. Já foram cristalizados em milhares de horas de negociações, colóquios, encontros e conversas. São eles:
a) estabelecer-se-á um Estado da Palestina soberano e viável lado a lado com o Estado de Israel.
b) A fronteira entre os dois estados se baseará na linha de armistício de 1967 (a “Linha verde”). Alterações não substanciais poderão ser feitas por concordância mútua numa troca de territórios em base 1: 1.
c) Jerusalém Oriental, incluindo-se o Haram-al-Sharif (o “Monte do Templo”) e todos os bairros árabes servirão como Capital da Palestina. Jerusalém Ocidental, incluindo-se o Muro Ocidental e todos os bairros judeus, servirão como Capital de Israel. Uma autoridade municipal conjunta, baseada na igualdade, poderia se estabelecer por aceitação mútua, para administrar a cidade como uma unidade territorial.
d) Todos os assentamentos colonizadores de Israel – exceto aqueles que possam ser anexados no marco de uma troca consensual – serão esvaziados (veja-se o 15 abaixo)
e) Israel reconhecerá o princípio do direito de retorno dos refugiados. Uma Comissão Conjunta de Verdade e Reconciliação, composta por palestinos, israelesnses e historiadores internacionais estudará os fatos de 1948 e 1967 e determinará quem foi responsável por cada coisa. O refugiado, individualmente, terá a escolha de 1) repatriação para o Estado da Palestina; 2) permanência onde estiver agora, com compensação generosa; 3) retorno e reassentamento em Israel; 4) migração a outro país, com compensação generosa. O número de refugiados que retornarão ao território de Israel será fixado por acordo mútuo, entendendo-se que não se fará nada para materialmente alterar a composição demográfica da população de Israel. As polpuldas verbas necessárias para a implementação desta solução devem ser fornecidas pela comunidade internacional, no interesse da paz planetária. Isto economizaria muito do dinheiro gasto hoje militarmente e a partir de presentes dos EUA.
f) A Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza constituirão uma unidade nacional. Um vínculo extra-territorial (estrada, trilho, túnel ou ponte) ligará a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
g) Israel e Síria assinarão um acordo de paz. Israel recuará até a linha de 1967 e todos os assentamentos colonizadores das Colinas de Golã serão desmantelados. A Síria interromperá todas as atividades anti-Israel, conduzidas direta ou vicariamente. Os dois lados estabelecerão relações normais.
h) De acordo com a Iniciativa Saudita de Paz, todos os membros da Liga Árabe reconhecerão Israel, e terão com Israel relações normais. Poder-se-á considerar conversações sobre uma futura União do Oriente Médio, no modelo da União Européia, possivelmente incluindo a Turquia e o Irã.
14)A unidade palestina é essencial. A paz feita só com um naco da população de nada vale. Os Estados Unidos facilitarão a reconciliação palestina e a unificação das estruturas palestinas. Para isso, os EUA terminarão com o seu boicote ao Hamas (que ganhou as últimas eleições), começarão um diálogo político com o movimento e sugerirão que Israel faça o mesmo. Os EUA respeitarão quaisquer resultados de eleições palestinas.
15) O governo dos EUA ajudará o governo de Israel a enfrentar-se com o problema dos assentamentos colonizadores. A partir de agora, os colonos terão um ano para deixar os territórios ocupados e voluntariamente voltar em troca de compensação que lhes permitirá construir seus lares dentro de Israel. Depois disso, todos os assentamentos serão esvaziados, exceto aqueles em quaisquer áreas anexadas a Israel sob o acordo de paz.
16) Eu sugiro ao Sr., como Presidente dos Estados Unidos, que venha a Israel e se dirija ao povo israelense pessoalmente, não só no pódio do parlamento, mas também num comício de massas na Praça Rabin em Tel-Aviv. O Presidente Anwar Sadat, do Egito, veio a Israel em 1977 e, ao se dirigir ao povo de Israel diretamente, mudou em tudo a atitude deles em relação à paz com o Egito. No momento, a maioria dos israelenses se sente insegura, incerta e temerosa de qualquer iniciativa ousada de paz, em parte graças a uma desconfiança de qualquer coisa que venha do lado árabe. A intervenção do Sr., neste momento crítico, poderia, literalmente, fazer milagres, ao criar a base psicológica para a paz.
Tradução: Idelber Avelar, original na Carta Maior aqui.
"As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:
1) No que se refere à paz israelense-árabe, o Sr. deve agir a partir do primeiro dia.
2) As eleições em Israel acontecerão em fevereiro de 2009. O Sr. pode ter um impacto indireto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestina, israelo-síria e israelo-pan-árabe em 2009.
3) Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de que falaram sobre paz da boca para fora, e às vezes realizaram gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço.
Particularmente, deram aprovação tácita à construção e ao crescimento dos assentamentos colonizadores de Israel nos territórios ocupados da Palestina e da Síria, cada um dos quais é uma mina subterrânea na estrada da paz.
4) Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos “ilegais” e os outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar essa simples verdade.
5) Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o objetivo expresso de tornar um estado palestino – e portanto a paz – impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino. Praticamente todos os departamentos de governo e o exército têm ajudado, aberta ou secretamente, a construir, consolidar e aumentar os assentamentos, como confirma o relatório preparado para o governo pela advogada Talia Sasson.
6) A estas alturas, o número de colonos na Cisjordânia já chegou a uns 250.000 (além dos 200.000 colonos da Grande Jerusalém, cujo estatuto é um pouco diferente). Eles estão politicamente isolados e são às vezes detestados pela maioria do público israelense, mas desfrutam de apoio significativo nos ministérios de governo e no exército.
7) Nenhum governo israelense ousaria confrontar a força material e política concentrada dos colonos. Esse confronto exigiria uma liderança muito forte e o apoio generoso do Presidente dos Estados Unidos para que tivesse qualquer chance de sucesso.
8) Na ausência de tudo isso, todas as “negociações de paz” são uma farsa. O governo israelense e seus apoiadores nos Estados Unidos já fizeram tudo o que é possível para impedir que as negociações com os palestinos ou com os sírios cheguem a qualquer conclusão, por causa do medo de enfrentar os colonos e seus apoiadores. As atuais negociações de “Annapolis” são tão vazias como as precedentes, com cada lado mantendo o fingimento por interesses politicos próprios.
9) A administração Clinton, e ainda mais a administração Bush, permitiram que o governo israelense mantivesse o fingimento. É, portanto, imperativo que se impeça que os membros dessas administrações desviem a política que terá o Sr. para o Oriente Médio na direção dos velhos canais.
