CPT lembra morte de trabalhador rural em Areia Grande (BA)

Ao final da celebração de sétimo dia do assassinato do companheiro José Campos Braga (nosso Zé de Antero), realizada no dia 7 de fevereiro, em Areia Grande, no sertão da Bahia, com a presença de mais de 300 pessoas das nossas comunidades, firmamos nosso compromisso selado com o sangue de nosso companheiro. Leia aqui a nota da Comissão Pastoral da Terra.

Nota Pública das comunidades de Areia Grande sobre morte de trabalhador rural

Ao final da celebração de sétimo dia do assassinato do companheiro José Campos Braga (nosso Zé de Antero), realizada no dia 7 de fevereiro, em Areia Grande, no sertão da Bahia, com a presença de mais de 300 pessoas das nossas comunidades, firmamos nosso compromisso selado com o sangue de nosso companheiro. O trabalhador rural, José Campos Braga, 56 anos, foi encontrado morto com um tiro de espingarda, no final da tarde do dia 4 de fevereiro, na área de Fundo de Pasto de Areia Grande, município de Casa Nova, no sertão baiano.

A questão da apropriação indevida de terras pelos grandes latifundiários é antiga. Ações por parte do Judiciário sempre estiveram contra nós e nossos direitos sobre a terra na qual vivemos. Até que em dezembro passado, finalmente, foi reconhecido ao Estado da Bahia, pelo Juiz da Comarca de Casa Nova, o direito de discriminar esta terra devoluta e regularizá-la em favor de seus legítimos donos, que somos nós e nossas comunidades, que recebemos em herança de nossos antepassados e fazemos uso coletivo como “fundo de pasto”.

O processo de discriminação ainda não chegou ao seu fim, mas tem representado importante vitória de nossas comunidades tradicionais contra a grilagem de terras. Isso atiçou ainda mais os que sempre se acostumaram a vencer com as armas do dinheiro e da violência.

Baseando em indícios mais que suficientes, não temos dúvida que nosso companheiro foi assassinado covardemente a mando de grupos e pessoas que ambicionam nossas áreas e, inconformados com a decisão da Justiça, nos deram esta resposta bárbara e desumana.

Neste momento sentimos que, além dos mandantes e executores, a responsabilidade maior dessa tragédia pesa sobre as autoridades: a União, o Estado, o Judiciário e a Polícia. Exigimos que tomem medidas urgentes para tornar eficaz a ação em favor da justiça que, nesta situação, para nós significa:

  • Investigar com isenção, identificar, prender os executores e mandantes do assassinato de José e puní-los exemplarmente com o rigor da lei;
  • Garantir a segurança das 330 famílias que moram e trabalham nas comunidades de Areia Grande, criando condições para que não transitem mais neste local, pessoas estranhas e suspeitas;
  • Agilizar, por parte das autoridades judiciais, o processo de julgamento da Ação Discriminatória, garantindo, no seu curso, o exercício da nossa posse legítima e tradicional e, por parte do Poder Executivo Estadual, todas as medidas posteriores necessárias para que estas terras possam ser definitivamente regularizadas em nome das Associações de Fundo de Pasto de Areia Grande;
  • Apoiar com programas de políticas públicas eficientes nossas organizações para que vivamos em paz, neste regime de Fundo de Pasto, trabalhando e produzindo conforme nossos costumes e assumindo os destinos que nós mesmos queremos para nossas vidas e famílias.


Conclamamos as organizações e pessoas do campo e da cidade a se solidarizarem conosco, assinando esta nossa nota pública e reforçando nossa pressão organizada sobre as autoridades públicas.

Jamais podemos aceitar que estas autoridades, com sua ação direta ou sua omissão, sejam promotoras de acumulação privada dos bens da natureza, de exploração e violência, como a que pesa sobre nós há muitos anos e que hoje chegaram ao ponto de tirar a vida de um companheiro.

Nossa terra ferida foi encharcada com o sangue do Zé de Antero. Seu sangue não mente. Jamais esqueceremos o marco triste desta morte. Dela, brotaram, porém mais forte a esperança e o compromisso de marcharmos unidos até a vitória final, com a fé que temos em Deus e na nossa união solidária.

