“Consciência”, por Renato Kress


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Café Consciência: terceira dica para os leitores

O Café da Manhã, numa parceria com o Café Consciência, inaugura sua seção de receitas assinadas pelo autodenominado somelier da cafeína Renato Kress. Segue a terceira dica do mês.

Dica da semana: Delicioso

300ml de água
3 colheres de sopa de leite Ninho
3 bolas de sorvete de creme (quanto mais cremoso melhor)
400ml de Café do Ponto Aralto Orgânico
1 colher de sopa de cobertura de caramelo para sorvete
3 a 4 colheres de leite condensado “light”

Modo de Preparo:
1. Prepare o café do Ponto Aralto Orgânico
2. Junte no liquidificador a água, o leite Ninho, as bolas de sorvete, o café e o leite condensado. Liquidifique tudo!
3. Ao servir, despeje sobre a espuma a cobertura de caramelo e mexa com a colher.

Rendimento: 3 xícaras

Café Consciência: segunda dica para os leitores

O Café da Manhã, numa parceria com o Café Consciência, inaugura sua seção de receitas assinadas pelo autodenominado somelier da cafeína Renato Kress. Segue a segunda dica do mês.

Dica da semana: Cafécolate

300 ml de Café do Ponto tradicional
300 ml de leite desnatado (gelado)
2 colheres de leite em pó integral Elegê
10 pitadas de canela
2 colheres de achocolatado Três Corações
3 chocolates “after eight” da Cacau Show

Modo de preparo:

1. Prepare o café
2. Jogue os chocolates “after eight” no café fervendo
3. Junte os demais ingredientes e liquidifique tudo!

Rendimento: 2 xícaras

Café Consciência: dicas para os leitores

O Café da Manhã, numa parceria com o Café Consciência, inaugura sua seção de receitas assinadas pelo autodenominado somelier da cafeína Renato Kress. A primeira segue esta semana e, depois, uma por semana.

Dica da semana: Capumelo

2 colheres e meia de cappuccino Três Corações
1 colher de sopa de café solúvel Melita
3 colheres de sopa de leite Ninho
500ml de leite desnatado
4 pedras de gelo
1 colher de sopa de cobertura de caramelo Yoki

Modo de preparo: Liquidifique tudo!
Rendimento: 3 xícaras

O Mito Mercado - Ensaio 1

O que desejamos para nossos parentes, amigos e colegas nesse novo ano? (...) Há quatro mil anos eu iria a um oráculo resolver essas questões (mesmo que há quatro mil anos elas não existissem), há dois mil e poucos anos a um filósofo, há mil anos eu iria a um padre, rabino, sacerdote, há sessenta ou setenta anos eu iria a um psicólogo. Mas essas são águas passadas (ou não?). Por Renato Kress, da redação.

Feliz discurso “novo”!
O que desejamos para nossos parentes, amigos e colegas nesse novo ano? É mesmo complicado termos o discernimento necessário para desejar “as palavrinhas certas” aos que nos rodeiam. Mesmo saber identificar o atributo visceral ou norteador para realizarmos nossa satisfação pessoal ou social, nosso projeto de vida, é uma tarefa um tanto desorientadora.

Oráculos
Há quatro mil anos eu iria a um oráculo resolver essas questões (mesmo que há quatro mil anos elas não existissem), há dois mil e poucos anos a um filósofo, há mil anos eu iria a um padre, rabino, sacerdote, há sessenta ou setenta anos eu iria a um psicólogo. Mas essas são águas passadas (ou não?). Hoje, se desejo obter as respostas que se articulem com o universo atual, eu as procuro no nosso “guru” contemporâneo, o “todo poderoso” Mercado.

Pensando assim me espantei com as situações inusitadas que me vieram à mente: Imagino a cena – minutos após a virada do ano – torno para a minha mãe, por exemplo, e, olhando nos seus olhos, com muito carinho e genuína preocupação com a felicidade ou “realização” dela, ternamente, digo: “Muita competitividade e flexibilidade”! Para os meus sobrinhos mais velhos, na faixa dos vinte anos, de coração desejaria um: “Muita liderança, agressividade e formação”! Aos meus amigos e conhecidos em geral eu desejaria “Muita pró-atividade e empreendedorismo!”.