10) É importante que o Sr. comece de novo e diga-o publicamente. Idéias desacreditadas e iniciativas falidas – como a “visão” de Bush, o “mapa do caminho”, Anápolis e coisas do tipo – devem ser lançadas à lata de lixo da história.
11) Para começar de novo, o alvo da política americana deve ser dito clara e sucintamente: atingir uma paz baseada numa solução biestatal dentro de um prazo de tempo (digamos, o fim de 2009).
12) Deve-se assinalar que este objetivo se baseia numa reavaliação do interesse nacional americano, de remover o veneno das relações muçulmano-americanas e árabe-americanas, fortalecer os regimes dedicados à paz, derrotar o terrorismo da Al-Qaeda, terminar as guerras do Iraque e do Afeganistão e atingir uma acomodação viável com o Irã.
13) Os termos da paz israelo-palestina são claros. Já foram cristalizados em milhares de horas de negociações, colóquios, encontros e conversas. São eles:
a) estabelecer-se-á um Estado da Palestina soberano e viável lado a lado com o Estado de Israel.
b) A fronteira entre os dois estados se baseará na linha de armistício de 1967 (a “Linha verde”). Alterações não substanciais poderão ser feitas por concordância mútua numa troca de territórios em base 1: 1.
c) Jerusalém Oriental, incluindo-se o Haram-al-Sharif (o “Monte do Templo”) e todos os bairros árabes servirão como Capital da Palestina. Jerusalém Ocidental, incluindo-se o Muro Ocidental e todos os bairros judeus, servirão como Capital de Israel. Uma autoridade municipal conjunta, baseada na igualdade, poderia se estabelecer por aceitação mútua, para administrar a cidade como uma unidade territorial.
d) Todos os assentamentos colonizadores de Israel – exceto aqueles que possam ser anexados no marco de uma troca consensual – serão esvaziados (veja-se o 15 abaixo)
e) Israel reconhecerá o princípio do direito de retorno dos refugiados. Uma Comissão Conjunta de Verdade e Reconciliação, composta por palestinos, israelesnses e historiadores internacionais estudará os fatos de 1948 e 1967 e determinará quem foi responsável por cada coisa. O refugiado, individualmente, terá a escolha de 1) repatriação para o Estado da Palestina; 2) permanência onde estiver agora, com compensação generosa; 3) retorno e reassentamento em Israel; 4) migração a outro país, com compensação generosa. O número de refugiados que retornarão ao território de Israel será fixado por acordo mútuo, entendendo-se que não se fará nada para materialmente alterar a composição demográfica da população de Israel. As polpuldas verbas necessárias para a implementação desta solução devem ser fornecidas pela comunidade internacional, no interesse da paz planetária. Isto economizaria muito do dinheiro gasto hoje militarmente e a partir de presentes dos EUA.
f) A Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza constituirão uma unidade nacional. Um vínculo extra-territorial (estrada, trilho, túnel ou ponte) ligará a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
g) Israel e Síria assinarão um acordo de paz. Israel recuará até a linha de 1967 e todos os assentamentos colonizadores das Colinas de Golã serão desmantelados. A Síria interromperá todas as atividades anti-Israel, conduzidas direta ou vicariamente. Os dois lados estabelecerão relações normais.
h) De acordo com a Iniciativa Saudita de Paz, todos os membros da Liga Árabe reconhecerão Israel, e terão com Israel relações normais. Poder-se-á considerar conversações sobre uma futura União do Oriente Médio, no modelo da União Européia, possivelmente incluindo a Turquia e o Irã.
14)A unidade palestina é essencial. A paz feita só com um naco da população de nada vale. Os Estados Unidos facilitarão a reconciliação palestina e a unificação das estruturas palestinas. Para isso, os EUA terminarão com o seu boicote ao Hamas (que ganhou as últimas eleições), começarão um diálogo político com o movimento e sugerirão que Israel faça o mesmo. Os EUA respeitarão quaisquer resultados de eleições palestinas.
15) O governo dos EUA ajudará o governo de Israel a enfrentar-se com o problema dos assentamentos colonizadores. A partir de agora, os colonos terão um ano para deixar os territórios ocupados e voluntariamente voltar em troca de compensação que lhes permitirá construir seus lares dentro de Israel. Depois disso, todos os assentamentos serão esvaziados, exceto aqueles em quaisquer áreas anexadas a Israel sob o acordo de paz.
16) Eu sugiro ao Sr., como Presidente dos Estados Unidos, que venha a Israel e se dirija ao povo israelense pessoalmente, não só no pódio do parlamento, mas também num comício de massas na Praça Rabin em Tel-Aviv. O Presidente Anwar Sadat, do Egito, veio a Israel em 1977 e, ao se dirigir ao povo de Israel diretamente, mudou em tudo a atitude deles em relação à paz com o Egito. No momento, a maioria dos israelenses se sente insegura, incerta e temerosa de qualquer iniciativa ousada de paz, em parte graças a uma desconfiança de qualquer coisa que venha do lado árabe. A intervenção do Sr., neste momento crítico, poderia, literalmente, fazer milagres, ao criar a base psicológica para a paz.
Tradução: Idelber Avelar, original na Carta Maior aqui.
“Plomo fundido” sobre la conciencia judía
Antes, hasta la Segunda Guerra Mundial, el fundamento teológico de la política era “amigo/cristiano–enemigo/judío”. Ahora que los judíos vencidos se cristianizaron como Estado teológico neoliberal la ecuación es otra: “amigo/judeocristiano–enemigo/musulmán”. ¿Este es el lamentable destino que Jehová nos reservaba a los judíos? Porque de lo que hacen ustedes en Israel depende también el destino de todos nosotros (...) Por León Rozitchner (*), Jornal Página12. Leia aqui.
¿Recuerdan cuando hace dos mil años los judíos palestinos, nuestros antepasados en Massada sitiada, enfrentaron las legiones del Imperio romano y se suicidaron en masa para no rendirse? ¿Recuerdan la rebelión popular y nacional de nuestros macabeos contra la invasión romana, cuando murieron decenas de miles de judíos y se acabó la resistencia judía en Palestina y nos dispersamos otra vez por el mundo? ¿No piensan que esa misma dignidad extrema que nuestros antepasados tuvieron, de la que quizá ya no seamos dignos, es la que lleva a la resistencia de los palestinos que ocupan en el presente el lugar que antes, hace casi dos mil años, ocupamos nosotros como judíos? ¿No se inscribe en cambio esta masacre cometida por el Estado de Israel en la estela de la “solución final” occidental y cristiana de la cuestión judía? ¿Han perdido la memoria los judíos israelíes? No: sucede que se han convertido en neoliberales y se han cristianizado como sus perseguidores europeos, que, luego de exterminarlos, empujaron a los que quedaron vivos para que se fueran a vivir a Palestina con el terror del exterminio a cuestas.
