Aprovação de projeto de lei mantém conflito entre governistas e bancada ruralista na Argentina

Exportações de grãos continuarão a ser taxadas. Ruralistas prometem mais protestos. Por João Reis (*), de Buenos Aires, para a Agência Consciência.Net.
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BUENOS AIRES. As bandeiras nacionais estendidas nas janelas e varandas dos prédios da capital portenha não são apenas o reflexo do patriotismo característico dos argentinos. Na realidade, sua assídua aparição pelas ruas da cidade se deve ao atual momento de efervescência política, em função dos conflitos entre os ruralistas e a bancada governista, liderada pela presidente Cristina Kirchner.

O problema começou quando a presidente argentina resolveu taxar, em março, as exportações de grãos para evitar uma crise de abastecimento interno, e uma conseqüente alta dos preços de alimentos, como vem acontecendo em algumas partes do mundo.

A medida provocou reações radicais de agropecuaristas em todo o país, que fecharam estradas, gerando, por alguns dias, a crise que os kirchneristas tentavam evitar (nos supermercados, meia-dúzia de ovos chegou a custar 10 pesos). Além disso, nas cidades mais populosas, os tradicionais panelaços – manifestações de cunho político em que os argentinos protestam batendo em panelas – apoiavam, em sua maioria, o campo, bem como as bandeiras hasteadas nos apartamentos cidades afora.

Apesar das manifestações contrárias, na madrugada de ontem para hoje, a bancada governista obteve uma importante vitória. Por uma apertada diferença de 7 votos (129 votos a favor a 122 votos contra) o kirchnerismo mostrou sua força ao aprovar, em uma sessão que durou mais de 19 horas, a manutenção das taxações as exportações de graos, embora tenha ampliado o número de produtores que receberão compensações.

Deputados argentinos comemoram vitória no Congresso Nacional



Assim, o projeto contempla que os produtores que comercializam até 300 toneladas de soja paguem uma taxa de 30%; os que vendem entre 300 e 750 toneladas, 35%, a mesma taxa que será cobrada para os que comercializam entre 750 e 1500 toneladas. No entanto, tais modificações não foram consideradas suficientes tanto pela oposição como pelas entidades rurais, que alegaram que o governo não poderia converter em lei a causa que motivou o conflito.

Essa insatisfação pode gerar ainda mais manifestações por parte do setor agropecuário, cujas entidades, horas antes da votação, já alertavam que haveria grandes chances de os protestos serem retomados, caso os deputados aprovassem o projeto do Executivo.

Ao final da votação, possível graças ao quórum de 129 deputados alcançado pela bancada governista, kirchneristas e aliados festejaram aos gritos e abraços: “se este não é o povo, o povo onde está?”

(Com Clarín.com e Folha On Line)

(*) João Reis é colaborador da Revista Consciência.Net, estudante de jornalismo da UFRJ e bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET) da Escola de Comunicação da UFRJ.


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Aprovação de projeto de lei mantém conflito entre governistas e bancada ruralista na Argentina

Exportações de grãos continuarão a ser taxadas. Ruralistas prometem mais protestos. Por João Reis (*), de Buenos Aires, para a Agência Consciência.Net.
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BUENOS AIRES. As bandeiras nacionais estendidas nas janelas e varandas dos prédios da capital portenha não são apenas o reflexo do patriotismo característico dos argentinos. Na realidade, sua assídua aparição pelas ruas da cidade se deve ao atual momento de efervescência política, em função dos conflitos entre os ruralistas e a bancada governista, liderada pela presidente Cristina Kirchner.

O problema começou quando a presidente argentina resolveu taxar, em março, as exportações de grãos para evitar uma crise de abastecimento interno, e uma conseqüente alta dos preços de alimentos, como vem acontecendo em algumas partes do mundo.

A medida provocou reações radicais de agropecuaristas em todo o país, que fecharam estradas, gerando, por alguns dias, a crise que os kirchneristas tentavam evitar (nos supermercados, meia-dúzia de ovos chegou a custar 10 pesos). Além disso, nas cidades mais populosas, os tradicionais panelaços – manifestações de cunho político em que os argentinos protestam batendo em panelas – apoiavam, em sua maioria, o campo, bem como as bandeiras hasteadas nos apartamentos cidades afora.