Fico imaginando se esses adjetivos realmente definiriam algo em relação à possível “realização” deles, seja financeira, seja como seres humanos, e, por alguma razão, não me vejo muito entusiasmado. Talvez porque não veja, em nenhum desses adjetivos – mercadologicamente impostos diariamente no discurso dominante em nossa sociedade contemporânea –, algo de definidor do que possamos chamar de caráter.

Se o importante mesmo – dizem nossos especialistas (em geral economistas e seus seguidores administradores) – é ter “competitividade”, “agressividade”, “flexibilidade”, “liderança”, “pró-atividade” e outras fórmulas do sucesso devidamente pré-digerido, porque ainda assim não consigo ver todas essas características com bons olhos? Será que sou um pessimista convicto, ou essas palavras também soam ao leitor como belíssimas bolhas multicoloridas de ar esperando por serem preenchidas por conteúdos que variem de acordo com o que for mais rentável, aquilo que o momento econômico eleger como financeiramente “lógico”?

Tábula Rasa 8.0
Em primeiro lugar, por quê essas fórmulas de auto-ajuda administrativa ou financeira nos empurram que o ser humano (na realidade, segundo o discurso corrente, mais os jovens que os idosos) é um “hardware” vazio, com espaço livre para “baixar” os “programas” que precisa “ter”, como o programa da “competitividade 7.0” ou da “flexibilidade 8.1”? Uma desculpa crível (ou quase) do Mercado para iludir seu avanço acelerado na destruição de empregos e cargos de trabalho? Uma estratégia perversa para colocar sobre a “inaptidão” do trabalhador, sobre as suas pretensas “ineficácia”, “ineficiência” ou “inépcia” a culpa por sua pouca ou nenhuma “empregabilidade”?

Brincando com a (quase extinta) língua portuguesa
Aliás – permitam-me um breve intervalo em defesa da comunicação (não da comunicabilidade) – não que eu seja um grande literato versado em preciosismos gramaticais, mas a língua portuguesa deriva do tronco itálico e não do germânico ocidental ou do germânico, donde provém as línguas inglesa, saxônias e neerlandesas, portanto seria de ótimo tom que alguma Academia Brasileira de Letras (se houvesse) buscasse empreender alguma reprimenda pública e pesada sobre as constantes “teratologias vocabulares” do discurso do Mercado.

Parece-me que qualquer substantivo pode agora ser transformado em adjetivo da mesma forma e segundo o mesmo padrão que a língua inglesa, bastando a ele somar-se o sufixo “-ability” mal traduzido para o português “-abilidade” (sem “h” mesmo). Seguindo essa lógica você pode criar indistintamente vários adjetivos que, por terem o sufixo “-abilidade”, derivado de uma tradução direta (leia-se: sem passar pelo crivo da lógica interna da gramática portuguesa) da língua metropolitana, tornam-se imediatamente os únicos adjetivos possíveis e necessários para o ingresso numa vida mais “pró-ativa”, etc etc.

Senão vejamos: Você deseja emprego? É preciso que desenvolva “empregabilidade”. Acha justo que receba uma promoção? Desenvolva sua “promocionabilidade”. Quer tirar sua carteira de motorista? Melhore (ou melhor ainda, “improve” – com sotaque brasileiro mesmo) sua “dirigibilidade”, “guiabilidade”, “motoristabilidade”, “motociclistabilidade” etc.

Neodiscurso totalitário
Deixando brincadeiras literárias ao largo do assunto, imaginemos um mundo onde todo o discurso de construção de sentido das nossas narrativas internas, das nossas biografias, da coesão e da coerência de nossos atos e de nossas escolhas cotidianas, fosse determinado ou direcionado em busca dessas “palavrinhas ocas” cujo sentido varia ao bel prazer do Mercado, esse Demiurgo complexado e cheio de questões psicológicas insolúveis.

Imaginemos todos nós como perfeitos produtos desse discurso: legitimamente “agressivos”, “líderes”, “pró-ativos”, “empreendedores”, “flexíveis”, “eficazes” e “eficientes”. Uma espécie de Éden do Mercado, de Idade Dourada perdida e agora reencontrada. Será que um mundo, povoado por essa qualidade de ser humano, seria viável?

As Bestas no Apocalipse
Em essência, levando as perspectivas dessas “palavrinhas” ao extremo, o ser humano que o discurso do “todo poderoso” Mercado deseja criar tem todos os atributos de um pequeno déspota voluntarioso, arrogante e vaidoso e, na realidade, ele não é nada, nem ninguém.