El meollo de la actual tragedia está en la Shoá. Si la memoria de su pasado define el sentido histórico que marcó el “destino” del pueblo judío, donde se van hilando las cuentas de nuestro derrotero, y si el acto final en el que culmina ese destino convoca a los judíos israelíes a aniquilar la resistencia de otros pueblos inocentes, algo del sentido histórico ha desaparecido de la memoria de los israelíes. ¿Puede ser invocada la Shoá sin ser infieles a los desaparecidos, cuando al mismo tiempo el sentido completo de ese acontecimiento monstruoso ha quedado oscurecido? ¿Cómo podríamos “hacer memoria” si la construimos con los únicos recuerdos de nuestro pasado que los culpables europeos del genocidio nos autorizan? Es cierto: si los israelíes recuerdan todo, pierden a sus aliados. Porque la memoria de la Shoá que llevó al retorno a una tierra perdida hace mucho tiempo tendría que volver a ser pensada.
Lo primero a recordar: nuestros perseguidores históricos no fueron ni son los palestinos. Nuestros perseguidores estaban y siguen estando en las naciones de cultura europea que nos expulsaron y masacraron, y sin embargo son ellos los que siguen marcando el destino de todos nosotros, sobre todo de los judíos israelíes. ¿Será por eso que se busca olvidar a los verdaderos culpables de la Shoá? Los israelíes ya no se preguntan por el pasado bimilenario judío. Nunca los judíos, salvo excepciones, acusan del exterminio judío a la religión cristiana y a la economía capitalista que produjeron necesariamente la Shoá, como la conclusión de un silogismo que se venía desarrollando en Europa cristiana desde su mismo origen, como si el nazismo hubiera sido sólo un accidente sin antecedente en la historia europea y todo comenzara con Hitler. ¿No será que luego de la Shoá ustedes, los descendientes de los judíos europeos asimilados, se aliaron luego con los exterminadores en un pacto oscuro que el terror dictaba, y volvieron ahora todos, de cierta manera, a ser judeo–cristianos? Porque seamos honestos: el Tercer Reich se ha prolongado en el 4º Reich del Imperio norteamericano. Es claro: prefieren no saberlo porque el Estado de Israel está –nosotros los judíos latinoamericanos sí lo sabemos– al servicio del poder cristiano–imperial de los EE.UU. ¿O van a creerse que los EE.UU. y Europa combatieron al nazismo para salvar a los judíos? ¿Por qué ahora habrían de seguir persiguiéndolos si mantienen lo que tienen de judíos congelado sólo en lo arcaico religioso? Pero ¿no les dice nada pasar a ocupar ahora el lugar impiadoso, como brazo armado de los poderosos capitalistas cristianos, contra una población civil asediada y asesinada por osar defenderse contra la expropiación ilimitada de un territorio que debía ser compartido?
Recordemos. Karl Schmitt, filósofo católico del nazismo, había puesto de relieve lo que la hipocresía democrática ocultaba: la categorías políticas son todas ellas categorías teológicas. Es decir: la política occidental (democrática y capitalista) tiene su fundamento en la teología cristiana. Es notable: Schmitt coincide con lo que Marx joven decía en Sobre la cuestión judía: el fundamento cristiano del Estado germano se prolonga como premisa también en el Estado democrático.
Y si la política occidental al desnudarse muestra su fundamento teológico oculto, sin el cual no hubiera habido capitalismo, entonces toda política de Estado capitalista era antijudía, porque ése era el escollo que el cristianismo había encontrado para consolidarse como religión universal. No contra los judíos cristianizados que, como ustedes en Israel, apoyan esa política, es cierto. Ustedes tienen de cristianos, sin saberlo, lo que ocultan en su propia memoria al ocultar que la Shoá como “solución final” fue un exterminio teológico (cristiano) político europeo. Schmitt la tenía clara. Lo que el sutil filósofo alemán católico necesitaba activar, en momentos de peligro extremo para el cristianismo y el capitalismo frente a la amenaza de la Revolución Rusa y las rebeliones socialistas, era el fundamento cristiano escondido en la política: el odio visceral y alucinado religioso antijudío para que en Europa reverdeciera con toda intensidad el fundamento grabado durante siglos en el imaginario popular cristiano. Y con ese vigor arcaico reverdecido pudieran enfrentar la amenaza revolucionaria del judeo–marxismo.
Por eso, frente a la apariencia liberal de la política democrática como una relación “amigo-amigo”, el fundamento de la política nazi extremaba las categorías de “amigo–enemigo” que Schmitt vuelve a poner de relieve en el “estado de excepción” como la verdad oculta de la democracia: el único enemigo histórico cuando entra en crisis el fundamento social europeo son nuevamente los judíos. En 1933, frente a la amenaza del socialismo tildado quizá con cierta razón de judío, resurgía para muchos europeos todo su pasado y encontraban en los judíos el fundamento más profundo de lo más temido para su concepción cristiana: las premisas judías de un materialismo consagrado, no meramente físico cartesiano como la economía capitalista requería. Por eso Schmitt vuelve a desnudar las categorías fundantes adormecidas que la teología católica mantenía vivas: volvía al fundamento religioso de la política cristiana del Estado democrático para enfrentar el peligro del “comunismo ateo y judío”.
Sucede que en ese momento los judíos laicos formaban parte de la creatividad moderna que en Europa alimentó el pensamiento político y científico: eran rebeldes todavía, no como tantos de ahora, y por eso Marx de joven pensaba que los judíos, una vez superada su etapa religiosa y se hicieran laicos prolongando la esencia judía más allá de lo religioso, podrían pasar a formar parte activa de la liberación humana.
Y cuando al fin los europeos creían haber logrado en el siglo XIX la universalización del cristiano–capitalismo que se expandía colonizando a sangre y fuego el mundo, aparece otra vez el materialismo judaico como premisa del socialismo, que no es físicamente metafísico sino que parte de la Naturaleza como fundamento de la vida del espíritu humano. Tiemblan entonces en Europa los fundamentos cristianos de la política y de la economía: un nuevo fantasma la recorre y se manifiesta en una teoría judía revolucionaria. De lo cual resulta que en momentos de crisis Hitler sólo representó, en términos estrictamente religiosos, culturales y políticos, el temor de toda la cultura occidental ante los comunistas y los judíos como los máximos enemigos de ambos, ahora renovados: del capitalismo y del cristianismo. El racismo de los nazis –esa “teozoología política”– no es más que el espiritualismo cristiano secularizado que el Estado nazi consagró laicamente en las pulsiones de los cuerpos arios.