Apesar das manifestações contrárias, na madrugada de ontem para hoje, a bancada governista obteve uma importante vitória. Por uma apertada diferença de 7 votos (129 votos a favor a 122 votos contra) o kirchnerismo mostrou sua força ao aprovar, em uma sessão que durou mais de 19 horas, a manutenção das taxações as exportações de graos, embora tenha ampliado o número de produtores que receberão compensações.

Deputados argentinos comemoram vitória no Congresso Nacional



Assim, o projeto contempla que os produtores que comercializam até 300 toneladas de soja paguem uma taxa de 30%; os que vendem entre 300 e 750 toneladas, 35%, a mesma taxa que será cobrada para os que comercializam entre 750 e 1500 toneladas. No entanto, tais modificações não foram consideradas suficientes tanto pela oposição como pelas entidades rurais, que alegaram que o governo não poderia converter em lei a causa que motivou o conflito.

Essa insatisfação pode gerar ainda mais manifestações por parte do setor agropecuário, cujas entidades, horas antes da votação, já alertavam que haveria grandes chances de os protestos serem retomados, caso os deputados aprovassem o projeto do Executivo.

Ao final da votação, possível graças ao quórum de 129 deputados alcançado pela bancada governista, kirchneristas e aliados festejaram aos gritos e abraços: “se este não é o povo, o povo onde está?”

(Com Clarín.com e Folha On Line)

(*) João Reis é colaborador da Revista Consciência.Net, estudante de jornalismo da UFRJ e bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET) da Escola de Comunicação da UFRJ.


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A crise alimentar e os biocombustíveis

Já são 6 bilhões de seres humanos na Terra, dos quais aproximadamente 800 milhões passam fome. Por isso, a ocupação de terras produtivas para o cultivo com fins energéticos certamente é um fato que merece atenção, tanto das autoridades quanto da sociedade civil organizada. Por João Reis (*), da redação Consciência.Net.

Em meio ao atual cenário de crise alimentar, o cultivo dos biocombustíveis em terras férteis vem sendo objeto de discussões pelo mundo afora.

Já são 6 bilhões de seres humanos na Terra, dos quais aproximadamente 800 milhões passam fome. Por isso, a ocupação de terras produtivas para o cultivo com fins energéticos certamente é um fato que merece atenção, tanto das autoridades quanto da sociedade civil organizada.

No entanto, é preciso atentar para motivações e interesses políticos e econômicos que possam estar por trás de argumentações contrárias ao cultivo de biocombustíveis em países emergentes como o Brasil. Apoiando-se num discurso muitas vezes populista – “a favor dos esfomeados do mundo” - governantes dos países de primeiro mundo, que dependem da produção de alimentos na América Latina e África principalmente, vêm atacando o cultivo de biocombustíveis nessas regiões, embora os cultivem em seus próprios países.

Há duas semanas, o relator especial da ONU sobre o Direito aos Alimentos, Jean Ziegler, apelou para que a produção de biocombustíveis fosse totalmente suspensa, por ser a principal causa do aumento de preços de alimentos. Essa afirmação, sem dúvida radical, peca pelo reducionismo com que trata essa questão, e faz parte de um jogo de interesses, muito mais complexo do que um problema moral, como quis colocar o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn.

Ainda há, como apontou a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, muitas terras improdutivas ou subaproveitadas, bem como áreas antes degradadas pelo homem, que podem ser utilizadas para a produção de alimentos. Só no Brasil, existe o equivalente ao território da França e Alemanha disponível para o cultivo de alimentos; mas faltam investimentos e infra-estrutura para isso, porque há uma falta de interesse privado para se financiar a produção de alimentos. Esses estão garantindo menos dividendos aos empresários em relação à exploração de biocombustíveis. Com a falta de investimentos, menos alimentos são produzidos e mais caros eles ficam, o que contribui para a crise alimentar, que castiga as faixas mais pobres da população (vide os protestos no Senegal, Haiti, Burkina Faso, Egito).