Assinam a nota, as comunidades e as entidades abaixo:
  • Melancia
  • Riacho Grande
  • Salina do Brinca
  • Jurema
  • Tanquinho
  • Ladeira Grande
  • Lagoado
  • Curibonde
  • Amalhador
  • Cacimbas

Entidades
  • Articulação do Semi-Árido (ASA) – Casa Nova
  • Articulação Nordeste III das Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s)
  • Comissão Pastoral da Terra (CPT) – Bahia
  • Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA)
  • Paróquia de Casa Nova, Bahia
  • Paróquia de Sobradinho, Bahia
  • Paróquia Santo Antônio de Juazeiro, Bahia
  • Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) - Sobradinho, Bahia
  • Setor Diocesano de Comunicação (SEDICA) – Juazeiro, Bahia
  • Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remanso, Bahia
  • Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado da Bahia (APLB) - Casa Nova
  • SINTAGRO
  • União das Associações de Fundo de Pasto (UNASFP) - Casa Nova

As entidades que quiserem se solidarizar conosco, favor enviar sua adesão através do e-mail: cptba@cptba.org.br

Areia Grande, Casa Nova (BA), 7 de fevereiro de 2009

Mais informações:
  • Érika Dourado, Assessoria de Comunicação - CPT Bahia - (71) 3329-5750.
  • Paulo Victor Melo, Assessoria de Comunicação da CPT Juazeiro - (74) 9997 4981 / (74) 3611 3550 / cptjuazeiro@cptba.org.br

Tupinambás são feridos em confronto com policias federais

Três índios Tupinambás da Serra do Padeiro, sul da Bahia, ficaram feridos em um confronto com agentes da Polícia Federal (PF), no dia 20 de outubro. O Tribunal Federal da 1ª Região havia concedido o prazo de 180 para que a Fundação Nacional do Índio (Funai) finalizasse o relatório de identificação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença. Como o prazo não foi cumprido, a Polícia Federal determinou que fossem executadas as liminares de reintegração de posse das áreas retomadas pelos indígenas.

Os índios podem perder terras essenciais para sua sobrevivência, onde existem projetos agrícolas em andamento, casas de farinha e escolas construídas com recursos do Governo Federal. Eles também temem por sua integridade física. A PF já cumpriu alguns dos mandados de reintegração de posse, mas os indígenas afirmam que continuarão resistindo. Eles pedem que a Funai tente um acordo para o adiamento do prazo de reintegração de posse para que possa concluir o relatório de identificação da Terra Indígena Tupinambá.

Ato ecumênico em antiga área da Syngenta Seeds homenageia Keno

Cerca de oitocentas pessoas ligados à Via Campesina do Paraná, movimentos sociais e entidades participaram de um ato ecumênico para lembrar a morte de Valmir Mota de Oliveira, o Keno, que completou um ano no dia 21 de outubro. Eles saíram em caminhada do Acampamento Terra Livre, localizado no Assentamento Olga Benário, em direção à área onde aconteceu o assassinato, antes pertencente à Syngenta Seeds.

Uma cruz de cedro foi colocada no local para lembrar a morte de Keno. Dentro da fazenda, eles realizaram um ato ecumênico com a participação do integrante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Padre Diego Pelizzari, e do reverendo da Igreja Episcopal Anglicana de Cascavel (PR), Luiz Carlos Gabas. Além de homenagear Keno, o ato também teve o objetivo de cobrar a punição dos responsáveis pela morte do trabalhador rural.

A Brigada de Audiovisual da Via Campesina produziu um documentário sobre o assassinato de Valmir Mota de Oliveira. “Nem um minuto de silêncio! Fora Syngenta do Brasil!” está disponível clicando aqui.

Milícias atacam acampamento em Redenção, no Pará

No dia 16 de outubro último, cerca de oito pistoleiros atacaram o Acampamento Sardinha, organizado na Fazenda Vaca Branca, conhecida também por Fazenda Santa Maria, no Município de Redenção, no sul do Pará.

Eles estavam encapuzados e fortemente armados, com pistolas, revólveres e espingardas, dispararam vários tiros, humilharam, ameaçaram as pessoas de morte, incendiaram os barracos com tudo o que tinham dentro, inclusive mantimentos, e expulsaram as 27 famílias ali presentes. Apavoradas, elas se refugiaram na cidade de Redenção, na casa de familiares e amigos.

O crime foi comunicado à DECA (Delegacia de Conflitos Agrários), que lamentavelmente limitou-se a registrá-lo como ameaça, quando está configurado o porte ilegal de arma, disparos de arma de fogo, incêndio e formação de quadrilha ou bando.

É escandalosa a forma com que a policia do Pará continua a tratar os crimes praticados pelas milícias privadas contra os trabalhadores rurais sem terra. Agindo assim, o Delegado da DECA, Newton Brabo, já decretou a impunidade dos pistoleiros. Clique no título para ler mais.

Assassinato de Valmir Mota de Oliveira completa um ano

Há um ano, em 21 de outubro de 2007, uma milícia armada travestida de empresa de segurança assassinou o trabalhador rural sem terra Valmir Mota de Oliveira durante a ocupação da transnacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, no Paraná. O assassinato de Keno, apelido pelo qual ele era conhecido, tornou-se símbolo da luta do homem do campo contra as empresas estrangeiras símbolos do agronegócio.