Una vez aniquilados los millones de judíos –como luego fueron arrasando y aniquilando con la misma consigna a millones de soviéticos “judeo-comunistas”– el impacto aterrorizante de la “solución final” hizo que los judíos casi nunca, salvo muy pocos, se atrevieran a señalar a los verdaderos culpables del genocidio (como pasó entre nosotros con los genocidas). Con la derrota de los nazis como únicos culpables –según cuenta la historia de los vencedores– desapareció en Europa la historia de los pogromos y las persecuciones cristianas medievales y modernas que nos aterraron durante siglos: la de los franceses tanto como la de los italianos, los españoles, los polacos y los rusos mismos. Sólo los nazis alemanes fueron antijudíos.
Los judíos cristianizados por el terror del cristiano-capitalismo en Europa luego de la Shoá buscaron su “hogar” fuera de Europa: se instalaron en Palestina, como si el reloj de la historia, ahora teológica, se hubiera detenido hacía dos mil años. No se dieron cuenta de que la mayoría de los judíos que volvían a Israel no eran como nuestros antepasados que se habían ido: los descendientes de los defensores de Massada o de los macabeos. Buber, Gershon Scholem y tantos otros sí lo recordaban. Nadie quería que nos volviera a pasar otra vez lo mismo, es cierto; pero en vez de enfrentar y denunciar a los verdaderos culpables del genocidio –que ahora nos apoyaban para que nos fuéramos para siempre de Europa y termináramos nosotros mismos la etapa final democrática de la “solución final” judía que ellos comenzaron– los israelíes terminaron sometiendo a los palestinos como los romanos, los europeos y los nazis lo hicieron antes con nosotros. Pero primero tuvieron que vencer la resistencia de nuestros pioneros socialistas.
Los israelíes, apoyados ahora por el Imperio cristiano–capitalista que los había perseguido, crearon también en Israel un Estado teológico, pero la “parte” secularizada dentro de ese Estado judío siguió siendo la del Estado cristiano. Volvieron como judíos para culminar en Israel la cristianización comenzada en Europa: mitad judíos eternos en lo religioso, mitad cristianos secularizados en lo político y en lo económico. Por eso ahora en Israel el Estado mantiene la economía neoliberal capitalista y cristiana sostenida por los religiosos judíos sedentarios, detenidos en el tiempo arcaico de su rumiar imaginario. Y por el otro lado los iraelíes son neoliberales en la política y en la economía y en la ciencia “neutral”, cuyas premisas iluministas son cristianas. Mitad judíos en el sentimiento, mitad cristianos en el pensamiento.
Y por eso quieren que todos, también aquí y ahora, seamos como ellos: judeo-cristianos como el rabino Bermann, avalado por el cardenal Bergoglio, o judíos–laicos como Aguinis, neoliberal letrado avalado por el obispo Laguna. O como los directivos de la AMIA, que tienen la potestad de determinar si soy o no judío. Si soy judío “progresista” y no me secularicé como cristiano, entonces no soy judío, no podré aspirar a ser enterrado en un cementerio comunitario porque me faltaría la parte cristiana de mi ser judío. Pero judíos–judíos, esos que prolongan en lo que hacen o piensan los valores culturales judíos, quedan al parecer muy pocos, aunque sean muchos los que leen hebreo o reciten kaddish en la tumba de sus padres. Todos están aureolados con la coronita del cristiano-capitalismo que al fin los ha vencido por el terror cristiano luego de dos mil años de resistencia empecinada: convertidos ahora al “judeo-cristianismo”.
Por eso la creación del Hogar Judío en Palestina tiene un doble sentido: la “solución final” europea tuvo éxito, logró su objetivo, el cristianismo europeo se desembarazó de los judíos y muchos de los que se salvaron se fueron de Europa casi agradecidos, sin querer recordar por qué se iban y quiénes los habían exterminado. La Europa cristiana y democrática se había sacado el milenario peso judío de encima. Pero mis padres, que llegaron a las colonias judías de Entre Ríos, sí lo sabían.
Todos los judíos estamos pagando esta inmerecida transacción, ese “olvido” del Estado de Israel, al que seguramente se habrían negado los defensores del Ghetto de Varsovia, que murieron, ellos sí, sabiendo quiénes eran los responsables políticos, económicos y religiosos –estaban a la vista–- como los millones de judíos europeos que murieron en los campos de exterminio. Los judíos que vinieron luego, esos que estamos viendo, no quisieron ni pensar a fondo en los culpables: se unieron a los poderosos y saludaron alborozados que el socialismo stalinista antisemita se derrumbara arrastrando al olvido al mismo tiempo, como si fuera lo mismo, la memoria de los pioneros judíos revolucionarios asesinados por Stalin. Por eso sus sueños mesiánicos dependen ahora únicamente de los cristianos y del capitalismo para poder realizarse. Sólo tenían que hacer una cosa: permutar al enemigo verdadero por un enemigo falso.
Estamos pagando muy cara esta conversión judía. Los israelíes, ya vencidos en lo más entrañable que tenían de judíos históricos, se han transformado en la punta de lanza del capitalismo cristiano que los armó hasta los dientes para enfrentar el mayor y nuevo peligro que tiene el cristianismo: los mil millones de musulmanes que pueblan el mundo. Pero ni los musulmanes ni los palestinos fueron los culpables de la Shoá: los culpables del genocidio son ahora sus amigos, que los mandan al frente.
Y aquí cierra la ecuación política amigo-enemigo de Karl Schmitt. Antes, hasta la Segunda Guerra Mundial, el fundamento teológico de la política era “amigo/cristiano–enemigo/judío”. Ahora que los judíos vencidos se cristianizaron como Estado teológico neoliberal la ecuación es otra: “amigo/judeocristiano–enemigo/musulmán”. ¿Este es el lamentable destino que Jehová nos reservaba a los judíos? Porque de lo que hacen ustedes en Israel depende también el destino de todos nosotros.
“Si nosotros nos revelamos incapaces de alcanzar una cohabitación y acuerdos con los árabes, entonces no habremos aprendido estrictamente nada durante nuestros dos mil años de sufrimientos y mereceremos todo lo que llegue a sucedernos.” Albert Einstein, carta a Weismann, 1929.