Com toda a desordem programada do nosso planeta, ainda existe a necessidade de algum sentido maior que os possíveis de serem criados por essas “palavrinhas ocas”, que repetem de forma completamente desvinculada de contexto e conhecimento as teorias de um Hobbes e de um Darwin aliadas ao sociologismo frágil e mercadológico de um Spencer.

Essa questão é urgente não só para que nossa sanidade possa permanecer levemente dentro de parâmetros aceitáveis para o convívio social, mas também para que essa ideologia dos mais “aptos” não torne o planeta inteiro “inepto”, “ineficaz” ou “ineficiente” para a vida humana.

Resposta única do discurso único
A velha dicotomia filosófica entre o “ter” e o “ser” encontra sua resposta rasteira (e unânime!) na lógica do Mercado: “ter é ser”. Caso o seu carro, roupa, contatos, televisão, caneta, casa ou apartamento não estejam devidamente “atualizados” para 2008 – ou seja, que eles sejam respectivamente “do ano”, “da moda”, “influentes”, “de plasma”, “do modelo do ano”, “decorado pelo X ou Y da moda”, você não é ninguém.

A beatitude do “todo poderoso”
Mas, calma, o Mercado é um Demiurgo benevolente: ainda que você não possua nada disso, há uma (remota) chance de ser reconhecido como um ser apto a se tornar um dos seletos “seres humanos”, ou “cidadãos”! Basta que você “baixe” os “programas” certos, os atributos que o discurso definiu como importantes e definidores de um ser humano habilitado para o novo universo em constante mutação: tenha “agressividade”, “liderança”, “competitividade” etc. Resumindo bem, se, nesse ano de 2008, todos nós nos comportarmos como bons consumidores, dos produtos que o Mercado seleciona, das idéias que o Mercado produz, estaremos todos concorrendo a uma ou duas vagas para “Cidadãos” daqui a dez ou vinte milhões.

Processo Seletivo
O importante é que você se planeje, seja organizado, perseverante e, principalmente, flexível, porque – não duvide! – o “todo poderoso” Mercado vai te apertar (os horários livres), esmagar (perspectivas de crescimento ou estabilidade), humilhar (manifestações de sensibilidade, que são lidas como falta de agressividade e “maturidade”), esticar (seus horários de trabalho com horas extras e treinamentos), trucidar (sua saúde mental e física). Mas não se preocupe! São apenas provas, provas “naturais”, um pequeno processo seletivo para definir “os melhores”, afinal, segundo a lógica do “todo poderoso” nem todos têm mérito suficiente para serem reconhecidos como os digníssimos “seres humanos” da “Montanha Mágica” de Davos, por exemplo.


Renato Kress é brasileiro, poeta, escritor e nasceu no Rio de Janeiro no ano 82. Lançou em 2000, aos 18 anos, o livro 'Consciência', sobre impactos do neoliberalismo nos países de terceiro mundo, livro este que começara a escrever dois anos antes. É co-fundador e co-editor da revista eletrônica www.consciencia.net. Atualmente cursa a faculdade de Ciências Sociais na PUC-RJ. Contato por e-mail, clique aqui. Para outros textos do autor, clique aqui.

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Lembre-se que você tem quatro opções de entrega: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar, responda solicitando. [www.consciencia.net]

O Mito Mercado - Ensaio 1

O que desejamos para nossos parentes, amigos e colegas nesse novo ano? (...) Há quatro mil anos eu iria a um oráculo resolver essas questões (mesmo que há quatro mil anos elas não existissem), há dois mil e poucos anos a um filósofo, há mil anos eu iria a um padre, rabino, sacerdote, há sessenta ou setenta anos eu iria a um psicólogo. Mas essas são águas passadas (ou não?). Por Renato Kress, da redação.

Feliz discurso “novo”!
O que desejamos para nossos parentes, amigos e colegas nesse novo ano? É mesmo complicado termos o discernimento necessário para desejar “as palavrinhas certas” aos que nos rodeiam. Mesmo saber identificar o atributo visceral ou norteador para realizarmos nossa satisfação pessoal ou social, nosso projeto de vida, é uma tarefa um tanto desorientadora.