Consumo e capital especulativo

Outro aspecto que influencia a alta de preços dos alimentos são os maiores níveis de consumo na China, Índia, África e América Latina, o que acaba gerando inflação. Também é válido destacar que parte dos recursos aplicados no setor primário consiste em capital especulativo, sujeitando sua produção à instabilidade do mercado. Além disso, os governantes dos países desenvolvidos, que garantem subsídios agrícolas a seus produtores - prejudicando a exportação de alimentos provenientes dos países de terceiro mundo e causando toda uma reação em cadeia que culmina na falta de investimento na produção de alimentos – são responsáveis diretos pela crise de alimentos.

A ONU e o FMI - instâncias que representam, a priori, os interesses dos países desenvolvidos - criticam os biocombustíveis porque muitas de suas ‘fazendas’ estão se transformando em ‘indústria’. O campo está se desenvolvendo e isso é, em alguma medida, uma ameaça às culturas primárias. Mas, sendo o cultivo dos biocombustíveis controlado e, em paralelo, terras improdutivas passando a ser utilizadas para a plantação de grãos, essa situação tenderá a se equilibrar.

Mais provável do que uma eventual falta de alimentos no mundo em função do cultivo de biocombustíveis é a degradação de biomas terrestres devido à emergência das ‘culturas energéticas’. A fronteira agrícola está, agora, mais pressionada do que nunca. Por isso, em vez de se discutir o papel dos biocombustíveis na crise alimentar, seria mais construtivo pautar as conseqüências de sua expansão, que pode gerar novos 'arcos de desmatamento'.

(*) João Reis é estudante de jornalismo na UFRJ e colaborador Consciência.Net.


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A crise alimentar e os biocombustíveis

Já são 6 bilhões de seres humanos na Terra, dos quais aproximadamente 800 milhões passam fome. Por isso, a ocupação de terras produtivas para o cultivo com fins energéticos certamente é um fato que merece atenção, tanto das autoridades quanto da sociedade civil organizada. Por João Reis (*), da redação Consciência.Net.

Em meio ao atual cenário de crise alimentar, o cultivo dos biocombustíveis em terras férteis vem sendo objeto de discussões pelo mundo afora.

Já são 6 bilhões de seres humanos na Terra, dos quais aproximadamente 800 milhões passam fome. Por isso, a ocupação de terras produtivas para o cultivo com fins energéticos certamente é um fato que merece atenção, tanto das autoridades quanto da sociedade civil organizada.

No entanto, é preciso atentar para motivações e interesses políticos e econômicos que possam estar por trás de argumentações contrárias ao cultivo de biocombustíveis em países emergentes como o Brasil. Apoiando-se num discurso muitas vezes populista – “a favor dos esfomeados do mundo” - governantes dos países de primeiro mundo, que dependem da produção de alimentos na América Latina e África principalmente, vêm atacando o cultivo de biocombustíveis nessas regiões, embora os cultivem em seus próprios países.

Há duas semanas, o relator especial da ONU sobre o Direito aos Alimentos, Jean Ziegler, apelou para que a produção de biocombustíveis fosse totalmente suspensa, por ser a principal causa do aumento de preços de alimentos. Essa afirmação, sem dúvida radical, peca pelo reducionismo com que trata essa questão, e faz parte de um jogo de interesses, muito mais complexo do que um problema moral, como quis colocar o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn.

Ainda há, como apontou a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, muitas terras improdutivas ou subaproveitadas, bem como áreas antes degradadas pelo homem, que podem ser utilizadas para a produção de alimentos. Só no Brasil, existe o equivalente ao território da França e Alemanha disponível para o cultivo de alimentos; mas faltam investimentos e infra-estrutura para isso, porque há uma falta de interesse privado para se financiar a produção de alimentos. Esses estão garantindo menos dividendos aos empresários em relação à exploração de biocombustíveis. Com a falta de investimentos, menos alimentos são produzidos e mais caros eles ficam, o que contribui para a crise alimentar, que castiga as faixas mais pobres da população (vide os protestos no Senegal, Haiti, Burkina Faso, Egito).

