Viúva de Paulo Freire faz carta de repúdio à Revista Veja

Na edição de 20 de agosto, a revista Veja publicou a reportagem O que estão ensinando a ele?. De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Entre as linhas da reportagem podemos encontrar isso:

“Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização [...]”

Em resposta, Nita, viúva de Paulo Freire, publicou no blog do jornalista Luis Carlos Azenha (www.viomundo.com.br) uma carta de repúdio: “Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. [...]”

Você pode ler a carta na íntegra clicando no título, no Em Dia Com a Cidadania.

A história de um pai que cancelou a assinatura de uma revista

Luiz Carlos Azenha, Vi O Mundo - O texto abaixo, disseminado através da internet, está "bombando" entre estudantes universitários, atribuído a um aluno da Universidade Federal de Pernambuco. Reproduzo antecipando que não foi possível confirmar a autoria. Submeto a vocês, portanto, para julgamento da argumentação:

"Hoje, dia 10 de junho do ano de 2008, foi o dia em que meu pai cancelou a renovação da Revista Veja. É bem verdade que há fatos históricos um tanto quanto mais importantes e você deve estar se perguntando “o que cargas d’água eu tenho a ver com isso?”. Não é nenhuma tomada de Constantinopla, queda da Bastilha ou vitória da Baia dos Porcos. É um ato de pequenas dimensões objetivas, realizado no espaço particular de uma família de classe média brasileira, sem relevantes conseqüências materiais para as finanças da Editora Abril, sem repercussões no latifúndio midiático nacional (...)" Leia na íntegra clicando no título.

Capa da "New Yorker" sobre Fidel realça o quanto "Veja" se tornou vulgar

Por Luiz Carlos Azenha

Classe é outra coisa. Não é só questão de estampa. A New Yorker da semana traz um belo texto de Alma Guillermoprieto sobre a despedida de Fidel. "Vamos, Fidel, não há ninguém em seu caminho", ela escreve - nos transportando para uma porta imaginária pela qual passa "o filho do fazendeiro espanhol rico com a lavadeira cubana", com um ondulante roupão de hospital.

"Depois de quase cinqüenta anos, é difícil argüir que de fato houve o desejo do povo cubano de ver seu líder detonado por um charuto explosivo ou de dar boas vindas a uma invasão terceirizada", escreveu.

"Hoje, mesmo a mais veemente oposição dentro de Cuba tem poucas ilusões de que Washington adotará uma postura informada, esclarecida, não-intervencionista e generosa" diante da transição na ilha, afirma ela, oferecendo a própria sobrevivência de Fidel como prova de que o embargo econômico mantido por nove presidentes americanos fracassou.

O site da revista tirou do arquivo um perfil escrito por Jon Lee Anderson, o biógrafo de Che - aquele, que detonou a Veja.

Podem acusar Fidel de qualquer coisa, menos deste exibicionismo vulgar, uma caricatura do Brasil atrasado:

O texto de Alma Guillermoprieto você lê aqui (em inglês).

Nassif desnuda o ''jornalismo esgoto'' da revista Veja

FNDC e Portal Vermelho - O jornalista Luis Nassif começou nesta semana a publicar uma série de textos com os quais pretende desnudar o tipo de "jornalismo" praticado pela revista Veja e os interesses inconfessáveis que movem a editora Abril.

"O maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja. Gradativamente, o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico", diz Nassif no primeiro texto da série.

Outro jornalista muito crítico à Veja, Paulo Henrique Amorim, comemorou a iniciativa do colega Nassif como "a primeira etapa do strip-tease do PIG (Partido da Imprensa Golpista) brasileiro". Clique no título para ler mais.

O "cozidão" do grampo (Luis Nassif)

Uma capa de revista semanal é uma celebração. É tema relevante, quente, em que se colocam os melhores quadros para apurar os dados. Por isso mesmo, não faz sentido essa capa da “Veja” sobre os “grampos” no STF (Supremo Tribunal Federal). A revista cometeu o que, no jargão jornalístico, chama-se de “cozidão” – cozinhar notícias velhas e dar aparência de novidade. Qual a razão? Não se sabe ao certo. Leia o artigo do Luis Nassif aqui.

Santiago e "ética" da Revista Veja

A revista Veja publicou, sem autorização, um trabalho do desenhista Santiago. Pior ainda, publicou mesmo tendo sido desautorizada a fazê-lo. É o próprio Santiago quem relata: "Dois dias antes da eleição (segundo turno), recebi um telefonema de um funcionário da redação da revista Veja pedindo autorização para usar este desenho. Respondi que não autorizava pois não concordava com a linha editorial da revista. Repeti que não gostaria de ver trabalho meu nesse momento histórico nas páginas dessa publicação. Pois no sábado fui à banca, abri a revista e lá estava a minha charge publicada na página de apresentação da edição. Mais do que usar um trabalho sem autorização, Veja usou um trabalho que havia sido verbalmente desautorizado pelo autor. Um belo exemplo da arrogância da grande imprensa".

O segundo governo Lula nem iniciou e a Veja já tenta vitaminar a tese da "ameaça à liberdade de imprensa". O depoimento de três jornalistas da publicação na Polícia Federal foi transformado em denúncia de "abuso, constrangimento e ameaças". Três assuntos, aliás, dos quais a revista entende muito bem. A nota divulgada pela direção da revista falando em jornalismo "ético e independente" é uma piada. A "ética" de Veja, conforme ilustra bem o relato de Santiago na nota abaixo, é não ter nenhum escrúpulo na hora de forjar suas "denúncias" bombásticas baseadas em ilações, especulações e boatos. (matéria de Marco Weissheimer no seu blog RS Urgente)