Oráculos
Há quatro mil anos eu iria a um oráculo resolver essas questões (mesmo que há quatro mil anos elas não existissem), há dois mil e poucos anos a um filósofo, há mil anos eu iria a um padre, rabino, sacerdote, há sessenta ou setenta anos eu iria a um psicólogo. Mas essas são águas passadas (ou não?). Hoje, se desejo obter as respostas que se articulem com o universo atual, eu as procuro no nosso “guru” contemporâneo, o “todo poderoso” Mercado.

Pensando assim me espantei com as situações inusitadas que me vieram à mente: Imagino a cena – minutos após a virada do ano – torno para a minha mãe, por exemplo, e, olhando nos seus olhos, com muito carinho e genuína preocupação com a felicidade ou “realização” dela, ternamente, digo: “Muita competitividade e flexibilidade”! Para os meus sobrinhos mais velhos, na faixa dos vinte anos, de coração desejaria um: “Muita liderança, agressividade e formação”! Aos meus amigos e conhecidos em geral eu desejaria “Muita pró-atividade e empreendedorismo!”.

Fico imaginando se esses adjetivos realmente definiriam algo em relação à possível “realização” deles, seja financeira, seja como seres humanos, e, por alguma razão, não me vejo muito entusiasmado. Talvez porque não veja, em nenhum desses adjetivos – mercadologicamente impostos diariamente no discurso dominante em nossa sociedade contemporânea –, algo de definidor do que possamos chamar de caráter.

Se o importante mesmo – dizem nossos especialistas (em geral economistas e seus seguidores administradores) – é ter “competitividade”, “agressividade”, “flexibilidade”, “liderança”, “pró-atividade” e outras fórmulas do sucesso devidamente pré-digerido, porque ainda assim não consigo ver todas essas características com bons olhos? Será que sou um pessimista convicto, ou essas palavras também soam ao leitor como belíssimas bolhas multicoloridas de ar esperando por serem preenchidas por conteúdos que variem de acordo com o que for mais rentável, aquilo que o momento econômico eleger como financeiramente “lógico”?

Tábula Rasa 8.0
Em primeiro lugar, por quê essas fórmulas de auto-ajuda administrativa ou financeira nos empurram que o ser humano (na realidade, segundo o discurso corrente, mais os jovens que os idosos) é um “hardware” vazio, com espaço livre para “baixar” os “programas” que precisa “ter”, como o programa da “competitividade 7.0” ou da “flexibilidade 8.1”? Uma desculpa crível (ou quase) do Mercado para iludir seu avanço acelerado na destruição de empregos e cargos de trabalho? Uma estratégia perversa para colocar sobre a “inaptidão” do trabalhador, sobre as suas pretensas “ineficácia”, “ineficiência” ou “inépcia” a culpa por sua pouca ou nenhuma “empregabilidade”?

Brincando com a (quase extinta) língua portuguesa
Aliás – permitam-me um breve intervalo em defesa da comunicação (não da comunicabilidade) – não que eu seja um grande literato versado em preciosismos gramaticais, mas a língua portuguesa deriva do tronco itálico e não do germânico ocidental ou do germânico, donde provém as línguas inglesa, saxônias e neerlandesas, portanto seria de ótimo tom que alguma Academia Brasileira de Letras (se houvesse) buscasse empreender alguma reprimenda pública e pesada sobre as constantes “teratologias vocabulares” do discurso do Mercado.

Parece-me que qualquer substantivo pode agora ser transformado em adjetivo da mesma forma e segundo o mesmo padrão que a língua inglesa, bastando a ele somar-se o sufixo “-ability” mal traduzido para o português “-abilidade” (sem “h” mesmo). Seguindo essa lógica você pode criar indistintamente vários adjetivos que, por terem o sufixo “-abilidade”, derivado de uma tradução direta (leia-se: sem passar pelo crivo da lógica interna da gramática portuguesa) da língua metropolitana, tornam-se imediatamente os únicos adjetivos possíveis e necessários para o ingresso numa vida mais “pró-ativa”, etc etc.

Senão vejamos: Você deseja emprego? É preciso que desenvolva “empregabilidade”. Acha justo que receba uma promoção? Desenvolva sua “promocionabilidade”. Quer tirar sua carteira de motorista? Melhore (ou melhor ainda, “improve” – com sotaque brasileiro mesmo) sua “dirigibilidade”, “guiabilidade”, “motoristabilidade”, “motociclistabilidade” etc.