Consumo e capital especulativo

Outro aspecto que influencia a alta de preços dos alimentos são os maiores níveis de consumo na China, Índia, África e América Latina, o que acaba gerando inflação. Também é válido destacar que parte dos recursos aplicados no setor primário consiste em capital especulativo, sujeitando sua produção à instabilidade do mercado. Além disso, os governantes dos países desenvolvidos, que garantem subsídios agrícolas a seus produtores - prejudicando a exportação de alimentos provenientes dos países de terceiro mundo e causando toda uma reação em cadeia que culmina na falta de investimento na produção de alimentos – são responsáveis diretos pela crise de alimentos.

A ONU e o FMI - instâncias que representam, a priori, os interesses dos países desenvolvidos - criticam os biocombustíveis porque muitas de suas ‘fazendas’ estão se transformando em ‘indústria’. O campo está se desenvolvendo e isso é, em alguma medida, uma ameaça às culturas primárias. Mas, sendo o cultivo dos biocombustíveis controlado e, em paralelo, terras improdutivas passando a ser utilizadas para a plantação de grãos, essa situação tenderá a se equilibrar.

Mais provável do que uma eventual falta de alimentos no mundo em função do cultivo de biocombustíveis é a degradação de biomas terrestres devido à emergência das ‘culturas energéticas’. A fronteira agrícola está, agora, mais pressionada do que nunca. Por isso, em vez de se discutir o papel dos biocombustíveis na crise alimentar, seria mais construtivo pautar as conseqüências de sua expansão, que pode gerar novos 'arcos de desmatamento'.

(*) João Reis é estudante de jornalismo na UFRJ e colaborador Consciência.Net.


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Exemplo chinês

O crescimento da economia chinesa é proporcional à degradação ambiental do país, cuja situação serve de alerta para outras nações emergentes. Por João Reis (*), da redação.

A China enfrenta hoje uma grave crise ambiental. Seus dois principais rios – o Azul e o Amarelo –, que cortam boa parte do vasto território chinês, estão poluídos, assim como o ar do país, que chega a afetar nações vizinhas, como as Coréias do Sul e do Norte.

Tais condições vêm provocando uma série de problemas à sociedade chinesa, traduzindo-se em perdas à economia - em 2007, foram gastos 64 bilhões de dólares com problemas decorrentes da degradação de seu meio ambiente, o equivalente a 3% de seu PIB - conseqüentemente, num empecilho ao próprio desenvolvimento da China.

Desde a eclosão do “boom” econômico chinês, há aproximadamente 10 anos, políticos, ambientalistas, entre outros, não deixam calar a pergunta: e se os chineses começarem a consumir na proporção em que crescem? Preocupam-se porque sabem que o mundo não suportaria um novo Estados Unidos. Não há “infra-estrutura natural” para dar conta de mais de 1 bilhão de indivíduos, em apenas um das centenas de países, vivendo como o american way of life designa.

As autoridades chinesas, aparentemente, já tomam providências, ainda que tais ações reflitam a iminência das olimpíadas de Pequim, em 2008, podendo ser apenas provisórias, sem projeções a longo prazo. Se for o caso, a preocupação persiste: se as atividades chinesas já prejudicam países próximos, dentro de alguns anos poderão ter implicações em todo o ecossistema terrestre.

A situação vivida pela China serve de lição a outros países emergentes, incluindo o Brasil. Regidos ainda por um modelo de desenvolvimento insustentável, por serem utilizados pelas nações mais desenvolvidas como zonas industriais, fazendas, plantações e, atualmente, até como reservas de oxigênio, esses países gabam-se por seus superávits e pelo crescimento na produção e exportação, enquanto superexploram seus recursos naturais. Ao invés de perpetuarem tais condições - quase que de subserviência - os países emergentes deveriam investir em educação, em pesquisas, formalizar patentes e, principalmente, planejar seu desenvolvimento com responsabilidade socioambiental.

Caso não haja uma mudança de paradigma, com a aplicação de modelos que conciliem as necessidades humanas e a preservação ambiental, tanto a China como o Brasil e a Índia poderão seguir o mesmo caminho que os países desenvolvidos já vem trilhando há algum tempo, deixando um ‘rastro de sujeira’ que é responsável pelas atuais condições do meio ambiente terrestre.