¿Recuerdan cuando hace dos mil años los judíos palestinos, nuestros antepasados en Massada sitiada, enfrentaron las legiones del Imperio romano y se suicidaron en masa para no rendirse? ¿Recuerdan la rebelión popular y nacional de nuestros macabeos contra la invasión romana, cuando murieron decenas de miles de judíos y se acabó la resistencia judía en Palestina y nos dispersamos otra vez por el mundo? ¿No piensan que esa misma dignidad extrema que nuestros antepasados tuvieron, de la que quizá ya no seamos dignos, es la que lleva a la resistencia de los palestinos que ocupan en el presente el lugar que antes, hace casi dos mil años, ocupamos nosotros como judíos? ¿No se inscribe en cambio esta masacre cometida por el Estado de Israel en la estela de la “solución final” occidental y cristiana de la cuestión judía? ¿Han perdido la memoria los judíos israelíes? No: sucede que se han convertido en neoliberales y se han cristianizado como sus perseguidores europeos, que, luego de exterminarlos, empujaron a los que quedaron vivos para que se fueran a vivir a Palestina con el terror del exterminio a cuestas.
El meollo de la actual tragedia está en la Shoá. Si la memoria de su pasado define el sentido histórico que marcó el “destino” del pueblo judío, donde se van hilando las cuentas de nuestro derrotero, y si el acto final en el que culmina ese destino convoca a los judíos israelíes a aniquilar la resistencia de otros pueblos inocentes, algo del sentido histórico ha desaparecido de la memoria de los israelíes. ¿Puede ser invocada la Shoá sin ser infieles a los desaparecidos, cuando al mismo tiempo el sentido completo de ese acontecimiento monstruoso ha quedado oscurecido? ¿Cómo podríamos “hacer memoria” si la construimos con los únicos recuerdos de nuestro pasado que los culpables europeos del genocidio nos autorizan? Es cierto: si los israelíes recuerdan todo, pierden a sus aliados. Porque la memoria de la Shoá que llevó al retorno a una tierra perdida hace mucho tiempo tendría que volver a ser pensada.
Lo primero a recordar: nuestros perseguidores históricos no fueron ni son los palestinos. Nuestros perseguidores estaban y siguen estando en las naciones de cultura europea que nos expulsaron y masacraron, y sin embargo son ellos los que siguen marcando el destino de todos nosotros, sobre todo de los judíos israelíes. ¿Será por eso que se busca olvidar a los verdaderos culpables de la Shoá? Los israelíes ya no se preguntan por el pasado bimilenario judío. Nunca los judíos, salvo excepciones, acusan del exterminio judío a la religión cristiana y a la economía capitalista que produjeron necesariamente la Shoá, como la conclusión de un silogismo que se venía desarrollando en Europa cristiana desde su mismo origen, como si el nazismo hubiera sido sólo un accidente sin antecedente en la historia europea y todo comenzara con Hitler. ¿No será que luego de la Shoá ustedes, los descendientes de los judíos europeos asimilados, se aliaron luego con los exterminadores en un pacto oscuro que el terror dictaba, y volvieron ahora todos, de cierta manera, a ser judeo–cristianos? Porque seamos honestos: el Tercer Reich se ha prolongado en el 4º Reich del Imperio norteamericano. Es claro: prefieren no saberlo porque el Estado de Israel está –nosotros los judíos latinoamericanos sí lo sabemos– al servicio del poder cristiano–imperial de los EE.UU. ¿O van a creerse que los EE.UU. y Europa combatieron al nazismo para salvar a los judíos? ¿Por qué ahora habrían de seguir persiguiéndolos si mantienen lo que tienen de judíos congelado sólo en lo arcaico religioso? Pero ¿no les dice nada pasar a ocupar ahora el lugar impiadoso, como brazo armado de los poderosos capitalistas cristianos, contra una población civil asediada y asesinada por osar defenderse contra la expropiación ilimitada de un territorio que debía ser compartido?
Recordemos. Karl Schmitt, filósofo católico del nazismo, había puesto de relieve lo que la hipocresía democrática ocultaba: la categorías políticas son todas ellas categorías teológicas. Es decir: la política occidental (democrática y capitalista) tiene su fundamento en la teología cristiana. Es notable: Schmitt coincide con lo que Marx joven decía en Sobre la cuestión judía: el fundamento cristiano del Estado germano se prolonga como premisa también en el Estado democrático.
Y si la política occidental al desnudarse muestra su fundamento teológico oculto, sin el cual no hubiera habido capitalismo, entonces toda política de Estado capitalista era antijudía, porque ése era el escollo que el cristianismo había encontrado para consolidarse como religión universal. No contra los judíos cristianizados que, como ustedes en Israel, apoyan esa política, es cierto. Ustedes tienen de cristianos, sin saberlo, lo que ocultan en su propia memoria al ocultar que la Shoá como “solución final” fue un exterminio teológico (cristiano) político europeo. Schmitt la tenía clara. Lo que el sutil filósofo alemán católico necesitaba activar, en momentos de peligro extremo para el cristianismo y el capitalismo frente a la amenaza de la Revolución Rusa y las rebeliones socialistas, era el fundamento cristiano escondido en la política: el odio visceral y alucinado religioso antijudío para que en Europa reverdeciera con toda intensidad el fundamento grabado durante siglos en el imaginario popular cristiano. Y con ese vigor arcaico reverdecido pudieran enfrentar la amenaza revolucionaria del judeo–marxismo.
Por eso, frente a la apariencia liberal de la política democrática como una relación “amigo-amigo”, el fundamento de la política nazi extremaba las categorías de “amigo–enemigo” que Schmitt vuelve a poner de relieve en el “estado de excepción” como la verdad oculta de la democracia: el único enemigo histórico cuando entra en crisis el fundamento social europeo son nuevamente los judíos. En 1933, frente a la amenaza del socialismo tildado quizá con cierta razón de judío, resurgía para muchos europeos todo su pasado y encontraban en los judíos el fundamento más profundo de lo más temido para su concepción cristiana: las premisas judías de un materialismo consagrado, no meramente físico cartesiano como la economía capitalista requería. Por eso Schmitt vuelve a desnudar las categorías fundantes adormecidas que la teología católica mantenía vivas: volvía al fundamento religioso de la política cristiana del Estado democrático para enfrentar el peligro del “comunismo ateo y judío”.
Sucede que en ese momento los judíos laicos formaban parte de la creatividad moderna que en Europa alimentó el pensamiento político y científico: eran rebeldes todavía, no como tantos de ahora, y por eso Marx de joven pensaba que los judíos, una vez superada su etapa religiosa y se hicieran laicos prolongando la esencia judía más allá de lo religioso, podrían pasar a formar parte activa de la liberación humana.