Neodiscurso totalitário
Deixando brincadeiras literárias ao largo do assunto, imaginemos um mundo onde todo o discurso de construção de sentido das nossas narrativas internas, das nossas biografias, da coesão e da coerência de nossos atos e de nossas escolhas cotidianas, fosse determinado ou direcionado em busca dessas “palavrinhas ocas” cujo sentido varia ao bel prazer do Mercado, esse Demiurgo complexado e cheio de questões psicológicas insolúveis.

Imaginemos todos nós como perfeitos produtos desse discurso: legitimamente “agressivos”, “líderes”, “pró-ativos”, “empreendedores”, “flexíveis”, “eficazes” e “eficientes”. Uma espécie de Éden do Mercado, de Idade Dourada perdida e agora reencontrada. Será que um mundo, povoado por essa qualidade de ser humano, seria viável?

As Bestas no Apocalipse
Em essência, levando as perspectivas dessas “palavrinhas” ao extremo, o ser humano que o discurso do “todo poderoso” Mercado deseja criar tem todos os atributos de um pequeno déspota voluntarioso, arrogante e vaidoso e, na realidade, ele não é nada, nem ninguém.

Com toda a desordem programada do nosso planeta, ainda existe a necessidade de algum sentido maior que os possíveis de serem criados por essas “palavrinhas ocas”, que repetem de forma completamente desvinculada de contexto e conhecimento as teorias de um Hobbes e de um Darwin aliadas ao sociologismo frágil e mercadológico de um Spencer.

Essa questão é urgente não só para que nossa sanidade possa permanecer levemente dentro de parâmetros aceitáveis para o convívio social, mas também para que essa ideologia dos mais “aptos” não torne o planeta inteiro “inepto”, “ineficaz” ou “ineficiente” para a vida humana.

Resposta única do discurso único
A velha dicotomia filosófica entre o “ter” e o “ser” encontra sua resposta rasteira (e unânime!) na lógica do Mercado: “ter é ser”. Caso o seu carro, roupa, contatos, televisão, caneta, casa ou apartamento não estejam devidamente “atualizados” para 2008 – ou seja, que eles sejam respectivamente “do ano”, “da moda”, “influentes”, “de plasma”, “do modelo do ano”, “decorado pelo X ou Y da moda”, você não é ninguém.

A beatitude do “todo poderoso”
Mas, calma, o Mercado é um Demiurgo benevolente: ainda que você não possua nada disso, há uma (remota) chance de ser reconhecido como um ser apto a se tornar um dos seletos “seres humanos”, ou “cidadãos”! Basta que você “baixe” os “programas” certos, os atributos que o discurso definiu como importantes e definidores de um ser humano habilitado para o novo universo em constante mutação: tenha “agressividade”, “liderança”, “competitividade” etc. Resumindo bem, se, nesse ano de 2008, todos nós nos comportarmos como bons consumidores, dos produtos que o Mercado seleciona, das idéias que o Mercado produz, estaremos todos concorrendo a uma ou duas vagas para “Cidadãos” daqui a dez ou vinte milhões.

Processo Seletivo
O importante é que você se planeje, seja organizado, perseverante e, principalmente, flexível, porque – não duvide! – o “todo poderoso” Mercado vai te apertar (os horários livres), esmagar (perspectivas de crescimento ou estabilidade), humilhar (manifestações de sensibilidade, que são lidas como falta de agressividade e “maturidade”), esticar (seus horários de trabalho com horas extras e treinamentos), trucidar (sua saúde mental e física). Mas não se preocupe! São apenas provas, provas “naturais”, um pequeno processo seletivo para definir “os melhores”, afinal, segundo a lógica do “todo poderoso” nem todos têm mérito suficiente para serem reconhecidos como os digníssimos “seres humanos” da “Montanha Mágica” de Davos, por exemplo.


Renato Kress é brasileiro, poeta, escritor e nasceu no Rio de Janeiro no ano 82. Lançou em 2000, aos 18 anos, o livro 'Consciência', sobre impactos do neoliberalismo nos países de terceiro mundo, livro este que começara a escrever dois anos antes. É co-fundador e co-editor da revista eletrônica www.consciencia.net. Atualmente cursa a faculdade de Ciências Sociais na PUC-RJ. Contato por e-mail, clique aqui. Para outros textos do autor, clique aqui.