É preciso, portanto, que os países emergentes se unam para pressionar o resto do mundo a adotar práticas sustentáveis, principalmente os países desenvolvidos. Afinal, num mundo globalizado, em que o fluxo internacional de capitais dita o ritmo de desenvolvimento de países em todo o planeta, aqueles que não adotam estratégias de crescimento agressivas, quase sempre prejudiciais ao meio ambiente, saem perdendo (recebem menos investimentos; são considerados rústicos e obsoletos). Daí a importância de se promover uma transformação radical nos modelos que regem as relações produtivas em escala planetária, a começar pelas principais potências mundiais.
(*) João Reis é estudante de jornalismo e colaborador da Revista Consciência.Net



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Exemplo chinês

O crescimento da economia chinesa é proporcional à degradação ambiental do país, cuja situação serve de alerta para outras nações emergentes. Por João Reis (*), da redação.

A China enfrenta hoje uma grave crise ambiental. Seus dois principais rios – o Azul e o Amarelo –, que cortam boa parte do vasto território chinês, estão poluídos, assim como o ar do país, que chega a afetar nações vizinhas, como as Coréias do Sul e do Norte.

Tais condições vêm provocando uma série de problemas à sociedade chinesa, traduzindo-se em perdas à economia - em 2007, foram gastos 64 bilhões de dólares com problemas decorrentes da degradação de seu meio ambiente, o equivalente a 3% de seu PIB - conseqüentemente, num empecilho ao próprio desenvolvimento da China.

Desde a eclosão do “boom” econômico chinês, há aproximadamente 10 anos, políticos, ambientalistas, entre outros, não deixam calar a pergunta: e se os chineses começarem a consumir na proporção em que crescem? Preocupam-se porque sabem que o mundo não suportaria um novo Estados Unidos. Não há “infra-estrutura natural” para dar conta de mais de 1 bilhão de indivíduos, em apenas um das centenas de países, vivendo como o american way of life designa.

As autoridades chinesas, aparentemente, já tomam providências, ainda que tais ações reflitam a iminência das olimpíadas de Pequim, em 2008, podendo ser apenas provisórias, sem projeções a longo prazo. Se for o caso, a preocupação persiste: se as atividades chinesas já prejudicam países próximos, dentro de alguns anos poderão ter implicações em todo o ecossistema terrestre.

A situação vivida pela China serve de lição a outros países emergentes, incluindo o Brasil. Regidos ainda por um modelo de desenvolvimento insustentável, por serem utilizados pelas nações mais desenvolvidas como zonas industriais, fazendas, plantações e, atualmente, até como reservas de oxigênio, esses países gabam-se por seus superávits e pelo crescimento na produção e exportação, enquanto superexploram seus recursos naturais. Ao invés de perpetuarem tais condições - quase que de subserviência - os países emergentes deveriam investir em educação, em pesquisas, formalizar patentes e, principalmente, planejar seu desenvolvimento com responsabilidade socioambiental.

Caso não haja uma mudança de paradigma, com a aplicação de modelos que conciliem as necessidades humanas e a preservação ambiental, tanto a China como o Brasil e a Índia poderão seguir o mesmo caminho que os países desenvolvidos já vem trilhando há algum tempo, deixando um ‘rastro de sujeira’ que é responsável pelas atuais condições do meio ambiente terrestre.

É preciso, portanto, que os países emergentes se unam para pressionar o resto do mundo a adotar práticas sustentáveis, principalmente os países desenvolvidos. Afinal, num mundo globalizado, em que o fluxo internacional de capitais dita o ritmo de desenvolvimento de países em todo o planeta, aqueles que não adotam estratégias de crescimento agressivas, quase sempre prejudiciais ao meio ambiente, saem perdendo (recebem menos investimentos; são considerados rústicos e obsoletos). Daí a importância de se promover uma transformação radical nos modelos que regem as relações produtivas em escala planetária, a começar pelas principais potências mundiais.
(*) João Reis é estudante de jornalismo e colaborador da Revista Consciência.Net



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