Y cuando al fin los europeos creían haber logrado en el siglo XIX la universalización del cristiano–capitalismo que se expandía colonizando a sangre y fuego el mundo, aparece otra vez el materialismo judaico como premisa del socialismo, que no es físicamente metafísico sino que parte de la Naturaleza como fundamento de la vida del espíritu humano. Tiemblan entonces en Europa los fundamentos cristianos de la política y de la economía: un nuevo fantasma la recorre y se manifiesta en una teoría judía revolucionaria. De lo cual resulta que en momentos de crisis Hitler sólo representó, en términos estrictamente religiosos, culturales y políticos, el temor de toda la cultura occidental ante los comunistas y los judíos como los máximos enemigos de ambos, ahora renovados: del capitalismo y del cristianismo. El racismo de los nazis –esa “teozoología política”– no es más que el espiritualismo cristiano secularizado que el Estado nazi consagró laicamente en las pulsiones de los cuerpos arios.
Una vez aniquilados los millones de judíos –como luego fueron arrasando y aniquilando con la misma consigna a millones de soviéticos “judeo-comunistas”– el impacto aterrorizante de la “solución final” hizo que los judíos casi nunca, salvo muy pocos, se atrevieran a señalar a los verdaderos culpables del genocidio (como pasó entre nosotros con los genocidas). Con la derrota de los nazis como únicos culpables –según cuenta la historia de los vencedores– desapareció en Europa la historia de los pogromos y las persecuciones cristianas medievales y modernas que nos aterraron durante siglos: la de los franceses tanto como la de los italianos, los españoles, los polacos y los rusos mismos. Sólo los nazis alemanes fueron antijudíos.
Los judíos cristianizados por el terror del cristiano-capitalismo en Europa luego de la Shoá buscaron su “hogar” fuera de Europa: se instalaron en Palestina, como si el reloj de la historia, ahora teológica, se hubiera detenido hacía dos mil años. No se dieron cuenta de que la mayoría de los judíos que volvían a Israel no eran como nuestros antepasados que se habían ido: los descendientes de los defensores de Massada o de los macabeos. Buber, Gershon Scholem y tantos otros sí lo recordaban. Nadie quería que nos volviera a pasar otra vez lo mismo, es cierto; pero en vez de enfrentar y denunciar a los verdaderos culpables del genocidio –que ahora nos apoyaban para que nos fuéramos para siempre de Europa y termináramos nosotros mismos la etapa final democrática de la “solución final” judía que ellos comenzaron– los israelíes terminaron sometiendo a los palestinos como los romanos, los europeos y los nazis lo hicieron antes con nosotros. Pero primero tuvieron que vencer la resistencia de nuestros pioneros socialistas.
Los israelíes, apoyados ahora por el Imperio cristiano–capitalista que los había perseguido, crearon también en Israel un Estado teológico, pero la “parte” secularizada dentro de ese Estado judío siguió siendo la del Estado cristiano. Volvieron como judíos para culminar en Israel la cristianización comenzada en Europa: mitad judíos eternos en lo religioso, mitad cristianos secularizados en lo político y en lo económico. Por eso ahora en Israel el Estado mantiene la economía neoliberal capitalista y cristiana sostenida por los religiosos judíos sedentarios, detenidos en el tiempo arcaico de su rumiar imaginario. Y por el otro lado los iraelíes son neoliberales en la política y en la economía y en la ciencia “neutral”, cuyas premisas iluministas son cristianas. Mitad judíos en el sentimiento, mitad cristianos en el pensamiento.
Y por eso quieren que todos, también aquí y ahora, seamos como ellos: judeo-cristianos como el rabino Bermann, avalado por el cardenal Bergoglio, o judíos–laicos como Aguinis, neoliberal letrado avalado por el obispo Laguna. O como los directivos de la AMIA, que tienen la potestad de determinar si soy o no judío. Si soy judío “progresista” y no me secularicé como cristiano, entonces no soy judío, no podré aspirar a ser enterrado en un cementerio comunitario porque me faltaría la parte cristiana de mi ser judío. Pero judíos–judíos, esos que prolongan en lo que hacen o piensan los valores culturales judíos, quedan al parecer muy pocos, aunque sean muchos los que leen hebreo o reciten kaddish en la tumba de sus padres. Todos están aureolados con la coronita del cristiano-capitalismo que al fin los ha vencido por el terror cristiano luego de dos mil años de resistencia empecinada: convertidos ahora al “judeo-cristianismo”.
Por eso la creación del Hogar Judío en Palestina tiene un doble sentido: la “solución final” europea tuvo éxito, logró su objetivo, el cristianismo europeo se desembarazó de los judíos y muchos de los que se salvaron se fueron de Europa casi agradecidos, sin querer recordar por qué se iban y quiénes los habían exterminado. La Europa cristiana y democrática se había sacado el milenario peso judío de encima. Pero mis padres, que llegaron a las colonias judías de Entre Ríos, sí lo sabían.
Todos los judíos estamos pagando esta inmerecida transacción, ese “olvido” del Estado de Israel, al que seguramente se habrían negado los defensores del Ghetto de Varsovia, que murieron, ellos sí, sabiendo quiénes eran los responsables políticos, económicos y religiosos –estaban a la vista–- como los millones de judíos europeos que murieron en los campos de exterminio. Los judíos que vinieron luego, esos que estamos viendo, no quisieron ni pensar a fondo en los culpables: se unieron a los poderosos y saludaron alborozados que el socialismo stalinista antisemita se derrumbara arrastrando al olvido al mismo tiempo, como si fuera lo mismo, la memoria de los pioneros judíos revolucionarios asesinados por Stalin. Por eso sus sueños mesiánicos dependen ahora únicamente de los cristianos y del capitalismo para poder realizarse. Sólo tenían que hacer una cosa: permutar al enemigo verdadero por un enemigo falso.
Estamos pagando muy cara esta conversión judía. Los israelíes, ya vencidos en lo más entrañable que tenían de judíos históricos, se han transformado en la punta de lanza del capitalismo cristiano que los armó hasta los dientes para enfrentar el mayor y nuevo peligro que tiene el cristianismo: los mil millones de musulmanes que pueblan el mundo. Pero ni los musulmanes ni los palestinos fueron los culpables de la Shoá: los culpables del genocidio son ahora sus amigos, que los mandan al frente.