_______________________________________
Lembre-se que você tem quatro opções de entrega: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar, responda solicitando. [www.consciencia.net]

O Mito Mercado - Ensaio 1

O que desejamos para nossos parentes, amigos e colegas nesse novo ano? (...) Há quatro mil anos eu iria a um oráculo resolver essas questões (mesmo que há quatro mil anos elas não existissem), há dois mil e poucos anos a um filósofo, há mil anos eu iria a um padre, rabino, sacerdote, há sessenta ou setenta anos eu iria a um psicólogo. Mas essas são águas passadas (ou não?). Por Renato Kress, da redação.

Poesia e prosa

“E a cidade era um rio de lava, meio tensa meio seca, era minha carne que líquida se esgueirava a mil por hora em desejo e vida.

Dedetização

Desinteresses comuns, criatividades fugidias, até um pouco de imbecilidade e incompreensão que movam. O ar-condicionado com café, silêncio e tempo, a TV a cabo, telefone livre, celular e banda larga fodem com a rédea da vida (...) Por Renato Kress, co-editor Consciência.Net.

O Político-Produto

Nessa época alargada de eleições podemos facilmente perceber o desgaste dos políticos que chegaram ao segundo turno. Chegar ao segundo turno não é bom para ninguém, manter a atual exposição midiática, como uma exposição ao sol, pode causar câncer eleitoral (...) É nessa hora que fica evidente a transformação do político num produto tanto quanto do eleitor num consumidor. Por Renato Kress, co-editor Consciência.Net.

Raízes do Cristianismo

Creiam ou não Jesus não morreu como um Pop-Star. Em sua gênese o cristianismo era só mais uma dentre as várias doutrinas religiosas orientais. Nascida no seio da religião judaica que, como todas as religiões antigas, era nacional ou própria a uma população em particular, ele trazia, contudo, uma perspectiva completamente nova: a idéia de evangelização, a possibilidade de espalhar a ‘boa nova’ para o mundo inteiro, a fim de converter os não-cristãos e tornar-se universal (...) Por Renato Kress, co-editor da Revista Consciência.Net.

Renato Kress: Arquivo 2003

Fuga de Creta
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Desigualdade e Ética no Brasil
4 de setembro

Caostemporaneidade
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Rótulos
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Metodologia da contemporaneidade
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Matrix, uma visão antropológica
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Tradição da burguesia e desenvolvimento
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Conflito no Iraque
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A Racionalidade de George
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Imortais, uma perspectiva
18 de fevereiro

Renato Kress: Arquivo 2002

Mancha, marca, chaga, estigma 2
18 de dezembro

Mancha, marca, chaga, estigma
14 de dezembro

Reestruturação do Capetalismo para o Séc. XXI
4 de novembro

De mãos dadas: Passos da sociedade organizada
21 de outubro

Ensaio sobre o MEDO
19 de outubro

Reichstul: um homem, várias ruínas
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Arnaldo Jabices, Ceguinhos e cia.
20 de maio

Considerações de Ano Novo
13 de fevereiro

Renato Kress: Arquivo 2001

Rasgos na constituição
28 de novembro

Sobre o pensamento único
12 de novembro

Desenvolvido - um pequeno estudo etimológico
19 de maio

Povo, Mídia e Funk - A alienação cotidiana
17 de maio

Idade Mídia
14 de maio

Sobre os apagões cariocas e outros
4 de maio

Para que o Petróleo seja nosso...
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Obrigado ACM pela risada da semana
8 de março

Teoria da conspiração 1 - Nomes e Suspeitas
4 de março

Renato Kress: Arquivo 2000

Cegueira e Inconsciência Política
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Mudança de Pólos - Uma perspectiva em dados
16 de dezembro

Acordo com OMC, adeus autonomia
15 de dezembro

Salada de frutas e Nescau neoliberais
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Pegando fogo
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Ibope, Marketing & Fama
23 de agosto

O tapete não está tapando...
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Livre concorrência é bom entre iguais
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Bolívar nasceu no século errado
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Brincando de Esconde-esconde com a Realidade
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Técnicas "Globais" Parte 1 - MST
12 de junho

Fecharam a Fábrica de Mártires? (parte 2)
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