Protestos contra o assassinato e manifestações de apoio à família de Keno estenderam-se por todo o mundo. Movimentos sociais contra transgênicos foram à Europa para um ato público em frente à sede francesa da Syngenta Seeds, localizada em Toulouse. No Brasil, trabalhadores rurais realizaram inúmeras manifestações para não deixar que os assassinos ficassem impunes. Clique no título para saber mais.

Mais uma vez, funcionários de arrozeiros ameaçam de morte indígenas em Raposa Serra do Sol

Do Cimi - Dois jovens indígenas, Clenildo Conceição André e Cassiano Filho, foram ameaçados de morte por Rubilar Jesus e Edmundo Viriato Amaro, funcionários da Fazenda Depósito do arrozeiro Paulo César Quartiero, na terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Na sexta-feira passada (4) os jovens foram surpreendidos nas proximidades da comunidade Dez Irmãos, a mesma em que um grupo indígenas foi atacado pelos invasores de suas terras no dia 5 de maio. Os agressores estavam embriagados, armados e forçaram os jovens a entrar no carro que conduziam. Clique no título para ler.

Comissão Pastoral da Terra lança o 'Conflitos no Campo Brasil 2007'

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou, nesta terça-feira, 15 de abril, os dados dos conflitos e da violência presentes na obra Conflitos no Campo Brasil 2007. O ato foi realizado durante a programação do Acampamento de Lançamento da Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra (montado no Estádio Mané Garrincha), em Brasília, Distrito Federal.

Em 2007 foram assassinadas 28 pessoas em conflitos pela terra, número menor que em 2006, quando foram registrados 39 assassinatos. Esta diminuição se deu porque no Pará, em 2007, se registraram cinco mortes, quando em 2006, foram registradas 24. Em contraposição a essa forte retração no Pará, no restante do país houve um aumento de 50% no número dos assassinatos, que aconteceram em 14 estados, quando em 2006, as 39 mortes se concentraram em oito estados.

Isto mostra que a violência se espraia pelo Brasil, dominando novos espaços. No ato do lançamento serão apresentados, ainda, números de ameaçados de morte, de tentativas de assassinato, de expulsões, despejos judiciais, ocupações, trabalho escravo, dentre outros. Clique no título para ler mais.

"Aldo Rebelo é quem deveria estar no presídio da Papuda"

No dia 23 de julho, durante o Encontro Nacional dos Povos do Campo, em Brasília, Dom Tomás Balduíno concedeu uma longa entrevista à Agência Repórter Social. Por sua importância histórica, ela é reproduzida aqui na íntegra. O coordenador da Comissão Pastoral da Terra fala de conjuntura, mas percorre em sua fala centenas de quilômetros de uma história fundiária violenta. E faz projeções nada otimistas em relação ao futuro do País, que estaria sofrendo uma “guinada para a direita”, “pela pressão dos meios de comunicação”.

Ele defendeu uma nova Constituinte antes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva falar disso, com repercussão bastante negativa. Motivo: o Congresso elege as elites, conforme o que o sociólogo Chico de Oliveira chamou de “fila dos idiotas”. Dom Tomás não deixa pedra sobre pedra. Sobre o episódio do MLST, disparou: “Aldo Rebelo é quem deveria estar no presídio da Papuda”. Clique no título para ler ou vá direto à Agência Repórter Social.

Conflito agrário alimenta lista de ameaças de morte

Da Agência Estado - Na última sexta-feira, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Marabá, a 500 quilômetros de Belém, divulgou uma relação atualizada de pessoas ameaçadas de morte no Estado do Pará. São 35, entre posseiros, líderes sindicais e de movimentos sociais. O Estado detém o triste recorde de mortes nos conflitos pela posse da terra. Segundo a CPT nacional, das 1.379 mortes ocorridas em todo o País, entre 1985 e 2004, 523 foram no Pará. Só este ano são sete mortes, entre elas a da irmã Dorothy Stang, em Anapu.

No cemitério mal cuidado de Vila Murumuru, um povoado a 12 quilômetros de Marabá, o presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais do município, Antônio Gomes, mostra a sepultura nua de seu antecessor no cargo. José Pinheiro Lima, o Dedé, sua esposa Cleonice e seu filho Samuel, 15 anos, mortos por um pistoleiro em 9 de julho de 2001, foram ali enterrados no dia seguinte. "É aqui que as ameaças terminam", comentou Gomes.

(...) Dos que já se foram há mais tempo, todos integrantes das listas macabras, conhecia, bem, pelo menos meia dúzia, entre eles o padre Josino Tavares, de forte influência em sua formação de católico praticante da Teologia da Libertação. A morte é freqüente nos sonhos que tem. "Já levei tiro, já vi meu corpo cercado de velas, já ouvi discursos no meu enterro, mas não esquento a cabeça com isso." Clique no título para ler a matéria na íntegra.