Y aquí cierra la ecuación política amigo-enemigo de Karl Schmitt. Antes, hasta la Segunda Guerra Mundial, el fundamento teológico de la política era “amigo/cristiano–enemigo/judío”. Ahora que los judíos vencidos se cristianizaron como Estado teológico neoliberal la ecuación es otra: “amigo/judeocristiano–enemigo/musulmán”. ¿Este es el lamentable destino que Jehová nos reservaba a los judíos? Porque de lo que hacen ustedes en Israel depende también el destino de todos nosotros.
(*) León Rozitchner es argentino, judío, licenciado en letras y doctorado en filosofía. (Original no Jornal Página12 aqui)
Contra o massacre e a destruição da Universidade Islâmica de Gaza
Em documento, acadêmicos brasileiros e estrangeiros se posicionam contra a violência na Faixa de Gaza. “Usa-se o mesmo sofisma com o qual se ataca o povo de Gaza: os estudantes e os professores da Universidade seriam do Hamas, pretexto idêntico àquele utilizado pelos regimes fascistas para decretar a morte da cultura (...)”. Leia na íntegra clicando aqui.
A adesão pode ser enviada à professora Arlene Clemesha (aeclem@hotmail.com) ou ao professor Caio Toledo (cntoledo@terra.com.br)
Contra o massacre e a destruição da Universidade Islâmica de Gaza
Enquanto a carnificina causada pelo ataque israelense à Faixa de Gaza nos enche de horror, tristeza e indignação, um fato, em particular, nos obriga a nos manifestar: a destruição da Universidade Islâmica de Gaza. Assim como as universidades católicas e pontifícias em todo o mundo, a Universidade de Gaza é uma instituição dedicada ao ensino e à pesquisa acadêmica.
Devido à negação ao acesso e compartimentação da vida nos territórios palestinos, a Universidade Islâmica tornou-se ainda mais importante para a população jovem de Gaza, impedida de cursar faculdades na Cisjordânia, em Israel ou no exterior, inclusive quando são aceitos como bolsistas.
A Universidade atende mais de 20.000 estudantes, 60% dos quais são mulheres. Formada por 10 faculdades, oferece cursos de graduação e pós-graduação em educação, religião, arte, comércio, direito, engenharias, ciências exatas, medicina e enfermagem. Usa-se o mesmo sofisma com o qual se ataca o povo de Gaza: os estudantes e os professores da Universidade seriam do Hamas, pretexto idêntico àquele utilizado pelos regimes fascistas para decretar a morte da cultura. O que querem é a morte da memória, da história e da identidade do povo palestino.
Os signatários desta carta condenam toda violência e lamentam cada morte, seja em Israel, seja nos Territórios Palestinos Ocupados ilegalmente por Israel. Mas não podemos aceitar calados que seja lançado literalmente aos escombros o direito à educação, à dignidade, à vida nessa pequena faixa de terra onde há décadas a população vive na mais absoluta negação. Ao atacar o direito à educação e à cultura em Gaza, coloca-se à prova a educação e a cultura mundiais.
Contra o massacre e a destruição da Universidade Islâmica de Gaza
Enquanto a carnificina causada pelo ataque israelense à Faixa de Gaza nos enche de horror, tristeza e indignação, um fato, em particular, nos obriga a nos manifestar: a destruição da Universidade Islâmica de Gaza. Assim como as universidades católicas e pontifícias em todo o mundo, a Universidade de Gaza é uma instituição dedicada ao ensino e à pesquisa acadêmica.
Devido à negação ao acesso e compartimentação da vida nos territórios palestinos, a Universidade Islâmica tornou-se ainda mais importante para a população jovem de Gaza, impedida de cursar faculdades na Cisjordânia, em Israel ou no exterior, inclusive quando são aceitos como bolsistas.
A Universidade atende mais de 20.000 estudantes, 60% dos quais são mulheres. Formada por 10 faculdades, oferece cursos de graduação e pós-graduação em educação, religião, arte, comércio, direito, engenharias, ciências exatas, medicina e enfermagem. Usa-se o mesmo sofisma com o qual se ataca o povo de Gaza: os estudantes e os professores da Universidade seriam do Hamas, pretexto idêntico àquele utilizado pelos regimes fascistas para decretar a morte da cultura. O que querem é a morte da memória, da história e da identidade do povo palestino.
Os signatários desta carta condenam toda violência e lamentam cada morte, seja em Israel, seja nos Territórios Palestinos Ocupados ilegalmente por Israel. Mas não podemos aceitar calados que seja lançado literalmente aos escombros o direito à educação, à dignidade, à vida nessa pequena faixa de terra onde há décadas a população vive na mais absoluta negação. Ao atacar o direito à educação e à cultura em Gaza, coloca-se à prova a educação e a cultura mundiais.
SIGNATÁRIOS
- Adelaide Gonçalves, Universidade Federal do Ceará
- Afrânio Mendes Catani - USP
- Alice Áurea Penteado Martha, UEM, Maringá/PR
- Alphonse Nagib Sabbagh - Universidade Federal do Rio de Janeiro
- Anita Handfas, FE/UFRJ
- Antonio Carlos de Azevedo Ritto, UERJ
- Antonio Miguel, FE, Unicamp
- Ana Lúcia Goulart de Faria, FE, Unicamp
- Philomena Gebran, UFRJ
- Arlene Clemesha, FFLCH, Universidade de São Paulo
- Arlete Moyses Rodrigues, IFCH, Unicamp
- Arlet Ramos Moreno, IFCH, Unicamp
- Áurea M. Guimarães, F.E. - Unicamp.
- Benedito Antunes, FCL-UNESP, Assis
- Boaventura de Sousa Santos - Universidade de Coimbra
- Cacilda Aparecida da Silva - PUC-SP
- Caio N. de Toledo, IFCH, UNICAMP
- Carlos Eduardo Martins, Universidade Federal Fluminense
- Carlos Walter Porto-Gonçalves, UFF
- Ceci Juruá, LPP - UERJ
- Clarice Gatto - Friocruz - RJClaudia Gil Ryckebusch - PUC-SP
- Cristina Ayoub Riche - Universidade Federal do Rio de Janeiro
- Suely Ferreira Lima - Universidade Federal do Rio de Janeiro
- Cristiane Nunes Duarte - Universidade Federal do Rio de Janeiro
- Cristina Paniago, FCS, Universidade Federal de Alagoas
- Danilo Enrico Martuscelli, IFCH, Unicamp
- Danilo Guiral, FAU-USP
- Deise Mancebo
- Edmilson Carvalho, UCSAL
- Eduardo Galeano, Escritor
- Edwiges Rabello de Lima, prof. SEESP
- Eleuterio F. S. Prado, FEA/USP
- Elisabeth Sekulic, PPFH/UERJ
- Emir Sader, LPP - UERJ e Universidade de São Paulo
- Enio Serra - FE/UFRJ
- Fernando Morais, Jornalista e Escritor
- Flávio Wolf de Aguiar, FFLCH/USP.
- Florence Carboni, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
- Francisco Antonio de Castro Lacaz - UNIFESP/Escola Paulista de Medicina
- Francisco de Oliveira, FFLCH - Universidade de São Paulo
- Francisco Miraglia, IME -Universidade de São Paulo
- Gaudencio Frigoto – UERJ
- Gilberto Maringoni - Jornalista
- Guillermo Almeyra - Universidade Autonoma de México
- Guillermo Marcelo Almeyra Casares
- Heloísa Fernandes, FFLCH - Universidade de São Paulo
- Hugo V. Capelato, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
- Ildeberto Muniz de Almeida - Faculdade de Medicina Botucatu - UNESP
- Immanuel Wallerstein - Yale University
- Ivana Jinkings, Editora João Alexandre Peschanski, University of Wisconsin-Madison
- João Baptista M. Vargens - Universidade Federal do Rio de Janeiro
- Hani Hazime - Universidade Federal do Rio de Janeiro
- Ibrahim Georges Khalil - Universidade Federal do Rio de Janeiro
- Geni Harb - Universidade Federal do Rio de Janeiro
- João Francisco Tidei Lima, Unesp/USC- Bauru
- Joaquim Fontes
- Jorge Marcelo Córdova Jarufe
- José Arbex Jr - PUC-SP
- José Claudinei Lombardi,, FE - Unicamp
- José Oscar de Almeida Marques, IFCH, UNICAMP
- Kjeld Jakobsen, FFLCH - USP
- Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida - FCS, PUC-SP.
- Luiz Carlos de Freitas, Professor Titular da Faculdade de Educação, Unicamp.
- Mamede Jarouche, FFLCH - Universidade de São Paulo
- Manuela Quintáns Alvarenga, UFRJ e CEDERJ
- Marcelo Carcanholo, FE/UFF
- Marcos Silva, Professor Titular da FFLCH/USP
- Maria Teresa Toribio B.Lemos, PPGH - UERJ e Nucleas
- Maria Victoria de Mesquita Benevides , socióloga USP
- Mário Maestri, Historiador, Programa de Pós-Graduação em História da UPF
- Marisa Brandão, CEFET/RJ
- Marise Leite - CAp - UFRJ
- Maurício Vieira Martins, ICHF/UFF
- Michel Sleiman, FFLCH - Universidade de São Paulo
- Miguel Attie Filho - FFLCH - Universidade de São Paulo
- Milton Pinheiro - Universidade do Estado da Bahia
- Miriam Abduche Kaiuca - UFRJ
- Mirian Giannella - Socióloga DRT 1902
- Mona Hawi, FFLCH- Universidade de São Paulo
- Olgária Matos, FFLCH-USP
- Osvaldo Coggiola, FFLCH - Universidade de São Paulo
- Pablo Gentili, UERJ
- Patrícia Vieira Trópia, Universidade Federal de Uberlândia
- Paulo Benevides Soares, astrônomo USP
- Paulo Cesar Azevedo Ribeiro, Relações Internacionais - UNESA
- Paulo Nakatani, Professor UFES
- Pedro Ganzeli, FE / Unicamp
- Rafael Alonso, Professor CEFET-RJ
- Ramon Casas Vilarino - Faculdade Sumaré.
- Reinaldo A. Carcanholo - UFES
- Roberto Leher - Universidade Federal FluminenseRodrigo Nobile, LPP - UERJ
- Rosanne E. Dias, CAp - UFRJ/ Proped-UERJ
- Rosemary Achcar - UNB
- Safa Jubran, FFLCH - Universidade de São Paulo
- Sergio Amadeu da Silveira - Faculdade Cásper Líbero.
- Sérgio Gregório Baierle, CIDADE Centro de Assessoria e Estudos Urbanos
- Siomara Borba, FE/UERJ
- Sonia Mariza Martuscelli, Unitau
- Soraya Smaili, Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina
- Theotonio dos Santos, prof. Emérito UFF
- Valter Pomar, Relações Internacionais - PT
- Virgínia Fontes - Historiadora, UFF
- Vittorio Cappelli, prof. Associato di Storia Contemporanea, Università della Calabria
- Zilda Márcia Grícoli Iokoi, FFLCH - USP
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Segundo o tribunal, Israel violou todas as Convenções Humanitárias de Genebra, todas as declarações internacionais de Direitos Humanos e apresentou como método de guerra o ataque à população civil. A sentença é constituída de provas dos ataques à população infantil palestina e da violação das leis internacionais e do estatuto de Roma, com testemunhos de crianças e mães da Faixa de Gaza, junto a assinaturas e petições de milhares de pessoas da América Latina, Europa, África e Ásia.
O organismo destaca ainda que a infância palestina tem vivido sob o genocídio das bombas, das metralhadoras, e da utilização como escudos humanos das crianças por parte do exército israelense. Afirma que 700 mil crianças da região foram submetidas a massacres, assassinatos, a crimes contra a humanidade, ao genocídio, ao bloqueio humanitário, sequestro e à destruição de suas escolas, de seus lares, de suas famílias e de suas casas.
"É a Sentença Moral e Ética em memória das crianças palestinas que morrem em Gaza, pelo menos para devolve-lhes a dignidade que lhes roubaram com esses crimes da barbárie humana, acompanhada por mais de 2.000 assinaturas e petições de organizações e cidadãos de mais de 50 países do mundo que apóiam este Tribunal Internacional de Consciência e solicitam à Corte Penal Internacional e aos organismos internacionais de justiça e direitos humanos da União Européia e da América Latina a abertura de causa e investigação e condenação dos culpados dos crimes", afirma o documento.
Ainda de acordo com a sentença, as violações do direito internacional humanitário devem ser perseguidas e investigadas pelos Estados, em especial pelos Estados parte dos Convênios de Genebra de 1949. O tribunal lembra que Israel é parte desde 1950 do IV Convênio, aplicável à proteção da população civil, mas não investiga nem persegue os atos que são denunciados ante seus tribunais militares e penais.
O mais adequado para a realização do julgamento desses crimes seria a atuação da Corte Penal Internacional, de acordo com a sentença. No entanto, o Estado de Israel não é parte do Estatuto dessa Corte, permitindo que os crimes de guerra perpetrados em seu território ou por seus nacionais fiquem impunes.
A sentença na íntegra pode ser acessada clicando aqui.